{"id":5531,"date":"2015-02-10T14:49:34","date_gmt":"2015-02-10T16:49:34","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/missao-permanente\/"},"modified":"2017-04-07T15:56:38","modified_gmt":"2017-04-07T18:56:38","slug":"missao-permanente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/missao-permanente\/","title":{"rendered":"Miss\u00e3o Permanente"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">O Tempo Comum que vai do Natal \u00e0 Quaresma \u00e9 relativamente curto, mas nos coloca diante do in\u00edcio da vida p\u00fablica de Jesus e a apresenta\u00e7\u00e3o de sua miss\u00e3o. Essa miss\u00e3o, que hoje \u00e9 continuada na Igreja, nos desafia no tempo atual com suas dificuldades e sonhos. Por isso, a cada dia desse tempo somos interpelados. Qual o sentido da vida diante da dor, do sofrimento, e o que anunciar ao mundo de hoje?<br \/>O livro de J\u00f3, na primeira leitura deste Quinto Domingo do Tempo Comum, de modo dram\u00e1tico, mostra a vida humana: \u201cN\u00e3o \u00e9 acaso uma luta a vida do homem sobre a Terra? Seus dias n\u00e3o s\u00e3o como dias de um mercen\u00e1rio\u201d? E continua: \u201ctive por ganho meses de decep\u00e7\u00e3o, e couberam-me noites de sofrimentos. Se me deito, penso: quando poderei levantar-me? E, ao amanhecer, espero novamente a tarde&#8230; Meus dias correm mais r\u00e1pido do que a lan\u00e7adeira do tear e se consomem sem esperan\u00e7a. Lembra-te de que minha vida \u00e9 apenas um sopro e meus olhos n\u00e3o voltar\u00e3o a ver a felicidade\u201d. <br \/>Parecem palavras negativas, desesperadas estas de J\u00f3, por\u00e9m, na realidade, s\u00e3o uma reflex\u00e3o realista sobre o mist\u00e9rio da vida humana, uma reflex\u00e3o cheia de esperan\u00e7a, porque feita \u00e0 luz de Deus. Uma coisa \u00e9 pensar nas realidades negativas de nossa exist\u00eancia simplesmente contando com nossas for\u00e7as. Que desespero, que desilus\u00e3o, que vazio de sentido! Outra, bem diferente, \u00e9 encarar a vida tamb\u00e9m com suas trevas, \u00e0 luz de Deus, o amor eterno e onipotente! Que esperan\u00e7a que n\u00e3o decepciona, que paz que invade o cora\u00e7\u00e3o, mesmo na dor! <br \/> Neste tempo em que se cultua o corpo, o f\u00edsico sarado, a sa\u00fade e o vigor f\u00edsico, e se presta t\u00e3o pouca aten\u00e7\u00e3o ao sofrimento, \u00e0 dor, ao fracasso&#8230; Neste mundo que tem medo de pensar na morte e de assumir que todos morreremos, que n\u00e3o sabe o que fazer com o sofrimento, com a doen\u00e7a, com a decad\u00eancia f\u00edsica, com a deformidade do corpo, estas palavras de J\u00f3 convidam-nos a colocar os p\u00e9s no ch\u00e3o. Por isso, n\u00e3o s\u00e3o palavras pessimistas porque aquele que chora e busca o sentido da exist\u00eancia, f\u00e1-lo diante de Deus. A leitura conclui em forma de ora\u00e7\u00e3o: \u201cLembra-te de que minha vida \u00e9 apenas um sopro e meus olhos n\u00e3o voltar\u00e3o a ver a felicidade\u201d. O triste na vida n\u00e3o \u00e9 sofrer, n\u00e3o \u00e9 chorar, n\u00e3o \u00e9 morrer&#8230; Triste e miser\u00e1vel \u00e9 sofrer e chorar e morrer sem Deus, que d\u00e1 sentido \u00e0 nossa exist\u00eancia.<br \/> A resposta plena, por\u00e9m, vem no Evangelho (Mc 1, 29-39), onde apresenta Jesus rodeado de uma multid\u00e3o marcada pelo sofrimento: \u201cCurou muitos enfermos atormentados por diversos males e expulsou muitos dem\u00f4nios\u201d (Mc 1, 34). Mas se, por um lado, Ele se dedica a curar, por outro se retira para um lugar deserto. E ali orava durante a noite. A\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica e ora\u00e7\u00e3o se completam. Pedro e seus companheiros O procuram. Quando O encontram, dizem-lhe: \u201cTodos te procuram\u201d. A verdadeira luz deve ser procurada em Deus, sobretudo atrav\u00e9s da ora\u00e7\u00e3o.