{"id":54715,"date":"2019-10-15T10:31:57","date_gmt":"2019-10-15T13:31:57","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=54715"},"modified":"2019-10-15T10:31:57","modified_gmt":"2019-10-15T13:31:57","slug":"dom-azcona-responde-a-justificativa-de-que-indigenas-nao-compreendem-o-celibato","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/dom-azcona-responde-a-justificativa-de-que-indigenas-nao-compreendem-o-celibato\/","title":{"rendered":"Dom Azcona responde \u00e0 justificativa de que ind\u00edgenas n\u00e3o compreendem o celibato"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Em um novo artigo enviado \u00e0 <a href=\"https:\/\/www.acidigital.com\">ACI<\/a> Digital sobre o Instrumentum Laboris (IL) do S\u00ednodo para Amaz\u00f4nia, que acontece no Vaticano at\u00e9 27 de outubro, o Bispo Em\u00e9rito da Prelazia de Maraj\u00f3 (PA), Dom Jos\u00e9 Luis Azcona, comentou sobre a ordena\u00e7\u00e3o de sacerdotes casados e respondeu \u00e0 justificativa de que os ind\u00edgenas n\u00e3o compreendem o celibato.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cN\u00e3o \u00e9 a cosmovis\u00e3o ind\u00edgena a que determina a evangeliza\u00e7\u00e3o e estabelece o que pode ou n\u00e3o ser aceito do Evangelho de Jesus Cristo. Essa cultura seria um \u201cnovo evangelho\u201d, como in\u00fameras vezes se d\u00e1 a entender no IL, evangelho surgido dos ind\u00edgenas, das suas culturas ou de sua an\u00e1lise sobre as necessidades do homem tamb\u00e9m na \u00e1rea do celibato, das fam\u00edlias, da sexualidade, realidades estas que determinam intrinsecamente a personalidade e a sua hist\u00f3ria\u201d, expressa o Prelado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dom Azcona assinala que \u201cn\u00e3o \u00e9 a cultura ind\u00edgena que encontra dificuldades intranspon\u00edveis na compreens\u00e3o do celibato. Acontece que n\u00e3o houve uma verdadeira incultura\u00e7\u00e3o do Evangelho entre eles. Tem sido por muitas raz\u00f5es uma transmiss\u00e3o da f\u00e9 \u2018que n\u00e3o se fez cultura, uma f\u00e9 que n\u00e3o foi plenamente recebida, n\u00e3o inteiramente pensada, n\u00e3o fielmente vivida\u2019 (Rm 10)\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse sentido, explica, \u201co primeiro passo para a solu\u00e7\u00e3o do problema do celibato n\u00e3o \u00e9 aboli\u00e7\u00e3o do mesmo. \u00c9, pelo contr\u00e1rio, inculturar o Evangelho com os valores profundos, aspira\u00e7\u00f5es vitais, ra\u00edzes antropol\u00f3gicas (Rm, 24; At 14, 11-17; 17, 22-31) de determinada cultura\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c\u00c9 Jesus Cristo e seu Esp\u00edrito que transcende toda a cultura, mas simultaneamente se encarna nos valores e nas express\u00f5es mais profundas de cada cultura. Ele \u00e9 o in\u00edcio, meio e fim da encultura\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A seguir, o artigo completo de Dom Jos\u00e9 Luis Azcona:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A ordena\u00e7\u00e3o de padres casados<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sem inten\u00e7\u00e3o de polemizar contra ningu\u00e9m, retorno a esta quest\u00e3o j\u00e1 abordada por mim por ocasi\u00e3o da publica\u00e7\u00e3o do Instrumentum laboris (IL) do S\u00ednodo. Pelo que observamos s\u00e3o duas as raz\u00f5es apresentadas pelos que defendem a ordena\u00e7\u00e3o de padres casados: se possibilitaria a celebra\u00e7\u00e3o da Missa nas aldeias, hoje inviabilizada pela normativa do celibato e, por outra parte, se superaria a rejei\u00e7\u00e3o intr\u00ednseca ao mesmo que desde a antropologia ind\u00edgena, desde a absoluta impossibilidade para uma \u201ccompreens\u00e3o\u201d da situa\u00e7\u00e3o pelo que se refere ao caso do padre ind\u00edgena solteiro na Amaz\u00f4nia de hoje.