{"id":53732,"date":"2019-09-22T08:10:55","date_gmt":"2019-09-22T11:10:55","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=53732"},"modified":"2019-09-16T14:39:05","modified_gmt":"2019-09-16T17:39:05","slug":"palavra-que-converte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/palavra-que-converte\/","title":{"rendered":"Palavra que converte"},"content":{"rendered":"<p>Seguimos, neste m\u00eas de setembro, com o aprofundamento sobre o tema do m\u00eas da B\u00edblia. A Palavra divina ilumina a exist\u00eancia humana e leva as consci\u00eancias de reverem em profundidade a pr\u00f3pria vida, porque toda a hist\u00f3ria da humanidade est\u00e1 sob o olhar de Deus: \u201c<em>Quando o Filho do Homem vier na sua gl\u00f3ria, acompanhado por todos os seus anjos, sentar-Se-\u00e1, ent\u00e3o, no seu trono de gl\u00f3ria. Perante Ele reunir-se-\u00e3o todas as na\u00e7\u00f5es<\/em>\u201d (Mt 25, 31-32). Em nossos dias, nos detemos muitas vezes superficialmente no valor do instante que passa, como se fosse irrelevante para o futuro. Diversamente, o Evangelho recorda-nos que cada momento da nossa exist\u00eancia \u00e9 importante e deve ser vivido intensamente, sabendo que cada um dever\u00e1 prestar contas da pr\u00f3pria vida. No cap\u00edtulo vinte e cinco do Evangelho de Mateus, o Filho do Homem considera como feito ou n\u00e3o feito a Si aquilo que tivermos feito ou deixado de fazer a um s\u00f3 dos seus \u201c<em>irm\u00e3os mais pequeninos<\/em>\u201d (25, 40.45): \u201c<em>Tive fome e me destes de comer, tive sede e me destes de beber; era peregrino e me acolhestes; estava nu e me vestistes; adoeci e me fostes visitar; estive na pris\u00e3o e fostes ter comigo<\/em>\u201d (25, 35-36). Deste modo, \u00e9 a pr\u00f3pria Palavra de Deus que nos recorda a necessidade do nosso compromisso no mundo e a nossa responsabilidade diante de Cristo, Senhor da Hist\u00f3ria. Quando anunciamos o Evangelho que \u00e9 luz para iluminar os caminhos, exortamo-nos reciprocamente a cumprir o bem e a empenhar-nos pela justi\u00e7a, pela reconcilia\u00e7\u00e3o e pela paz (Cf. Bento XVI, Verbum Domini, 99).<\/p>\n<p>Dentro ainda dessa necessidade de revalorizar a presen\u00e7a da Palavra de Deus na vida e na a\u00e7\u00e3o da Igreja e j\u00e1 nos preparando para o in\u00edcio do m\u00eas mission\u00e1rio extraordin\u00e1rio o Papa Francisco comenta que toda a evangeliza\u00e7\u00e3o est\u00e1 fundada sobre esta Palavra escutada, meditada, vivida, celebrada e testemunhada. A Sagrada Escritura \u00e9 fonte da evangeliza\u00e7\u00e3o. Por isso, \u00e9 preciso formar-se continuamente na escuta da Palavra. A Igreja n\u00e3o evangeliza, se n\u00e3o se deixa continuamente evangelizar. \u00c9 indispens\u00e1vel que a Palavra de Deus \u00abse torne cada vez mais o cora\u00e7\u00e3o de toda a vida da Igreja. A Palavra de Deus ouvida e celebrada, sobretudo na Eucaristia, alimenta e fortalece interiormente os crist\u00e3os e torna-os capazes de um aut\u00eantico testemunho evang\u00e9lico na vida di\u00e1ria.\u00a0 O estudo e a intimidade com a Sagrada Escritura deve ser uma porta aberta para todos os crentes. A vida crist\u00e3 requer a familiaridade com a Palavra de Deus. N\u00f3s n\u00e3o procuramos Deus tateando, nem precisamos de esperar que Ele nos dirija a palavra, porque realmente Deus j\u00e1 nos falou, j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 o grande desconhecido, mas mostrou-Se a Si mesmo. Acolhamos o tesouro sublime da Palavra revelada! (Cf. Papa Francisco, <em>Evangelii Gaudium<\/em> 174).