{"id":5516,"date":"2015-02-02T16:24:18","date_gmt":"2015-02-02T18:24:18","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/o-significado-da-esperanca\/"},"modified":"2017-04-07T16:03:29","modified_gmt":"2017-04-07T19:03:29","slug":"o-significado-da-esperanca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/o-significado-da-esperanca\/","title":{"rendered":"O Significado da Esperan\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">A palavra esperan\u00e7a vem do latim: sperare. Sentimento que leva o homem a olhar para o futuro, considerando-o portador de condi\u00e7\u00f5es melhores que as oferecidas pelo presente, de tal sorte que a luta pela vida e os sofrimentos s\u00e3o enfrentados como conting\u00eancias passageiras na marcha para um fim mais alto e de maior valor. Do ponto de vista teol\u00f3gico, a Esperan\u00e7a \u00e9 uma virtude sobrenatural, que leva o homem a desejar Deus como bem supremo. <br \/> Genericamente, a esperan\u00e7a \u00e9 toda tend\u00eancia para um bem futuro e poss\u00edvel, mas incerto. Psicologicamente, tens\u00e3o pr\u00f3pria de quem se sente privado de um bem ardentemente desejado (imperfei\u00e7\u00f5es), mas que julga poder alcan\u00e7ar por si mesmo ou por outrem. A esperan\u00e7a diz respeito aos bens \u00e1rduos e dif\u00edceis por que n\u00e3o dependem apenas da vontade de quem os espera, mas tamb\u00e9m de circunst\u00e2ncias ou vontades alheias, e que, por isso, a tornam, de algum modo, incerta e fal\u00edvel. Justaposta \u00e0s esperan\u00e7as do dia a-dia, h\u00e1 a grande esperan\u00e7a, ou seja, um v\u00ednculo permanente entre a esp\u00e9cie e o seu criador.<br \/> No pensamento grego, Plat\u00e3o, designa &#8220;a grande e bela esperan\u00e7a&#8221; num al\u00e9m depois da morte. No pensamento romano, a palavra \u201cspes\u201d designava somente o momento feliz. Tanto a palavra grega como a romana, mesmo nas suas mais elevadas express\u00f5es, jamais atingiram a certeza de um futuro feliz. Foi a revela\u00e7\u00e3o judaico-crist\u00e3 que, ao dar como termo das tens\u00f5es a posse gratuita e inadmiss\u00edvel do pr\u00f3prio Deus, elevou-a \u00e0 categoria de uma virtude fundamental da vida crist\u00e3.<br \/> S\u00e3o de assinalar os contributos de Paulo de Tarso, Santo Agostinho, Pedro Abelardo e Duns Escoto para a compreens\u00e3o do termo. Por\u00e9m, foi Santo Tom\u00e1s de Aquino, na sua Summa Teol\u00f3gica, quem lhe dedicou exaustivas p\u00e1ginas no sentido de explicar os fundamentos da Esperan\u00e7a e de sua rela\u00e7\u00e3o com a F\u00e9 e a Caridade.<br \/> No \u00e2mbito da filosofia moderna, toda centrada na explora\u00e7\u00e3o da subjetividade, o tema foi relegado ao campo das paix\u00f5es e das emo\u00e7\u00f5es. \u00c9 que, diante do dom\u00ednio racionalista, a f\u00e9 crist\u00e3 v\u00ea-se amputada dos grandes objetivos de sua dimens\u00e3o escatol\u00f3gica, de modo que a \u201cspes quae\u201d acaba por ficar reduzida aos aspectos formais do ato de esperar (spes qua).\u00a0 As filosofias existencialistas, marxistas e materialistas roubam as expectativas da f\u00e9 com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 vida ap\u00f3s a morte.<br \/> Na filosofia moderna, as injun\u00e7\u00f5es dos pensamentos, a busca pela racionalidade e a supremacia da raz\u00e3o levam os indiv\u00edduos a decretar a morte de Deus. \u00c9 a doutrina do nada al\u00e9m dessa miser\u00e1vel vida. Esse sistema mata toda a Esperan\u00e7a. Como esperar algo se nada h\u00e1 o que se esperar? \u00c9 por isso que Paul Sartre falava da n\u00e1usea e do desespero, ant\u00edteses da esperan\u00e7a. <br \/> Santo Tom\u00e1s de Aquino classifica o desespero e a presun\u00e7\u00e3o como pecados e, por isso, o oposto da esperan\u00e7a. O desespero \u00e9 a pouca confian\u00e7a em Deus, o amor pr\u00f3prio, o orgulho pessoal. A presun\u00e7\u00e3o \u00e9 achar-se algu\u00e9m digno de uma posi\u00e7\u00e3o religiosa vantajosa, sem de fato o ser. Tanto um quanto o outro \u00e9 contr\u00e1rio ou op\u00f5em-se \u00e0 esperan\u00e7a. Acrescenta ainda que as causas do desespero s\u00e3o os nossos v\u00edcios, os quais nos obnubilam. A presun\u00e7\u00e3o, por outro lado, est\u00e1 ligada \u00e0 vaidade. Por fim, diz que a esperan\u00e7a n\u00e3o \u00e9 uma atitude passiva, mas cheia de vitalidade e de amor. <br \/> S\u00e3o Paulo nos alenta: \u201cPorque tudo que dantes foi escrito, para nosso ensino foi escrito, para que pela paci\u00eancia e consola\u00e7\u00e3o das Escrituras tenhamos esperan\u00e7a&#8221; (Romanos, 15, 4); &#8220;Ora, o Deus da esperan\u00e7a vos encha de todo o gozo e paz em cren\u00e7a, para que abundeis em esperan\u00e7a pela virtude do Esp\u00edrito Santo&#8221; (Romanos, 15, 13); &#8220;Tendo por capacete a esperan\u00e7a na salva\u00e7\u00e3o&#8221; (I Tessalonicenses, 5, 8); &#8220;E assim, esperando com paci\u00eancia, alcan\u00e7ou a promessa&#8221; (Hebreus, 6, 15); Em I Cor\u00edntios 13, Paulo discorre sobre a suprema excel\u00eancia da caridade. Depois de tecer coment\u00e1rios sobre a parte e o todo, ele diz: &#8220;Agora, pois, permanecem a f\u00e9, a esperan\u00e7a e a caridade, estas tr\u00eas, mas a maior destas \u00e9 a caridade&#8221; (I Cor\u00edntios, 13, 13).<br \/> A Esperan\u00e7a faz com que o nosso pensamento ultrapasse tempo e espa\u00e7o e penetre na imensid\u00e3o do espa\u00e7o infinito. Assim, de posse desta virtude, esquecemo-nos momentaneamente das dores, dos sacrif\u00edcios, das doen\u00e7as, das dificuldades, e lembramo-nos somente da felicidade regida pela paz e tranquilidade de nossas tens\u00f5es. Isso n\u00e3o \u00e9 utopia, \u00e9 a dimens\u00e3o do eu que se transcende a si mesmo rumo \u00e0 espiritualidade superior.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A palavra esperan\u00e7a vem do latim: sperare. Sentimento que leva o homem a olhar para o futuro, considerando-o portador de condi\u00e7\u00f5es melhores que as oferecidas pelo presente, de tal sorte que a luta pela vida e os sofrimentos s\u00e3o enfrentados como conting\u00eancias passageiras na marcha para um fim mais alto e de maior valor. Do [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-5516","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5516","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5516"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5516\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10636,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5516\/revisions\/10636"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5516"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5516"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5516"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}