{"id":54641,"date":"2019-10-13T09:59:04","date_gmt":"2019-10-13T12:59:04","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=54641"},"modified":"2019-10-14T10:02:07","modified_gmt":"2019-10-14T13:02:07","slug":"santa-dulce-dos-pobres-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/santa-dulce-dos-pobres-2\/","title":{"rendered":"Santa Dulce dos Pobres"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">No decorrer do S\u00ednodo da Pan Amaz\u00f4nia, que, entre outros assuntos aprofunda sobre o nosso cuidado eclesial para com a casa comum, acontece na Pra\u00e7a de S\u00e3o Pedro um momento solene: o Santo Padre, o Papa Francisco, inscreve neste dia 13 de outubro de 2019 o nome da Beata Irm\u00e3 Dulce dos Pobres, no s\u00e9culo Maria Rita de Souza Lopes Pontes, no cat\u00e1logo dos santos da Igreja Cat\u00f3lica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Irm\u00e3 Dulce nasceu em 26 de mar\u00e7o de 1914, em Salvador, Bahia. Mesmo antes de ingressar na vida religiosa ela j\u00e1 acolhia as pessoas mais desfavorecidas em sua casa, na Rua da Independ\u00eancia, 61, na capital da Bahia. Em 8 de fevereiro de 1933, logo ap\u00f3s se formar professora prim\u00e1ria (1932), Maria Rita entrou para a Congrega\u00e7\u00e3o das Irm\u00e3s Mission\u00e1rias da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o da M\u00e3e de Deus, na cidade de S\u00e3o Crist\u00f3v\u00e3o, em\u00a0Sergipe. Em 13 de agosto de 1933, ap\u00f3s o tempo de\u00a0noviciado, ela fez sua primeira profiss\u00e3o religiosa (e, mais tarde os votos perp\u00e9tuos), tomando o h\u00e1bito de\u00a0freira\u00a0e recebendo o nome de Irm\u00e3 Dulce, em homenagem a sua m\u00e3e, aos 19 anos de idade.\u00a0Em 1934 regressou a Salvador. Sua primeira miss\u00e3o como religiosa foi ensinar em um col\u00e9gio mantido pela sua congrega\u00e7\u00e3o, na\u00a0Cidade Baixa, al\u00e9m de tamb\u00e9m assistir as comunidades pobres da regi\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Irm\u00e3 Dulce inaugurou em maio de 1939 o Col\u00e9gio Santo Ant\u00f4nio, voltado para os oper\u00e1rios e seus filhos. Fundou a Uni\u00e3o dos Trabalhadores de S\u00e3o Francisco, um movimento oper\u00e1rio crist\u00e3o. No mesmo ano, para abrigar doentes que recolhia nas ruas, Irm\u00e3 Dulce invadiu cinco casas na Ilha do Rato, em Salvador. Depois de ser expulsa do lugar, teve que peregrinar durante muito tempo, instalando os doentes em v\u00e1rios lugares, at\u00e9 transformar em\u00a0albergue\u00a0o galinheiro do Convento de Santo Ant\u00f4nio, que mais tarde deu origem ao Hospital Santo Ant\u00f4nio, centro de um complexo m\u00e9dico, social e educacional que continua atendendo aos pobres. Mesmo com a sa\u00fade fr\u00e1gil, Irm\u00e3 Dulce construiu e manteve uma das maiores e mais respeitadas institui\u00e7\u00f5es\u00a0filantr\u00f3picas\u00a0do pa\u00eds \u2014 as\u00a0Obras Sociais Irm\u00e3 Dulce \u2013 OSID.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o poderia deixar de manifestar a providencial ajuda do meu venerado predecessor, o Cardeal Eugenio de Ara\u00fajo Sales, que sendo Administrador Apost\u00f3lico de S\u00e3o Salvador da Bahia, tomou provid\u00eancias para que a Superiora da Congrega\u00e7\u00e3o das Irm\u00e3s Mission\u00e1rias da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o da M\u00e3e de Deus concedesse a exclaustra\u00e7\u00e3o da Irm\u00e3 Dulce para que ela assumisse a administra\u00e7\u00e3o das Obras Sociais e os custos das mesmas. Irm\u00e3 Dulce contou sempre com a prote\u00e7\u00e3o e o incentivo de Dom Eug\u00eanio que mesmo quando foi transferido para o Rio de Janeiro mantinha viva e pr\u00f3xima liga\u00e7\u00e3o com o Anjo Bom da Bahia. O que \u00e9 de Deus, como disse Dom Eug\u00eanio, na \u00e9poca deve ser incentivado e a vida e a obra de Irm\u00e3 Dulce em favor dos pobres, das crian\u00e7as, dos abandonados e dos doentes \u00e9 gra\u00e7a de Deus na sua vida digna de ser imitada. Imitar Irm\u00e3 Dulce e ajudar as suas obras \u00e9 gra\u00e7a de Deus!