{"id":5435,"date":"2014-12-14T03:00:00","date_gmt":"2014-12-14T05:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/ano-da-paz\/"},"modified":"2017-04-07T10:08:17","modified_gmt":"2017-04-07T13:08:17","slug":"ano-da-paz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/ano-da-paz\/","title":{"rendered":"Ano da Paz"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Ao iniciarmos o novo ano lit\u00fargico com o Primeiro Domingo do Advento (30\/11\/2014), foi aberto o Ano da Paz, que durar\u00e1 at\u00e9 o Natal do pr\u00f3ximo ano (25\/12\/2015). A iniciativa de declarar o Ano da Paz para a Igreja no Brasil foi tomada em nossa \u00faltima Assembleia Geral dos Bispos, em Aparecida. O clamor ouvido pelos bispos sobre a viol\u00eancia em nosso pa\u00eds fez com que assum\u00edssemos esse compromisso de um ano tem\u00e1tico sobre a Paz. Assim, diante deste t\u00e3o rico e importante tema que a sociedade urge gritando a paz, podemos nos perguntar: \u201c\u00c9 poss\u00edvel percorrer o caminho da paz? Podemos sair desta espiral de dor e de morte? Podemos aprender de novo a caminhar e percorrer o caminho da paz?\u2026 Sim, \u00e9 poss\u00edvel para todos!\u201d (Papa Francisco, Vig\u00edlia de Ora\u00e7\u00e3o pela Paz, 07\u221509\/14). <br \/> A viol\u00eancia continua uma constante. Os motivos que alimentam conflitos e guerras s\u00e3o diversos: a injusti\u00e7a que obriga dois bilh\u00f5es a sobreviver com menos de um d\u00f3lar por dia, diverg\u00eancias culturais e religiosas, sistema militar e necessidades da ind\u00fastria de armamentos, ideologias que desrespeitam os valores da criatura humana e suas culturas, a mentalidade consumista que leva nossos jovens a terem baixos ideais&#8230; Tudo faz parte de uma \u201ciniquidade estrutural\u201d, que se traduz nas viol\u00eancias nossas de cada dia.<br \/> Vivemos uma cultura de viol\u00eancia, fomentada por diversos ciclos viciosos presentes em todos os lugares: na m\u00eddia, nos brinquedos, no tr\u00e2nsito, na vida, nas estruturas, na falta de respeito \u00e0s pessoas. Isso tudo, somado ao individualismo, materialismo e \u00e0 busca pela satisfa\u00e7\u00e3o imediata, faz com que as pessoas sejam menos capazes de lidar com suas frustra\u00e7\u00f5es e estejam mais propensas a transformar pequenos atritos em grandes confrontos.<br \/> O Brasil \u00e9 um dos pa\u00edses onde mais se mata com arma de fogo. S\u00e3o mais de 40 mil mortes por ano, ou cerca de uma morte a cada 15 minutos. A maioria delas \u00e9 causada por motivos banais, como uma briga de tr\u00e2nsito, ou simplesmente tomando uma cerveja em determinado bar, um som com um volume muito alto ou para roubar o trabalhador que retorna de seu servi\u00e7o. <br \/> A paz n\u00e3o pode sobreviver sem um pacto, sem uma alian\u00e7a ampla que seja fruto do conjunto de todos os esfor\u00e7os humanos em vista da sobreviv\u00eancia planet\u00e1ria. O caminho para a n\u00e3o-viol\u00eancia passa pelo respeito \u00e0 diversidade de culturas, religi\u00f5es e povos. Se a rela\u00e7\u00e3o com o outro for profunda, implica o desafio de repensar a realidade e as rela\u00e7\u00f5es sociais a partir de outros crit\u00e9rios e paradigmas. Desenvolver esta cultura da paz come\u00e7a pela vida cotidiana de cada um. Demanda uma aut\u00eantica convers\u00e3o pessoal.<br \/> A n\u00e3o-viol\u00eancia n\u00e3o \u00e9 apenas um ideal a ser buscado, mas uma forma permanente de vida, baseada na justi\u00e7a e na inclus\u00e3o social. \u00c9 preciso cuidar do outro com o verdadeiro sentido da palavra.