{"id":5544,"date":"2015-02-13T13:13:55","date_gmt":"2015-02-13T15:13:55","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/reconciliai-vos\/"},"modified":"2017-04-07T15:43:32","modified_gmt":"2017-04-07T18:43:32","slug":"reconciliai-vos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/reconciliai-vos\/","title":{"rendered":"Reconciliai-vos"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Na semana passada, aprofundamos reflex\u00f5es sobre os \u201ccen\u00e1rios da evangeliza\u00e7\u00e3o para o terceiro mil\u00eanio\u201d na Reuni\u00e3o Plen\u00e1ria do Pontif\u00edcio Conselho dos Leigos, aqui em Roma, com o tema: \u201cEncontrar Deus no cora\u00e7\u00e3o da cidade\u201d, trabalhando a miss\u00e3o nas grandes cidades e regi\u00f5es metropolitanas. Escutamos v\u00e1rias palestras e testemunhos e pudemos intervir para colaborar. Nestes dias, estamos no Consist\u00f3rio no qual o Papa Francisco cria novos cardeais e discute assuntos da organiza\u00e7\u00e3o da Igreja com o Col\u00e9gio Cardinal\u00edcio.<br \/>Estamos nos aproximando da Quaresma e da Campanha da Fraternidade, quando seremos convidados a um tempo de convers\u00e3o profunda. Neste Sexto Domingo do Tempo Comum, acredito que temos uma palavra para essa evangeliza\u00e7\u00e3o. S\u00e3o tantos feridos pelo caminho que n\u00f3s, igreja, encontramos e que somos chamados a nos aproximar, como fez Jesus no Evangelho. Ele nos diz que &#8220;Um leproso chegou perto de Jesus&#8221;. No tempo de Cristo, toda doen\u00e7a na pele que oferecesse perigo de cont\u00e1gio era considerada um tipo de lepra; tornava a pessoa impura. Na primeira leitura ouvimos: &#8220;O homem atingido por esse mal andar\u00e1 com as vestes rasgadas, os cabelos em desordem e a barba coberta, gritando: &#8216;Impuro! Impuro&#8217;! Durante todo o tempo em que estiver leproso ser\u00e1 impuro; e, sendo impuro, deve ficar isolado e morar fora do acampamento&#8221;. Eis! \u00c9 algu\u00e9m assim que se aproxima de Jesus: ferido, exclu\u00eddo do conv\u00edvio da Assembleia de Israel, colocado fora da Cidade, um morto-vivo&#8230; Um leproso n\u00e3o podia tocar as pessoas: elas se tornariam impuras como ele; um leproso n\u00e3o convivia com sua fam\u00edlia, n\u00e3o podia entrar na Casa do Senhor para rezar com seus irm\u00e3os: era um ningu\u00e9m: &#8220;Impuro! Impuro&#8221;! \u2013 ele gritava, com a barba coberta em sinal de luto e profunda tristeza.<br \/> O Evangelho (Mc1,40-45) narra a cena de um leproso que, ao encontrar-se com Jesus, ficou curado. A Lei de Mois\u00e9s prescrevia o seguinte: \u201cO leproso deve ficar isolado e morar fora do acampamento\u201d (Lv 13, 46). Um preceito duro, que s\u00f3 se explica pela preocupa\u00e7\u00e3o de evitar o cont\u00e1gio e pela ideia corrente entre os hebreus de que era um castigo de Deus aos pecadores. <br \/>Aquele homem, abandonado pelos homens e tido como rejeitado por Deus, demonstra sua f\u00e9! A f\u00e9 aut\u00eantica n\u00e3o se perde em racioc\u00ednios sutis; tem uma l\u00f3gica muito simples: Deus pode fazer tudo e basta, pois que o queira fazer. Ao pedido, que manifesta uma confian\u00e7a ilimitada, Jesus responde com um gesto inaudito para um povo a quem fora proibido qualquer contato com os leprosos: \u201cestendeu a m\u00e3o, tocou-o\u201d. Deus \u00e9 o Senhor da Lei e demonstra um outro gesto: o da proximidade!<br \/> A cena do leproso que vai ao encontro de Jesus \u00e9 t\u00e3o marcante que a encontramos narrada em tr\u00eas Evangelistas, que contam o epis\u00f3dio e transmitem-nos o gesto surpreendente do Senhor: \u201cEstendeu a m\u00e3o e o tocou\u201d. At\u00e9 aquele momento, todos os homens haviam fugido dele com medo e repugn\u00e2ncia. Cristo, por\u00e9m, que podia t\u00ea-lo curado \u00e0 dist\u00e2ncia \u2013 como j\u00e1 o fizera em outras ocasi\u00f5es \u2013, n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o se afasta dele, como chega a tocar a sua lepra. N\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil imaginar a ternura de Cristo e a gratid\u00e3o do doente quando viu o gesto do Senhor e ouviu as suas palavras: \u201cQuero, s\u00ea limpo\u201d.