{"id":5646,"date":"2015-03-17T17:23:01","date_gmt":"2015-03-17T20:23:01","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/nao-somos-deuses\/"},"modified":"2017-04-07T14:30:40","modified_gmt":"2017-04-07T17:30:40","slug":"nao-somos-deuses","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/nao-somos-deuses\/","title":{"rendered":"N\u00e3o Somos Deuses"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cO sonho do ser humano \u00e9 ser Deus e seu pesadelo \u00e9 ver-se obrigado a simular que alcan\u00e7ou esse prop\u00f3sito\u201d.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Guilhermo Cabreira Infante<br \/>Escritor cubano radicado em Londres<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A serpente disse \u00e1 mulher: \u201cn\u00e3o, n\u00e3o morrereis! Mas Deus sabe que, no dia em que dele comerdes, vossos olhos se abrir\u00e3o e v\u00f3s sereis como deuses\u201d (Gn 3,4. 5).<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"> A primeira e a mais soberba e exacerbada\u00a0 das tenta\u00e7\u00f5es \u00e9 querermos ser como Deus ou at\u00e9 mesmo sermos deuses. Como exemplo, Pedro se recusou a ser tratado como um deus (At 10,26), enquanto Herodes aceitava o t\u00edtulo de \u201cdeus\u201d (At 12,22-23). Herodes, no entanto, \u201c&#8230; ro\u00eddo de vermes, expirou.\u201d (At 12,23). Quando Paulo e Barnab\u00e9 ouviram a multid\u00e3o chamando-os de deuses, pelos nomes de \u201cMerc\u00fario\u201d e de \u201cJ\u00fapiter\u201d, perceberam como era grande essa tenta\u00e7\u00e3o. \u201cOuvindo isto, os ap\u00f3stolos Barnab\u00e9 e Paulo rasgaram seus mantos e precipitaram-se em meio \u00e0 multid\u00e3o e disseram: amigos, que estais fazendo? N\u00f3s tamb\u00e9m somos seres humanos, sujeitos aos mesmos sofrimentos que v\u00f3s\u201d (At 14, 15). De modo a corrigir o povo sobre o erro de atribuir divindade \u00e0 eles (At 14,14-15). Contrariamente ao que \u00e9 pregado por outros cultos, n\u00f3s n\u00e3o somos deuses.<br \/> Ao inv\u00e9s de cada um de n\u00f3s tornar-se um deus, Deus se fez um de n\u00f3s. Ele se fez um ser humano. Ao inv\u00e9s de nos fazer homens-deuses, Ele se fez Deus-homem. Desse modo, n\u00f3s n\u00e3o tornamos Deus, mas podemos ter parte\u00a0 em sua natureza divina (2 Pd 1,4) e \u201c&#8230; a fim de que, por ele, nos tornemos justi\u00e7a de Deus.\u201d (2 Co 5,21). Podemos at\u00e9 mesmo ter Deus, o Pai, Filho, e Espirito Santo estabelecendo uma morada conosco (Jo 14,23). N\u00e3o somos deuses; somos tabern\u00e1culos e templos de Deus (1Co 6,19) (1).<br \/> Somos pecadores que carecem do perd\u00e3o, de mudan\u00e7as via a gra\u00e7a maravilhosa de Cristo e de progressiva santifica\u00e7\u00e3o no amor de Deus. A nossa vida deve caminhar na humildade e simplicidade da doutrina do Evangelho de Jesus.<br \/> O ser humano com sua intelig\u00eancia e natureza pecaminosa e perversa criam sistemas para melhor canalizar suas ideologias e realizar seus projetos de dom\u00ednios. Toda estrutura torna-se manipulada pela sede de poder. Legitimado pela ferramenta da ci\u00eancia, das leis, da cultura e da religi\u00e3o.\u00a0\u00a0\u00a0 O ser humano que pensa ser Deus, vice Deus, um ser divino intoc\u00e1vel, esquematiza sua vida religiosa como representante \u201c\u00fanico\u201d de Deus\u00a0 e finge uma espiritualidade que engana espetacularmente seus seguidores.<br \/> O maior e o mais bem sucedido sistema de controle, de poder e de escravid\u00e3o \u00e9 o religioso. \u00c9 imperativo para os fi\u00e9is n\u00e3o questionar o l\u00edder religioso, os dogmas, as cren\u00e7as e jamais as finan\u00e7as do \u201ctemplo sagrado\u201d. O renomado jornalista americano e autor do livro A Pris\u00e3o da F\u00e9, Lawrence Wright, escreveu: \u201cPassei boa parte de minha carreira examinando os efeitos de cren\u00e7as religiosas sobre a vida das pessoas. Historicamente, essa \u00e9 uma influ\u00eancia muito mais profunda sobre a sociedade e os indiv\u00edduos que a pol\u00edtica, mat\u00e9ria-prima de tanto jornalismo\u201d (2).<br \/> A revela\u00e7\u00e3o mais terr\u00edvel \u00e9 saber que tais l\u00edderes n\u00e3o acreditam em nada do que \u00e9 transcendental, sobrenatural, Divino e Eterno.<br \/> O teatro da lideran\u00e7a religiosa \u00e9 uma arte grandiosa que se esmera de forma t\u00e3o eficaz que passa para o p\u00fablico como verdadeiros praticantes da f\u00e9, do amor, da caridade, da paz e da justi\u00e7a, no entanto, tudo \u00e9 encena\u00e7\u00e3o lit\u00fargica arquitet\u00f4nica. Tudo tem que ser majestoso: das vestes religiosas aos templos grandiosos. Tudo \u00e9 para impressionar, pasmar os crentes e deixa-los impossibilitados de se libertar, questionar e de pensar diferente.<br \/> H\u00e1 muitas igrejas, religi\u00f5es, seitas, cren\u00e7as, farta literatura de doutrinas espirituais e mentores demais, todavia falta a viv\u00eancia da verdade, da liberdade religiosa, da uni\u00e3o abissal e da comunh\u00e3o entre todos.<\/p>\n<p>(1) Um P\u00e3o, Um Corpo, 18\/05\/2014, p. 54. <br \/>(2) Wright, Lawrence. A pris\u00e3o da f\u00e9: cientologia, celebridade e Hollywood, 1. ed. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2013, p. 14.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cO sonho do ser humano \u00e9 ser Deus e seu pesadelo \u00e9 ver-se obrigado a simular que alcan\u00e7ou esse prop\u00f3sito\u201d. Guilhermo Cabreira InfanteEscritor cubano radicado em Londres A serpente disse \u00e1 mulher: \u201cn\u00e3o, n\u00e3o morrereis! Mas Deus sabe que, no dia em que dele comerdes, vossos olhos se abrir\u00e3o e v\u00f3s sereis como deuses\u201d (Gn [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":16,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-5646","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5646","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/users\/16"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5646"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5646\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10511,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5646\/revisions\/10511"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5646"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5646"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5646"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}