{"id":54676,"date":"2019-10-14T11:20:03","date_gmt":"2019-10-14T14:20:03","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=54676"},"modified":"2019-10-14T11:20:03","modified_gmt":"2019-10-14T14:20:03","slug":"homilia-do-papa-na-canonizacao-de-irma-dulce","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/homilia-do-papa-na-canonizacao-de-irma-dulce\/","title":{"rendered":"Homilia do Papa na Canoniza\u00e7\u00e3o de Irm\u00e3 Dulce"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: justify;\">Este domingo 13 de outubro o Papa Francisco celebrou a canoniza\u00e7\u00e3o da Irm\u00e3 Dulce Lopes Pontes, do Cardeal John Henry Newman, as religiosas Giuseppina Vannini e Maria Teresa Chiramel Mankidiyan, e a leiga Marguerite Bays.<\/h3>\n<div style=\"text-align: justify;\">\u00a0A seguir a homilia pronunciada pelo Santo Padre:<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00abA tua f\u00e9 te salvou\u00bb (Lc 17, 19). \u00c9 o ponto de chegada do Evangelho de hoje, que nos mostra o caminho da f\u00e9. Neste percurso de f\u00e9, vemos tr\u00eas etapas, vincadas pelos leprosos curados, que invocam, caminham e agradecem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Primeiro, invocar. Os leprosos encontravam-se numa condi\u00e7\u00e3o terr\u00edvel n\u00e3o s\u00f3 pela doen\u00e7a em si, ainda hoje difusa e devendo ser combatida com todos os esfor\u00e7os poss\u00edveis, mas pela exclus\u00e3o social. No tempo de Jesus, eram considerados impuros e, como tais, deviam estar isolados, separados (cf. Lv 13, 46). De facto, quando v\u00e3o ter com Jesus, vemos que \u00abse mant\u00eam \u00e0 dist\u00e2ncia\u00bb (Lc 17, 12). Embora a sua condi\u00e7\u00e3o os coloque de lado, todavia diz o Evangelho que invocam Jesus \u00abgritando\u00bb (17, 13) em voz alta. N\u00e3o se deixam paralisar pelas exclus\u00f5es dos homens e gritam a Deus, que n\u00e3o exclui ningu\u00e9m. Assim se reduzem as dist\u00e2ncias, e a pessoa sai da solid\u00e3o: n\u00e3o se fechando em auto lamenta\u00e7\u00f5es, nem olhando aos ju\u00edzos dos outros, mas invocando o Senhor, porque o Senhor ouve o grito de quem est\u00e1 abandonado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m n\u00f3s \u2013 todos n\u00f3s \u2013 necessitamos de cura, como aqueles leprosos. Precisamos de ser curados da pouca confian\u00e7a em n\u00f3s mesmos, na <a href=\"https:\/\/www.acidigital.com\/vida\/index.html\">vida<\/a>, no futuro; curados de muitos medos; dos v\u00edcios de que somos escravos; de tantos fechamentos, depend\u00eancias e apegos: ao jogo, ao dinheiro, \u00e0 televis\u00e3o, ao telem\u00f3vel, \u00e0 opini\u00e3o dos outros. O Senhor liberta e cura o cora\u00e7\u00e3o, se O invocarmos, se lhe dissermos: \u00abSenhor, eu creio que me podeis curar; curai-me dos meus fechamentos, livrai-me do mal e do medo, Jesus\u00bb. No Evangelho de Lucas, os primeiros a invocar o nome de Jesus s\u00e3o os leprosos. Depois f\u00e1-lo-\u00e3o tamb\u00e9m um cego e um dos ladr\u00f5es na cruz: pessoas carentes invocam o nome de Jesus, que significa Deus salva. De modo direto e espont\u00e2neo chamam Deus pelo seu nome. Chamar pelo nome \u00e9 sinal de confid\u00eancia, e o Senhor gosta disso. A f\u00e9 cresce assim, com a invoca\u00e7\u00e3o confiante, levando a Jesus aquilo que somos, com franqueza, sem esconder as nossas mis\u00e9rias. Invoquemos diariamente, com confian\u00e7a, o nome de Jesus: Deus salva. Repitamo-lo: \u00e9 ora\u00e7\u00e3o. A ora\u00e7\u00e3o \u00e9 a porta da f\u00e9, a ora\u00e7\u00e3o \u00e9 o rem\u00e9dio do cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Caminhar \u00e9 a segunda etapa. Neste breve Evangelho de hoje, aparece uma dezena de verbos de movimento. Mas o mais impressionante \u00e9 sobretudo o facto de os leprosos serem curados, n\u00e3o quando est\u00e3o diante de Jesus, mas depois enquanto caminham, como diz o texto: \u00abEnquanto iam a caminho, ficaram purificados\u00bb (17, 14). S\u00e3o curados enquanto v\u00e3o para Jerusal\u00e9m, isto \u00e9, palmilhando uma estrada a subir. \u00c9 no caminho da vida que a pessoa \u00e9 purificada, um caminho frequentemente a subir, porque leva para o alto. A f\u00e9 requer um caminho, uma sa\u00edda; faz milagres, se sairmos das nossas c\u00f3modas certezas, se deixarmos os nossos portos serenos, os nossos ninhos confort\u00e1veis. A f\u00e9 aumenta com o dom, e cresce com o risco. A f\u00e9 atua, quando avan\u00e7amos equipados com a confian\u00e7a em Deus. A f\u00e9 abre caminho atrav\u00e9s de passos humildes e concretos, como humildes e concretos foram o caminho dos leprosos e o banho de Naaman no rio Jord\u00e3o, que ouvimos na primeira Leitura (cf. 2 Re 5, 14-17). O mesmo se passa connosco: avan\u00e7amos na f\u00e9 com o amor humilde e concreto, com a paci\u00eancia di\u00e1ria, invocando Jesus e prosseguindo para diante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro aspeto interessante no caminho dos leprosos \u00e9 que se movem juntos. Refere o Evangelho, sempre no plural, que \u00abiam a caminho\u00bb e \u00abficaram purificados\u00bb (Lc 17, 14): a f\u00e9 \u00e9 caminhar juntos, jamais sozinhos. Mas, uma vez curados, nove continuam pela sua estrada e apenas um regressa para agradecer. E Jesus desabafa a sua m\u00e1goa assim: \u00abOnde est\u00e3o os outros nove?\u00bb (17, 17). Quase parece perguntar pelos outros nove, ao \u00fanico que voltou. \u00c9 verdade! Constitui tarefa nossa \u2013 de n\u00f3s que estamos aqui a \u00abfazer Eucaristia\u00bb, isto \u00e9, a agradecer \u2013, constitui nossa tarefa ocuparmo-nos de quem deixou de caminhar, de quem se extraviou: somos guardi\u00f5es dos irm\u00e3os distantes. Somos intercessores por eles, somos respons\u00e1veis por eles, isto \u00e9, chamados a responder por eles, a t\u00ea-los a peito. Queres crescer na f\u00e9? Ocupa-te dum irm\u00e3o distante, duma irm\u00e3 distante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Invocar, caminhar e\u2026 agradecer: esta \u00e9 a \u00faltima etapa. S\u00f3 \u00e0quele que agradece \u00e9 que Jesus diz: \u00abA tua f\u00e9 te salvou\u00bb (17, 19). N\u00e3o se encontra apenas curado; tamb\u00e9m est\u00e1 salvo. Isto diz-nos que o ponto de chegada n\u00e3o \u00e9 a sa\u00fade, n\u00e3o \u00e9 o estar bem, mas o encontro com Jesus. A salva\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 beber um copo de \u00e1gua para estar em forma; mas \u00e9 ir \u00e0 fonte, que \u00e9 Jesus. S\u00f3 Ele livra do mal e cura o cora\u00e7\u00e3o; s\u00f3 o encontro com Ele \u00e9 que salva, torna plena e bela a vida. Quando se encontra Jesus, brota espontaneamente o \u00abobrigado\u00bb, porque se descobre a coisa mais importante da vida: n\u00e3o o receber uma gra\u00e7a nem o resolver um problema, mas abra\u00e7ar o Senhor da vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 encantador ver como aquele homem curado, que era um samaritano, manifesta a alegria com todo o seu ser: louva a Deus