{"id":5632,"date":"2015-03-17T17:01:06","date_gmt":"2015-03-17T20:01:06","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/a-igreja-e-a-sociedade-em-mudanca\/"},"modified":"2017-04-07T14:34:20","modified_gmt":"2017-04-07T17:34:20","slug":"a-igreja-e-a-sociedade-em-mudanca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/a-igreja-e-a-sociedade-em-mudanca\/","title":{"rendered":"A Igreja e a Sociedade em mudan\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">A Quaresma neste ano em nosso pa\u00eds coloca-nos diante de uma reflex\u00e3o importante, que \u00e9 Igreja e Sociedade. Sabemos que a grande t\u00f4nica \u00e9 a quest\u00e3o social e a nossa presen\u00e7a diante de um mundo injusto e violento. Por\u00e9m, seria importante alargar um pouco o horizonte e ir tamb\u00e9m para o mundo cultural. Como dialogar com um mundo em mudan\u00e7a e sem valores transcendentais, perenes e comuns? Em tempos de relativismos e em que tudo \u00e9 questionado, somos chamados a encontrar caminhos para dialogar com essa sociedade.<br \/>No n\u00famero 57 da Constitui\u00e7\u00e3o Dogm\u00e1tica Gaudium et Spes, que se prop\u00f5e a reflex\u00e3o sobre a rela\u00e7\u00e3o entre f\u00e9 e cultura, \u00e9 afirmado que por meio da ci\u00eancia \u201co homem pode contribuir em alta medida para que a fam\u00edlia humana se eleve \u00e0s no\u00e7\u00f5es mais nobres do verdadeiro, do bom e do belo e a um ju\u00edzo de valor do universo, e seja mais claramente iluminado pela Sabedoria admir\u00e1vel, que estava junto de Deus desde toda a eternidade\u201d .<br \/> Tendo como refer\u00eancia essa afirma\u00e7\u00e3o, faz-se necess\u00e1rio reconhecer a inten\u00e7\u00e3o do Conc\u00edlio Vaticano II em real\u00e7ar o fato de que o car\u00e1ter da investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica reside em identificar a verdade e, a partir de ent\u00e3o, ordenar e auxiliar os homens na constru\u00e7\u00e3o de si mesmo e da sociedade em vista da realiza\u00e7\u00e3o do fim \u00faltimo da pr\u00f3pria natureza humana, a saber: Deus . <br \/> Contudo, n\u00e3o raras vezes na hist\u00f3ria do pensamento, verificou-se a exist\u00eancia de concep\u00e7\u00f5es e correntes filos\u00f3ficas que admitem que a fun\u00e7\u00e3o e a natureza da ci\u00eancia n\u00e3o est\u00e3o vinculadas \u00e0 tarefa de identificar valores e realidades objetivas que venham a servir de par\u00e2metro para a edifica\u00e7\u00e3o do homem e da sociedade humana. Inclusive, para grande parte desses movimentos, a verdade n\u00e3o passa de uma constru\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica, n\u00e3o podendo ser definida como uma dimens\u00e3o universal capaz de compreender todo o g\u00eanero humano. A fun\u00e7\u00e3o da investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica se afasta da pretens\u00e3o de indicar uma linearidade permanente que define o que existe, passando somente a entender a no\u00e7\u00e3o de verdade enquanto um produto hist\u00f3rico, que, por sua vez, est\u00e1 atrelado a um conjunto de regras de aparecimento, organiza\u00e7\u00e3o e transforma\u00e7\u00e3o inerentes ao processo hist\u00f3rico. Em outros termos, de modo mais exato, a verdade e, consequentemente, os valores a ela subjugados seriam reduzidos a uma quest\u00e3o de perspectiva, ou melhor, a um perspectivismo. Dessa forma, o perspectivismo parte da posi\u00e7\u00e3o na qual n\u00e3o existe um enunciado universal (verdade), mas que os mesmos enunciados ou valores que constituem a sociedade subsistem, mudam e desaparecem, dando lugar a novos requisitos respons\u00e1veis por apontar novos par\u00e2metros que sejam capazes de orientar eticamente, politicamente e culturalmente a sociedade em sua totalidade.