{"id":5499,"date":"2015-01-27T13:54:07","date_gmt":"2015-01-27T15:54:07","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/fortalecei-os-vossos-coracoes-propoe-papa-francisco-em-mensagem-para-quaresma\/"},"modified":"2017-04-07T16:14:25","modified_gmt":"2017-04-07T19:14:25","slug":"fortalecei-os-vossos-coracoes-propoe-papa-francisco-em-mensagem-para-quaresma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/fortalecei-os-vossos-coracoes-propoe-papa-francisco-em-mensagem-para-quaresma\/","title":{"rendered":"\u201cFortalecei os vossos cora\u00e7\u00f5es\u201d, prop\u00f5e papa Francisco em mensagem para Quaresma"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/catolicanet.com.br\/images\/stories\/geral\/papa paz.jpg\" border=\"0\" align=\"left\" \/>Na mensagem por ocasi\u00e3o do per\u00edodo da Quaresma, o papa Francisco recorda que trata-se de \u201cum tempo prop\u00edcio para mostrar interesse pelo outro, atrav\u00e9s de um sinal \u2013 mesmo pequeno, mas concreto \u2013 da nossa participa\u00e7\u00e3o na humanidade que temos em comum\u201d. A Quaresma 2015 ter\u00e1 in\u00edcio na Quarta-feira de Cinzas, 18 de fevereiro.<\/p>\n<p>No texto, cujo t\u00edtulo \u00e9 \u201cFortalecei os vossos cora\u00e7\u00f5es\u201d, Francisco pede para que os crist\u00e3os n\u00e3o caiam na tenta\u00e7\u00e3o da indiferen\u00e7a na vida em sociedade. \u201cEstamos saturados de not\u00edcias e imagens impressionantes que nos relatam o sofrimento humano, sentindo ao mesmo tempo toda a nossa incapacidade de intervir\u201d. E, continuando a reflex\u00e3o, questiona: \u201cQue fazer para n\u00e3o nos\u00a0 deixarmos absorver por esta espiral de terror e impot\u00eancia? Em primeiro lugar, podemos rezar na comunh\u00e3o da Igreja terrena e celeste\u201d.<\/p>\n<p>Confira \u00edntegra da mensagem:<\/p>\n<p>MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO PARA A QUARESMA DE 2015<\/p>\n<p>\u00ab Fortalecei os vossos cora\u00e7\u00f5es\u00bb (Tg5,8)<\/p>\n<p>Amados irm\u00e3os e irm\u00e3s!<\/p>\n<p>Tempo de renova\u00e7\u00e3o para a Igreja, para as comunidades e para cada um dos fi\u00e9is, a Quaresma \u00e9\u00a0 sobretudo um \u00ab tempo favor\u00e1vel \u00bb de gra\u00e7a (cf. 2\u00a0 Cor6,2). Deus nada nos pede, que antes n\u00e3o no-lo\u00a0 tenha dado: \u00ab N\u00f3s amamos, porque Ele nos amou\u00a0 primeiro \u00bb\u00a0 (1 Jo4,19). Ele n\u00e3o nos olha com indiferen\u00e7a; pelo contr\u00e1rio, tem a peito cada um de n\u00f3s,\u00a0 conhece-nos pelo nome, cuida de n\u00f3s e vai \u00e0 nossa\u00a0 procura, quando O deixamos. Interessa-Se por cada\u00a0 um de n\u00f3s; o seu amor impede-Lhe de ficar indiferente perante aquilo que nos acontece. Coisa diversa se passa conosco! Quando estamos bem e comodamente instalados, esquecemo-nos certamente\u00a0 dos outros (isto, Deus Pai nunca o faz!), n\u00e3o nos\u00a0 interessam os seus problemas, nem as tribula\u00e7\u00f5es\u00a0 e injusti\u00e7as que sofrem; e, assim, o nosso cora\u00e7\u00e3o\u00a0 cai na indiferen\u00e7a: encontrando-me relativamente\u00a0 bem e confort\u00e1vel, esque\u00e7o-me dos que n\u00e3o est\u00e3o\u00a0 bem! Hoje, esta atitude ego\u00edsta de indiferen\u00e7a atingiu uma dimens\u00e3o mundial tal que podemos falar de uma globaliza\u00e7\u00e3o da indiferen\u00e7a. Trata-se de um\u00a0 mal-estar que temos obriga\u00e7\u00e3o, como crist\u00e3os, de\u00a0 enfrentar.