{"id":5603,"date":"2015-03-08T03:00:00","date_gmt":"2015-03-08T06:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/ordem-no-regresso\/"},"modified":"2017-04-07T15:04:06","modified_gmt":"2017-04-07T18:04:06","slug":"ordem-no-regresso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/ordem-no-regresso\/","title":{"rendered":"Ordem no Regresso"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">O povo brasileiro regressa \u00e0s ruas mais uma vez. O clamor popular tem algo de sagrado, divino. Desde os prim\u00f3rdios da civiliza\u00e7\u00e3o qualquer manifesta\u00e7\u00e3o popular foi sempre um estopim de mudan\u00e7as \u2013 a maioria positiva \u2013 que atestaram a efic\u00e1cia do mais leg\u00edtimo dos poderes: aquele que emana do povo. Salvo raras exce\u00e7\u00f5es, o poder legalmente constitu\u00eddo expressa o grau de amadurecimento das na\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas, onde a vontade e a satisfa\u00e7\u00e3o daqueles que se submetem \u00e0s suas leis e constitui\u00e7\u00f5es podem se manifestar publicamente, aprovando ou reprovando seus governantes.\u00a0 No caso em pauta, a motiva\u00e7\u00e3o \u00e9 de descontentamento. <br \/> Deveras, h\u00e1 um grito sufocado na garganta do nosso povo. Um pa\u00eds onde pol\u00edtico confi\u00e1vel, honesto, coerente com seus princ\u00edpios tornou-se figura rara, exce\u00e7\u00e3o \u00e0 regra, \u00e9 terra de ningu\u00e9m. Um pa\u00eds onde aqueles que deveriam primar pela justi\u00e7a, retid\u00e3o nas a\u00e7\u00f5es, imparcialidade nas decis\u00f5es, se julgam deuses em suas c\u00e1tedras ou fi\u00e9is deposit\u00e1rios com direitos a usufruir de bens alheios, &#8211; mesmo que esses bens tenham proced\u00eancia duvidosa \u2013 tamb\u00e9m \u00e9 terra de ningu\u00e9m. Mas um pa\u00eds cujo executivo est\u00e1 em m\u00e3os de algu\u00e9m que deve presidir, isto \u00e9: conduzir democraticamente todas as aspira\u00e7\u00f5es e realiza\u00e7\u00f5es nacionais com profundo conhecimento de causa e responsabilidades, n\u00e3o pode nunca ser governado por algu\u00e9m que ignore os acontecimentos nefastos ao seu povo. Dizerem-se alheios a tudo isso \u2013 ou desobrigados de satisfa\u00e7\u00f5es &#8211; \u00e9 tripudiar com o voto que receberam, isso em qualquer dos tr\u00eas poderes constitu\u00eddos. <br \/> Os paradoxos que estamos assistindo na vida pol\u00edtica t\u00eam um cunho muito mais s\u00e9rio do que possamos mensurar numa an\u00e1lise superficial. Colhemos o que outrora semeamos \u2013 pior ainda: deixamos de semear. O liberalismo de conduta que afeta o comportamento da grande maioria de nossos pol\u00edticos \u00e9 reflexo da sociedade em que vivemos. Tanto no campo pessoal quanto na esfera pol\u00edtica se repetem as artimanhas do oportunismo, do interesse pessoal ou corporativo, da democracia \u201cdirecionada\u201d para os interesses de quem pode mais, quem representa maior poder de barganha, quem dita as cartas ou tem mais poder de fogo. Governar tornou-se ato ou efeito de \u201cadministrar\u201d os interesses de poucos, em detrimento da maioria a malhar o frio ferro da indiferen\u00e7a e do cinismo contra seus direitos. Esse sistema pol\u00edtico est\u00e1 falido, apesar da beleza encantadora que a \u201cnoiva\u201d Democracia exibiu no altar das urnas. N\u00e3o declaro uma senten\u00e7a capital sobre um sistema para aplaudir qualquer outro. A quest\u00e3o maior \u00e9 de cunho moral, n\u00e3o pol\u00edtico. E moral se adquire no ber\u00e7o.<br \/> Se pud\u00e9ssemos ao menos sondar o pensamento pol\u00edtico de Cristo \u2013 mesmo sem seu referencial religioso que a muitos incomoda \u2013 ver\u00edamos que Ele se expressava com uma clarivid\u00eancia absoluta. O cerco que lhe fizeram fariseus e publicanos quando estes se sentiram amea\u00e7ados quanto a seu poss\u00edvel reinado, dissolveu-se \u00e0 medida que compreenderam sua proposta: um reino do outro mundo! Cristo conhecia bem a fundo a mis\u00e9ria social e as injusti\u00e7as que o autoritarismo pol\u00edtico praticava sobre seu povo. Por isso, falou-lhes de um reino diferente, um poder oculto, adormecido no interior do homem e n\u00e3o nas c\u00e1tedras que pudesse ocupar. Pilatos, seu grande algoz, quis impor seu poder sobre Cristo. Ficou sem as respostas que queria, pois n\u00e3o soube dar valor \u00e0 voz de sua consci\u00eancia: \u201cN\u00e3o vejo mal algum sobre esse homem\u201d. Lavando as m\u00e3os, permitiu que o povo matasse Deus.<br \/> Esse crime n\u00e3o se repetir\u00e1 entre n\u00f3s. O clamor popular agora \u00e9 outro: que volte Jesus e aprisionem os \u201cBarrab\u00e1s\u201d. Fa\u00e7amos uma manifesta\u00e7\u00e3o ordeira, n\u00e3o permitindo o regresso da baderna e viol\u00eancia, atos pr\u00f3prios daqueles que s\u00f3 nos querem desgovernar. Porque a moral de um povo se manifesta tamb\u00e9m na maturidade de suas reivindica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O povo brasileiro regressa \u00e0s ruas mais uma vez. O clamor popular tem algo de sagrado, divino. Desde os prim\u00f3rdios da civiliza\u00e7\u00e3o qualquer manifesta\u00e7\u00e3o popular foi sempre um estopim de mudan\u00e7as \u2013 a maioria positiva \u2013 que atestaram a efic\u00e1cia do mais leg\u00edtimo dos poderes: aquele que emana do povo. 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