<\/p>\n<p>Cada domingo temos um grande riqueza da Palavra que \u00e9 anunciada e deve iluminar nossas vidas. Neste 25\u00ba domingo do Tempo Comum, a palavra segue nos acompanhando. Neste ano em que lemos o Evangelho de Lucas deixemo-nos guiar pelo seu testemunho da boa not\u00edcia. O Evangelho deste domingo (Lc 16, 1-13), nos traz a par\u00e1bola do administrador infiel, mostrando o quanto as pessoas s\u00e3o espertas quando se trata de defender seus interesses financeiros ou suas metas:<\/p>\n<p><em>Naquele tempo: Jesus dizia aos disc\u00edpulos: &#8216;Um homem rico tinha um administrador que foi acusado de esbanjar os seus bens. Ele o chamou e lhe disse: &#8216;Que \u00e9 isto que ou\u00e7o a teu respeito? Presta contas da tua administra\u00e7\u00e3o, pois j\u00e1 n\u00e3o podes mais administrar meus bens&#8217;. O administrador ent\u00e3o come\u00e7ou a refletir: &#8216;O senhor vai me tirar a administra\u00e7\u00e3o. Que vou fazer? Para cavar, n\u00e3o tenho for\u00e7as; de mendigar, tenho vergonha. Ah! J\u00e1 sei o que fazer, para que algu\u00e9m me receba em sua casa quando eu for afastado da administra\u00e7\u00e3o&#8217;. Ent\u00e3o ele chamou cada um dos que estavam devendo ao seu patr\u00e3o. E perguntou ao primeiro: &#8216;Quanto deves ao meu patr\u00e3o?&#8217; Ele respondeu: &#8216;Cem barris de \u00f3leo!&#8217; O administrador disse: &#8216;Pega a tua conta, senta-te, depressa, e escreve cinquenta!&#8217; Depois ele perguntou a outro: &#8216;E tu, quanto deves?&#8217; Ele respondeu: &#8216;Cem medidas de trigo&#8217;. O administrador disse: &#8216;Pega tua conta e escreve oitenta&#8217;. E o senhor elogiou o administrador desonesto, porque ele agiu com esperteza. Com efeito, os filhos deste mundo s\u00e3o mais espertos em seus neg\u00f3cios do que os filhos da luz.<\/em><\/p>\n<p>Segundo o costume da \u00e9poca, o administrador tinha o direito de conceder empr\u00e9stimo com os bens do seu senhor. Como ele n\u00e3o era remunerado por isso, ele se indenizava aumentando no recibo o valor do empr\u00e9stimo. Assim, na hora do reembolso ficava com a diferen\u00e7a como um acr\u00e9scimo que era o seu juro. Aqui na par\u00e1bola, o administrador renuncia obter lucro dos juros para que assim possa obter benef\u00edcios futuros, passando a imagem de ter dado favorecimento aos seus clientes.<\/p>\n<p>O administrador infiel usa de intelig\u00eancia para resolver sua futura situa\u00e7\u00e3o de necessidade, e faz isso renunciando aos seus lucros indevidos. \u00c9 evidente que Cristo n\u00e3o usa esta par\u00e1bola como motivo de aprovar essa conduta, mas ressalta e louva a dedica\u00e7\u00e3o do personagem da par\u00e1bola em tirar proveito material de sua antiga situa\u00e7\u00e3o de administrador. Jesus quer que na salva\u00e7\u00e3o da alma e na propaga\u00e7\u00e3o do Reino de Deus apliquemos pelo menos a mesma sagacidade e o mesmo esfor\u00e7o que colocam os homens em seus neg\u00f3cios materiais ou em alcan\u00e7ar um ideal humano. O fato de que contamos com a Gra\u00e7a de Deus n\u00e3o nos exime de colocar todos os meios humanos honestos e poss\u00edveis para levar uma vida de convers\u00e3o, mesmo que isso possa levar a esfor\u00e7o heroico. Os homens colocam um enorme esfor\u00e7o em alcan\u00e7ar seus ideais terrenos de fama, riqueza, honra e beleza. O Senhor nos convida a que tenhamos um empenho igual ou maior para levar uma vida crist\u00e3 aut\u00eantica e na propaga\u00e7\u00e3o do Reino de Deus. E continua:<\/p>\n<p><em>E eu vos digo: Usai o dinheiro injusto para fazer amigos,<\/em><\/p>\n<p><em>pois, quando acabar, eles vos receber\u00e3o nas moradas eternas.<\/em><\/p>\n<p>O texto, ao falar sobre as riquezas injustas, se refere aos bens deste mundo que s\u00e3o adquiridos por procedimentos injustos. A miseric\u00f3rdia divina \u00e9 t\u00e3o grande que esta mesma riqueza injusta pode ser motivo de recupera\u00e7\u00e3o por meio da restitui\u00e7\u00e3o, dos pagamentos de danos e preju\u00edzos e depois excedendo nas esmolas, no incentivo \u00e0s fontes de trabalho e bens, como foi visto em outra parte do Evangelho no caso de Zaqueu, chefe dos publicanos que se com prometeu a restituir o qu\u00e1druplo do que tinha roubado e entregar metade dos seus bens aos mais necessitados.