<br \/> Uma das consequ\u00eancias mais imediatas imposta pelo perspectivismo \u00e9 o relativismo cultural. Nesse tipo de relativismo \u00e9 poss\u00edvel verificar a posi\u00e7\u00e3o que afirma que em cada e qualquer cultura h\u00e1 um sistema fechado, capaz de determinar os mais variados aspectos da vida humana de modo incomensur\u00e1vel. Dessa forma, os valores de uma cultura s\u00e3o considerados t\u00e3o v\u00e1lidos quanto os valores de uma outra cultura qualquer. Nomeadamente, a consequ\u00eancia mais direta de tal posi\u00e7\u00e3o \u00e9 aquela na qual \u00e9 leg\u00edtimo avaliar as pr\u00e1ticas comportamentais somente se estas se d\u00e3o exclusivamente no \u00e2mbito de uma determinada cultura, pois, sendo a pr\u00f3pria cultura um sistema fechado, n\u00e3o \u00e9 admitida a exist\u00eancia de valores absolutos capazes de perpassarem as demais formas de cultura de modo objetivo e permanente. Assim, objetivamente, o c\u00f3digo \u00e9tico n\u00e3o tem como fulcro uma dimens\u00e3o universal, mas \u00e9 fruto e produto de conjecturas de conveni\u00eancia. <br \/> No que concerne \u00e0 conven\u00e7\u00e3o como produtora dos valores, \u00e9 poss\u00edvel afirmar que o que est\u00e1 em jogo \u00e9 o modo como as rela\u00e7\u00f5es de poder estabelecem os valores que constituir\u00e3o o c\u00f3digo \u00e9tico de uma sociedade, acabando por tamb\u00e9m produzir determinado tipo de sujeito. Nesse sentido, o poder surge como uma das dimens\u00f5es respons\u00e1veis por construir aquilo que pode ser chamado como formas de eu, isto \u00e9, as formas de compreens\u00e3o que o sujeito cria sobre si mesmo, e as pr\u00e1ticas atrav\u00e9s das quais ele mesmo transforma o seu modo de ser no mundo. Sendo assim, por exemplo, \u00e9 poss\u00edvel considerar a disciplina imposta pelas rela\u00e7\u00f5es de poder como um instrumento respons\u00e1vel por construir certo tipo de par\u00e2metro racional e moral capaz de formar o indiv\u00edduo e as formas de conhecimento. Portanto, o grande problema reside no fato de considerar o conhecimento n\u00e3o como uma realidade capaz de legitimar e afirmar valores incondicionais inerentes \u00e0 natureza humana, mas t\u00e3o somente como um instrumento de domina\u00e7\u00e3o necess\u00e1rio para modelar uma no\u00e7\u00e3o de homem segundo padr\u00f5es de conveni\u00eancia e interesse.<br \/> Com isso, e aqui est\u00e1 um ponto central da atual preocupa\u00e7\u00e3o, desconsiderando uma base objetiva e permanente capaz de explicar o homem e o seu agir, a natureza humana passa a ser explicada por dispositivos de interesses que tem a sua raz\u00e3o de ser na perspectiva de quem det\u00e9m o poder.<br \/> Consequentemente, sendo as rela\u00e7\u00f5es de poder caracterizadas tamb\u00e9m pelo perspectivismo, n\u00e3o \u00e9 raro perceber que elas fluem. Em outras palavras, partindo do princ\u00edpio aceito hodiernamente, no qual o sujeito \u00e9 produzido por tais rela\u00e7\u00f5es inconstantes de poder, excluindo-se uma dimens\u00e3o universal capaz de explicar a natureza humana, \u00e9 poss\u00edvel verificar uma profunda crise acerca da compreens\u00e3o do pr\u00f3prio homem na atualidade, isto \u00e9, o homem enquanto uma realidade de identidade fragmentada. <br \/> N\u00e3o estando alheia a todo esse panorama pluralista imposto pelo relativismo, a Igreja, que cresce visivelmente no mundo , \u00e9 chamada a um di\u00e1logo com essa realidade, tendo em vista a voca\u00e7\u00e3o dada pelo Senhor aos seus disc\u00edpulos de serem \u201csal da terra e luz do mundo\u201d . Por isso, de modo particular, a Campanha da Fraternidade de 2015, recordando os cinquenta anos do Conc\u00edlio Vaticano II, prop\u00f5e uma reflex\u00e3o sobre a necessidade do constante di\u00e1logo da Igreja com a sociedade, tendo em vista oferecer, em meio a todo esse contexto pluralista, uma resposta capaz de \u201caprofundar a compreens\u00e3o da dignidade da pessoa, da integridade da cria\u00e7\u00e3o, da cultura da paz, do esp\u00edrito e do di\u00e1logo inter-religioso e intercultural, para superar as rela\u00e7\u00f5es desumanas e violentas\u201d .