<\/p>\n<p>Quando o povo de Deus se converte ao seu\u00a0 amor, encontra resposta para as quest\u00f5es que a hist\u00f3ria continuamente nos coloca. E um dos desafios\u00a0 mais urgentes, sobre o qual me quero deter nesta\u00a0 Mensagem, \u00e9 o da globaliza\u00e7\u00e3o da indiferen\u00e7a. Dado que a indiferen\u00e7a para com o pr\u00f3ximo e\u00a0 para com Deus \u00e9 uma tenta\u00e7\u00e3o real tamb\u00e9m para\u00a0 n\u00f3s, crist\u00e3os, temos necessidade de ouvir, em cada\u00a0 Quaresma, o brado dos profetas que levantam a voz\u00a0 para nos despertar. A\u00a0 Deus\u00a0 n\u00e3o\u00a0 Lhe\u00a0 \u00e9\u00a0 indiferente\u00a0 o\u00a0 mundo,\u00a0 mas\u00a0 ama-o\u00a0 at\u00e9\u00a0 ao\u00a0 ponto\u00a0 de\u00a0 entregar\u00a0 o\u00a0 seu\u00a0 Filho\u00a0 pela\u00a0 salva\u00e7\u00e3o de todo o homem. Na encarna\u00e7\u00e3o, na vida\u00a0 terrena, na morte e ressurrei\u00e7\u00e3o do Filho de Deus,\u00a0 abre-se definitivamente a porta entre Deus e o homem, entre o C\u00e9u e a terra. E a Igreja \u00e9 como a m\u00e3o\u00a0 que mant\u00e9m aberta esta porta, por meio da proclama\u00e7\u00e3o da Palavra, da celebra\u00e7\u00e3o dos Sacramentos,\u00a0 do testemunho da f\u00e9 que se torna eficaz pelo amor\u00a0 (cf. Gl 5,6).\u00a0 O\u00a0 mundo,\u00a0 por\u00e9m,\u00a0 tende\u00a0 a\u00a0 fechar-se\u00a0 em si mesmo e a fechar a referida porta atrav\u00e9s da\u00a0 qual Deus entra no mundo e o mundo n\u2019Ele. Sendo\u00a0 assim, a m\u00e3o, que \u00e9 a Igreja, n\u00e3o deve jamais surpreender-se, se se vir rejeitada, esmagada e ferida. Por isso, o povo de Deus tem necessidade de\u00a0 renova\u00e7\u00e3o, para n\u00e3o cair na indiferen\u00e7a nem se fechar em si mesmo. Tendo em vista esta renova\u00e7\u00e3o,\u00a0 gostaria de vos propor tr\u00eas textos para a vossa medita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>1. \u00ab Se um membro sofre, com ele sofrem todos os\u00a0 membros \u00bb (1 Cor12,26)\u2013 A Igreja.<\/p>\n<p>Com o seu ensinamento e sobretudo com o seu\u00a0 testemunho, a Igreja oferece-nos o amor de Deus,\u00a0 que rompe esta reclus\u00e3o mortal em n\u00f3s mesmos que\u00a0 \u00e9 a indiferen\u00e7a. Mas, s\u00f3 se pode testemunhar algo\u00a0 que antes experiment\u00e1mos. O crist\u00e3o \u00e9 aquele que\u00a0 permite a Deus revesti-lo da sua bondade e miseric\u00f3rdia, revesti-lo de Cristo para se tornar, como Ele,\u00a0 servo de Deus e dos homens. Bem no-lo recorda a liturgia de Quinta-feira Santa com o rito do lava-p\u00e9s. Pedro n\u00e3o queria que Jesus lhe lavasse os p\u00e9s, mas depois compreendeu que Jesus n\u00e3o pretendia apenas\u00a0 exemplificar\u00a0 como\u00a0 devemos\u00a0 lavar\u00a0 os\u00a0 p\u00e9s\u00a0 uns aos outros; este servi\u00e7o, s\u00f3 o pode fazer quem,\u00a0 primeiro, se deixou lavar os p\u00e9s por Cristo. S\u00f3 essa\u00a0 pessoa \u00ab tem parte com Ele \u00bb (cf. Jo 13,8), podendo\u00a0 assim servir o homem. A Quaresma \u00e9 um tempo prop\u00edcio para nos deixarmos servir por Cristo e, deste modo, tornarmo-nos\u00a0 como\u00a0 Ele.