{"id":5562,"date":"2015-02-19T10:26:33","date_gmt":"2015-02-19T12:26:33","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/tempo-de-penitencia\/"},"modified":"2017-04-07T15:34:11","modified_gmt":"2017-04-07T18:34:11","slug":"tempo-de-penitencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/tempo-de-penitencia\/","title":{"rendered":"Tempo de Penit\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Come\u00e7amos o tempo quaresmal! Nestes dias de Quaresma, queremos renovar a nossa f\u00e9 atrav\u00e9s de uma vida penitencial mais intensa, aproveitando os temas que a liturgia nos oferece, com ora\u00e7\u00f5es mais frequentes, jejuns e, sobretudo, uma vida de caridade mais aplicada \u2013 a fraternidade.<br \/> A penit\u00eancia e a pr\u00e1tica que nos impomos, em primeiro lugar, n\u00e3o s\u00e3o exclusivas deste tempo. Toda a nossa vida deve ser imbu\u00edda deste esp\u00edrito se quisermos seguir a Cristo. A ascese faz parte de nossa caminhada espiritual. Por\u00e9m, para vencer a inconst\u00e2ncia, que \u00e9 caracter\u00edstica do ser humano, s\u00e3o importantes tempos fortes para retemperar a nossa vontade, atrav\u00e9s de uma intelig\u00eancia do mist\u00e9rio da cruz redentora. \u00c9 um tempo de retomar com mais vigor essa caminhada asc\u00e9tica.<br \/> S\u00e3o Paulo descreve essa fraqueza falando de si mesmo, da luta interior que experimentamos para viver a f\u00e9: &#8220;Sabemos que a Lei \u00e9 espiritual, mas eu sou carnal, vendido como escravo ao pecado. Realmente n\u00e3o consigo entender o que fa\u00e7o, pois n\u00e3o pratico o que quero, mas fa\u00e7o o que detesto\u201d (Rom 7, 14). E conclui: &#8220;Quem me libertar\u00e1 deste corpo de morte&#8221;?(Idem, 24). Por isso, se esfor\u00e7ava, como aquele que corre no est\u00e1dio e castiga o seu corpo reduzindo-o \u00e0 servid\u00e3o (1Cor. 9, 24-27).<br \/> Nascidos no pecado e na concupisc\u00eancia, como nos lembra o salmista {salmo 51 (50)}. \u201cEis que nasci na iniquidade, minha m\u00e3e concebeu-me no pecado&#8221;, somente a convers\u00e3o pode restituir-nos a vida, integrando-nos no Reino da Gra\u00e7a.<br \/> A penit\u00eancia \u00e9 esse dom que recebemos e respondemos com nosso esfor\u00e7o, que temos de fazer para vencer as fraquezas da carne, para superarmos as paix\u00f5es e v\u00edcios da natureza humana. Ningu\u00e9m consegue sair de uma pris\u00e3o, de um atoleiro sem acolher uma boa not\u00edcia que o fortifique para dar passos concretos, com sua vontade.<br \/> A pr\u00f3pria vida de Cristo nos \u00e9 um exemplo, como ensina \u201cA Imita\u00e7\u00e3o de Cristo\u201d: &#8220;Toda a vida de Cristo foi cruz e mart\u00edrio; e tu queres descanso e alegria&#8221; (L II, cap. 12). E mais adiante, reitera que n\u00e3o \u00e9 pr\u00f3prio do homem carregar a sua cruz, mas &#8220;\u00e9 por meio de muitas tribula\u00e7\u00f5es que podemos entrar no Reino de Deus\u201d (Atos, 14,21).<br \/> Poderia parecer, sobretudo em nossos dias, que esta batalha interior e tamb\u00e9m exterior, pois somos uma unidade, esp\u00edrito e mat\u00e9ria, seria um contrassenso. Cada dia nos sentimos mais e mais capazes, mais desenvolvidos cultural e fisicamente. Ent\u00e3o, a cruz teria sentido?