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Preocupada com os mais necessitados Santa Dulce cuidou das crian\u00e7as e ajudou aos pobres e desvalidos. De fisionomia franzina nunca se esmoreceu em pedir esmolas e doa\u00e7\u00f5es em favor de suas obras. Ela n\u00e3o s\u00f3 pregou o Evangelho. Ela testemunhou com a sua vida a compaix\u00e3o de um cora\u00e7\u00e3o que se preocupa com a sa\u00fade dos que est\u00e3o doentes e que acolhe as crian\u00e7as e os pobres, dando-lhes dignidade. Fundou o Hospital Santo Ant\u00f4nio e o Centro Educacional Santo Ant\u00f4nio, formando a OSID. No seu Hospital todos os mais necessitados eram recebidos e tinham tratamento humanizado e a presen\u00e7a carinhosa de Santa Dulce a consol\u00e1-los.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na viagem apost\u00f3lica do Papa ao Brasil em 1980, o Papa S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II recebeu a Irm\u00e3 Dulce no altar. Ao abra\u00e7\u00e1-la, no r\u00e1pido encontro, sem imaginar que um dia se tornariam santos aos olhos da Igreja, o Papa e a freira pouco conversaram. Ela ouviu de sua santidade uma mensagem de incentivo e ganhou um presente. S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo tirou do bolso um objeto. Era um ter\u00e7o. Entregou-lhe e disse:\u201d &#8211; Continue, Irm\u00e3 Dulce. Continue&#8230;\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Faleceu, com piedosa assist\u00eancia do Cardeal Lucas Moreira Neves, OP, ent\u00e3o Arcebispo Primaz, em 13 de mar\u00e7o de 1992, no Convento de Santo Ant\u00f4nio. Ato cont\u00ednuo a sua morte a Bahia e o Brasil j\u00e1 clamava para que a Igreja reconhece a santidade do Anjo Bom da Bahia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Papa Bento XVI a inscreveu no cat\u00e1logo dos Beatos: \u201cAo saudar os peregrinos de l\u00edngua portuguesa, desejo tamb\u00e9m associar-me \u00e0 alegria dos pastores e fi\u00e9is congregados em S\u00e3o Salvador da Bahia para a beatifica\u00e7\u00e3o da Irm\u00e3 Dulce Lopes Pontes, que deixou atr\u00e1s de si um prodigioso rasto de caridade ao servi\u00e7o dos \u00faltimos, levando o Brasil inteiro a ver nela \u2018a m\u00e3e dos desamparados\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A santidade de Irm\u00e3 Dulce foi solidificada em ajudar os outros: pobres, crian\u00e7as, \u00f3rf\u00e3os, doentes, marginalizados, alco\u00f3latras, drogados e todos os que vivem \u00e0 margem da sociedade. Ela colocou a m\u00e3o na massa e as suas Obras Sociais, excel\u00eancia em atendimento de SUS, no Brasil, \u00e9 um testemunho vivo e eloquente de que fazer o bem, sem nada querer, \u00e9 a p\u00e1gina mais bonita de nosso Evangelho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contemplando a vida e as obras de Santa Dulce dos Pobres poder\u00edamos compar\u00e1-la como a \u201cMadre Teresa do Brasil\u201d, pelas semelhan\u00e7as do seu testemunho crist\u00e3o com Santa Teresa de Calcut\u00e1, sendo um conforto para os pobres e um exame de consci\u00eancia para os ricos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O milagre que a levou \u00e0 canoniza\u00e7\u00e3o \u00e9 a cura milagrosa de Jos\u00e9 Maur\u00edcio Bragan\u00e7a Moreira, que ficou cego por causa de um glaucoma grave. Ao sofrer de conjuntivite, colocou uma pequena imagem da Irm\u00e3 Dulce sobre os olhos, pedindo a sua intercess\u00e3o. Quando acordou, voltou