{"id":5380,"date":"2014-11-28T17:04:10","date_gmt":"2014-11-28T19:04:10","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/jesus-revelou-a-verdadeira-face-de-deus\/"},"modified":"2017-04-07T09:09:45","modified_gmt":"2017-04-07T12:09:45","slug":"jesus-revelou-a-verdadeira-face-de-deus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/jesus-revelou-a-verdadeira-face-de-deus\/","title":{"rendered":"Jesus revelou a verdadeira face de Deus"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Para os fil\u00f3sofos gregos Deus era inteiramente alheio aos homens. Na vis\u00e3o deles era imposs\u00edvel uma alian\u00e7a entre a divindade e os seres racionais. Nenhuma reciprocidade seria plaus\u00edvel. C\u00e9lebre a express\u00e3o de Arist\u00f3teles: \u201cDeus ignora o mundo e quanto nele se passa\u201d. Para o Estagirita Ele n\u00e3o \u00e9 a causa eficiente do universo, mas\u00a0 simplesmente o Bem supremo para o qual tende o mundo.\u00a0 Segundo a doutrina de S\u00f3crates e Plat\u00e3o os homens deveriam se acomodar a Deus, prestar-lhe um culto e aspirar unicamente um pouco da perfei\u00e7\u00e3o divina. Nem os materialistas, disc\u00edpulos de Epicuro ou de Zen\u00e3o, puderam tamb\u00e9m, \u00e9 l\u00f3gico, vislumbrar um contato com um Ser Supremo. Assim sendo, seria um absurdo falar de uma alian\u00e7a de um Criador com suas criaturas. A B\u00edblia, de plano, rompe com estes errps. Patenteia uma Antiga e Nova Alian\u00e7a entre Deus e os homens. Entretanto, se no Antigo Testamento refulge o interesse, o cuidado, o desvelo, o amor de Deus para com a humanidade, foi apenas com Cristo que brilhou a verdadeira face de Deus. A ora\u00e7\u00e3o que Jesus ensinou aos Ap\u00f3stolos, dando detalhes de como se devia orar ao Pai que est\u00e1 nos c\u00e9us, \u00e9 bem uma s\u00edntese do modo como o homem e Deus se relacionam. Ante os s\u00e1bios hel\u00eanicos a doutrina do Rabi da Galileia n\u00e3o passaria de um invento fant\u00e1stico do esp\u00edrito humano. Total aberra\u00e7\u00e3o aos olhos da racionalidade filos\u00f3fica grega. Falar al\u00e9m disto que o Verbo Eterno se encarnou, se fez semelhante a n\u00f3s e por n\u00f3s se sacrificou numa Cruz se alardeava como a mais irracional das afirmativas. Todavia S\u00e3o Paulo mostrou tamb\u00e9m que o mist\u00e9rio de amor revelado por Cristo foi\u00a0 igualmente\u00a0 incompreens\u00edvel para os s\u00e1bios de Israel.\u00a0 Os escribas e doutores da Lei n\u00e3o tiveram uma real intelig\u00eancia da Escritura. Por isto, n\u00e3o aceitaram a mensagem do sumo amor que Jesus veio trazer a este mundo. S\u00e3o Jo\u00e3o demonstrou qual o n\u00facleo desta mensagem: \u201cCom efeito, Deus amou tanto o mundo que deu o seu Filho unig\u00eanito, para que todo aquele que cr\u00ea nele n\u00e3o pere\u00e7a, mas tenha a vida eterna\u201d (Jo 3, 16). Ent\u00e3o se compreende a senten\u00e7a de S\u00e3o Paulo: \u201cNa verdade, os judeus pedem milagres e os gregos procuram a sabedora, n\u00f3s, ao inv\u00e9s, pregamos a Cristo crucificado que \u00e9 um esc\u00e2ndalo para os judeus e uma loucura para os gentios, mas, para aqueles que s\u00e3o chamados por Deus, quer sejam judeus, quer sejam gregos, Cristo \u00e9 pot\u00eancia de Deus e sabedoria de Deus\u201d (Cor 22-25). Atrav\u00e9s de Cristo crucificado o Criador revelou sua face que nem os