{"id":53902,"date":"2019-09-19T10:15:01","date_gmt":"2019-09-19T13:15:01","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=53902"},"modified":"2019-09-19T10:15:01","modified_gmt":"2019-09-19T13:15:01","slug":"o-amor-de-cristo-supera-o-egoismo-dos-bens-materiais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/o-amor-de-cristo-supera-o-egoismo-dos-bens-materiais\/","title":{"rendered":"O amor de Cristo supera o ego\u00edsmo dos bens materiais!"},"content":{"rendered":"<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>A liturgia deste domingo prop\u00f5e-nos, de novo, a reflex\u00e3o sobre a nossa rela\u00e7\u00e3o com os bens deste mundo&#8230; Convida-nos a v\u00ea-los, n\u00e3o como algo que nos pertence de forma exclusiva, mas como dons que Deus colocou nas nossas m\u00e3os, para que os administremos e partilhemos, com gratuidade e amor.<\/p>\n<p>Celebrando o dia do Senhor experimentamos a efic\u00e1cia da gra\u00e7a transformadora do Cristo Ressuscitado. No Brasil, por iniciativa da Confer\u00eancia Nacional dos Bispos do Brasil, celebramos o Dia Nacional da b\u00edblia. Ao longo deste m\u00eas fomos motivados a nos aproximar, de forma mais intensa, do estudo e da medita\u00e7\u00e3o da Palavra de Deus. Agrade\u00e7amos ao Senhor os sinais de salva\u00e7\u00e3o, principalmente o que a liturgia de hoje nos pe\u00e7a, que \u00e9 romper com toda forma de ego\u00edsmo.<\/p>\n<p>Na primeira leitura(Cf. Am 6,1a.4-7), o profeta Am\u00f3s denuncia violentamente uma classe dirigente ociosa, que vive no luxo \u00e0 custa da explora\u00e7\u00e3o dos pobres e que n\u00e3o se preocupa minimamente com o sofrimento e a mis\u00e9ria dos humildes. O profeta anuncia que Deus n\u00e3o vai pactuar com esta situa\u00e7\u00e3o, pois este sistema de ego\u00edsmo e injusti\u00e7a n\u00e3o tem nada a ver com o projeto que Deus sonhou para os homens e para o mundo.<\/p>\n<p>O Evangelho(Cf. Lc 16,19-21) apresenta-nos, atrav\u00e9s da par\u00e1bola do rico e do pobre L\u00e1zaro, uma catequese sobre a posse dos bens. Na perspectiva de Lucas, a riqueza \u00e9 sempre um pecado, pois sup\u00f5e a apropria\u00e7\u00e3o, em benef\u00edcio pr\u00f3prio, de dons de Deus que se destinam a todos os homens. Por isso, o rico \u00e9 condenado e L\u00e1zaro recompensado. A par\u00e1bola do pobre L\u00e1zaro nos oferece hoje uma dif\u00edcil li\u00e7\u00e3o: a de que nossas pobrezas \u2013 materiais e espirituais \u2013 n\u00e3o s\u00e3o a coisa mais importante e podem at\u00e9 esconder dons mais preciosos, ao passo que a riqueza e o bem-estar podem ser enganosos e nos fazer perder o essencial. \u00c9 um paradoxo, mas com frequ\u00eancia s\u00e3o os pobres e desvalidos que mais se esfor\u00e7am para agradar a Deus. Certamente L\u00e1zaro n\u00e3o foi para o c\u00e9u apenas por ser pobre, mas ele devia manifestar, em meio \u00e0s suas adversidades, algumas daquelas virtudes mencionadas na segunda leitura: piedade, f\u00e9, caridade, paci\u00eancia, mansid\u00e3o. O amor transforma nossa pobreza e adversidade com e por Cristo, ao passo que a falta de amor n\u00e3o \u00e9 capaz de tornar boa sequer a mais farta das riquezas.<\/p>\n<p>Riqueza e pobreza n\u00e3o s\u00e3o bens absolutos \u2013 s\u00f3 o amor de Cristo \u00e9 capaz de s\u00ea-lo e de fazer de nossa riqueza e pobreza dons agrad\u00e1veis a Deus.