{"id":55400,"date":"2019-11-17T13:20:46","date_gmt":"2019-11-17T16:20:46","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=55400"},"modified":"2019-12-06T13:21:07","modified_gmt":"2019-12-06T16:21:07","slug":"estejamos-preparados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/estejamos-preparados\/","title":{"rendered":"Estejamos preparados"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Estamos nos \u00faltimos domingos do ano lit\u00fargico. Celebramos o pen\u00faltimo deste ano, chamado de ano C (quando lemos aos domingos, principalmente o Evangelho de Lucas), o 33\u00ba Domingo do Tempo Comum. Este domingo foi escolhido pelo Papa Francisco para celebrar o Dia Mundial dos Pobres. O tema deste III ano \u00e9: \u201c<em>A esperan\u00e7a dos pobres jamais se frustrar\u00e1<\/em>\u00bb (Sal 9, 19). Comentando este tema, diz o papa em sua mensagem para o Dia Mundial do Pobre 2019:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u201cConstitui um refr\u00e3o permanente da Sagrada Escritura a descri\u00e7\u00e3o da a\u00e7\u00e3o de Deus em favor dos pobres. \u00c9 Aquele que \u00abescuta\u00bb, \u00abinterv\u00e9m\u00bb, \u00abprotege\u00bb, \u00abdefende\u00bb, \u00abresgata\u00bb, \u00absalva\u00bb\u2026 Em suma, um pobre n\u00e3o poder\u00e1 jamais encontrar Deus indiferente ou silencioso perante a sua ora\u00e7\u00e3o. \u00c9 Aquele que faz justi\u00e7a e n\u00e3o esquece (cf. Sal 40, 18; 70, 6); mais, constitui um ref\u00fagio para o pobre e n\u00e3o cessa de vir em sua ajuda (cf. Sal 10, 14)\u201d.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E continua:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u201cO compromisso dos crist\u00e3os, por ocasi\u00e3o deste Dia Mundial e sobretudo na vida ordin\u00e1ria de cada dia, n\u00e3o consiste apenas em iniciativas de assist\u00eancia que, embora louv\u00e1veis e necess\u00e1rias, devem tender a aumentar em cada um aquela aten\u00e7\u00e3o plena, que \u00e9 devida a toda a pessoa que se encontra em dificuldade. Esta aten\u00e7\u00e3o amiga \u00e9 o in\u00edcio duma verdadeira preocupa\u00e7\u00e3o pelos pobres, buscando o seu verdadeiro bem. Antes de tudo, os pobres precisam de Deus, do seu amor tornado vis\u00edvel por pessoas santas que vivem ao lado deles e que, na simplicidade da sua vida, exprimem e fazem emergir a for\u00e7a do amor crist\u00e3o\u201d.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A op\u00e7\u00e3o preferencial pelos pobres tantas vezes proclamada pela Igreja deve ser uma consequ\u00eancia imediata de nossa vida crist\u00e3, do amor a Jesus Cristo que vemos refletido em nossos irm\u00e3os. Tantos s\u00e3o os moradores de rua, indigentes e desempregados que temos de nos deparar com eles ainda hoje, em nossas cal\u00e7adas, em nossos sinais, dentro de nossos \u00f4nibus, trens e metr\u00f4s. A Igreja cat\u00f3lica n\u00e3o deixa de fazer a sua parte mantendo tantas obras sociais que vem ao encontro das necessidades imediatas desses nossos irm\u00e3os. A a\u00e7\u00e3o caritativa da Igreja, assim como nos in\u00edcios do Cristianismo, segue fazendo a diferen\u00e7a, buscando que cada um possa vivenciar a dignidade humana e a dignidade crist\u00e3. Que este dia, dentro de uma semana de solidariedade, que em nossa arquidiocese vai de 9 a 21 de novembro, encontre em nossa ora\u00e7\u00e3o e em nossas a\u00e7\u00f5es uma ades\u00e3o de f\u00e9 a este fato.