{"id":56106,"date":"2020-01-06T11:12:53","date_gmt":"2020-01-06T14:12:53","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=56106"},"modified":"2020-01-13T11:16:09","modified_gmt":"2020-01-13T14:16:09","slug":"dois-papas-e-a-verdade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/dois-papas-e-a-verdade\/","title":{"rendered":"Dois Papas e a Verdade"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Vivi a envolvente experi\u00eancia de uma sedutora e bem contada hist\u00f3ria cinematogr\u00e1fica. O filme Dois Papas, do cineasta brasileiro Fernando Meirelles, a princ\u00edpio me cativou e roubou-me alguns aplausos, especialmente pela impec\u00e1vel atua\u00e7\u00e3o e similaridade f\u00edsica dos atores principais com seus representados, que foram capazes de prender o p\u00fablico num enredo recheado de fatos reais e da licenciosidade po\u00e9tica do produtor brasileiro. Verdade e fic\u00e7\u00e3o bailam \u00e0 nossa frente sem que possamos identific\u00e1-las de imediato. Um recurso comum a filmes dessa esp\u00e9cie, que mostram hist\u00f3rias verdadeiras costurando a realidade com a tendenciosa linha da mentira bem contada. Fica ent\u00e3o a pergunta: o que est\u00e1 por tr\u00e1s dessa brilhante pel\u00edcula que a s\u00e9tima arte humana nos oferece?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vejam que n\u00e3o deixo de aplaudir a beleza desse filme. Mas tenho meus p\u00e9s pisando cautelosamente o ch\u00e3o da realidade. Primeiro porque ningu\u00e9m de princ\u00edpios mundanos vai contar gratuitamente uma hist\u00f3ria de f\u00e9, sem a ast\u00facia demon\u00edaca dos que tentam destruir a solidez da Igreja. O mundo n\u00e3o aceita a doutrina crist\u00e3 sem antes questionar, pressionar, criticar e ridicularizar muitos dos seus princ\u00edpios ou dogmas contr\u00e1rios \u00e0 futilidade de uma vida sem regras. Esse \u00e9 o poder sonhado e incansavelmente perseguido pelo Pai da Mentira, cuja sutileza e sagacidade atua em todos os campos da intelig\u00eancia humana. At\u00e9 na sua arte. Em especial, na envolvente arte cinematogr\u00e1fica. O Dem\u00f4nio sabe disso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tanto sabe, que s\u00e3o incont\u00e1veis os produtos dessa arte com o dedo sat\u00e2nico da cr\u00edtica, persuas\u00e3o ou simples ridiculariza\u00e7\u00e3o da f\u00e9 crist\u00e3 nos \u00faltimos tempos. T\u00edtulos como \u201cA \u00faltima tenta\u00e7\u00e3o de Cristo\u201d (1998), \u201cJe vos salue, Marie\u201d (1985), \u201cA paix\u00e3o de Cristo\u201d (2004), \u201cJesus Cristo Superstar\u201d (1993) e mais recentemente a triste par\u00f3dia brasileira denominada \u201cA primeira tenta\u00e7\u00e3o de Cristo\u201d, que superou em muito a ousadia diab\u00f3lica na arte de publicar suas blasf\u00eamias contra a f\u00e9. N\u00e3o podemos menosprezar a intelig\u00eancia do Dem\u00f4nio. Ent\u00e3o repito a pergunta similar \u00e0quela de Pilatos: onde est\u00e1 a verdade?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A astucia diab\u00f3lica do filme em quest\u00e3o est\u00e1 em confrontar posi\u00e7\u00f5es de dois l\u00edderes contempor\u00e2neos. O enredo se limitou a di\u00e1logos de v\u00e1rias reuni\u00f5es \u201cimagin\u00e1rias\u201d entre o Papa Bento XVI e o ent\u00e3o cardeal Jorge Bergoglio, o futuro Papa Francisco. Di\u00e1logos pessoais n\u00e3o poderiam ser gravados ou documentados por terceiros. Aqui come\u00e7am as mentiras. Depois \u00e9 evidente a preocupa\u00e7\u00e3o do redator em real\u00e7ar a suposta empatia entre os dois personagens, rotulando ao primeiro como \u201cincapaz de dialogar com o mundo\u201d e ao segundo como \u201cmente aberta e revolucion\u00e1ria para as reformas necess\u00e1rias dentro da Igreja\u201d. A contraposi\u00e7\u00e3o \u00e9 pano de fundo para a surpreendente ren\u00fancia de Bento, que supostamente tramou e articulou a escolha de Francisco. Como se a a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito fosse apenas uma carta marcada e bem planejada anteriormente. A esse respeito, muito bem disse o bispo espanhol D. Jos\u00e9 Ignacio Munilla: \u201cTudo isso tem um objetivo que est\u00e1 absolutamente a servi\u00e7o da heresia de nossos dias, que \u00e9 a contraposi\u00e7\u00e3o entre a verdade e a caridade, que se apresenta de uma maneira recorrente\u201d. Bento XVI seria o amante do radicalismo exigido pela Doutrina, representado aqui pela fidelidade aos dogmas, \u00e0 verdade e \u00e0 f\u00e9, conquanto Francisco\u00a0 seria um forte inimigo das posi\u00e7\u00f5es de seu antecessor, que defenderia uma maior abertura da Igreja \u00e0 realidade do mundo, condescendente com situa\u00e7\u00f5es de homossexualidade, aborto, sacerd\u00f3cio feminino, etc, etc&#8230; Eis a dualidade de posi\u00e7\u00f5es sutilmente manipulada, capaz de mostrar aos incautos uma Igreja dividida. Esse \u00e9 o risco de um filme isento do senso cr\u00edtico. Ridicularizar nossa f\u00e9 e nossas posi\u00e7\u00f5es antag\u00f4nicas. Simplesmente isso.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vivi a envolvente experi\u00eancia de uma sedutora e bem contada hist\u00f3ria cinematogr\u00e1fica. 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