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira raz\u00e3o fica invalidada pelo fato evidente de que a aus\u00eancia de padre para celebrar a Eucaristia \u00e9 um problema comum a toda a Igreja e n\u00e3o s\u00f3 das comunidades ind\u00edgenas. Pertenceria, portanto, n\u00e3o ao \u00e2mbito de uma problem\u00e1tica a ser discutida por um S\u00ednodo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Queremos aqui nos debru\u00e7ar sobre a quest\u00e3o cultural ind\u00edgena que, segundo alguns, deve prevalecer de modo absoluto sobre a atual legisla\u00e7\u00e3o, \u201ccaso os cat\u00f3licos queiram ter membros do clero provenientes das comunidades ind\u00edgenas\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ar descristianizado que sopra ao longo de muitas p\u00e1ginas do IL se evidencia com toda a crueza por ocasi\u00e3o da ordena\u00e7\u00e3o de ind\u00edgenas n\u00e3o vinculados pelo sagrado dom do celibato. \u201cN\u00e3o h\u00e1 outra possibilidade. Os povos ind\u00edgenas n\u00e3o entendem\u201d. Uma vis\u00e3o profundamente secularista tomou conta do documento. O que aqui se evidencia com a m\u00e1xima clareza. Vejamos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA cultura n\u00e3o \u00e9 a medida do Evangelho. \u00c9 Jesus Cristo a medida de toda a cultura e de toda obra humana\u201d (SD, DI 6).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o \u00e9 a cosmovis\u00e3o ind\u00edgena a que determina a evangeliza\u00e7\u00e3o e estabelece o que pode ou n\u00e3o ser aceito do Evangelho de Jesus Cristo. Essa cultura seria um \u201cnovo evangelho\u201d, como in\u00fameras vezes se d\u00e1 a entender no IL, evangelho surgido dos ind\u00edgenas, das suas culturas ou de sua an\u00e1lise sobre as necessidades do homem tamb\u00e9m na \u00e1rea do celibato, das fam\u00edlias, da sexualidade, realidades estas que determinam intrinsecamente a personalidade e a sua hist\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A necessidade de \u201cnascer de novo\u201d, \u201cser um homem novo\u201d, \u201cno \u00fanico Homem novo\u201d (Ef 2, 15-16), tamb\u00e9m portanto na \u00e1rea da sexualidade, n\u00e3o seria efetivada pelo Evangelho. Seria pura salva\u00e7\u00e3o humana, portanto n\u00e3o salva\u00e7\u00e3o. O ind\u00edgena, sua fam\u00edlia, sua afetividade e sexualidade ficariam entregues a si mesmos, a sabedoria dos ancestrais, as cosmovis\u00f5es da sua cultura, as interpreta\u00e7\u00f5es da realidade do seu povo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A evangeliza\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia n\u00e3o pode nascer do desejo de \u201cagradar aos homens\u201d, ou de \u201cprocurar o seu favor\u201d (Gl 1, 10), nem dos Cardeais, nem tampouco do S\u00ednodo. Ela tem que nascer da responsabilidade da Igreja pelo Dom que Deus nos faz em Cristo, aos ind\u00edgenas tanto como a n\u00f3s. Dom que n\u00e3o extingue, tampouco humilha, nem se sobrep\u00f5e a nenhuma cultura, nem na\u00e7\u00e3o. \u00c9 \u201ca riqueza insond\u00e1vel\u201d (Ef 3, 8) que antes de tudo \u00e9 o pr\u00f3prio Cristo, sua Pessoa, sua Igreja, porque Ele mesmo \u00e9 a nossa salva\u00e7\u00e3o e a da Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Cristologia reducionista que perpassa o IL n\u00e3o marcar\u00e1 nunca \u201cos caminhos novos para a Igreja na Amaz\u00f4nia, nem para uma ecologia integral\u201d. Se assim fosse o S\u00ednodo seria eliminado porque Jesus de Nazar\u00e9, Filho de Deus ficaria assim fora do centro (ibidem 6-7).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por outra parte, a mensagem do Novo Testamento sobre a sexualidade humana e suas consequ\u00eancias, ponto de partida para a compreens\u00e3o do celibato n\u00e3o \u00e9 um empecilho intranspon\u00edvel para os povos ind\u00edgenas. Assim como tampouco o foi para os gregos e romanos (1 Cor 6; Ef 5; Gal 5; Rm 1). Como tampouco para os judeus (Mt 19). Todos eles tiveram a mesma dificuldade de compreens\u00e3o, mas ao mesmo tempo experimentaram a alegria incontida de \u201cglorificar a Cristo no seu corpo\u201d (sexo, genitalidade) (1 Cor 6, 20), assim como tamb\u00e9m a experi\u00eancia \u00fanica da liberta\u00e7\u00e3o sexual \u201cpelo alto pre\u00e7o do sangue de Cristo\u201d (ibidem) pelo sacramento do Batismo e do sacramento do Matrim\u00f4nio, mist\u00e9rio grande em Cristo e na Igreja (Ef 5, 32).