{"id":5551,"date":"2015-02-15T03:00:00","date_gmt":"2015-02-15T05:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/servos-inuteis-e-uteis\/"},"modified":"2017-04-07T15:42:41","modified_gmt":"2017-04-07T18:42:41","slug":"servos-inuteis-e-uteis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/servos-inuteis-e-uteis\/","title":{"rendered":"Servos In\u00fateis e \u00f9teis"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Mais uma vez estamos diante da servid\u00e3o de Cristo, estampada agora no lema da CF 2015: \u201cEu vim para servir\u201d.\u00a0 Essa \u00e9 a miss\u00e3o da Igreja. O servi\u00e7o que Jesus prestou \u00e0 humanidade (especialmente durante os tr\u00eas anos de intensas prega\u00e7\u00f5es) foi de restaura\u00e7\u00e3o e renova\u00e7\u00e3o de \u00e2nimos de um povo cuja esperan\u00e7a chegava ao fundo do po\u00e7o. Sem um Messias j\u00e1 n\u00e3o tinham onde buscar novas esperan\u00e7as diante do caos que a hist\u00f3ria humana apresentava at\u00e9 ent\u00e3o. Nada diferente dos dias atuais.<br \/> Se pouco mudou, onde encontrar a raz\u00e3o de ser da Igreja nesses dois mil anos posteriores ao Cristo?\u00a0 A resposta n\u00e3o se encontra num balan\u00e7o hist\u00f3rico puro e simples, mas na pr\u00f3pria interroga\u00e7\u00e3o \u2013 quase sempre feita por c\u00e9ticos e derrotistas \u2013 que n\u00e3o conseguem visualizar ou mesmo compreender o quanto evolu\u00edmos depois de Cristo. N\u00e3o se trata de uma simpl\u00f3ria constata\u00e7\u00e3o de fatos, mas de consci\u00eancia. Por piores que sejam os padr\u00f5es do comportamento humano, aflora-lhe hoje maior discernimento entre o bem e o mal, o certo e o errado, que a doutrina crist\u00e3 colocou no DNA do homem de f\u00e9. Por mais superficial que seja o contacto humano com a proposta evang\u00e9lica ou mesmo e principalmente a partir do testemunho pessoal dos que acreditam no Cristo, uma mudan\u00e7a sempre acontece: a tomada de consci\u00eancia. <br \/> A aparente inutilidade da a\u00e7\u00e3o da Igreja \u00e9 sua maior valia. Os grandes profetas do passado tamb\u00e9m tinham essa sensa\u00e7\u00e3o diante dos parcos resultados de seus trabalhos. Isaias chegou a dizer: \u201cSomos servos in\u00fateis\u201d. Mas a hist\u00f3ria lhe deu a honra de uma biografia grandiosa. Da mesma forma Jeremias, Ezequiel, o pr\u00f3prio Abra\u00e3o, considerado o Pai de todos os crentes e at\u00e9 Mois\u00e9s \u2013 figura do libertador, que n\u00e3o conseguiu (ele pr\u00f3prio) alcan\u00e7ar a Terra Prometida \u2013 mas seu povo sim. Como vemos, nem sempre nos compete saborear os frutos que plantamos. Assim, a servid\u00e3o da Igreja no mundo \u00e9 uma a\u00e7\u00e3o prof\u00e9tica que mina lentamente o cora\u00e7\u00e3o sempre sedento dos que buscam novas esperan\u00e7as. Um servi\u00e7o \u00fatil diante das inutilidades que a hist\u00f3ria nos conta. A Igreja diante da sociedade n\u00e3o busca glorifica\u00e7\u00f5es temporais, mas reden\u00e7\u00e3o.<br \/> Esse servi\u00e7o, muitas vezes, se d\u00e1 no sil\u00eancio de uma a\u00e7\u00e3o suplicante, orante, compassiva, por\u00e9m nunca participante dos erros e neglig\u00eancias que a sociedade teima repetir. Os frutos desse trabalho n\u00e3o nos pertencem. Deus ir\u00e1 colh\u00ea-los. Quanto a n\u00f3s \u2013 que medimos nossa inutilidade com as frustra\u00e7\u00f5es de um trabalho sem resultados aparentes, resta o consolo da vida de Cristo. \u201cPassar\u00e3o os c\u00e9us e a terra, mas minhas palavras n\u00e3o\u201d. Sobre o mesmo assunto, um dia um companheiro de miss\u00e3o comentou comigo: \u201cEstou frustrado. \u00c9 diferente de magoado. Essa fase de minha vida requer muito cuidado para n\u00e3o cair na depress\u00e3o. Com certeza, aos trancos e barrancos, levaremos para frente nossa servid\u00e3o in\u00fatil\u201d. Meses depois, acrescentou: \u201cDe minha parte, como servo in\u00fatil, insens\u00edvel, l\u00e2mpada queimada, zero, caos, confus\u00e3o, espero praticar o apostolado do sil\u00eancio, do sofrimento, da ora\u00e7\u00e3o em favor de todos\u201d. Sim, caro irm\u00e3o, \u00e9 nessa aparente inutilidade que se agiganta a preciosidade do servi\u00e7o que prestamos ao mundo. <br \/> Mas o consolo vem de Deus. A aparente frustra\u00e7\u00e3o do evangelizador diante dum mundo insens\u00edvel \u00e0 mensagem n\u00e3o pode desestimular nossa miss\u00e3o. O servi\u00e7o a que se presta a Igreja no mundo \u00e9 dos mais nobres poss\u00edveis, pois nenhuma outra institui\u00e7\u00e3o humana recebeu t\u00e3o importante incumb\u00eancia. A tal ponto que Jesus fez quest\u00e3o de nos edificar com palavras de \u00e2nimo: \u201cJ\u00e1 n\u00e3o vos chamo de servos, mas de amigos.\u201d Ou seja: deixamos de lado a condi\u00e7\u00e3o humilhante de quem presta um servi\u00e7o ao amo e galgamos o degrau da igualdade com Cristo, a amizade, o companheirismo. O servi\u00e7o \u00e9 Dele, mas a miss\u00e3o agora \u00e9 nossa, \u201cporque vos revelei tudo o que sabia a respeito do meu Pai\u201d. Com nossa presen\u00e7a e consci\u00eancia de f\u00e9 \u00e9 que transformaremos o mundo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mais uma vez estamos diante da servid\u00e3o de Cristo, estampada agora no lema da CF 2015: \u201cEu vim para servir\u201d.\u00a0 Essa \u00e9 a miss\u00e3o da Igreja. 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