{"id":5441,"date":"2014-12-10T17:51:26","date_gmt":"2014-12-10T19:51:26","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/o-evangelho-de-sao-marcos\/"},"modified":"2017-04-07T10:01:16","modified_gmt":"2017-04-07T13:01:16","slug":"o-evangelho-de-sao-marcos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/o-evangelho-de-sao-marcos\/","title":{"rendered":"O Evangelho de S\u00e3o Marcos"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Com o Advento, iniciamos um novo Ano Lit\u00fargico e, neste novo ciclo, que \u00e9 o Ano B, ouviremos aos domingos, principalmente, o Evangelho segundo S\u00e3o Marcos.<br \/> Marcos, ou Jo\u00e3o Marcos, era judeu, da tribo de Levi, filho de Maria de Jerusal\u00e9m, e, segundo os historiadores, teria sido batizado pelo pr\u00f3prio S\u00e3o Pedro, fazendo parte de uma das primeiras fam\u00edlias crist\u00e3s de Jerusal\u00e9m. Ainda menino, viu sua casa tornar-se um ponto de encontro e reuni\u00e3o dos ap\u00f3stolos e crist\u00e3os primitivos. Teria sido em sua casa, ali\u00e1s, que Cristo celebrou a \u00faltima ceia, quando instituiu a Eucaristia, e nela, tamb\u00e9m, que os ap\u00f3stolos receberam o dom do Esp\u00edrito Santo, ap\u00f3s a ressurrei\u00e7\u00e3o.<br \/> Mais tarde, S\u00e3o Marcos acompanhou S\u00e3o Pedro a Roma, quando o jovem come\u00e7ou, ent\u00e3o, a preparar o segundo evangelho. Nessa piedosa cidade, prestou servi\u00e7os tamb\u00e9m a S\u00e3o Paulo em sua primeira pris\u00e3o. Tanto que, quando foi preso pela segunda vez, Paulo escreveu a Tim\u00f3teo e pediu que este trouxesse seu colaborador, no caso Marcos, a Roma para ajud\u00e1-lo no apostolado. <br \/> O Evangelho de S\u00e3o Marcos \u00e9 o mais curto se comparado aos demais, mas traz uma vis\u00e3o toda especial de quem conviveu e acompanhou a paix\u00e3o de Jesus desde crian\u00e7a. Ele pregou, quando os ap\u00f3stolos se espalhavam pelo mundo, transmitindo para o papel, principalmente, as prega\u00e7\u00f5es de S\u00e3o Pedro, embora tenha sido tamb\u00e9m assistente de S\u00e3o Paulo e S\u00e3o Barnab\u00e9, de quem era sobrinho.<br \/> Marcos escreveu o Evangelho a pedido dos fi\u00e9is romanos e segundo os ensinamentos que possu\u00eda pessoalmente de S\u00e3o Pedro, o qual, al\u00e9m de aprov\u00e1-lo, ordenou sua leitura nas igrejas. Seu relato come\u00e7a pela miss\u00e3o de Jo\u00e3o Batista, cuja &#8220;voz clama no deserto&#8221;. Da\u00ed ser representado com um le\u00e3o aos seus p\u00e9s, porque o le\u00e3o, um dos animais s\u00edmbolos da vis\u00e3o do profeta Ezequiel, faz estremecer o deserto com seus rugidos.<br \/> Levando seu Evangelho, partiu para sua miss\u00e3o apost\u00f3lica. Diz a tradi\u00e7\u00e3o, que S\u00e3o Marcos, depois da morte de S\u00e3o Pedro e S\u00e3o Paulo, ainda viajou para pregar no Chipre, na \u00c1sia Menor e no Egito, especialmente na Alexandria, onde fundou uma das igrejas que mais floresceu. Ainda segundo a tradi\u00e7\u00e3o, ele foi martirizado no dia da P\u00e1scoa, enquanto celebrava o santo sacrif\u00edcio da Missa. Mais tarde, as suas rel\u00edquias foram trasladadas pelos mercadores italianos para Veneza, cidade que \u00e9 sua guardi\u00e3 e que tomou S\u00e3o Marcos como padroeiro desde o ano 828. Todos conhecem a famosa Bas\u00edlica de S\u00e3o Marcos, de Veneza.<br \/> O Evangelho come\u00e7a com a prega\u00e7\u00e3o de Jo\u00e3o Batista e termina com a mensagem do anjo no sepulcro vazio. Dentro destes dois extremos, Marcos estrutura o seu material de uma maneira distinta de Mateus. Inicia o Evangelho com um t\u00edtulo: \u201cPrinc\u00edpio do Evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus\u201d (1,1). O relato estende-se at\u00e9 8,30. A segunda parte come\u00e7a indicando que se inicia algo novo: (Jesus) \u201cCome\u00e7ou, depois, a ensinar-lhes que o Filho do Homem tinha de sofrer muito\u2026\u201d (8,31). Aqui, o relato estende-se at\u00e9 o final do livro (16,8).<br \/> A primeira parte (1,1-8,30) termina com a confiss\u00e3o de Pedro, quando Jesus pergunta: \u201cE v\u00f3s, quem dizeis que Eu sou?\u201d, Pedro responde: \u201cTu \u00e9s o Messias\u201d (8,29). A segunda parte (8,31-16,8) termina tamb\u00e9m com uma confiss\u00e3o. Dessa vez \u00e9 o centuri\u00e3o, um pag\u00e3o que est\u00e1 ao p\u00e9 da cruz, e que, quando Jesus morre, diz: \u201cVerdadeiramente este homem era Filho de Deus\u201d (15,39). As duas confiss\u00f5es correspondem aos dois t\u00edtulos que d\u00e3o a Jesus no in\u00edcio do Evangelho: \u201cJesus, Messias, Filho de Deus\u201d (1,1). 