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E junto com a conclus\u00e3o do ano lit\u00fargico, aqui em nossa Arquidiocese, estamos j\u00e1 nos preparando para a celebra\u00e7\u00e3o do dia Nacional de a\u00e7\u00e3o de Gra\u00e7as (dia 28) e para a celebra\u00e7\u00e3o a festa da unidade, no dia 30 de novembro, onde reuniremos todas as for\u00e7as vivas de nossa arquidiocese para um momento de ora\u00e7\u00e3o e fraternidade. Teremos a conclus\u00e3o do ano vocacional sacerdotal, quando pedimos a Deus pelas voca\u00e7\u00f5es sacerdotais em nossa arquidiocese, que temos certeza de que continuaremos a faz\u00ea-lo para o futuro, mas tamb\u00e9m, nessa ocasi\u00e3o, faremos a abertura de um outro grande momento, o ano em que iniciaremos todo um tempo mission\u00e1rio em nossa Arquidiocese, come\u00e7ando com a vis\u00e3o da realidade, descoberta das raz\u00f5es e encontrando solu\u00e7\u00f5es para que todo o nosso povo viva permanentemente como mission\u00e1rio e assim pediremos que seja renovado em n\u00f3s o ardor mission\u00e1rio e a urg\u00eancia de levar a boa nova de Cristo a todos os homens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Palavra de Deus deste domingo convida-nos a meditar no fim \u00faltimo do homem, no seu destino al\u00e9m da morte. A meta final, para onde Deus nos conduz, faz nascer em n\u00f3s a esperan\u00e7a e a coragem para enfrentar as adversidades e lutar pela vinda do Reino de Deus, conforme pedimos todos os dias na ora\u00e7\u00e3o do Pai Nosso: <em>venha a n\u00f3s o vosso reino!<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Evangelho, Jesus (Lc, 21, 5-19) alerta sobre os falsos profetas: \u201c<em>Cuidado para n\u00e3o serdes enganados<\/em>\u2026\u201d (Lc 21, 8). Diante das cat\u00e1strofes, Jesus exorta \u00e0 esperan\u00e7a: n\u00e3o ter medo\u2026 Esses sinais de desagrega\u00e7\u00e3o do mundo velho n\u00e3o devem assustar, pelo contr\u00e1rio, s\u00e3o an\u00fancios de alegria e esperan\u00e7a de que um mundo novo est\u00e1 por surgir. \u201c<em>Quando essas coisas come\u00e7arem a acontecer, levantem-se, ergam a cabe\u00e7a, porque a liberta\u00e7\u00e3o est\u00e1 pr\u00f3xima<\/em>\u201d. (Lc 21, 28).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Jesus nos recorda que nossa exist\u00eancia \u00e9 breve. \u00c0queles que se encantavam com o aspecto majestoso do Templo, o Senhor recordou que tudo passa. Isso vale ainda hoje: para a nossa casa bonita, para o nosso carro, para o nosso dinheiro, nossa profiss\u00e3o, as pessoas \u00e0s quais amamos, os projetos que temos, a nossa pr\u00f3pria vida: \u201c<em>V\u00f3s admirais estas coisas? Dias vir\u00e3o em que n\u00e3o ficar\u00e1 pedra sobre pedra. Tudo ser\u00e1 destru\u00eddo<\/em>\u201d! Aqui, o Senhor deseja recordar que nossa vida deve ser vivida na perspectiva da eternidade, daquilo que \u00e9 definitivo. Haver\u00e1 um momento final, haver\u00e1 um ju\u00edzo do Senhor sobre a hist\u00f3ria humana e sobre a hist\u00f3ria de cada um de n\u00f3s, quando, ent\u00e3o, ficar\u00e1 claro o que serviu e o que n\u00e3o serviu, o que teve valor ante os olhos de Deus e o que n\u00e3o passou de ilus\u00e3o e falsidade. Nunca esque\u00e7amos disso: nossa vida caminha para esse momento final, o mais importante de