<\/p>\n<p><em>Quem \u00e9 fiel nas pequenas coisas tamb\u00e9m \u00e9 fiel nas grandes,<\/em><\/p>\n<p><em>e quem \u00e9 injusto nas pequenas tamb\u00e9m \u00e9 injusto nas grandes.<\/em><\/p>\n<p><em>Por isso, se v\u00f3s n\u00e3o sois fi\u00e9is no uso do dinheiro injusto, quem vos confiar\u00e1 o verdadeiro bem?<\/em> <em>E se n\u00e3o sois fi\u00e9is no que \u00e9 dos outros, quem vos dar\u00e1 aquilo que \u00e9 vosso?<\/em><\/p>\n<p>Quando Cristo fala da fidelidade no pouco, faz refer\u00eancia \u00e0s riquezas, pois estas s\u00e3o muito pouca coisa comparadas com os bens espirituais. Se o ser humano \u00e9 fiel, generoso e desprendido no uso das riquezas ef\u00eameras, receber\u00e1 ent\u00e3o o pr\u00eamio da vida eterna, a riqueza definitiva. Podemos tamb\u00e9m considerar o aspecto de que a vida humana, por suas circunst\u00e2ncias pr\u00f3prias, \u00e9 um aglomerado de coisas pequenas: quem n\u00e3o se d\u00e1 conta disso, n\u00e3o poder\u00e1 realizar as coisas grandes.<\/p>\n<p>Podemos tamb\u00e9m considerar que a par\u00e1bola do administrador infiel \u00e9 uma imagem da vida do homem: tudo o que temos \u00e9 dom de Deus: somos seus administradores e cedo ou tarde devemos prestar contas do que nos foi confiado.\u00a0 <em>Ningu\u00e9m pode servir a dois senhores, porque ou odiar\u00e1 um e amar\u00e1 o outro, ou se apegar\u00e1 a um e desprezar\u00e1 o outro. V\u00f3s n\u00e3o podeis servir a Deus e ao dinheiro.&#8217;<\/em><\/p>\n<p>Se as pessoas s\u00e3o espertas no cuidado com as coisas perec\u00edveis e sup\u00e9rfluas, devemos ser n\u00f3s tamb\u00e9m espertos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 aquisi\u00e7\u00e3o dos bens eternos. A dificuldade que as pessoas possam ter de configurar sua vida mais a Cristo numa vida de santidade est\u00e1 em que n\u00e3o se come\u00e7a a ser fiel nas pequenas coisas. A ousadia dos maus vai se alimentando da timidez dos bons. Se o ser humano tem a habilidade de ser esperto para o mal, pode ele tamb\u00e9m ser esperto para o bem e para andar em uma vida de convers\u00e3o cada vez mais. Que tenhamos ousadia, que sejamos espertos em fazer nossa parte de bem onde nos seja poss\u00edvel.<\/p>\n<p>Por outro lado, essa esperteza aparece tamb\u00e9m no livro do profeta Am\u00f3s, na primeira leitura (Am 8, 4-7):<\/p>\n<p><em>Ouvi isto, v\u00f3s que maltratais os humildes e causais a prostra\u00e7\u00e3o dos pobres da terra; v\u00f3s que andais dizendo: Quando passar\u00e1 a lua nova, para vendermos bem a mercadoria? E o s\u00e1bado, para darmos pronta sa\u00edda ao trigo, para diminuir medidas, aumentar pesos, e adulterar balan\u00e7as, dominar os pobres com dinheiro<\/em><\/p>\n<p><em>e os humildes com um par de sand\u00e1lias, e para p\u00f4r \u00e0 venda o refugo do trigo?&#8217; Por causa da soberba de Jac\u00f3, jurou o Senhor: &#8216;Nunca mais esquecerei o que eles fizeram. <\/em><\/p>\n<p>Faz parte da tem\u00e1tica geral presente no Livro do profeta Am\u00f3s a cr\u00edtica \u00e0 gan\u00e2ncia de bens. E a cr\u00edtica feita por Am\u00f3s \u00e9 exatamente pelo fato que a abund\u00e2ncia de alguns passa necessariamente pela defici\u00eancia de outros e a de colocar o dinheiro como deus pr\u00f3prio de alguns. A den\u00fancia de Am\u00f3s se apresenta ainda como uma den\u00fancia pertinente aos nossos dias, onde dentro de uma l\u00f3gica do lucro desenfreado, se \u00e9 capaz de reduzir o outro e a pr\u00f3pria cria\u00e7\u00e3o a meros instrumentos. Quanta explora\u00e7\u00e3o encontramos em rela\u00e7\u00e3o aos irm\u00e3os. \u00c9 