s\u00e1bios, doutores da Lei, fil\u00f3sofos puderam apreender. Eis por que cabe aos crist\u00e3os compreender a linguagem da Cruz de Cristo que patenteou ser os valores divinos distintos dos valores humanos. Ao Messias restaurador do reino terreno de Israel e a um Salvador que ensinou as Bem-aventuran\u00e7as e n\u00e3o a ataraxia, a apatia, a fatalidade, uma felicidade meramente natural, Deus op\u00f4s a fraqueza, a humildade, o sacrif\u00edcio, a comisera\u00e7\u00e3o. Ao orgulho contrap\u00f4s uma atitude de aniquilamento como caminho para a remiss\u00e3o das iniquidades e purifica\u00e7\u00e3o diante da perfei\u00e7\u00e3o do Deus Onipotente. Ele veio at\u00e9 n\u00f3s sem fausto, sem grandeza e majestade, vestido como um pobre na sua humildade. Por tudo isto cumpre subir com sinceridade a agreste encosta do Calv\u00e1rio para entender o mist\u00e9rio do amor de Deus. Aproximar do Homem da Dor, M\u00e1rtir sublime que nos acena sempre\u00a0 do lenho da amargura, chamando-nos para escutar comunica\u00e7\u00f5es que verdadeiramente beatificam Abrir nossos cora\u00e7\u00f5es \u00e0 elocu\u00e7\u00e3o de Jesus! Ele nos ensina a\u00ed a sabedoria de Deus. \u00c9 preciso ir a esta fonte de salva\u00e7\u00e3o para nos saciar com dons divinos. A \u00e1rvore bendita da Cruz donde pendeu o fruto celeste indica uma passagem para um mundo no qual tudo \u00e9 a verdadeira ventura. Muitos n\u00e3o quererem ou n\u00e3o sabem ler este livro aberto com golpes t\u00e3o cru\u00e9is que o crucifixo. O douto Agostinho de Hipona escreveria: \u201cA cruz \u00e9 um navio; ningu\u00e9m pode atravessar o mar deste mundo sem ser levado por Jesus Cristo crucificado\u201d. \u00c9 que, no dizer de Jo\u00e3o Cris\u00f3stomo, \u201cela \u00e9 a chave do para\u00edso. \u00c9 o triunfo contra os esp\u00edritos maus, a vencedora de Sat\u00e3, a mestra dos jovens, o sustent\u00e1culo dos indigentes, a esperan\u00e7a dos desesperados\u201d. S\u00e3o Le\u00e3o Magno assim se expressou: \u201cA Cruz \u00e9 a fonte de todas as b\u00ean\u00e7\u00e3os e de todas as gra\u00e7as. \u00c9 pela Cruz que os fi\u00e9is logram passar da fraqueza para o vigor, da ignom\u00ednia para a honra, da morte para a vida\u201d. S\u00e3o Jo\u00e3o Damasceno dizia que a \u201cCruz de Cristo \u00e9 escudo, armadura e trof\u00e9u contra o diabo\u201d.\u00a0 Atual\u00edssimas as palavras de Pio XI: \u201cAos p\u00e9s da cruz, fronteira de dois mundos, devem a\u00ed depor seus \u00f3dios os homens e as na\u00e7\u00f5es: nessa hora surgir\u00e1 a paz no universo\u201d. Este \u00e9 o sublime paradoxo: na Cruz de Jesus est\u00e1 a verdadeira vida! Junto da Cruz se conhece a verdadeira face de Deus que \u00e9 amor e deseja a salva\u00e7\u00e3o de todos por meio do sangue redentor daquele que veio para que \u201ctodos tivessem a vida e possu\u00edssem em abund\u00e2ncia\u201d (Jo 10,10). <\/p>\n<p>* Professor no Semin\u00e1rio de Mariana durante 40 anos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para os fil\u00f3sofos gregos Deus era inteiramente alheio aos homens. Na vis\u00e3o deles era imposs\u00edvel uma alian\u00e7a entre a divindade e os seres racionais. Nenhuma reciprocidade seria plaus\u00edvel. C\u00e9lebre a express\u00e3o de Arist\u00f3teles: \u201cDeus ignora o mundo e quanto nele se passa\u201d. 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