{"id":54308,"date":"2019-09-28T08:00:49","date_gmt":"2019-09-28T11:00:49","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=54308"},"modified":"2019-09-27T11:27:38","modified_gmt":"2019-09-27T14:27:38","slug":"diminuir-abismos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/diminuir-abismos\/","title":{"rendered":"Diminuir abismos"},"content":{"rendered":"<p>Neste domingo a liturgia tem como texto b\u00edblico a par\u00e1bola do homem rico e do pobre L\u00e1zaro (Lucas 16,19-31). Segundo o papa em\u00e9rito Bento XVI \u00e9 uma p\u00e1gina que \u201cpresta-se tamb\u00e9m a uma leitura em chave social\u201d. O rico personifica o uso das riquezas de modo extremamente injusto, pois \u201cfazia festas espl\u00eandidas todos os dias\u201d. O outro personagem tem o nome de L\u00e1zaro que significa \u201cDeus ajuda-o\u201d. \u201cCheio de feridas, estava no ch\u00e3o \u00e0 porta do rico. Ele queria matar a fome com as sobras que ca\u00edam da mesa do rico. E, al\u00e9m disso, vinham os cachorros lamber suas feridas\u201d.<\/p>\n<p>Ambos morrem e a partir da\u00ed inicia-se o apelo dram\u00e1tico do homem rico. O primeiro grito \u00e9 para solicitar uma gota de \u00e1gua para refrescar a l\u00edngua. Tem como resposta que existe um abismo intranspon\u00edvel entre ele e L\u00e1zaro, que na primeira cena, havia apenas uma porta. L\u00e1zaro n\u00e3o tinha a pretens\u00e3o de participar das espl\u00eandidas festas, mas queria ao menos ser visto, ficar vis\u00edvel e se alimentar das sobras. Por\u00e9m ficou totalmente ignorado. Uma indiferen\u00e7a e uma insensibilidade que foi criando um distanciamento, um abismo tal que o homem rico nem mais percebia a presen\u00e7a daquele pobre.<\/p>\n<p>Um abismo entre pessoas e povos \u00e9 cavado aos poucos, como tamb\u00e9m abismos podem ser diminu\u00eddos com muitas e pequenas a\u00e7\u00f5es. Em primeiro lugar, deve causar inquieta\u00e7\u00e3o e compaix\u00e3o olhar o mundo e perceber os abismos existentes entre pessoas e povos. S\u00e3o extremos que parecem se distanciar cada vez mais. Junto com a indigna\u00e7\u00e3o come\u00e7am a ser colocados no fosso as \u201csobras\u201d e as \u201cgotas de \u00e1gua\u201d que v\u00e3o nivelando. Parecem a\u00e7\u00f5es insignificantes, mas n\u00e3o o s\u00e3o.<\/p>\n<p>O sofrimento agora experimentado pelo homem rico o faz pensar nos seus cinco irm\u00e3os que continuam usando os bens de forma perversa. Para convenc\u00ea-los prop\u00f5e usar uma metodologia de impacto. Suplica que mande L\u00e1zaro ressuscitado, pois \u201cse um dos mortos for at\u00e9 eles, certamente v\u00e3o se converter\u201d. O s\u00fabito acesso de preocupa\u00e7\u00e3o com os irm\u00e3os recebe como resposta: \u201cSe n\u00e3o escutam Mois\u00e9s, nem os profetas, eles n\u00e3o acreditar\u00e3o, mesmo que algu\u00e9m ressuscite dos mortos\u201d.<\/p>\n<p>J\u00e1 que os cinco irm\u00e3os vivem no mundo e tem condi\u00e7\u00f5es de mudar de vida, de se converter, creio que podemos nos colocar nesta cena. O que muda o modo de pensar e de ver de uma pessoa e de uma sociedade? Fatos impactantes tem efeito transformador? Excluindo os fen\u00f4menos naturais que causam grande destrui\u00e7\u00e3o, vivemos cotidianamente com fatos impactantes causados pela a\u00e7\u00e3o humana. Estat\u00edsticas de problemas sociais graves s\u00e3o revelados frequentemente. Por\u00e9m as medidas tomadas n\u00e3o est\u00e3o de acordo com o tamanho dos problemas.<\/p>\n<p>Ao homem rico \u00e9 dito que escutem Mois\u00e9s e os profetas. Em outras palavras n\u00e3o faltam orienta\u00e7\u00f5es e sinais, no dia a dia, para orientar e corrigir as a\u00e7\u00f5es. N\u00e3o precisa acontecer algo grave na vida de um casal, de uma fam\u00edlia, de um religioso para corrigir o rumo. N\u00e3o precisam aumentar os \u00edndices de desemprego, viol\u00eancia, migra\u00e7\u00f5es, exclus\u00e3o social e outras mazelas sociais para estabelecer pol\u00edticas p\u00fablicas de corre\u00e7\u00e3o dos rumos.<\/p>\n<p>O imperativo b\u00edblico de \u201camar o pr\u00f3ximo como a si mesmo\u201d \u00e9 o grande princ\u00edpio social do Evangelho. Quem ama o pr\u00f3ximo n\u00e3o se conforma como o mundo est\u00e1, nem foge do mundo, nem o condena, nem fica indiferente diante dos marginalizados. O amor aproxima, constr\u00f3i pontes e faz diminuir os abismos. Como diz a carta aos Colossenses 3,16: \u201cSobretudo, revesti-vos do amor, que \u00e9 v\u00ednculo da perfei\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Neste domingo a liturgia tem como texto b\u00edblico a par\u00e1bola do homem rico e do pobre L\u00e1zaro (Lucas 16,19-31). Segundo o papa em\u00e9rito Bento XVI \u00e9 uma p\u00e1gina que \u201cpresta-se tamb\u00e9m a uma leitura em chave social\u201d. O rico personifica o uso das riquezas de modo extremamente injusto, pois \u201cfazia festas espl\u00eandidas todos os dias\u201d. 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