<br \/> Dentre algumas atitudes essenciais para que esse di\u00e1logo entre Igreja e sociedade possa ser frutuoso, \u00e9 necess\u00e1rio que se reconhe\u00e7a a verdadeira natureza do que vem a ser o di\u00e1logo, isto \u00e9, intera\u00e7\u00e3o, interc\u00e2mbio e reciprocidade. Cabe aos part\u00edcipes da sociedade, a Igreja entre eles, certa atitude de abertura \u00e0 alteridade. Ou seja, uma aten\u00e7\u00e3o especial voltada para o outro, como maneira de viver o fortalecimento das rela\u00e7\u00f5es por meio da partilha e do bem comum. <br \/> Entretanto, surgem d\u00favidas a respeito do modo como se deve dar este di\u00e1logo. Desconsiderar que a Igreja tem algo a dizer ao homem de hoje seria recair na mesma rigidez \u00e0 qual o perspectivismo tanto se op\u00f5e. Temos, com isso, um ponto de partida, a saber: a oportunidade que cabe \u00e0 Igreja de ser uma voz em meio a tantas vozes presentes no pluralismo que caracteriza a sociedade. Em um mundo cada vez mais configurado pela aus\u00eancia de um sentido objetivo, fechado \u00e0 possibilidade de uma verdade pronta, a Igreja, enquanto voz, deve dirigir uma palavra de criatividade. Assim, o perspectivismo, enquanto tomado como um modelo de vida, n\u00e3o se apresenta, em \u00faltima inst\u00e2ncia, como um advers\u00e1rio, mas como uma oportunidade para a Igreja viver a sua pr\u00f3pria identidade de anunciadora de um Reino que j\u00e1 se faz presente na pessoa de Jesus Cristo, mas caminha para uma realiza\u00e7\u00e3o plena, que se dar\u00e1 com a segunda vinda do Filho de Deus. Em outras palavras, a n\u00e3o cren\u00e7a em um par\u00e2metro objetivo capaz de explicar o homem e o mundo n\u00e3o \u00e9 considerada pela Igreja como algo fechado em si, mas como uma possibilidade de \u201cabertura ao Ser concebido como presen\u00e7a e, ao mesmo tempo, como entrega de forma criativa e permanente, portanto, como mist\u00e9rio que guarda uma reserva de sentido, condi\u00e7\u00e3o de possibilidade de reinterpreta\u00e7\u00f5es sempre novas\u201d .<br \/> \u00c9 justamente atrav\u00e9s dessa reserva de sentido que a Igreja pode dialogar com o mundo perspectivista de hoje. Nesse mundo marcado por tantas \u201cvis\u00f5es\u201d, que acabam por reduzir o homem a um mero objeto que pode ser considerado a partir de v\u00e1rios interesses, no qual a vida passa a ser um ap\u00eandice em vez de ocupar o posto primordial das preocupa\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e pessoais, a reserva de sentido que a Igreja pode oferecer \u00e9 o an\u00fancio da primazia da dignidade humana. \u00a0\u00a0\u00a0 <br \/> O discurso sobre a dignidade humana \u00e9 fundamental, pois a ele \u00e9 atrelado o tema da responsabilidade. Todavia, em um mundo que despreza a normatividade, surge a dificuldade de como fundamentar o discurso sobre a dignidade humana e, consequentemente, sobre a responsabilidade. Por\u00e9m, assim mesmo, e esse tamb\u00e9m \u00e9 um outro ponto importante de nossa reflex\u00e3o, \u00e9 poss\u00edvel observar a preponder\u00e2ncia e a exig\u00eancia acerca de uma profunda reconsidera\u00e7\u00e3o e viv\u00eancia desses temas nos dias atuais.