todo nosso caminho. Haver\u00e1, sim, um ju\u00edzo de Deus: \u201c<em>Eis que vir\u00e1 o dia, abrasador como fornalha em que todos os soberbos e \u00edmpios ser\u00e3o como palha; e esse dia vindouro haver\u00e1 de queim\u00e1-los. Para v\u00f3s, que temeis o meu nome, nascer\u00e1 o sol da justi\u00e7a, trazendo salva\u00e7\u00e3o em suas asas<\/em>\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os evangelhos sin\u00f3ticos, Mateus, Marcos e Lucas, parecem fazer quest\u00e3o de conservar este discurso de Jesus ante o Templo, que fala sobre a destrui\u00e7\u00e3o de Jerusal\u00e9m e sobre o final da hist\u00f3ria. No discurso de Jesus, podemos perceber que s\u00e3o ressaltadas tr\u00eas quest\u00f5es que est\u00e3o relacionadas entre si: o evento hist\u00f3rico da destrui\u00e7\u00e3o de Jerusal\u00e9m que acontecer\u00e1 quarenta anos depois, os sinais do fim dos tempos e a segunda vinda de Cristo, agora em gl\u00f3ria e majestade. Podemos notar uma linguagem diferente daquela usada por Jesus em outras passagens do Evangelho. A forma de falar de Jesus nesta passagem corresponde a uma maneira de falar espec\u00edfica, o que costuma ser chamado de apocal\u00edptico, um g\u00eanero liter\u00e1rio espec\u00edfico, com algumas imagens que n\u00e3o s\u00e3o de f\u00e1cil interpreta\u00e7\u00e3o, e que n\u00e3o podem ser levadas ao p\u00e9 da letra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que motiva o discurso de Jesus \u00e9 a admira\u00e7\u00e3o dos disc\u00edpulos diante da beleza do famoso e grandioso Templo de Jerusal\u00e9m. Historiadores da \u00e9poca, ao descrever este templo, ressaltam as propor\u00e7\u00f5es grandiosas, a harmonia nos ornamentos e a riqueza dos materiais usados. Dentro deste contexto compreendemos a admira\u00e7\u00e3o dos disc\u00edpulos e a resposta dada por Jesus.\u00a0 Depois de anunciar a destrui\u00e7\u00e3o do Templo, Jesus fala de fatos que acompanhar\u00e3o este momento: a apari\u00e7\u00e3o de falsos messias, assim como guerras e conflitos. S\u00e3o situa\u00e7\u00f5es dif\u00edceis para todo ser humano. Ante elas, o Senhor recomenda serenidade e confian\u00e7a. Fala depois das dificuldades que ter\u00e3o aqueles que ser\u00e3o os anunciadores do Reino, como por exemplo persegui\u00e7\u00f5es, incompreens\u00f5es e \u00f3dio. Mas Jesus anuncia com clareza esses fen\u00f4menos, que n\u00e3o s\u00e3o novidade para nenhum de n\u00f3s, para ressaltar o aux\u00edlio Divino em todas as situa\u00e7\u00f5es, mesmo que as dificuldades possam parecer muito grandes, elas n\u00e3o escapam do olhar providente de Deus. A provid\u00eancia Divina rege a hist\u00f3ria, como nos recorda santo Agostinho. Deus permite todos esses males para deles tirar um bem muito maior, sempre superando nossas expectativas limitadas. O Senhor promete ainda conceder a sabedoria necess\u00e1ria para que estes possam se defender. Logo depois, garante a vit\u00f3ria que \u00e9 fruto da paci\u00eancia perseverante. A linguagem simb\u00f3lica utilizada por Jesus \u00e9 uma exorta\u00e7\u00e3o a sermos pacientes e fortes. Comentando sobre esta passagem, Santo Tom\u00e1s de Aquino assim comenta: \u201c<em>A paci\u00eancia nos faz suportar os males com bom \u00e2nimo, sabendo que eles podem ser caminho para bens maiores. A paci\u00eancia nos salva, pois \u00e9 ela quem nos faz ter posse