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o \u00e9 a cultura ind\u00edgena que encontra dificuldades intranspon\u00edveis na compreens\u00e3o do celibato. Acontece que n\u00e3o houve uma verdadeira incultura\u00e7\u00e3o do Evangelho entre eles. Tem sido por muitas raz\u00f5es uma transmiss\u00e3o da f\u00e9 \u201cque n\u00e3o se fez cultura, uma f\u00e9 que n\u00e3o foi plenamente recebida, n\u00e3o inteiramente pensada, n\u00e3o fielmente vivida\u201d (Rm 10). Isso! Numa palavra: as dificuldades das culturas ind\u00edgenas para compreender o celibato e vivenci\u00e1-lo, tamb\u00e9m no sacramento da ordem sacerdotal, n\u00e3o s\u00e3o diferentes as das culturas afroamaz\u00f4nicas, ribeirinhas, caboclas, nem urbanas da Amaz\u00f4nia. Ali\u00e1s, nem as culturas ib\u00e9ricas na primeira evangeliza\u00e7\u00e3o das mesmas, como a da incultura\u00e7\u00e3o das germ\u00e2nicas ou asi\u00e1ticas, como qualquer cultura experimenta fundamentalmente a mesma dificuldade para compreender, vivenciar, encontrar o verdadeiro sentido da estrutura afetiva, sexual, genital e, portanto, do celibato que nasce necessariamente do Batismo e da Eucaristia (1 Cor 6, 9-11).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sem uma aut\u00eantica incultura\u00e7\u00e3o do Evangelho num processo longo, complexo e dif\u00edcil, n\u00e3o tem possibilidade nenhuma nenhum povo da Terra de compreens\u00e3o, aceita\u00e7\u00e3o agradecida, nem de viv\u00eancia fiel, nem nas culturas ind\u00edgenas, nem em outras quaisquer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O primeiro passo para a solu\u00e7\u00e3o do problema do celibato n\u00e3o \u00e9 aboli\u00e7\u00e3o do mesmo. \u00c9, pelo contr\u00e1rio, inculturar o Evangelho com os valores profundos, aspira\u00e7\u00f5es vitais, ra\u00edzes antropol\u00f3gicas (Rm, 24; At 14, 11-17; 17, 22-31) de determinada cultura. \u00c9 Jesus Cristo e seu Esp\u00edrito que transcende toda a cultura, mas simultaneamente se encarna nos valores e nas express\u00f5es mais profundas de cada cultura. Ele \u00e9 o in\u00edcio, meio e fim da incultura\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Paulo, na Carta aos G\u00e1latas, proclama: \u201cn\u00e3o anulo a gra\u00e7a de Deus; porque se \u00e9 pela Lei que vem a justi\u00e7a ent\u00e3o Cristo morreu em v\u00e3o\u201d (2, 21). N\u00e3o podemos colocar a cultura contra a Gra\u00e7a, nem a sabedoria ind\u00edgena contra a Cruz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O celibato no sacerd\u00f3cio, por outra parte, facilita o trato ass\u00edduo com o Senhor, com um cora\u00e7\u00e3o indiviso (1 Cor 7). Constitui uma caracter\u00edstica espec\u00edfica e incompar\u00e1vel do kair\u00f3s e da situa\u00e7\u00e3o prof\u00e9tica para o exerc\u00edcio do profetismo mais arriscado na Amaz\u00f4nia de nossos dias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele define, proclama abertamente e com alegria a caracter\u00edstica essencialmente escatol\u00f3gica do nosso tempo prof\u00e9tico incompar\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vejamos agora o espec\u00edfico do celibato a partir do Novo Testamento. Este \u00e9 incompreens\u00edvel se n\u00e3o \u00e9 trilhado o caminho de Jesus. Sua vida celibat\u00e1ria \u00e9 o germe do qual brota necessariamente a virgindade e o celibato na Igreja. N\u00e3o \u00e9 de estranhar, portanto, que num documento como o IL que sequestra o Crucificado do texto preparat\u00f3rio do S\u00ednodo, \u201cn\u00e3o compreenda\u201d o celibato de Jesus, nem o da Igreja .