1\u00aa Confiss\u00e3o: \u201c\u2026 Messias\u201d (8,29); 2\u00aa Confiss\u00e3o \u201c\u2026 Filho de Deus\u201d (15,39).<br \/> Toda a obra de S\u00e3o Marcos est\u00e1 enquadrada pelas proclama\u00e7\u00f5es de que Jesus \u00e9 o Filho de Deus: no come\u00e7o (1,11) Deus diz (a Jesus): \u201cTu \u00e9s o meu Filho muito amado\u2026\u201d; no meio (9,7) Deus diz (aos homens): \u201cEste \u00e9 o meu Filho muito amado\u2026\u201d; no fim (15,39) um homem (o centuri\u00e3o) diz: \u201cEste Homem era Filho de Deus\u2026\u201d.<br \/> Ao escrever o seu Evangelho para os fi\u00e9is de Roma, Marcos transmitiu o seu ensinamento sobre Jesus: Ele \u00e9 o Messias e Filho de Deus. N\u00e3o \u00e9 o Messias de car\u00e1cter nacionalista que vinha estabelecer um reino terrestre, mas sim o Filho de Deus, que salva a humanidade atrav\u00e9s da Paix\u00e3o e da Ressurrei\u00e7\u00e3o. Aos crist\u00e3os de Roma afligidos pelas persegui\u00e7\u00f5es, Marcos mostra um Jesus sofredor que, padecendo as mesmas tribula\u00e7\u00f5es, permaneceu fiel at\u00e9 o fim. \u00c0queles fi\u00e9is que perguntam por que Deus n\u00e3o interv\u00e9m de uma maneira extraordin\u00e1ria, Marcos diz-lhes que, para acreditar, n\u00e3o se devem exigir sinais, milagres, apari\u00e7\u00f5es, interven\u00e7\u00f5es fant\u00e1sticas de Deus. Os falsos messias tamb\u00e9m podem fazer coisas surpreendentes (13,22). Como o centuri\u00e3o \u2013 o primeiro romano a proclamar a f\u00e9 \u2013 h\u00e1 que encontrar a f\u00e9 no meio do sofrimento. Por isso, tamb\u00e9m omite os relatos das apari\u00e7\u00f5es de Jesus ressuscitado. A \u00fanica coisa que h\u00e1 sobre a Ressurrei\u00e7\u00e3o \u00e9 a mensagem do jovem que aparece com uma veste gloriosa no sepulcro e diz \u00e0s mulheres que Jesus j\u00e1 n\u00e3o est\u00e1 ali, porque ressuscitou (16,1-8).<br \/>S\u00e3o Marcos registra tr\u00eas an\u00fancios da paix\u00e3o com o catecismo sobre o seguimento de Jesus na vida cotidiana da comunidade. Ao anunciar o catecismo do \u201ccaminho da cruz\u201d, Jesus combate e corrige os disc\u00edpulos que aspiram a poder e privil\u00e9gio.<br \/>No caminho do seguimento de Jesus, a Igreja deve empenhar-se em examinar sempre a natureza de sua miss\u00e3o no mundo. A comunidade, como o cego Bartimeu (Mc 10,46-52), deve abrir os olhos, deixar o manto do \u201cFilho de Davi\u201d, messias como rei poderoso, e seguir o caminho da cruz do Jesus servo sofredor. Deve despojar-se de tudo o que o mundo de ambi\u00e7\u00e3o ao poder, riqueza e fama, prega e busca: \u201cPois o Filho do Homem n\u00e3o veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos\u201d (Mc 10,45). Fica claro que o Evangelho segundo S\u00e3o Marcos \u00e9 o evangelho que anuncia Jesus, o Messias Filho de Deus, que se manifestou como Salvador sofredor, e ao qual se deve acompanhar no seu caminho da cruz para poder alcan\u00e7ar, como Ele, a gl\u00f3ria da Ressurrei\u00e7\u00e3o, sem exigir-lhe milagres para crer.<br \/>Vivamos a liturgia e aprofundemos nossa vida crist\u00e3. Neste ano, S\u00e3o Marcos ir\u00e1 nos acompanhar aos domingos com o seu Evangelho.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com o Advento, iniciamos um novo Ano Lit\u00fargico e, neste novo ciclo, que \u00e9 o Ano B, ouviremos aos domingos, principalmente, o Evangelho segundo S\u00e3o Marcos. Marcos, ou Jo\u00e3o Marcos, era judeu, da tribo de Levi, filho de Maria de Jerusal\u00e9m, e, segundo os historiadores, teria sido batizado pelo pr\u00f3prio S\u00e3o Pedro, fazendo parte de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-5441","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5441","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5441"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5441\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10290,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5441\/revisions\/10290"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5441"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5441"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5441"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}