{"id":55385,"date":"2019-11-10T12:59:29","date_gmt":"2019-11-10T15:59:29","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=55385"},"modified":"2019-12-06T13:00:48","modified_gmt":"2019-12-06T16:00:48","slug":"deus-dos-vivos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/deus-dos-vivos\/","title":{"rendered":"Deus dos vivos"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Dentro da nossa liturgia dominical, estamos vivendo as \u00faltimas semanas do ano lit\u00fargico, quando a Liturgia vai nos propondo de forma mais acentuada sobre as realidades escatol\u00f3gicas, nossas expectativas sobre o final dos tempos e sobre os \u00faltimos dias. As primeiras semanas do novo ano tamb\u00e9m ir\u00e3o tratar desta realidade, j\u00e1 que o tempo do advento vem como tempo de prepara\u00e7\u00e3o para as vindas. Somos sempre chamados a refletir sobre estas quest\u00f5es essenciais da hist\u00f3ria humana: de onde viemos, para onde vamos e qual o fim \u00faltimo de nossas vidas. Mesmo que os homens tenham tantas tarefas no dia a dia e reclamem da correria do dia a dia, sempre permanece no fundo do cora\u00e7\u00e3o do homem a pergunta sobre o sentido da sua exist\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No pr\u00f3ximo final de semana, iremos celebrar o III Dia Mundial dos Pobres, data criada pelo Papa Francisco, na semana que antecede a solenidade de Cristo Rei. Neste ano o Papa nos prop\u00f5e o tema deste dia \u201ca esperan\u00e7a dos pobres jamais se frustrar\u00e1. (Sal 9, 19). Em nossa arquidiocese, teremos a Semana da Solidariedade com gestos e aprofundamento sobre a situa\u00e7\u00e3o da pessoa do pobre e o questionamento acerca de nossa presen\u00e7a junto aos exclu\u00eddos, em especial, os das periferias existenciais de nosso tempo. Faz parte do carisma fundamental da Igreja ir ao encontro dos pobres e mais necessitados, fazendo uma op\u00e7\u00e3o preferencial por estes, anunciando a vida e se comprometendo com estes a partir da luz do Evangelho. Por isso o trabalho eclesial relacionado a estas quest\u00f5es recebe o nome de caridade social, pois a Igreja n\u00e3o faz filantropia, mas age a partir do Evangelho: amamos Deus no pr\u00f3ximo. \u00c9 uma quest\u00e3o e consequ\u00eancia de uma vida que se encontrou com o Senhor e se deixou moldar e transformar por Ele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesta expectativa de estar cada vez mais com o Senhor que a Liturgia vai nos propondo, o Evangelho do 32\u00ba Domingo do tempo comum (Lc 20,27-38) vem nos apresentar uma quest\u00e3o que era bastante debatida pelos judeus e que Jesus a resolve com muita clareza:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Naquele tempo: Aproximaram-se de Jesus alguns saduceus, que negam a ressurrei\u00e7\u00e3o, e lhe perguntaram: &#8216;Mestre, Mois\u00e9s deixou-nos escrito: se algu\u00e9m tiver um irm\u00e3o casado e este morrer sem filhos, deve casar-se com a vi\u00fava a fim de garantir a descend\u00eancia para o seu irm\u00e3o. Ora, havia sete irm\u00e3os. O primeiro casou e morreu, sem deixar filhos. Tamb\u00e9m o segundo e o terceiro se casaram com a vi\u00fava. E assim os sete: todos morreram sem deixar filhos. Por fim, morreu tamb\u00e9m a mulher. Na ressurrei\u00e7\u00e3o, ela ser\u00e1 esposa de quem? Todos os sete estiveram casados com ela.&#8217;<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os saduceus, grupo religioso que apresenta a quest\u00e3o, defendiam a interpreta\u00e7\u00e3o literal da lei escrita e n\u00e3o acreditavam na Ressurrei\u00e7\u00e3o da carne. J\u00e1 os fariseus, defendiam a ressurrei\u00e7\u00e3o da carne, como j\u00e1 era proposto pela Escritura e pela Tradi\u00e7\u00e3o Oral. Ante este novo questionamento, Jesus apresenta alguns aspectos sobre a ressurrei\u00e7\u00e3o: o matrim\u00f4nio n\u00e3o ser\u00e1 necess\u00e1rio na nova realidade pois l\u00e1 n\u00e3o haver\u00e1 a morte, o princ\u00edpio total da nova vida ser\u00e1 o pr\u00f3prio Deus. Sobre isso, nos recorda o