de nossa alma<\/em>\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na Primeira Leitura, o Profeta Malaquias fala do ju\u00edzo final com acentos fortes: \u201cEis que vir\u00e1 o dia, abrasador como fornalha\u201d. (Ml 3, 19). O texto n\u00e3o pretende provocar medo, falando do \u201cfim do mundo\u201d, mas fortalecer a esperan\u00e7a em Deus para enfrentar os dramas da vida e da hist\u00f3ria; esperan\u00e7a que devemos ter ainda hoje, apesar do que vemos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O profeta vem anunciar um dia de justi\u00e7a onde os \u00edmpios ser\u00e3o derrotados, ao mesmo tempo em que mostra de maneira expl\u00edcita como ser\u00e1 a retribui\u00e7\u00e3o dos justos. O Senhor n\u00e3o \u00e9 indiferente \u00e0s preocupa\u00e7\u00f5es e s\u00faplicas daqueles que o temem. Por isso, o dia do Senhor ser\u00e1, para aqueles que o temem, um dia de Gl\u00f3ria e felicidade que n\u00e3o se pode expressar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na Segunda Leitura, S\u00e3o Paulo (2Ts 3, 7-12) fala da comunidade de Tessal\u00f4nica. Esta passagem do novo testamento lida na segunda leitura tem um aspecto curioso: os crist\u00e3os desta cidade grega, achando que a vinda do Senhor iria acontecer imediatamente, come\u00e7aram a n\u00e3o querer trabalhar mais. Por isso Paulo coloca-se como exemplo de trabalhador, para assim estimular os tessalonicenses. Faz parte da viv\u00eancia crist\u00e3 cumprir com fidelidade e amor as suas tarefas temporais, santificando as situa\u00e7\u00f5es do dia a dia, tendo sempre em vista a palavra do Evangelho. J\u00e1 o Conc\u00edlio Vaticano II, (Gaudium et Spes 43), nos recorda que a f\u00e9 \u00e9 o motivo que nos obriga ao mais perfeito cumprimento de todas as atividades seculares, segundo a voca\u00e7\u00e3o espec\u00edfica de cada um. O crist\u00e3o deve trabalhar com seriedade para dar gl\u00f3ria a Deus, atender \u00e0s necessidades dos seus e servir aos homens, assim como o Filho de Deus veio servir, lembrando de dar a C\u00e9sar o que \u00e9 de C\u00e9sar e a Deus o que \u00e9 de Deus (Mt 22, 22).\u00a0 Cabe a cada um de n\u00f3s viver cada dia de acordo com a gra\u00e7a e a vontade de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enquanto aguardamos, que estejamos diligentes no cumprimento da nossa miss\u00e3o e estejamos vigilantes e preparados para esta vinda, para estar com o Senhor. Que essas \u00faltimas semanas do ano lit\u00fargico e essa contempla\u00e7\u00e3o das realidades \u00faltimas nos fa\u00e7a de um olhar de irm\u00e3o para os mais necessitados. Que tenhamos atitudes muito concretas para ser presen\u00e7a viva de Cristo em meio aos homens: a caridade social. Que a palavra deste domingo no ilumine e a mensagem do santo padre nos ajude a vivenciar melhor esta voca\u00e7\u00e3o de irmos ao encontro das pessoas que mais necessitam em nosso dia a dia. Que vivamos uma vida mais justa e mais fraterna.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estamos nos \u00faltimos domingos do ano lit\u00fargico. Celebramos o pen\u00faltimo deste ano, chamado de ano C (quando lemos aos domingos, principalmente o Evangelho de Lucas), o 33\u00ba Domingo do Tempo Comum. Este domingo foi escolhido pelo Papa Francisco para celebrar o Dia Mundial dos Pobres. 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