<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mateus 19, 10-12 destaca que o mesmo \u00e9 incompreens\u00edvel como o foi para os judeus que o insultavam com a palavra: \u201ceunuco, impotente\u201d. Jesus aceita o insulto e explica a sua condi\u00e7\u00e3o de celibe: \u201co Reino dos C\u00e9us\u201d. Como entre os ind\u00edgenas da Amaz\u00f4nia o celibato tamb\u00e9m hoje \u00e9 tido como imposs\u00edvel por n\u00e3o poucos homens\u201d (PO, 16). Por isto, com tanta mais humildade e perseveran\u00e7a, n\u00f3s presb\u00edteros somos convidados a implorar com toda a Igreja a gra\u00e7a da fidelidade (ibidem). Numa cristologia e eclesiologia desprovidas da experi\u00eancia da gra\u00e7a, o celibato n\u00e3o tem sentido nenhum. Assim como \u00e9 evidente no IL a aus\u00eancia total da alegria pascal e da aut\u00eantica esperan\u00e7a crist\u00e3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em Mateus, o celibato \u00e9 t\u00e3o incompreens\u00edvel como o campon\u00eas do Evangelho que cheio de alegria vende tudo para comprar o \u00fanico campo (Mt 13, 44ss). O celibat\u00e1rio, como Jesus, vivencia com entusiasmo e alegria o despojamento de tudo \u201cpelo Reino dos C\u00e9us\u201d. Esta \u00e9 a \u00fanica justificativa. Quem n\u00e3o estiver evangelizado, aquele a quem o Reino de Deus n\u00e3o foi anunciado, n\u00e3o compreende nada. Como os ind\u00edgenas da Amaz\u00f4nia que pensam desde si mesmos, n\u00e3o desde o Evangelho, n\u00e3o desde o Reino dos C\u00e9us. A Igreja mateana que nasce do juda\u00edsmo acolhe, admira e acompanha grupos de pessoas que no seu seio permaneciam celibat\u00e1rias imitando a Jesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8230; O dom da castidade<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A conduta dos eunucos ressalta a import\u00e2ncia que o Reino havia adquirido para eles. Receberam o dom para se comportarem assim. Compreens\u00e3o que somente a f\u00e9 tinha feito poss\u00edvel. Somente Deus poderia dar essa compreens\u00e3o dos Reinos dos C\u00e9us que levou alguns a abra\u00e7ar o celibato. Isso se confirma com toda evid\u00eancia pela reda\u00e7\u00e3o do vers\u00edculo 11, onde Deus \u00e9 o sujeito do verbo conceder, um passivo teol\u00f3gico: Deus d\u00e1 exclusivamente o dom do celibato (1 Cor 7, 7b). O homem \u00e9 incapaz de alcan\u00e7\u00e1-lo com seus pr\u00f3prios esfor\u00e7os. A gaudiosa aceita\u00e7\u00e3o do dom divino comporta uma cont\u00ednua a\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8230; Pelo Reino dos C\u00e9us<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 a causa da vida virgem. Deus \u00e9 experimentado como soberano de tudo (miseric\u00f3rdia, bondade divina), ele \u00e9 justi\u00e7a. A proximidade do Reino dos C\u00e9us \u00e9 a proximidade do pr\u00f3prio Deus. \u201cHoje se cumpre a Escritura que acabais de ouvir\u201d (Lc 4), o Deus da compaix\u00e3o e da miseric\u00f3rdia est\u00e1 aqui: Amor aos mais abjetos: leprosos, pecadores. \u201cAssim \u00e9 que cuida dos homens\u201d. Os celibat\u00e1rios s\u00e3o o paradigma vivo daquele que se tornou par\u00e1bola de Deus, do Deus amante, tal como fora Jesus. Os primeiros a serem tocados pelo amor. Viver a proximidade de Deus convertida em ternura acolhedora para os fi\u00e9is necessitados unicamente \u00e9 poss\u00edvel para aqueles que est\u00e3o dominados pela grande alegria de ter achado o campo e a p\u00e9rola.