Catecismo da Igreja cat\u00f3lica, no n\u00ba 1045: \u201c<em>Para o homem, esta consuma\u00e7\u00e3o ser\u00e1 a realiza\u00e7\u00e3o final da unidade do g\u00eanero humano, querida por Deus desde a cria\u00e7\u00e3o e da qual a Igreja peregrina era como que o sacramento. Os que estiverem unidos a Cristo formar\u00e3o a comunidade dos resgatados, a \u00abCidade santa de Deus\u00bb (Ap 21, 2), a \u00abEsposa do Cordeiro\u00bb (Ap 21, 9). Esta n\u00e3o mais ser\u00e1 atingida pelo pecado, pelas manchas, pelo amor pr\u00f3prio, que destroem e ferem a comunidade terrena dos homens. A vis\u00e3o beat\u00edfica, em que Deus Se manifestar\u00e1 aos eleitos de modo inesgot\u00e1vel, ser\u00e1 a fonte inesgot\u00e1vel da felicidade, da paz e da m\u00fatua comunh\u00e3o<\/em>\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ante tal questionamento, vemos a resposta: <em>Jesus respondeu aos saduceus: &#8216;Nesta vida, os homens e as mulheres casam-se, mas os que forem julgados dignos da ressurrei\u00e7\u00e3o dos mortos e de participar da vida futura, nem eles se casam nem elas se d\u00e3o em casamento; e j\u00e1 n\u00e3o poder\u00e3o morrer, pois ser\u00e3o iguais aos anjos, ser\u00e3o filhos de Deus, porque ressuscitaram. Que os mortos ressuscitam, Mois\u00e9s tamb\u00e9m o indicou na passagem da sar\u00e7a, quando chama o Senhor de &#8216;o Deus de Abra\u00e3o, o Deus de Isaac e o Deus de Jac\u00f3&#8217;. Deus n\u00e3o \u00e9 Deus dos mortos, mas dos vivos, pois todos vivem para ele.&#8217;<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus se manifesta sobre a eternidade e fala que desde Mois\u00e9s fala-se da refer\u00eancia a esta vida que n\u00e3o passa. Esta \u00e9 uma palavra que reorienta nossa caminhada, reorientando-a na l\u00f3gica do sobrenatural.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao mesmo tempo, somos chamados a ter consci\u00eancia dos valores crist\u00e3os que somos chamados a viver a cada momento e a cada instante. Na primeira leitura deste domingo (2 Mc 7,1-2.9-14) temos uma das passagens mais conhecidas e populares do livro dos Macabeus, de tal forma que os irm\u00e3os nela citados recebem at\u00e9 este nome: os irm\u00e3os Macabeus:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Naqueles dias: Aconteceu que foram presos sete irm\u00e3os, com sua m\u00e3e, aos quais o rei, por meio de golpes de chicote e de nervos de boi, quis obrigar a comer carne de porco, que lhes era proibida. Um deles, tomando a palavra em nome de todos, falou assim: &#8216;Que pretendes? E que procuras saber de n\u00f3s? Estamos prontos a morrer, antes que violar as leis de nossos pais&#8217;. O segundo, prestes a dar o \u00faltimo suspiro, disse: &#8216;Tu, \u00f3 malvado, nos tiras desta vida presente. Mas o Rei do universo nos ressuscitar\u00e1 para uma vida eterna, a n\u00f3s que morremos por suas leis&#8217;. Depois deste, come\u00e7aram a torturar o terceiro. Apresentou a l\u00edngua logo que o intimidaram e estendeu corajosamente as m\u00e3os. E disse, cheio de confian\u00e7a: &#8216;Do C\u00e9u recebi estes membros; por causa de suas leis os desprezo, pois do C\u00e9u espero receb\u00ea-los de novo&#8217;. O pr\u00f3prio rei e os que o acompanhavam ficaram impressionados com a coragem desse adolescente, que considerava os sofrimentos como se nada fossem. Morto tamb\u00e9m este, submeteram o quarto irm\u00e3o aos mesmos supl\u00edcios, desfigurando-o. Estando quase a expirar, ele disse: &#8216;Prefiro ser morto pelos homens tendo em vista a esperan\u00e7a dada por Deus, que um dia nos ressuscitar\u00e1. Para ti, por\u00e9m, \u00f3 rei, n\u00e3o haver\u00e1 ressurrei\u00e7\u00e3o para a vida!