\u00a0 Verifica-se\u00a0 isto\u00a0 quando\u00a0 ouvimos\u00a0 a Palavra de Deus e recebemos os sacramentos,\u00a0 nomeadamente a Eucaristia. Nesta, tornamo-nos naquilo que recebemos: o corpo de Cristo. Neste corpo, n\u00e3o encontra lugar a tal indiferen\u00e7a que,\u00a0 com tanta frequ\u00eancia, parece apoderar-se dos nossos cora\u00e7\u00f5es; porque, quem \u00e9 de Cristo, pertence\u00a0 a um \u00fanico corpo e, n\u2019Ele, um n\u00e3o olha com indiferen\u00e7a o outro. \u00ab Assim, se um membro sofre,\u00a0 com ele sofrem todos os membros; se um membro\u00a0 \u00e9\u00a0 honrado,\u00a0 todos\u00a0 os\u00a0 membros\u00a0 participam\u00a0 da\u00a0 sua\u00a0 alegria \u00bb (1 Cor12,26). A Igreja \u00e9 communio sanctorum, n\u00e3o s\u00f3 porque,\u00a0 nela, tomam parte os Santos mas tamb\u00e9m porque \u00e9\u00a0 comunh\u00e3o de coisas santas: o amor de Deus, que\u00a0 nos foi revelado em Cristo, e todos os seus dons;\u00a0 e, entre estes, h\u00e1 que incluir tamb\u00e9m a resposta de\u00a0 quantos se deixam alcan\u00e7ar por tal amor. Nesta comunh\u00e3o dos Santos e nesta participa\u00e7\u00e3o nas coisas\u00a0 santas, aquilo que cada um possui, n\u00e3o o reserva\u00a0 s\u00f3 para si, mas tudo \u00e9 para todos. E, dado que estamos interligados em Deus, podemos fazer algo\u00a0 mesmo pelos que est\u00e3o longe, por aqueles que n\u00e3o\u00a0 poder\u00edamos jamais, com as nossas simples for\u00e7as,\u00a0 alcan\u00e7ar: rezamos com eles e por eles a Deus, para\u00a0 que todos nos abramos \u00e0 sua obra de salva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>2. \u00ab Onde est\u00e1 o teu irm\u00e3o? \u00bb\u00a0 (Gn 4,9) \u2013 As par\u00f3quias e as comunidades<\/p>\n<p>Tudo o que se disse a prop\u00f3sito da Igreja universal\u00a0 \u00e9\u00a0 necess\u00e1rio\u00a0 agora\u00a0 traduzi-lo\u00a0 na\u00a0 vida\u00a0 das\u00a0 par\u00f3quias e comunidades. Nestas realidades eclesiais, consegue-se porventura experimentar que\u00a0 fazemos parte de um \u00fanico corpo? Um corpo que,\u00a0 simultaneamente, recebe e partilha aquilo que\u00a0 Deus nos quer dar? Um corpo que conhece e cuida dos seus membros mais fr\u00e1geis, pobres e pequeninos? Ou refugiamo-nos num amor universal\u00a0 pronto a comprometer-se l\u00e1 longe no mundo, mas\u00a0 que esquece o L\u00e1zaro sentado \u00e0 sua porta fechada<\/p>\n<p>(cf. Lc16,19-31)? Para receber e fazer frutificar plenamente aquilo que Deus nos d\u00e1, deve-se ultrapassar as fronteiras da Igreja vis\u00edvel em duas dire\u00e7\u00f5es. Em primeiro lugar, unindo-nos \u00e0 Igreja do C\u00e9u\u00a0 na ora\u00e7\u00e3o. Quando a Igreja terrena reza, instaura&#8211;se reciprocamente uma comunh\u00e3o de servi\u00e7os e\u00a0 bens que chega at\u00e9 \u00e0 presen\u00e7a de Deus. Juntamente\u00a0 com os Santos, que encontraram a sua plenitude em\u00a0 Deus, fazemos parte daquela comunh\u00e3o onde a indiferen\u00e7a \u00e9 vencida pelo amor. A Igreja do C\u00e9u n\u00e3o\u00a0 \u00e9 triunfante, porque deixou para tr\u00e1s as tribula\u00e7\u00f5es\u00a0 do mundo e usufrui sozinha do gozo eterno; antes\u00a0 pelo contr\u00e1rio, pois aos Santos \u00e9 concedido j\u00e1 contemplar e rejubilar com o facto de terem vencido\u00a0 definitivamente a indiferen\u00e7a, a dureza de cora\u00e7\u00e3o\u00a0 e\u00a0 o\u00a0 \u00f3dio,\u00a0 gra\u00e7as\u00a0 \u00e0\u00a0 morte\u00a0 e\u00a0 ressurrei\u00e7\u00e3o\u00a0 de\u00a0 Jesus.