\u00a0 O cuidado \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o essencial do ser humano e abrange tamb\u00e9m o contexto da exclus\u00e3o social, bem como o conjunto da vida em nosso planeta. Quem aprofunda este caminho percebe que os atos violentos \u2013 assaltos, sequestros, assassinatos, manifesta\u00e7\u00f5es de racismo, de discrimina\u00e7\u00e3o social e outras injusti\u00e7as \u2013 s\u00e3o apenas express\u00f5es ou consequ\u00eancias da estrutura da sociedade, firmada, ela pr\u00f3pria, na viol\u00eancia.<br \/> Essa consci\u00eancia passa, inevitavelmente, pelas fam\u00edlias, escolas, universidades. \u00c9 na Igreja, fam\u00edlia, escola com o conv\u00edvio e o estudo, que aumentamos a nossa liberdade. Porque a liberdade s\u00f3 se constr\u00f3i quando se tem uma no\u00e7\u00e3o de quais s\u00e3o as op\u00e7\u00f5es. Se eu tenho s\u00f3 uma op\u00e7\u00e3o \u00e0 minha frente, que liberdade \u00e9 essa? Mas se eu sei que existem muitos caminhos, a minha liberdade ser\u00e1 vivida com mais plenitude. Atrav\u00e9s da educa\u00e7\u00e3o, a pessoa se torna mais consciente e, consequentemente, mais humana.<br \/> A presen\u00e7a de Deus na terra dos homens \u00e9 anunciada com uma exclama\u00e7\u00e3o e desejo de Paz: \u201cGl\u00f3ria a Deus no mais alto dos c\u00e9us, e na terra, paz aos que s\u00e3o do seu agrado!\u201d (Lc 2,14). Ele, o Pr\u00edncipe da Paz, o Arauto da Paz, Ele, a nossa Paz! Nova presen\u00e7a, nova vida, novo horizonte: proximidade, acolhida, fraternidade. \u201cDeixo-vos a paz, dou-vos a minha paz\u201d (Jo, 14, 27). Paz no Reino novo, onde reinar\u00e3o a justi\u00e7a, o perd\u00e3o, o di\u00e1logo; cultura da paz. Cristo \u00e9 a nossa paz, recorda-nos a Campanha para a Evangeliza\u00e7\u00e3o ao iniciar um novo ano lit\u00fargico.<br \/> A nossa alegria nasce da paz que Cristo hoje nos concede, pois a primeira palavra de Jesus, que rompe o sil\u00eancio da morte e o abismo do vazio do nada sem Deus, \u00e9 \u201ca paz esteja convosco\u201d. \u00c9 a novidade do \u201cShalom\u201d de Deus; n\u00e3o se trata de uma simples paz, mas da paz b\u00edblica, prometida para o Dia do Senhor, paz da presen\u00e7a constante de Deus em nossa vida, da vida plena, da vit\u00f3ria sobre a morte. Paz que nasce como fruto da verdadeira esperan\u00e7a de que um dia nossos limites condicionados pelo pecado seriam superados, de que a vida destruiria o poder da morte e de que o amor destronaria todo medo. Paz que \u00e9 express\u00e3o da vida nova nascida da grande miseric\u00f3rdia do nosso Deus.<br \/> \u201cA Igreja proclama o \u201cevangelho da paz\u201d (Ef 6,15) e est\u00e1 aberta \u00e0 colabora\u00e7\u00e3o com todas as autoridades nacionais e internacionais para cuidar deste bem universal t\u00e3o grande\u201d. \u201cAo anunciar Jesus Cristo, que \u00e9 a paz em pessoa (cf. Ef 2,14), a nova evangeliza\u00e7\u00e3o incentiva todo batizado a ser instrumento de pacifica\u00e7\u00e3o e testemunha cred\u00edvel de uma vida reconciliada\u201d (EG 239).<br \/> Portanto, que possamos viver este Ano da Paz com muitas b\u00ean\u00e7\u00e3os. Atitudes, gestos concretos e sempre pedindo ao Senhor que nos ilumine e que traga esta paz aos nossos cora\u00e7\u00f5es, \u00e0s fam\u00edlias e a todo o mundo. <br \/> Que a Paz reine em nossas fronteiras! Sejamos propagadores e testemunhas da paz, aquela paz que vem do Senhor!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ao iniciarmos o novo ano lit\u00fargico com o Primeiro Domingo do Advento (30\/11\/2014), foi aberto o Ano da Paz, que durar\u00e1 at\u00e9 o Natal do pr\u00f3ximo ano (25\/12\/2015). A iniciativa de declarar o Ano da Paz para a Igreja no Brasil foi tomada em nossa \u00faltima Assembleia Geral dos Bispos, em Aparecida. 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