{"id":54852,"date":"2019-10-21T11:04:34","date_gmt":"2019-10-21T14:04:34","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=54852"},"modified":"2019-10-21T11:04:34","modified_gmt":"2019-10-21T14:04:34","slug":"egocentrismo-condenado-e-humildade-exaltada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/egocentrismo-condenado-e-humildade-exaltada\/","title":{"rendered":"EGOCENTRISMO CONDENADO E HUMILDADE EXALTADA"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Com a par\u00e1bola do fariseu e do publicano Jesus mostrou como diante de Deus \u00e9 abomin\u00e1vel o egocentrismo e louv\u00e1vel a humildade (Lc 18, 9-14). Naquele tempo se podia identificar o fariseu pela pr\u00e1tica de uma piedade ostensiva, um formalismo hip\u00f3crita, aquele que acreditava encarnar em si a perfei\u00e7\u00e3o moral e cujos julgamentos sobre o comportamento dos outros eram severos. O fariseu era obcecado por virtudes que julgava possuir em alto grau. O publicano, coletor de impostos, era tristemente associado aos pecadores (Mt 9,11). Jesus, por\u00e9m, entrava em contato com eles, aceitava inclusive tomar com eles refei\u00e7\u00e3o (Mt 9,9-13). Chamou Mateus, um deles, para ser um dos doze ap\u00f3stolos. Atitudes surpreendentes para os fariseus, cujo ritual de purifica\u00e7\u00e3o merecia o rep\u00fadio de Cristo que dir\u00e1 claramente que n\u00e3o era pelo exterior que algu\u00e9m se purifica, mas pelo seu interior. Jesus apresenta um publicano como exemplo. o qual faz uma releitura humilde de sua vida e o seu \u201c<em>mea culpa<\/em>\u201d vinha do \u00edntimo de seu cora\u00e7\u00e3o que pedia a Deus miseric\u00f3rdia, \u201cbatia no peito&#8221;, dizendo \u201c\u00f3 Deus, perdoa a mim que sou pecador\u201d. O Deus do publicano era um Deus clemente que perdoa. Em cada um de nos hiberna um fariseu ou um publicano, mas a li\u00e7\u00e3o dada por Jesus \u00e9 clara: \u201cQuem se eleva ser\u00e1 humilhado; quem se humilha ser\u00e1 exaltado\u201d. Na prece do fariseu pairava um desprezo com todas as suas agressividades, julgando que eram os escolhidos de Deus, sendo os outros exclu\u00eddos do amor divino. Para eles o cora\u00e7\u00e3o de Deus era assaz pequenino para amar at\u00e9 pecadores arrependidos. Enquanto o fariseu se gloria de sua religiosidade meramente exterior, o publicano fazia de Deus o confidente de sua mis\u00e9ria. N\u00e3o ousava levantar os olhos porque sabia que Deus era o oceano de amor, mas amor que ele n\u00e3o merecia. Reconhecia a necessidade do perd\u00e3o que o imergiria na compaix\u00e3o sem limites do Criador. N\u00e3o se julgava melhor do que os outros. N\u00e3o se comparava com ningu\u00e9m, mas sondava a si mesmo para poder reencontrar a bondade do Ser que \u00e9 a benignidade infinita, tr\u00eas vezes santo. Diante de Deus ter senso do pecado n\u00e3o consiste em manifestar uma atitude de um arrependimento artificial, mas reconhecer humildemente as pr\u00f3prias falhas sem deixar que a falsidade esteja instalada no \u00edntimo de si mesmo, impedindo um arrependimento sincero dos erros porventura cometidos, verificando at\u00e9 onde se deixou de praticar os mandamentos divinos e, sobretudo, de amar a Deus sobre todas as coisas e ao pr\u00f3ximo como a si mesmo. Esta atitude leva \u00e0 verdadeira convers\u00e3o, afastando todo resqu\u00edcio de orgulho, fazendo cada um aut\u00eantico perante o Ser que tudo conhece. Ent\u00e3o fica aberto o caminho da paz, situando-se o crist\u00e3o diante de seu Senhor como criatura limitada, respons\u00e1vel pelas suas faltas que sinceramente aborrece e delas pede a anistia divina. Quem assim age contempla sempre maravilhas em torno de si. A humildade \u00e9 a verdade sobre si mesmo e sobre Deus e da\u00ed a grandeza do publicano que se reconhecia como um pecador que implorava a comisera\u00e7\u00e3o divina. Esta deve ser a postura da criatura perante o Criador. Esta verdade deve se refletir nas rela\u00e7\u00f5es de cada um com Ele. Se a humildade \u00e9 a verdade ent\u00e3o ela faz com que o ser humano reconhe\u00e7a a transcend\u00eancia absoluta de Deus, manifestada na benevol\u00eancia incomensur\u00e1vel de Cristo, o Redentor Esta \u00e9 a realidade suprema e decisiva, a qual impede que haja vangl\u00f3ria das a\u00e7\u00f5es, julgando, como acontecia com o fariseu, que o m\u00e9rito \u00e9 fruto devido ao esfor\u00e7o pessoal. Sem a gra\u00e7a divina ningu\u00e9m \u00e9 justo, ningu\u00e9m \u00e9 santo e, assim sendo, n\u00e3o h\u00e1 porque se exaltar. Al\u00e9m disto, a humildade exige caridade a qual faltava tamb\u00e9m ao fariseu que se julgava melhor do que o publicano. Portanto, nada de se comparar com os outros, porque o julgamento \u00e9 sempre de Deus que conhece as boas e m\u00e1s inten\u00e7\u00f5es de cada um e qual \u00e9 o grau de amor que flui do \u00edntimo do cora\u00e7\u00e3o de quem Lhe quer ser fiel. A humildade \u00e9 o fundamento da prece e esta \u00e9 a eleva\u00e7\u00e3o da alma a Deus. Do alto de seu orgulho o fariseu s\u00f3 enxergava em si virtudes, das quais faltava exatamente o alicerce essencial. Dos l\u00e1bios do publicano flu\u00eda uma ora\u00e7\u00e3o humilde e contrita. Aquele que se humilha \u00e9 quem ser\u00e1 exaltado por Aquele que tudo conhece e penetra fundo no cora\u00e7\u00e3o do orante. Eis porque o humilde n\u00e3o exige nunca os favores de Deus, mas procura antes de tudo estar com a consci\u00eancia limpa perante o Ser Supremo, doador de tudo. Como dizia Santo Agostinho, n\u00f3s somos os mendigos de Deus e de si, por si mesmo, ningu\u00e9m \u00e9 virtuoso. Diz o Livro dos Prov\u00e9rbios: \u201cOnde h\u00e1 humildade a\u00ed h\u00e1 sabedoria\u201d (Prov. 11). \u00c9 que Esp\u00edrito Santo sempre busca o cora\u00e7\u00e3o humilde<em>.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com a par\u00e1bola do fariseu e do publicano Jesus mostrou como diante de Deus \u00e9 abomin\u00e1vel o egocentrismo e louv\u00e1vel a humildade (Lc 18, 9-14). 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