nesse sentido que a viv\u00eancia do Evangelho nos leva a consequ\u00eancias sociais muito claras. N\u00e3o \u00e9 por uma ideologia pol\u00edtica que buscamos a justi\u00e7a social, mas \u00e9 uma quest\u00e3o de Evangelho. A palavra de Deus nos faz pensar no outro com carinho, como nosso irm\u00e3o e n\u00e3o como objeto de explora\u00e7\u00e3o. Curiosamente \u00e9 isso mesmo que nos fala a segunda leitura (1Tm 2, 1-8), quando nos convida a rezar pelos governantes:<\/p>\n<p><em>Car\u00edssimo: Antes de tudo, recomendo que se fa\u00e7am preces e ora\u00e7\u00f5es, s\u00faplicas e a\u00e7\u00f5es de gra\u00e7as, por todos os homens; pelos que governam e por todos que ocupam altos cargos, a fim de que possamos levar uma vida tranquila e serena, com toda piedade e dignidade. Isto \u00e9 bom e agrad\u00e1vel a Deus, nosso Salvador; ele quer que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade. Pois h\u00e1 um s\u00f3 Deus, e um s\u00f3 mediador entre Deus e os homens: o homem Cristo Jesus, que se entregou em resgate por todos. Este \u00e9 o testemunho dado no tempo estabelecido por Deus, e para este testemunho eu fui designado pregador e ap\u00f3stolo, e &#8211; falo a verdade, n\u00e3o minto &#8211; mestre das na\u00e7\u00f5es pag\u00e3s na f\u00e9 e na verdade. Quero, portanto, que em todo lugar os homens fa\u00e7am a ora\u00e7\u00e3o, erguendo m\u00e3os santas, sem ira e sem discuss\u00f5es.<\/em><\/p>\n<p>Infelizmente vemos a a\u00e7\u00e3o dos respons\u00e1veis das a\u00e7\u00f5es pautada primeiramente no interesse pr\u00f3prio e deixando a quest\u00e3o do bem comum quase que em \u00faltimo lugar. \u00c9 por esse motivo que a ora\u00e7\u00e3o pelos governantes se apresenta como realidade constante na vida da nossa liturgia, para que governem com justi\u00e7a e velem pelos interesses do povo. Os pol\u00edticos e todos aqueles que pertencem \u00e0 esfera do servi\u00e7o p\u00fablico, dentro de uma realidade democr\u00e1tica, s\u00e3o representantes do povo, s\u00e3o servidores. Pe\u00e7amos que nossos pol\u00edticos n\u00e3o sejam corrompidos pelo exerc\u00edcio do poder nem das facilidades inerentes \u00e0 sua fun\u00e7\u00e3o, mas que sejam promotores de paz e fraternidade.\u00a0 Eis a\u00ed algumas das consequ\u00eancias do Evangelho e da Palavra de Deus que nos foi dirigida.<\/p>\n<p>A segunda leitura ainda segue falando da media\u00e7\u00e3o \u00fanica de Cristo e do desejo e oportunidade de salva\u00e7\u00e3o oferecidos aos homens de toda a terra e de todos os tempos. Paulo lembra tamb\u00e9m o horizonte da universalidade da salva\u00e7\u00e3o: \u00e9 desejo do cora\u00e7\u00e3o de Deus que todos os homens tenham acesso \u00e0 plenitude que s\u00f3 o Evangelho pode oferecer. Um dos motivos da atividade evangelizadora da Igreja est\u00e1 exatamente nesse desejo de que todos os homens possam conhecer a verdade do Evangelho e passem a ter vida e vida em abund\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Tantas s\u00e3o as consequ\u00eancias da vida que experimentamos de pessoas que vivem somente centradas em si mesmas, trazendo uma sociedade de injusti\u00e7as e viol\u00eancias. Rezemos por nossos governantes para que governem com justi\u00e7a; que n\u00e3o fa\u00e7amos de n\u00f3s, vidas que servem ao dinheiro e que mesmo que tenhamos bens que os utilizemos para ajudar os outros, nunca para oprimir os outros. Que saibamos valorizar a dignidade humana. Que a palavra do Senhor nos fa\u00e7a caminhar mudando essa sociedade: homens novos a partir da novidade do Evangelho. Que Deus nos aben\u00e7oe a todos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Seguimos, neste m\u00eas de setembro, com o aprofundamento sobre o tema do m\u00eas da B\u00edblia. 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