<\/p>\n<p>A segunda leitura(Cf. 1Tm 6,11-16) n\u00e3o apresenta uma rela\u00e7\u00e3o direta com o tema deste domingo. Tra\u00e7a o perfil do &#8220;homem de Deus&#8221;: deve ser algu\u00e9m que ama os irm\u00e3os, que \u00e9 paciente, que \u00e9 brando, que \u00e9 justo e que transmite fielmente a proposta de Jesus. Poder\u00edamos, tamb\u00e9m, acrescentar que \u00e9 algu\u00e9m que n\u00e3o vive para si, mas que vive para partilhar tudo o que \u00e9 e que tem com os irm\u00e3os?<\/p>\n<p>A\u00a0par\u00e1bola nos lembra que o C\u00e9u e o inferno come\u00e7am no nosso dia a dia, o cotidiano. N\u00e3o nos faltam os fatos, acontecimentos, coisas em cada dia, que s\u00e3o objetos de santifica\u00e7\u00e3o. A f\u00e9 descobre neles os sinais de Deus a respeito do sentido desta vida. N\u00f3s n\u00e3o vivemos de milagres, mas do dia a dia. \u00c9 nele que devemos encontrar a vida de santifica\u00e7\u00e3o. Muitos procuram sinais e milagres e dizem, que se Deus se fizesse mais sens\u00edvel, os desse um sinal, seriam mais fervorosos. Isto \u00e9 pura ilus\u00e3o meu irm\u00e3o, minha irm\u00e3. Quem n\u00e3o tem f\u00e9 nos dons cotidianos de Deus, encontrar\u00e1 raz\u00f5es falsas para n\u00e3o reconhecer os milagres d\u2019Ele. Abra\u00e3o responde ao rico que quem n\u00e3o tem o h\u00e1bito da f\u00e9 viva, rejeitar\u00e1 mesmo os sinais mais significativos. Na verdade, L\u00e1zaro, irm\u00e3o de Marta e Maria, e o pr\u00f3prio Jesus haviam de ressuscitar dentre os mortos e aparecer aos judeus, mas nem assim estes se deixaram convencer.<\/p>\n<p>Esta par\u00e1bola nos leva a concluir que quando eu e tu, deixarmos este mundo, receberemos uma senten\u00e7a. Veja que L\u00e1zaro foi levado ao \u201cseio de Abra\u00e3o\u201d e o rico aos tormentos do inferno. Isto pressup\u00f5e uma senten\u00e7a de Deus logo ap\u00f3s a minha e a tua morte. E ela \u00e9 definitiva, pois o mau n\u00e3o pode passar para o lugar do justo, e nem vice-versa. Eu j\u00e1 fiz a minha op\u00e7\u00e3o: quero ir para o seio de Abra\u00e3o! E tu para onde queres ir?<\/p>\n<p>A par\u00e1bola tra\u00e7a um contraste entre o rico que n\u00e3o confiava em Deus e o pobre que nele depositava confian\u00e7a. Os Judeus criam ser a riqueza um sinal das b\u00ean\u00e7\u00e3os de Deus pelo fato de serem descendentes de Abra\u00e3o, e a pobreza ind\u00edcio, do seu desagrado para com os \u00edmpios. O problema n\u00e3o estava no fato do homem ser rico, mas sim por ser ego\u00edsta. A m\u00e1 administra\u00e7\u00e3o dos bens concedidos por Deus havia afastado os fariseus e os Judeus da verdadeira riqueza, que \u00e9 a vida eterna, esqueceram do segundo objetivo que se encerra na lei de Deus: \u201cAmar\u00e1s o teu pr\u00f3ximo como a ti mesmo\u201d (Cf. Mt 22,39).<\/p>\n<p>O amor de Cristo supera o ego\u00edsmo de todos os bens materiais! Assim ensina a Sagrada Escritura, hoje celebrada, porque a nossa f\u00e9 \u00e9 uma religi\u00e3o da Palavra de Deus, n\u00e3o de \u201cde uma palavra escrita e muda, mas do Verbo encarnado e vivo\u201d(S\u00e3o Bernardo de Claraval). Assim a Sagrada Escritura deve ser proclamada, escutada, lida, acolhida e vivida como Palavra de Deus, no sulco da Tradi\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica de que \u00e9 insepar\u00e1vel, como ensinou o Papa Bento XVI, <strong><em>Verbum Domini, 7.<\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0 A liturgia deste domingo prop\u00f5e-nos, de novo, a reflex\u00e3o sobre a nossa rela\u00e7\u00e3o com os bens deste mundo&#8230; Convida-nos a v\u00ea-los, n\u00e3o como algo que nos pertence de forma exclusiva, mas como dons que Deus colocou nas nossas m\u00e3os, para que os administremos e partilhemos, com gratuidade e amor. 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