\u00a0 E, enquanto esta vit\u00f3ria do amor n\u00e3o impregnar\u00a0 todo o mundo, os Santos caminham conosco, que\u00a0 ainda somos peregrinos. Convicta de que a alegria\u00a0 no C\u00e9u pela vit\u00f3ria do amor crucificado n\u00e3o \u00e9 plena\u00a0 enquanto houver, na terra, um s\u00f3 homem que sofre e\u00a0 geme, escrevia Santa Teresa de Lisieux, doutora da\u00a0 Igreja:\u00a0 \u00ab Muito\u00a0 espero\u00a0 n\u00e3o\u00a0 ficar\u00a0 inativa\u00a0 no\u00a0 C\u00e9u;\u00a0 o<\/p>\n<p>meu desejo \u00e9 continuar a trabalhar pela Igreja e pelas\u00a0 almas \u00bb\u00a0 (Carta254, de 14 de Julho de 1897).<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m n\u00f3s participamos dos m\u00e9ritos e da alegria dos Santos e eles tomam parte na nossa luta e no\u00a0 nosso desejo de paz e reconcilia\u00e7\u00e3o. Para n\u00f3s, a sua\u00a0 alegria pela vit\u00f3ria de Cristo ressuscitado \u00e9 origem de\u00a0 for\u00e7a para superar tantas formas de indiferen\u00e7a e dureza de cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em\u00a0 segundo\u00a0 lugar,\u00a0 cada\u00a0 comunidade\u00a0 crist\u00e3\u00a0 \u00e9\u00a0 chamada a atravessar o limiar que a p\u00f5e em rela\u00e7\u00e3o\u00a0 com a sociedade circundante, com os pobres e com os\u00a0 incr\u00e9dulos. A Igreja \u00e9, por sua natureza, mission\u00e1ria,\u00a0 n\u00e3o fechada em si mesma, mas enviada a todos os\u00a0 homens. Esta\u00a0 miss\u00e3o\u00a0 \u00e9\u00a0 o\u00a0 paciente\u00a0 testemunho\u00a0 d\u2019Aquele\u00a0 que quer conduzir ao Pai toda a realidade e todo o homem. A miss\u00e3o \u00e9 aquilo que o amor n\u00e3o pode calar. A\u00a0 Igreja segue Jesus Cristo pela estrada que a conduz a\u00a0 cada homem, at\u00e9 aos confins da terra (cf.Act1,8). Assim podemos ver, no nosso pr\u00f3ximo, o irm\u00e3o e a irm\u00e3\u00a0 pelos quais Cristo morreu e ressuscitou. Tudo aquilo\u00a0 que recebemos, recebemo-lo tamb\u00e9m para eles. E, vice-versa, tudo o que estes irm\u00e3os possuem \u00e9 um dom\u00a0 para a Igreja e para a humanidade inteira.<\/p>\n<p>Amados irm\u00e3os e irm\u00e3s, como desejo que os\u00a0 lugares onde a Igreja se manifesta, particularmente as nossas par\u00f3quias e as nossas comunidades, se\u00a0 tornem ilhas de miseric\u00f3rdia no meio do mar da indiferen\u00e7a!<\/p>\n<p>3. \u00ab Fortalecei os vossos cora\u00e7\u00f5es \u00bb\u00a0 (Tg 5,8)\u2013 Cada um dos fi\u00e9is<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m como indiv\u00edduos temos a tenta\u00e7\u00e3o da\u00a0 indiferen\u00e7a. Estamos saturados de not\u00edcias e imagens impressionantes que nos relatam o sofrimento\u00a0 humano, sentindo ao mesmo tempo toda a nossa\u00a0 incapacidade de intervir. Que fazer para n\u00e3o nos\u00a0 deixarmos absorver por esta espiral de terror e impot\u00eancia? Em primeiro lugar, podemos rezar na comunh\u00e3o da Igreja terrena e celeste. N\u00e3o subestimemos\u00a0 a for\u00e7a da ora\u00e7\u00e3o de muitos! A iniciativa 24 horas para o Senhor, que espero se celebre em toda\u00a0 a Igreja \u2013 mesmo a n\u00edvel diocesano \u2013 nos dias 13 e\u00a0 14 de Mar\u00e7o, pretende dar express\u00e3o a esta necessidade da ora\u00e7\u00e3o. Em segundo lugar, podemos levar ajuda, com\u00a0 gestos de caridade, tanto a quem vive pr\u00f3ximo de\u00a0 n\u00f3s como a quem est\u00e1 longe, gra\u00e7as aos in\u00fameros\u00a0 organismos caritativos da Igreja. A Quaresma \u00e9 um tempo prop\u00edcio para mostrar este interesse pelo\u00a0 outro, atrav\u00e9s de um sinal \u2013 mesmo pequeno, mas\u00a0 concreto \u2013 da nossa participa\u00e7\u00e3o na humanidade\u00a0 que temos em comum.