&#8217;<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O autor n\u00e3o faz quest\u00e3o de detalhar nem o lugar nem os nomes da cena. At\u00e9 mesmo a figura do rei tem uma cita\u00e7\u00e3o meramente ret\u00f3rica. A centralidade do relato est\u00e1 no testemunho valente dos jovens e na fortaleza da m\u00e3e, tudo isso motivado pela f\u00e9. O texto mostra verdades fundamentais da f\u00e9 crist\u00e3, principalmente no que se refere \u00e0 escatologia, de maneira progressiva: afirma a ressurrei\u00e7\u00e3o dos justos e o castigo dos malvados. Tais verdades v\u00eam apresentadas atrav\u00e9s das respostas dadas pelos irm\u00e3os ante a imin\u00eancia da condena\u00e7\u00e3o e morte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Intoler\u00e2ncias e persegui\u00e7\u00f5es a crist\u00e3os continuam ainda perto de n\u00f3s, e sem contar de outras formas de atacar a f\u00e9 que s\u00e3o os as cal\u00fanias e difama\u00e7\u00f5es lan\u00e7adas sobre os crist\u00e3os. Isso faz parte do nosso testemunho e temos de aproveitar esta oportunidade para que elas nos aproximem de Deus. Estejamos unidos, firmes e sem desanimar. Que saibamos esperar em meio \u00e0s persegui\u00e7\u00f5es. A p\u00f3s modernidade \u00e9 marcada exatamente pela debilidade nas esperan\u00e7as. Que n\u00f3s, crist\u00e3os, sejamos testemunhas e anunciadores incans\u00e1veis da esperan\u00e7a que s\u00f3 a presen\u00e7a de Cristo em n\u00f3s nos d\u00e1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na segunda leitura (2Ts 2,16 &#8211; 3,5), as express\u00f5es utilizadas por S. Paulo s\u00e3o imagens das competi\u00e7\u00f5es e corridas do mundo antigo. O vencedor da corrida receberia a gl\u00f3ria do pr\u00eamio. A vit\u00f3ria e o pr\u00eamio relacionados com a Palavra de Deus \u00e9 que esta seja proclamada e aceita em todo o mundo. Mesmo citando a infidelidade de alguns, o texto nos convida a confiarmos em Deus, que \u00e9 sempre fiel e conta com a nossa colabora\u00e7\u00e3o para corresponder aos apelos e aux\u00edlios da Gra\u00e7a. Como j\u00e1 bem citava St. Agostinho: \u201c<em>Deus que te criou sem ti, n\u00e3o quer salvar-te sem ti<\/em>\u201d. Paulo anima os crist\u00e3os a oferecer preces a Deus por ele, n\u00e3o para que Deus o livre dos perigos que deve afrontar, mas para que a Palavra de Deus avance com rapidez e alcance seu objetivo, que \u00e9 o de chegar ao cora\u00e7\u00e3o dos homens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa \u00e9 a nossa meta: estarmos firmes sem perder a dire\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo, com uma vida que n\u00e3o termina ap\u00f3s a morte. Mesmo martirizados somos chamados a testemunhar quem n\u00f3s somos e onde amparamos nossa esperan\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Salmo Responsorial, (Sl 16,1.5-6.8b.15) vemos o grito do salmista em rela\u00e7\u00e3o a sua confian\u00e7a em Deus, ao mesmo tempo em que vai apresentando a inoc\u00eancia do justo ante a perversidade do malvado. Este salmo se apresenta como um salmo de s\u00faplica confiante em Deus, prece dirigida por um homem que busca agir conforme a vontade de Deus. Muitas s\u00e3o as semelhan\u00e7as dos pedidos apresentados neste salmo com aquelas express\u00f5es utilizadas nas bem-aventuran\u00e7as do Evangelho, em especial a lembran\u00e7a dos puros de cora\u00e7\u00e3o, porque estes ver\u00e3o a Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que Cristo reine em nossas vidas para que possamos espalhar seu amor em nossas vidas e assim em todos os \u00e2mbitos da sociedade. N\u00e3o percamos de vista nosso olhar voltado para o Senhor nem o exemplo daqueles nossos irm\u00e3os que nos edificam na f\u00e9. Que saibamos encontrar a figura de Cristo no irm\u00e3o pobre como a Igreja que desde o in\u00edcio esteve junto aos que mais necessitavam da acolhida providente e misericordiosa. Os pobres continuam sendo a riqueza da Igreja. Pe\u00e7amos o dom e a gra\u00e7a de perseverarmos na f\u00e9.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dentro da nossa liturgia dominical, estamos vivendo as \u00faltimas semanas do ano lit\u00fargico, quando a Liturgia vai nos propondo de forma mais acentuada sobre as realidades escatol\u00f3gicas, nossas expectativas sobre o final dos tempos e sobre os \u00faltimos dias. 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