{"id":5631,"date":"2015-03-15T03:00:00","date_gmt":"2015-03-15T06:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/quaresma-tempo-de-jejuar\/"},"modified":"2017-04-07T14:38:21","modified_gmt":"2017-04-07T17:38:21","slug":"quaresma-tempo-de-jejuar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/quaresma-tempo-de-jejuar\/","title":{"rendered":"Quaresma: Tempo de Jejuar"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Uma das pr\u00e1ticas quaresmais marcantes \u00e9 a penit\u00eancia, sobretudo no comer e no beber. Tal penit\u00eancia pode consistir numa simples abstin\u00eancia, que \u00e9 ren\u00fancia a algum alimento, ou pode chegar ao jejum, que consiste no privar-se das refei\u00e7\u00f5es de modo total ou parcial. \u00c9 muito importante a pr\u00e1tica de tal forma de penit\u00eancia. Ali\u00e1s, eram o jejum e a abstin\u00eancia que, na Igreja Antiga, davam uma fisionomia pr\u00f3pria ao tempo quaresmal.<br \/> Mas, por que jejuar? Por que se abster de alimentos? \u00c9 necess\u00e1rio compreender o sentido profundo que o cristianismo d\u00e1 a essas pr\u00e1ticas para n\u00e3o ficarmos numa atitude superficial, \u00e0s vezes at\u00e9 folcl\u00f3rica, ou por ignor\u00e2ncia pura e simples, desprezarmos algo t\u00e3o belo e precioso no caminho espiritual do crist\u00e3o.<br \/> O jejum nos ensina que somos radicalmente dependentes de Deus. Na tradi\u00e7\u00e3o judaica, na Escritura, a palavra nephesh significa, ao mesmo tempo, vida e garganta. A ideia que isso exprime \u00e9 que nossa vida n\u00e3o vem de n\u00f3s mesmos, n\u00e3o a damos a n\u00f3s pr\u00f3prios; n\u00f3s a recebemos continuamente: ela entra pela nossa garganta com o alimento que comemos, a \u00e1gua que bebemos, o ar que respiramos. Jamais o homem pode pensar que se basta a si mesmo, que pode se fechar para Deus. Quando jejuamos, sentimos certa fraqueza e lerdeza, \u00e0s vezes nos vem mesmo um pouco de tontura. Isso faz parte da \u201cpsicologia do jejum\u201d: recorda-nos o que somos sem esta vida que vem de fora, que nos \u00e9 dada por Deus continuamente. <br \/> A pr\u00e1tica do jejum impede-nos, ent\u00e3o, da ilus\u00e3o de pensar que a nossa exist\u00eancia, uma vez recebida, \u00e9 aut\u00f4noma, fechada, independente. Nunca poderemos dizer: \u201cA vida \u00e9 minha; fa\u00e7o como eu quero\u201d! A vida ser\u00e1, sempre e em todas as suas etapas, um dom de Deus, um presente gratuito, e n\u00f3s seremos sempre dependentes Dele. Esta depend\u00eancia nos amadurece, nos liberta de nossos estreitos e mesquinhos horizontes, nos livra da autossufici\u00eancia e nos faz compreender \u201cna carne\u201d nossa pr\u00f3pria verdade, recordando-nos que a vida \u00e9 para ser vivida em di\u00e1logo de amor com Aquele que no-la deu.<br \/> O alimento \u00e9 uma de nossas necessidades b\u00e1sicas, um de nossos instintos mais fundamentais, juntamente com a sexualidade. A absten\u00e7\u00e3o do alimento nos exercita na disciplina, fortalecendo nossa for\u00e7a de vontade, agu\u00e7ando nossa capacidade de vigil\u00e2ncia, dando-nos a capacidade para uma verdadeira disciplina. Nossa tend\u00eancia \u00e9 ir atr\u00e1s de nossos instintos, de nossas tend\u00eancias, de nossa vontade desequilibrada. Ali\u00e1s, essa \u00e9 a grande fraqueza e o grande engano do mundo atual. Dizemos: \u201cn\u00e3o vou me reprimir; n\u00e3o vou me frustrar\u201d, e vamos nos escravizando aos desejos mais banais e \u00e0s paix\u00f5es