{"id":54968,"date":"2019-10-24T13:40:06","date_gmt":"2019-10-24T16:40:06","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=54968"},"modified":"2019-10-24T13:40:06","modified_gmt":"2019-10-24T16:40:06","slug":"pacis-nuntius-de-paulo-vi-55-anos-da-proclamacao-do-padroeiro-da-europa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/pacis-nuntius-de-paulo-vi-55-anos-da-proclamacao-do-padroeiro-da-europa\/","title":{"rendered":"&#8220;Pacis nuntius&#8221; de Paulo VI: 55 anos da proclama\u00e7\u00e3o do padroeiro da Europa"},"content":{"rendered":"<div class=\"article__subTitle\" style=\"text-align: justify;\">O ideal beneditino pode falar com a mesma eloqu\u00eancia a um cat\u00f3lico como a um luterano. Os 55 anos da publica\u00e7\u00e3o da \u201cPacis nuntius\u201d de Paulo VI, que proclama S\u00e3o Bento padroeiro da Europa<\/div>\n<div class=\"title__separator\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div class=\"article__text\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Cidade do Vaticano<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00e3o Bento Abade foi proclamado padroeiro da Europa h\u00e1 55 anos com a carta apost\u00f3lica <i>Pacis nuntius<\/i> de Paulo VI. Na ocasi\u00e3o o Pont\u00edfice encontrava-se em Monte Cassino, para a consagra\u00e7\u00e3o da Bas\u00edlica que tinha sido restaurada depois dos bombardeios b\u00e9licos de 1944. Era o dia 24 de outubro de 1964 e o Papa almejava solenemente que Bento &#8220;que um tempo com a luz da civiliza\u00e7\u00e3o crist\u00e3 conseguiu dissipar as trevas e irradiar o dom da paz, possa agora presidir a vida europeia, e com a sua intercess\u00e3o a desenvolva e a incremente cada vez mais\u201d. Esta foi a vis\u00e3o hist\u00f3rica e altamente prof\u00e9tica do Papa Paulo VI que colocou S\u00e3o Bento no centro do projeto europeu e o indicou como fautor de \u201cciviliza\u00e7\u00e3o crist\u00e3\u201d.<\/p>\n<!--[if lt IE 9]><script>document.createElement('audio');<\/script><![endif]-->\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-54968-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/media.vaticannews.va\/media\/audio\/s1\/2019\/10\/24\/15\/135300862_F135300862.mp3?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/media.vaticannews.va\/media\/audio\/s1\/2019\/10\/24\/15\/135300862_F135300862.mp3\">https:\/\/media.vaticannews.va\/media\/audio\/s1\/2019\/10\/24\/15\/135300862_F135300862.mp3<\/a><\/audio>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><b>Cidade mon\u00e1stica e civiliza\u00e7\u00e3o mon\u00e1stica<\/b><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antes dele com o mesmo esp\u00edrito prof\u00e9tico escreveu Giorgio La Pira em um \u00e2mbito mais limitado, o dos mosteiros de clausura, convencido de que a ora\u00e7\u00e3o seja a for\u00e7a motriz da hist\u00f3ria, como se percebe na mensagem escrita em 1954: \u201cN\u00e3o precisa ter medo de diz\u00ea-lo: a civiliza\u00e7\u00e3o crist\u00e3 e a cidade crist\u00e3 s\u00e3o essencialmente civiliza\u00e7\u00e3o mon\u00e1stica e cidade mon\u00e1stica; no sentido que, como no mosteiro, tamb\u00e9m nelas \u2013 em \u00faltima an\u00e1lise \u2013 todos os valores t\u00eam uma orienta\u00e7\u00e3o \u00fanica e uma \u00fanica finalidade. Deus amado, contemplado, incessantemente louvado\u201d.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><b>Gregorovius: historiador protestante<\/b><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma carta in\u00e9dita do grande historiador e medievalista protestante Ferdinand Gregorovius, descoberta nos Arquivos de Monte Cassino, \u00e9 digna de ser citada pela coincid\u00eancia nos 55 anos do t\u00edtulo de S\u00e3o Bento como padroeiro prim\u00e1rio da civiliza\u00e7\u00e3o europeia. Na carta emerge o sintagma \u201cciviliza\u00e7\u00e3o mon\u00e1stica\u201d, que hoje parece normal, mas escrito por um luterano em 1872 parece bem mais singular, apesar da sua admira\u00e7\u00e3o por Roma e pela experi\u00eancia hist\u00f3rica do monaquismo beneditino.