\u00a0 E, em terceiro lugar, o sofrimento do pr\u00f3ximo\u00a0 constitui um apelo \u00e0 convers\u00e3o, porque a necessidade do irm\u00e3o recorda-me a fragilidade da minha\u00a0 vida, a minha depend\u00eancia de Deus e dos irm\u00e3os.<\/p>\n<p>Se humildemente pedirmos a gra\u00e7a de Deus e aceitarmos os limites das nossas possibilidades, ent\u00e3o\u00a0 confiaremos\u00a0 nas\u00a0 possibilidades\u00a0 infinitas\u00a0 que\u00a0 tem\u00a0 de reserva o amor de Deus. E poderemos resistir \u00e0\u00a0 tenta\u00e7\u00e3o diab\u00f3lica que nos leva a crer que podemos\u00a0 salvar-nos e salvar o mundo sozinhos. Para superar a indiferen\u00e7a e as nossas pretens\u00f5es de omnipot\u00eancia, gostaria de pedir a todos\u00a0 para viverem este tempo de Quaresma como um\u00a0 percurso de forma\u00e7\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o, a que nos convidava Bento XVI (Carta enc. Deus caritas est, 31).\u00a0 Ter\u00a0 um\u00a0 cora\u00e7\u00e3o\u00a0 misericordioso\u00a0 n\u00e3o\u00a0 significa\u00a0 ter\u00a0 um\u00a0 cora\u00e7\u00e3o\u00a0 d\u00e9bil.\u00a0 Quem\u00a0 quer\u00a0 ser\u00a0 misericordioso\u00a0 precisa de um cora\u00e7\u00e3o forte, firme, fechado ao tentador mas aberto a Deus; um cora\u00e7\u00e3o que se deixe\u00a0 impregnar pelo Esp\u00edrito e levar pelos caminhos do\u00a0 amor que conduzem aos irm\u00e3os e irm\u00e3s; no fundo,\u00a0 um cora\u00e7\u00e3o pobre, isto \u00e9, que conhece as suas limita\u00e7\u00f5es e se gasta pelo outro. Por isso, amados irm\u00e3os e irm\u00e3s, nesta Quaresma desejo rezar convosco a Cristo: \u00ab Fac cor nostrum secundum cor tuum \u2013 Fazei o nosso cora\u00e7\u00e3o\u00a0 semelhante ao vosso \u00bb (S\u00faplica das Ladainhas ao\u00a0 Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus). Teremos assim um cora\u00e7\u00e3o forte e misericordioso, vigilante e generoso,\u00a0 que n\u00e3o se deixa fechar em si mesmo nem cai na\u00a0 vertigem da globaliza\u00e7\u00e3o da indiferen\u00e7a.<\/p>\n<p>Com estes votos, asseguro a minha ora\u00e7\u00e3o por\u00a0 cada crente e comunidade eclesial para que percorram, frutuosamente, o itiner\u00e1rio quaresmal,\u00a0 enquanto, por minha vez, vos pe\u00e7o que\u00a0 rezeis por\u00a0 mim. Que o Senhor vos aben\u00e7oe e Nossa Senhora\u00a0 vos guarde!<\/p>\n<p>Vaticano, Festa de S\u00e3o Francisco de Assis, 4 de\u00a0 Outubro de 2014.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: CNBB<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na mensagem por ocasi\u00e3o do per\u00edodo da Quaresma, o papa Francisco recorda que trata-se de \u201cum tempo prop\u00edcio para mostrar interesse pelo outro, atrav\u00e9s de um sinal \u2013 mesmo pequeno, mas concreto \u2013 da nossa participa\u00e7\u00e3o na humanidade que temos em comum\u201d. A Quaresma 2015 ter\u00e1 in\u00edcio na Quarta-feira de Cinzas, 18 de fevereiro. 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