{"id":5644,"date":"2015-03-15T03:00:00","date_gmt":"2015-03-15T06:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/o-templo-que-somos\/"},"modified":"2017-04-07T14:39:08","modified_gmt":"2017-04-07T17:39:08","slug":"o-templo-que-somos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/o-templo-que-somos\/","title":{"rendered":"O templo que somos"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">A dignidade humana anda em baixa. Na mesma propor\u00e7\u00e3o em que a mat\u00e9ria se sobrep\u00f5e aos valores do esp\u00edrito, o conceito de dignidade passa a ser entendido como algo que possa ser agrad\u00e1vel ao olhar da carne, n\u00e3o da alma. Assim, a vis\u00e3o do entendimento se turva, tornando secund\u00e1rio o que seria essencial na compreens\u00e3o e defini\u00e7\u00e3o da grandeza humana diante do Universo. Vemos o aparente e deixamos de lado a ess\u00eancia. Afinal, o que \u00e9 mesmo dignidade?<br \/> Essa quest\u00e3o atravessa mil\u00eanios, sem que cheguemos a uma resposta consensual. Nossas formas de tratamento dizem tudo, desde excelent\u00edssimo, dign\u00edssimo, reverend\u00edssimo ou mesmo imperador, comendador, bar\u00e3o ou sult\u00e3o do passado, os t\u00edtulos de nobreza e respeito ao cargo foram sempre maneiras verbais de se respeitar ou venerar a dignidade mais elevada de um cargo ou posi\u00e7\u00e3o social acima da m\u00e9dia. Chega \u00e0 comicidade quando ouvimos de homens p\u00fablicos um \u201cVossa Excel\u00eancia me respeite!\u201d, seguido de palavr\u00f5es e xingamentos, comuns em debates pol\u00edticos. Mas antes, sobressai-se a forma de tratamento respeitosa&#8230; A dignidade do cargo est\u00e1 sempre acima da dignidade da pessoa humana.<br \/> Enquanto isso, nas ruas e vielas a dignidade da popula\u00e7\u00e3o vai pelo ralo. N\u00e3o se trata apenas da aus\u00eancia de bens estruturais ou saneamentos do b\u00e1sico que todos t\u00eam direito, mas de respeito \u00e0 nossa maior riqueza, a ess\u00eancia da vida, o templo divino que nossa f\u00e9 diz possuirmos dentro de n\u00f3s. \u201cN\u00e3o sabeis que sois templo vivo do Esp\u00edrito?\u201d \u2013 questionou afirmativamente o ap\u00f3stolo Paulo. \u00c9 essa inconsci\u00eancia do valor que temos dentro de n\u00f3s que nos leva ao vazio da viol\u00eancia, do desrespeito, da selvageria que hoje domina a vida social. J\u00e1 n\u00e3o \u00e9 nem quest\u00e3o religiosa \u2013 pois que esta se desenvolve naturalmente na consci\u00eancia dos homens de boa vontade, boa \u00edndole \u2013 mas uma amea\u00e7a de desumaniza\u00e7\u00e3o pelo excesso de hedonismo. N\u00e3o precisa consultar o Aur\u00e9lio. Ele ensina com muita propriedade: hedonismo \u00e9 a doutrina moral que considera o prazer finalidade da vida e exalta o poder econ\u00f4mico como instrumento para se obter o m\u00e1ximo sem um m\u00ednimo de esfor\u00e7o. N\u00e3o \u00e9 essa uma perfeita defini\u00e7\u00e3o para a sociedade atual? Diante de t\u00e3o nefasta realidade sobram apenas alguns idealistas que ainda teimam na f\u00e9 que professam.<br \/> Talvez seja um desses. Acreditar que o mundo possa ser melhor exige tamb\u00e9m acreditar no ser humano. Por isso teimo em minha f\u00e9. Por isso ainda vejo o caminho do calv\u00e1rio do Cristo como o mesmo que estamos trilhando, mas que sempre nos aponta uma luz, uma revela\u00e7\u00e3o, uma esperan\u00e7a maior al\u00e9m dos t\u00famulos que nos rodeiam. Aquele t\u00famulo vazio, emprestado por um representante da elite judaica, tornou-se a maior prova de mudan\u00e7as no terceiro dia; oxal\u00e1 tamb\u00e9m no terceiro mil\u00eanio! Vida nova, dignidade, respeito ao que ainda temos de bom, ao que somos de mais precioso \u00e9 o que nos ensina a doutrina da fraternidade.<br \/> O que n\u00e3o se pode \u00e9 continuar medindo a dignidade do ser humano pelos seus bens, pela autoridade que representa, pela usurpa\u00e7\u00e3o da aparente sabedoria, pelo uso inescrupuloso da intelig\u00eancia em benef\u00edcio pr\u00f3prio ou pela imposi\u00e7\u00e3o de sua sexualidade qual garanh\u00e3o em pasto aberto ou gazela em pleno cio.\u00a0 Isso em nada dignifica a ra\u00e7a feita \u00e0 imagem e semelhan\u00e7a do pr\u00f3prio Criador. Esse \u00e9 o ponto. Enquanto n\u00e3o nos dermos conta da preciosidade da vida e da riqueza de nossa individualidade, nunca a justi\u00e7a ser\u00e1 restaurada. Pal\u00e1cios suntuosos e mans\u00f5es adornadas com as riquezas do mundo s\u00e3o f\u00e1ceis de construir. Basta dinheiro. Mas castelo capaz de abrigar com a suntuosidade que lhe \u00e9 pr\u00f3pria ao Criador de tudo, outro n\u00e3o existe sen\u00e3o o cora\u00e7\u00e3o humano. Esse \u00e9 o templo onde Deus deseja morar. \u201cSenhor, eu n\u00e3o sou digno\u201d, mas sua Palavra, suas Promessas, sim! \u201cFa\u00e7a-se em mim\u201d&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A dignidade humana anda em baixa. Na mesma propor\u00e7\u00e3o em que a mat\u00e9ria se sobrep\u00f5e aos valores do esp\u00edrito, o conceito de dignidade passa a ser entendido como algo que possa ser agrad\u00e1vel ao olhar da carne, n\u00e3o da alma. 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