a ver de novo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Agora queremos, enquanto brasileiros e brasileiros, agradecer a M\u00e3e Igreja que apresenta a Santa Dulce como modelo de acolhida e de cuidado para com os mais exclu\u00eddos, pobres e abandonados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A vida de Santa Dulce dos Pobres pode ser resumida na p\u00e1gina evang\u00e9lica: \u201cVendo aquelas multid\u00f5es, Jesus subiu \u00e0 montanha. Sentou-se e seus disc\u00edpulos aproximaram-se dele. Ent\u00e3o, abriu a boca e lhes ensinava, dizendo: \u201cBem-aventurados os que t\u00eam um cora\u00e7\u00e3o de pobre, porque deles \u00e9 o Reino dos C\u00e9us! Bem-aventurados os que cho\u00adram, porque ser\u00e3o consolados! Bem-aventurados os mansos, porque possuir\u00e3o a terra! Bem-aventurados os que t\u00eam fome e sede de justi\u00e7a, porque ser\u00e3o saciados! Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcan\u00e7ar\u00e3o miseri\u00adc\u00f3rdia! Bem-aventurados os puros de cora\u00e7\u00e3o, porque ver\u00e3o Deus! Bem-aventurados os pac\u00edficos, porque ser\u00e3o chamados filhos de Deus! Bem-aventurados os que s\u00e3o perseguidos por causa da justi\u00e7a, porque deles \u00e9 o Reino dos C\u00e9us! Bem-aventurados sereis quando vos caluniarem, quando vos perseguirem e disserem falsamente todo o mal contra v\u00f3s por causa de mim.\u201d(Cf. Mt 5, 1-11).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta p\u00e1gina das bem-aventuran\u00e7as \u00e9 um resumo da vida de Santa Dulce dos Pobres. Se vivermos todas estas virtudes evang\u00e9licas que Santa Dulce dos Pobres testemunhou e viveu no cotidiano iremos fazer a caridade e acolher os pobres, dando-lhes dignidade, como ensina o legado do Anjo Bom do Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A 13 de agosto de cada ano, com muita gratid\u00e3o, recorramos a Santa Dulce dos Pobres. Que ela nos inspire a socorrer os pobres e ter uma vida modesta, sempre procurando socorrer a quem bate em nossas portas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Santo \u00e9 quem faz a vontade de Deus entre n\u00f3s \u2013 foi essa a vida que Santa Dulce escolheu, estar ao lado de quem mais precisa. Neste dia de grande emo\u00e7\u00e3o, exaltamos com a mais profunda f\u00e9 e alegria a Canoniza\u00e7\u00e3o de Santa Dulce dos Pobres, presidida pelo Papa Francisco, como grande inspira\u00e7\u00e3o para o S\u00ednodo Pan-Amaz\u00f4nico e para toda a Igreja. Um momento inspirador que aproxima os brasileiros dos des\u00edgnios de Deus! Santa Dulce dos Pobres, rogai por n\u00f3s!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No decorrer do S\u00ednodo da Pan Amaz\u00f4nia, que, entre outros assuntos aprofunda sobre o nosso cuidado eclesial para com a casa comum, acontece na Pra\u00e7a de S\u00e3o Pedro um momento solene: o Santo Padre, o Papa Francisco, inscreve neste dia 13 de outubro de 2019 o nome da Beata Irm\u00e3 Dulce dos Pobres, no s\u00e9culo [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":32777,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-54641","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54641","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=54641"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54641\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":54642,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54641\/revisions\/54642"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media\/32777"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=54641"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=54641"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=54641"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}