em voz alta, prostra-se, agradece (cf. 17, 15-16). O ponto culminante do caminho de f\u00e9 \u00e9 viver dando gra\u00e7as. Podemos perguntar-nos: N\u00f3s, que temos f\u00e9, vivemos os dias como um peso a suportar ou como um louvor a oferecer? Ficamos centrados em n\u00f3s mesmos \u00e0 espera de pedir a pr\u00f3xima gra\u00e7a, ou encontramos a nossa alegria em dar gra\u00e7as? Quando agradecemos, o Pai deixa-Se comover e derrama sobre n\u00f3s o Esp\u00edrito Santo. Agradecer n\u00e3o \u00e9 quest\u00e3o de cortesia, de etiqueta, mas quest\u00e3o de f\u00e9. Um cora\u00e7\u00e3o que agradece, permanece jovem. Dizer \u00abobrigado, Senhor\u00bb, ao acordar, durante o dia, antes de deitar, \u00e9 ant\u00eddoto ao envelhecimento do cora\u00e7\u00e3o. E o mesmo se diga em fam\u00edlia, entre os esposos: lembrem-se de dizer obrigado. Obrigado \u00e9 a palavra mais simples e benfazeja.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Invocar, caminhar, agradecer. Hoje, agradecemos ao Senhor pelos novos Santos, que caminharam na f\u00e9 e agora invocamos como intercessores. Tr\u00eas deles s\u00e3o freiras e mostram-nos que a vida religiosa \u00e9 um caminho de amor nas periferias existenciais do mundo. Ao passo que Santa Margarida Bays era uma costureira e revela-nos qu\u00e3o poderosa \u00e9 a ora\u00e7\u00e3o simples, a suporta\u00e7\u00e3o com paci\u00eancia, a doa\u00e7\u00e3o silenciosa: atrav\u00e9s destas coisas, o Senhor fez reviver nela o esplendor da P\u00e1scoa. Da santidade do dia a dia, fala o Santo Cardeal Newman quando diz: \u00abO crist\u00e3o possui uma paz profunda, silenciosa, oculta, que o mundo n\u00e3o v\u00ea. (&#8230;) O crist\u00e3o \u00e9 alegre, calmo, bom, am\u00e1vel, educado, simples, modesto; n\u00e3o tem pretens\u00f5es, (&#8230;) o seu comportamento est\u00e1 t\u00e3o longe da ostenta\u00e7\u00e3o e do requinte que facilmente se pode, \u00e0 primeira vista, tom\u00e1-lo por uma pessoa comum\u00bb (Parochial and Plain Sermons, V, 5). Pe\u00e7amos para ser, assim, \u00abluzes gentis\u00bb no meio das trevas do mundo. Jesus, \u00abficai connosco e come\u00e7aremos a brilhar como brilhais V\u00f3s, a brilhar de tal modo que sejamos uma luz para os outros\u00bb (Meditations on Christian Doctrine, VII, 3). Amen.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Este domingo 13 de outubro o Papa Francisco celebrou a canoniza\u00e7\u00e3o da Irm\u00e3 Dulce Lopes Pontes, do Cardeal John Henry Newman, as religiosas Giuseppina Vannini e Maria Teresa Chiramel Mankidiyan, e a leiga Marguerite Bays. \u00a0A seguir a homilia pronunciada pelo Santo Padre: \u00abA tua f\u00e9 te salvou\u00bb (Lc 17, 19). \u00c9 o ponto de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":54677,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-54676","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-vaticano"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54676","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=54676"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54676\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":54678,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54676\/revisions\/54678"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media\/54677"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=54676"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=54676"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=54676"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}