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8230; Incompreens\u00edvel<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m Jesus foi insultado por isso. Jesus proclama a Bem-Aventuran\u00e7a dos que n\u00e3o se escandalizam dele. Para quem aceita a visita de Deus \u00e0 mis\u00e9ria humana e se entrega a Deus em confian\u00e7a infinita, esse \u00e9 o bem-aventurado. Afundar todos os dias no conte\u00fado do Reino dos C\u00e9us, apaixonar-se cada dia por Deus que mostra ser o Amor, na pobreza do celibato pelo Reino \u00e9 humanamente algo incompreens\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8230; A gra\u00e7a do celibato<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os textos do Vaticano II sobre o celibato sacerdotal s\u00e3o textos abertos, cheios de confian\u00e7a no Esp\u00edrito de Deus que outorga esse dom com liberalidade a sua Igreja. \u00danica condi\u00e7\u00e3o: os sacerdotes e todo o povo de Deus com eles o pe\u00e7am com humildade e constantemente (PO 16). Os presb\u00edteros confiados na gra\u00e7a de Deus, com grandeza de alma e com devotada perseveran\u00e7a reconhecendo o dom magn\u00edfico do Pai ser\u00e3o capazes de manter a sua fidelidade. O conc\u00edlio insiste de novo na ora\u00e7\u00e3o: \u201cos sacerdotes e com eles todos os fi\u00e9is pe\u00e7am a Deus esse dom e Ele o conceder\u00e1 sempre e com abund\u00e2ncia a toda a sua Igreja\u201d (ibidem).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diante do que precede s\u00e3o leg\u00edtimas algumas perguntas: at\u00e9 que ponto as etnias ind\u00edgenas e toda a Igreja com elas pedem o dom do celibato com toda a confian\u00e7a? N\u00f3s, sacerdotes na Amaz\u00f4nia, pedimos conscientes e confiantes este dom para toda a Igreja nela? O secularismo que impregna a IL permite esta abertura a gra\u00e7a ou a anula (cf Gl 2, 21)?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ora\u00e7\u00e3o como meio para haurir continuamente a for\u00e7a de Cristo torna-se aqui na Amaz\u00f4nia uma urg\u00eancia inteiramente concreta. Chegou o momento de reafirmar na Amaz\u00f4nia a import\u00e2ncia da ora\u00e7\u00e3o diante do ativismo e do secularismo que amea\u00e7a muitos crist\u00e3os na evangeliza\u00e7\u00e3o. A familiaridade com o Deus pessoal e o abandono \u00e0 sua vontade impedem a degrada\u00e7\u00e3o do ser humano, salvam-no da pris\u00e3o de doutrinas puramente humanas e criam o ambiente para a compreens\u00e3o e viv\u00eancia alegre da castidade e do celibato sacerdotal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por \u00faltimo, conciliar as ren\u00fancias exigidas pela f\u00e9 em Cristo com a fidelidade \u00e0 cultura e \u00e0s tradi\u00e7\u00f5es do povo a que pertencem foi o desafio que os primeiros crist\u00e3os tiveram que enfrentar e esse mesmo \u00e9 o desafio dos crist\u00e3os na Amaz\u00f4nia e dos crist\u00e3os de todos os tempos, como atestam as palavras de S\u00e3o Paulo: \u201cquanto a n\u00f3s pregamos a Cristo crucificado que \u00e9 esc\u00e2ndalo para os judeus e loucura para os pag\u00e3os\u201d (1 Cor 1, 23) (A liturgia romana e a incultura\u00e7\u00e3o 20).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em um novo artigo enviado \u00e0 ACI Digital sobre o Instrumentum Laboris (IL) do S\u00ednodo para Amaz\u00f4nia, que acontece no Vaticano at\u00e9 27 de outubro, o Bispo Em\u00e9rito da Prelazia de Maraj\u00f3 (PA), Dom Jos\u00e9 Luis Azcona, comentou sobre a ordena\u00e7\u00e3o de sacerdotes casados e respondeu \u00e0 justificativa de que os ind\u00edgenas n\u00e3o compreendem o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":54716,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-54715","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cnbb"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54715","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=54715"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54715\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":54717,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54715\/revisions\/54717"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media\/54716"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=54715"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=54715"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=54715"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}