<br \/> A hist\u00f3ria \u00e9 capaz de mostrar o qu\u00e3o decisivo foi o papel do cristianismo para a constru\u00e7\u00e3o da identidade ocidental. Notadamente, a mensagem crist\u00e3 traz consigo dois elementos que caracterizam a sua pr\u00f3pria raz\u00e3o de ser, a saber: a K\u00e9nosis, isto \u00e9, o esvaziamento do pr\u00f3prio Deus ao se encarnar e assumir a natureza humana\u00a0 e a C\u00e1ritas, que \u00e9 entendida como a caridade, consequ\u00eancia direta do gesto de humildade do Deus que se esvaziou em favor do g\u00eanero humano. Assim, \u00e9 poss\u00edvel perceber, malgrado os conflitos que afligiram a hist\u00f3ria, que \u201ca cultura ocidental secularizada s\u00f3 se pode compreender como herdeira do cristianismo, mais precisamente do esvaziamento de Deus ou da C\u00e1ritas vivida como encontro amoroso com o outro\u201d .<br \/> Posto isso, \u00e9 poss\u00edvel concluir que o di\u00e1logo da Igreja com o perspectivismo e o mundo plural de hoje deve ser constru\u00eddo a partir do reconhecimento daquilo que h\u00e1 de comum para que a vida humana seja preservada, e, sem sombra de d\u00favidas, como exposto acima, o cristianismo oferece fortes elementos para tal tarefa. Todas as vezes que a abertura ao outro cede lugar a interesses que se colocam acima da responsabilidade para com a dignidade humana, observa-se a falta de ordem, fazendo com que o mundo n\u00e3o seja a casa comum, mas lugar da intoler\u00e2ncia, do desrespeito e da indiferen\u00e7a. Assim, o tema da abertura ao outro \u201cparece ir de encontro ao primado da caridade enquanto possuidora de certa relatividade, porque o amor \u00e9 sempre movimento em constante atualiza\u00e7\u00e3o. De outra forma, j\u00e1 que n\u00e3o se pode contentar com as verdades absolutas, o caminho \u00e9 o di\u00e1logo como forma de constru\u00e7\u00e3o daquilo que, juntos, \u00e9 poss\u00edvel considerar como verdadeiro\u201d .<br \/> Creio que com isso se abre uma bela discuss\u00e3o, que deve nos conduzir a um importante aprofundamento. Em tempos t\u00e3o dif\u00edceis como os nossos, junto com os trabalhos sociais, pol\u00edticos e culturais, acredito que refletir filosoficamente sobre as bases em que se assentam muitas declara\u00e7\u00f5es e decis\u00f5es podem nos aclarar sobre as quest\u00f5es de fundo que hoje debatemos. Por\u00e9m, sabemos tamb\u00e9m que essas ideias s\u00e3o plantadas h\u00e1 s\u00e9culos, e a vida crist\u00e3, mesmo assim, tem sido uma luz em meio a tantas escurid\u00f5es, mesmo disfar\u00e7adas de \u201cluz\u201d.\u00a0 Como encontrar aquilo que realmente \u00e9 bom para a vida hoje em tempos t\u00e3o relativistas? Temos um longo caminho a percorrer diante de tantas situa\u00e7\u00f5es, e na busca de nos \u201ccolocar a servi\u00e7o\u201d, tamb\u00e9m ajudar a nossa sociedade a n\u00e3o perder a sua \u201chumanidade\u201d, e assim colocar-se a caminho de tempos onde a dignidade humana e a solidariedade fa\u00e7am parte dos valores universais.\u00a0\u00a0\u00a0 Que o tema da Campanha da Fraternidade 2015 nos desperte para continuar essa reflex\u00e3o para o presente e futuro de nosso pa\u00eds.<\/p>\n<p><strong>BIBLIOGRAFIA<\/strong><\/p>\n<p>B\u00cdBLIA DE JERUSAL\u00c9M, S\u00e3o Paulo 2002.<br \/>CNBB, Campanha da Fraternidade 2015: Texto \u2013 Base, Bras\u00edlia 2015.<br \/>COMP\u00caNDIO DO VATICANO II: Constitui\u00e7\u00f5es \u2013 Decretos \u2013 Declara\u00e7\u00f5es, Petr\u00f3polis 1968.<br \/>FERREIRA, V.P., \u00abO cristianismo na p\u00f3s-modernidade: considera\u00e7\u00f5es hermen\u00eauticas filos\u00f3ficas\u00bb, in Atualiza\u00e7\u00e3o XLII\/356 (2012), pp. 229-248.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Quaresma neste ano em nosso pa\u00eds coloca-nos diante de uma reflex\u00e3o importante, que \u00e9 Igreja e Sociedade. 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