{"id":5666,"date":"2015-03-25T17:33:28","date_gmt":"2015-03-25T20:33:28","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/ceia-do-senhor\/"},"modified":"2017-04-07T14:02:37","modified_gmt":"2017-04-07T17:02:37","slug":"ceia-do-senhor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/ceia-do-senhor\/","title":{"rendered":"Ceia do Senhor"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"> A liturgia da Quinta-feira Santa \u00e9 um convite a aprofundar concretamente no mist\u00e9rio da Paix\u00e3o de Cristo, j\u00e1 que quem deseja segui-Lo deve sentar-se \u00e0 sua mesa e, com o m\u00e1ximo recolhimento, participar de tudo o que aconteceu na noite em que iam entreg\u00e1-Lo \u00e0 morte.<br \/> E, por outro lado, o mesmo Senhor Jesus nos d\u00e1 um testemunho da voca\u00e7\u00e3o ao servi\u00e7o do mundo e da Igreja que temos todos os fi\u00e9is, quando Ele decide lavar os p\u00e9s dos seus disc\u00edpulos. <br \/> O Evangelho de Jo\u00e3o apresenta Jesus \u201csabendo que o Pai p\u00f4s tudo em suas m\u00e3os, que vinha de Deus e a Deus retornava\u201d, mas que, ante cada homem, sente tal amor que, igual como fez com os disc\u00edpulos, se ajoelha e lava os seus p\u00e9s, como sinal de servi\u00e7o, convidando-nos a \u201clavar os p\u00e9s uns dos outros\u201d.<br \/> Esta \u00e9 a tarde que faz mem\u00f3ria da Ceia Pascal de Jesus. Aquilo que o Senhor realizou durante toda a vida e consumou na Cruz \u2013 isto \u00e9, sua entrega de amor total ao Pai, por n\u00f3s \u2013, Ele quis nos deixar nos gestos, nas palavras e nos s\u00edmbolos da Ceia que celebrou com os seus. No Cen\u00e1culo, estava j\u00e1 presente, em s\u00edmbolos e gestos, a entrega amorosa do Calv\u00e1rio. Era em fam\u00edlia que os judeus celebravam o Banquete Pascal. Jesus celebrou com seus disc\u00edpulos, portanto, conosco, sua fam\u00edlia: \u201cTendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os at\u00e9 o fim,\u201d at\u00e9 o extremo de entregar a vida, pois \u201cn\u00e3o h\u00e1 maior prova de amor que entregar a vida pelos amigos\u201d (Jo 15,13).<br \/> S\u00e3o Paulo completa, lembrando a todas as comunidades crist\u00e3s o que ele mesmo recebeu: que aquela memor\u00e1vel noite a entrega de Cristo chegou a fazer-se sacramento permanente no p\u00e3o e no vinho que se convertem em seu Corpo e seu Sangue, alimento para todos os que queiram estar com Ele e esperar sua vinda no final dos tempos.<br \/> A Eucaristia, a Santa Missa, \u00e9 a celebra\u00e7\u00e3o da Ceia do Senhor institu\u00edda por Jesus na v\u00e9spera da sua paix\u00e3o, &#8220;enquanto ceava com seus disc\u00edpulos tomou o p\u00e3o&#8230;&#8221; (Mt 26, 26). Ele quis que, como em sua \u00faltima Ceia, seus disc\u00edpulos se reunissem e fizessem mem\u00f3ria d\u2019Ele, aben\u00e7oando o p\u00e3o e o vinho: &#8220;Fazei isto em mem\u00f3ria de mim&#8221; (Lc 22,19).<br \/> Antes de ser entregue, Cristo se entrega como alimento. Entretanto, nesta Ceia, o Senhor Jesus celebra sua morte: o que fez, o fez como an\u00fancio prof\u00e9tico e oferecimento antecipado e real da sua morte antes da sua Paix\u00e3o. Por isso &#8220;quando comemos deste p\u00e3o e bebemos deste c\u00e1lice, proclamamos a morte do Senhor at\u00e9 que ele volte&#8221; (1Cor 11, 26).<br \/> Assim, constatamos que a Eucaristia \u00e9 o memorial da Morte de Cristo na cruz, Ele que \u00e9 Senhor, e &#8220;Senhor que venceu a Morte&#8221;, ou seja, o Ressuscitado cujo regresso esperamos de acordo com a promessa que Ele mesmo fez ao despedir-se: &#8220;Um pouco de tempo e j\u00e1 n\u00e3o me vereis, mais um pouco de tempo ainda e me vereis&#8221; (Jo 16, 16).<br \/> Como diz o pref\u00e1cio deste dia: &#8220;Cristo verdadeiro e \u00fanico sacerdote, se ofereceu como v\u00edtima de salva\u00e7\u00e3o e nos mandou perpetuar esta oferenda em sua comemora\u00e7\u00e3o&#8221;. Por isso, esta Eucaristia \u00e9 celebrada com caracter\u00edsticas pr\u00f3prias: como Missa &#8220;na Ceia do Senhor&#8221;.<br \/> Celebramos a certeza de saber que esta morte do Senhor n\u00e3o terminou no fracasso, mas no \u00eaxito, teve um por que e um para que: foi uma &#8220;entrega&#8221;, um &#8220;dar-se&#8221;, foi &#8220;por algo&#8221; ou, melhor dizendo, &#8220;por algu\u00e9m&#8221; e nada menos que por &#8220;n\u00f3s e pela nossa salva\u00e7\u00e3o&#8221; (Credo). &#8220;Ningu\u00e9m a tira de mim, (Jesus se refere \u00e0 sua vida) mas eu a dou livremente. Tenho poder de entreg\u00e1-la e poder de retom\u00e1-la.&#8221; (Jo 10, 18), e hoje nos diz que foi para &#8220;remiss\u00e3o dos pecados&#8221; (Mt 26, 28c).<br \/> Por isso, esta Eucaristia da Quinta-feira Santa \u00e9 solenemente celebrada, mas nos cantos, na mensagem, nos s\u00edmbolos, n\u00e3o deve ser nem t\u00e3o festiva nem t\u00e3o jubilosamente explosiva, como a Noite de P\u00e1scoa, noite em que celebramos o desfecho glorioso dessa entrega. Por\u00e9m, n\u00e3o est\u00e1 repleta da solene e contrita tristeza da Sexta-feira Santa, porque o que nos interessa &#8220;sublinhar&#8221; neste momento \u00e9 que &#8220;o Pai entregou o Seu Filho para que todo o que nele cr\u00ea n\u00e3o pere\u00e7a, mas tenha a vida eterna&#8221; (Jo 3, 16), e que o Filho entregou-se voluntariamente a n\u00f3s, e deu sua vida atrav\u00e9s da morte em uma cruz ignominiosa.<br \/> Com essa celebra\u00e7\u00e3o solene \u201cna Ceia do Senhor\u201d abrimos o Tr\u00edduo Pascal, que celebra o mist\u00e9rio central da nossa f\u00e9: a Morte e Ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus. E \u00e9 muito importante a nossa participa\u00e7\u00e3o nesses momentos do ano na Igreja, para que fa\u00e7amos nossa experi\u00eancia pascal e sejamos testemunhas do Cristo Ressuscitado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A liturgia da Quinta-feira Santa \u00e9 um convite a aprofundar concretamente no mist\u00e9rio da Paix\u00e3o de Cristo, j\u00e1 que quem deseja segui-Lo deve sentar-se \u00e0 sua mesa e, com o m\u00e1ximo recolhimento, participar de tudo o que aconteceu na noite em que iam entreg\u00e1-Lo \u00e0 morte. 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