mais contr\u00e1rias ao Evangelho e ao amor pelo pr\u00f3ximo. <br \/> O pr\u00f3prio Jesus, de modo particular, e a Escritura, de modo geral, nos exortam \u00e0 vigil\u00e2ncia e \u00e0 sobriedade. O jejum e a abstin\u00eancia, portanto, s\u00e3o um treino para que sejamos senhores de n\u00f3s mesmos, de nossas paix\u00f5es, desejos e vontades. Assim, seremos realmente livres para Cristo, sendo livres para realizar aquilo que \u00e9 reto e desej\u00e1vel aos olhos de Deus! Jesus mesmo afirmou que quem comete pecado \u00e9 escravo do pecado. \u00c9 muito importante exercitar-se com a abstin\u00eancia. N\u00e3o basta malhar o corpo; \u00e9 preciso malhar o cora\u00e7\u00e3o!<br \/> O jejum tem tamb\u00e9m a fun\u00e7\u00e3o de nos unir a Cristo no seu per\u00edodo de quarenta dias no deserto. Quaresma de Cristo, quaresma do crist\u00e3o. Faz-nos, assim, participantes da paix\u00e3o do Senhor, completando em n\u00f3s o que faltou \u00e0 cruz de Jesus. O crist\u00e3o jejua por amor a Cristo e para unir-se a Ele, trazendo na sua carne as marcas da cruz do Senhor. \u00c9 uma uni\u00e3o com o Senhor que n\u00e3o envolve somente a alma, com seus sentimentos e afetos, mas tamb\u00e9m o corpo. \u00c9 o homem todo, a pessoa na sua totalidade que se une ao Cristo. Nunca \u00e9 demais recordar que a vida crist\u00e3 atinge o homem em sua totalidade. Pelo jejum, tamb\u00e9m o corpo reza, tamb\u00e9m o corpo luta para colocar-se no \u00e2mbito da vida nova de Cristo Jesus. Tamb\u00e9m o corpo necessita, como o cora\u00e7\u00e3o, ser esvaziado do vinagre dos v\u00edcios para ser preenchido pelo mel, que \u00e9 o Esp\u00edrito Santo de Jesus.<br \/> Portanto, o jejum e a abstin\u00eancia fazem-nos recordar aqueles que passam priva\u00e7\u00f5es, sobretudo a fome, abrindo-nos para os irm\u00e3os necessitados. H\u00e1 tantos que, \u00e0 for\u00e7a, pela gritante injusti\u00e7a social em nosso Pa\u00eds, jejuam e se abst\u00eam todos os dias, o ano todo! O jejum nos faz sentir um pouco a sua dor, t\u00e3o concreta, t\u00e3o real, t\u00e3o dolorosa! Por isso mesmo, na tradi\u00e7\u00e3o m\u00edstica e asc\u00e9tica da Igreja, o jejum e a abstin\u00eancia devem ser acompanhados sempre pela esmola: aquele alimento do qual me privo j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais meu, mas deve ser destinado ao pobre. Eis o jejum perfeito: ele me abre para Deus e para os irm\u00e3os. Nesse sentido, \u00e9 enorme a insist\u00eancia seja da Sagrada Escritura, seja dos Padres da Igreja (os santos doutores dos primeiros s\u00e9culos do cristianismo).<br \/> Temos necessidade de ser mais ass\u00edduos \u00e0 pr\u00e1tica do jejum e da abstin\u00eancia. Resta-nos passar da teoria \u00e0 pr\u00e1tica. Seja nossa quaresma uma oportunidade para o jejum e abstin\u00eancia, engrandecida com o bem da caridade fraterna, da esmola que se efetiva na aten\u00e7\u00e3o e preocupa\u00e7\u00e3o ativa e concreta pelos pobres de todas as pobrezas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma das pr\u00e1ticas quaresmais marcantes \u00e9 a penit\u00eancia, sobretudo no comer e no beber. Tal penit\u00eancia pode consistir numa simples abstin\u00eancia, que \u00e9 ren\u00fancia a algum alimento, ou pode chegar ao jejum, que consiste no privar-se das refei\u00e7\u00f5es de modo total ou parcial. \u00c9 muito importante a pr\u00e1tica de tal forma de penit\u00eancia. 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