<br \/> Quando os ap\u00f3stolos disseram: \u201cTodos andam \u00e0 Tua procura\u201d; o Senhor respondeu-lhes: \u201cVamos a outros lugares, \u00e0s aldeias da redondeza! Devo pregar tamb\u00e9m ali, pois foi para isso que eu vim\u201d (Mc 1, 38). A miss\u00e3o de Cristo \u00e9 evangelizar, levar a Boa Nova at\u00e9 o \u00faltimo recanto da Terra atrav\u00e9s dos Ap\u00f3stolos e dos crist\u00e3os de todos os tempos. Esta \u00e9 a miss\u00e3o da Igreja, que assim cumpre o que o Senhor lhe ordenou: \u201cIde e pregai a todos os povos\u2026, ensinando-os a observar tudo quanto vos mandei\u201d (Mt 28, 19-20).<br \/> Os Atos dos Ap\u00f3stolos narram muitos pormenores da primeira evangeliza\u00e7\u00e3o; no pr\u00f3prio dia de Pentecostes, S\u00e3o Pedro prega a divindade de Jesus Cristo, a sua Morte redentora e a sua Ressurrei\u00e7\u00e3o gloriosa. S\u00e3o Paulo, citando o profeta Isa\u00edas, exclama com entusiasmo: \u201cComo s\u00e3o formosos os p\u00e9s dos que anunciam a Boa Nova\u201d! E a segunda leitura da Missa fala-nos da responsabilidade deste an\u00fancio alegre da verdade salvadora: \u201cPorque evangelizar n\u00e3o \u00e9 gl\u00f3ria para mim, mas necessidade. Ai de mim se n\u00e3o evangelizar\u201d.<br \/> Com estas mesmas palavras de S\u00e3o Paulo, a Igreja tem recordado, com frequ\u00eancia aos fi\u00e9is, o chamado que o Senhor lhes dirige para levarem a doutrina de Cristo a todos os cantos do mundo, aproveitando qualquer ocasi\u00e3o. A dedica\u00e7\u00e3o \u00e0 tarefa apost\u00f3lica nasce da convic\u00e7\u00e3o de se possuir a Verdade e o Amor, a verdade salvadora e o \u00fanico amor que preenche as \u00e2nsias do cora\u00e7\u00e3o. Quando se perde essa certeza, n\u00e3o se encontra sentido na difus\u00e3o da f\u00e9. Chega-se a pensar, por exemplo, mesmo em ambientes crist\u00e3os, que n\u00e3o se pode fazer nada para que apoiem uma lei reta, de acordo com o querer divino. Deixa tamb\u00e9m de ter sentido levar a doutrina de Cristo a regi\u00f5es onde ela ainda n\u00e3o chegou, ou onde a f\u00e9 n\u00e3o est\u00e1 profundamente arraigada; quanto muito, a miss\u00e3o apost\u00f3lica converte-se numa mera a\u00e7\u00e3o social em favor da promo\u00e7\u00e3o desses povos, esquecendo o maior tesouro que lhes pode dar: a f\u00e9 em Jesus Cristo, a vida da gra\u00e7a. <br \/> No pr\u00f3ximo dia 11, na celebra\u00e7\u00e3o de Nossa Senhora de Lourdes, iremos comemorar o Dia do Enfermo. Ver a vida em toda a sua realidade \u00e0 luz da f\u00e9 faz a diferen\u00e7a. E com a Palavra de hoje, somos chamados a ser testemunhas alegres de Cristo, anunciando a boa not\u00edcia a este mundo que procura, \u201c\u00e0s apalpadelas\u201d, o sentido da vida diante de tantas situa\u00e7\u00f5es pelas quais passa no dia a dia. <br \/> Eis a nossa miss\u00e3o a que hoje o Evangelho nos chama, e que tanto o Papa Francisco tem insistido: uma igreja em sa\u00edda, samaritana, pr\u00f3xima que testemunha a \u201calegria do evangelho\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Tempo Comum que vai do Natal \u00e0 Quaresma \u00e9 relativamente curto, mas nos coloca diante do in\u00edcio da vida p\u00fablica de Jesus e a apresenta\u00e7\u00e3o de sua miss\u00e3o. Essa miss\u00e3o, que hoje \u00e9 continuada na Igreja, nos desafia no tempo atual com suas dificuldades e sonhos. 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