<br \/> Os Santos Padres da Igreja viram na lepra a imagem do pecado. Por\u00e9m, o pecado \u00e9 incomparavelmente pior do que a lepra. Dizia o Cura d\u2019Ars: \u201cSe tiv\u00e9ssemos f\u00e9 e v\u00edssemos uma alma em estado de pecado mortal, morrer\u00edamos de terror\u201d. No entanto, uma realidade n\u00e3o podemos esquecer: Jesus \u00e9 o \u00fanico que nos pode curar. S\u00f3 Ele!<br \/> O que Ele nos diz \u00e9 que veio perdoar, redimir, veio livrar-nos dessa lepra da alma, que \u00e9 o pecado. E proclama o seu perd\u00e3o como um sinal de onipot\u00eancia, como sinal de um poder que s\u00f3 o pr\u00f3prio Deus pode exercer. Cada uma das nossas confiss\u00f5es \u00e9 express\u00e3o do poder e da miseric\u00f3rdia de Deus. \u00c9 o pr\u00f3prio Jesus quem, no Sacramento da Penit\u00eancia, pronuncia a palavra autorizada e paterna: \u201cOs teus pecados te s\u00e3o perdoados\u201d.<br \/> Um grande mal da nossa \u00e9poca, uma grande ilus\u00e3o \u00e9 achar que n\u00e3o temos pecado, pensar que somos maduros e integrados. N\u00e3o somos capazes de reconhecer nossas lepras, somos incapazes de suplicar, de joelhos: &#8220;Senhor, se queres, podes curar-me&#8221;! E por que isso? Porque somos autossuficientes: olhamo-nos, examinamo-nos n\u00e3o \u00e0 luz do amor de Deus manifestado em Cristo Jesus, mas \u00e0 luz de n\u00f3s mesmos. Pensamos que somos senhores do bem e do mal, do certo e do errado! \u00c9 t\u00e3o comum vivermos de modo contr\u00e1rio \u00e0 vontade do Senhor e ainda, cheios de orgulho e soberba, dizermos que estamos certos&#8230; \u00c9 t\u00e3o comum querermos moldar Jesus e a sua Palavra \u00e0 nossa vontade&#8230; \u00c9 t\u00e3o frequente a ilus\u00e3o de que podemos jogar na lata do lixo o ensinamento da Igreja, sobretudo no campo moral&#8230; E assim, vamos construindo nossa vida ao nosso modo, modo de pecado, modo de lepra, modo de doen\u00e7a: doen\u00e7a da descren\u00e7a, da indiferen\u00e7a, da falta de f\u00e9! <br \/> \u00c9 necess\u00e1rio anunciar ao povo da grande cidade que seus males s\u00e3o curados por Aquele que n\u00e3o tem medo de se aproximar de ningu\u00e9m. Que tamb\u00e9m exer\u00e7amos a nossa miss\u00e3o de servi\u00e7o (Eu vim para servir) para os nossos irm\u00e3os. <br \/> Pe\u00e7amos, pois, Senhor, cura-nos! Senhor, somos leprosos, somos pecadores, nossos pecados mancham n\u00e3o a nossa pele, mas o nosso cora\u00e7\u00e3o, o mais profundo da nossa alma! Senhor, de joelhos, como o leproso do Evangelho, te suplicamos: cura-nos e seremos curados! D\u00e1-nos a gra\u00e7a de reconhecermos nossos pecados; reconhecendo-os, d\u00e1-nos a coragem e sinceridade de confess\u00e1-los; confessando-os, d\u00e1-nos a gra\u00e7a de experimentar teu perd\u00e3o, de cumprir generosamente a penit\u00eancia e de procurarmos, com responsabilidade, emendar a nossa vida! Tem piedade de n\u00f3s, \u00f3 Autor da gra\u00e7a e Doador do perd\u00e3o! A ti, a gl\u00f3ria para sempre! Am\u00e9m!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na semana passada, aprofundamos reflex\u00f5es sobre os \u201ccen\u00e1rios da evangeliza\u00e7\u00e3o para o terceiro mil\u00eanio\u201d na Reuni\u00e3o Plen\u00e1ria do Pontif\u00edcio Conselho dos Leigos, aqui em Roma, com o tema: \u201cEncontrar Deus no cora\u00e7\u00e3o da cidade\u201d, trabalhando a miss\u00e3o nas grandes cidades e regi\u00f5es metropolitanas. Escutamos v\u00e1rias palestras e testemunhos e pudemos intervir para colaborar. 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