<br \/> Se o nosso horizonte se limitar ao nascer e ao p\u00f4r do sol de uma vida, se n\u00e3o considerarmos nosso destino eterno, n\u00e3o tem sentido. Seremos os mais tolos dos homens se nos dermos a estas pr\u00e1ticas, responde S\u00e3o Paulo.<br \/> Mas a Lei do Esp\u00edrito da vida nos liberta da morte e realiza em n\u00f3s a esperan\u00e7a, que est\u00e1 no cora\u00e7\u00e3o de todo homem e se transborda por toda a natureza, da realiza\u00e7\u00e3o plena da liberdade e da paz na gl\u00f3ria dos filhos de Deus.<br \/> No sofrimento penitencial, na Cruz, unida ao mist\u00e9rio redentor de Cristo, est\u00e1 a salva\u00e7\u00e3o, a vida, a for\u00e7a do esp\u00edrito. <br \/> O jejum nos ensina que somos radicalmente dependentes de Deus. Na Escritura, a palavra nephesh significa, ao mesmo tempo, vida e garganta. A id\u00e9ia que isso exprime \u00e9 que nossa vida n\u00e3o vem de n\u00f3s mesmos, n\u00e3o a damos a n\u00f3s pr\u00f3prios; n\u00f3s a recebemos continuamente: ela entra pela nossa garganta com o alimento que comemos, a \u00e1gua que bebemos, o ar que respiramos. Jamais o homem pode pensar que se basta a si mesmo, que pode se fechar para Deus. Quando jejuamos, sentimos uma certa fraqueza e lerdeza, \u00e0s vezes nos vem mesmo um pouco de tontura. Isso faz parte da \u201cpsicologia do jejum\u201d: recorda-nos o que somos sem esta vida que vem de fora, que nos \u00e9 dada por Deus continuamente.<br \/>A pr\u00e1tica do jejum impede-nos, ent\u00e3o, da ilus\u00e3o de pensar que a nossa exist\u00eancia, uma vez recebida, \u00e9 aut\u00f4noma, fechada, independente. Muitas vezes dizemos erroneamente: \u201cA vida \u00e9 minha; fa\u00e7o como eu quero\u201d! A vida ser\u00e1, sempre e em todas as suas etapas, um dom de Deus, um presente gratuito, e n\u00f3s seremos sempre dependentes Dele. Esta depend\u00eancia nos amadurece, nos liberta de nossos estreitos e mesquinhos horizontes, nos livra da autossufici\u00eancia e nos faz compreender \u201cna carne\u201d nossa pr\u00f3pria verdade, recordando-nos que a vida \u00e9 para ser vivida em di\u00e1logo de amor com Aquele que no-la deu. <br \/>O pr\u00f3prio Jesus, de modo particular, e a Escritura, de modo geral, nos exortam \u00e0 vigil\u00e2ncia e \u00e0 sobriedade. O jejum e a abstin\u00eancia, portanto, s\u00e3o um treino para que sejamos senhores de n\u00f3s mesmos, de nossas paix\u00f5es, desejos e vontades. Assim, seremos realmente livres para Cristo, sendo livres para realizar aquilo que \u00e9 reto e desej\u00e1vel aos olhos de Deus! O pr\u00f3prio Jesus afirmou que quem comete pecado \u00e9 escravo do pecado! N\u00e3o adianta: sem o exerc\u00edcio da abstin\u00eancia, jamais seremos fortes. N\u00e3o basta malhar o corpo; \u00e9 preciso malhar o cora\u00e7\u00e3o!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Come\u00e7amos o tempo quaresmal! Nestes dias de Quaresma, queremos renovar a nossa f\u00e9 atrav\u00e9s de uma vida penitencial mais intensa, aproveitando os temas que a liturgia nos oferece, com ora\u00e7\u00f5es mais frequentes, jejuns e, sobretudo, uma vida de caridade mais aplicada \u2013 a fraternidade. 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