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><b>Arqu\u00e9tipo da hagiografia mon\u00e1stica oriental e ocidental<\/b><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o \u00e9 um caso que um seu colega protestante, bem mais jovem, Adolf von Harnack, tinha mostrado em seu livro de 1881 <i>Das m\u00f6nchtum, seine ideale und seine geschichte<\/i> (O monaquismo, os seus ideais e a sua hist\u00f3ria), uma orienta\u00e7\u00e3o bem diversa com rela\u00e7\u00e3o ao monaquismo, que ele considerava, de fato, origin\u00e1rio de correntes her\u00e9ticas, extremistas e rigoristas como o encratismo e o montanismo. A sua vis\u00e3o negativa do nascente monaquismo foi t\u00e3o grande que considerou que nenhum livro teria exercido sobre o Egito, a \u00c1sia ocidental e a Europa uma influ\u00eancia mais degradante, portanto contr\u00e1ria \u00e0 civiliza\u00e7\u00e3o, do que obra\u00a0<i>Vita Antonii<\/i> escrita por Santo Atan\u00e1sio. A obra teve um importante papel na dissemina\u00e7\u00e3o do ascetismo entre os crist\u00e3os e hoje \u00e9 reconhecida universalmente como um arqu\u00e9tipo da hagiografia mon\u00e1stica oriental e ocidental.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><b>Ora et labora<\/b><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Anos depois, em 1903, Adolf von Harnack encontrou em Roma o abade Ambrogio Amelli, monge de Monte Cassino, estudioso de patr\u00edstica e literatura crist\u00e3 al\u00e9m de music\u00f3logo. Em uma Confer\u00eancia em 1905 Amelli contou que na ocasi\u00e3o Harnack perguntou-lhe: \u201cO que voc\u00eas fazem em Monte Cassino?\u201d e o abade sem hesitar respondeu-lhe: \u201cO que se faz h\u00e1 14 s\u00e9culos: reza-se e trabalha-se\u201d Ora et labora. \u201cMuito bem\u201d, acrescentou o interlocutor com um sorriso de condescend\u00eancia, \u201cmas n\u00e3o s\u00e3o apenas os beneditinos que fazem isso, n\u00e3o \u00e9 mesmo? Todavia em Berlim trabalha-se muito, mas reza-se pouco\u201d.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><b>Fasc\u00ednio do monaquismo<\/b><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Evidentemente tamb\u00e9m para o historiador do cristianismo a vis\u00e3o do mundo t\u00edpico do monaquismo beneditino (com seu equil\u00edbrio entre deserto e comunh\u00e3o, ora\u00e7\u00e3o e empenho no mundo, ascese e caridade) exercia seu fasc\u00ednio. O mesmo que se respira de modo mais pacato em Gregorovius, cuja amizade com os monges de Monte Cassino era bem conhecida gra\u00e7as a algumas cartas que se conservaram, endere\u00e7adas pelo historiador a Luigi Tosti em particular e publicadas em 1967.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><b>Carta deixada por Gregorovius<\/b><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">A carta que foi encontrada recentemente tinha, ao inv\u00e9s, como destinat\u00e1rio o novo abade de Monte Cassino, Nicola d\u2019Orgemont, nomeado em 24 de dezembro de 1871, e teria sido conservada em seu escrit\u00f3rio at\u00e9 o ano de 1896, ano da sua morte. Em 1859 em carta a Luigi Tosti com a data de 25 de outubro em Roma, Gregorovius escrevia: \u201cCreia-me Padre Luigi, Monte Cassino brilha na minha mem\u00f3ria como uma estrela fulgente\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ideal beneditino pode falar com a mesma eloqu\u00eancia a um cat\u00f3lico como a um luterano, porque \u00e9 fundamentado na <i>Regula monasteriorum<\/i> que Jacques-B\u00e9nigne Bossuet no seu <i>Discurso em louvor a S\u00e3o Bento\u00a0<\/i>o definiu \u201cum comp\u00eandio do cristianismo, uma s\u00e1bia e misteriosa s\u00edntese de toda a doutrina do Evangelho\u201d.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O ideal beneditino pode falar com a mesma eloqu\u00eancia a um cat\u00f3lico como a um luterano. 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