{"id":5371,"date":"2014-11-27T12:31:19","date_gmt":"2014-11-27T14:31:19","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/levantando-a-tenda-no-japao\/"},"modified":"2017-04-07T09:02:49","modified_gmt":"2017-04-07T12:02:49","slug":"levantando-a-tenda-no-japao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/levantando-a-tenda-no-japao\/","title":{"rendered":"Levantando a tenda no Jap\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Caminhar \u00e9 preciso.<\/strong><\/p>\n<p>O sol nasce aqui, mas sua trajet\u00f3ria \u00e9 iluminar outras terras. Nos universos de Deus tudo se move, tudo se transforma e tudo se expande. As pessoas tamb\u00e9m t\u00eam como caracter\u00edstica inerente a mobilidade. Existem ditados que servem para explicar situa\u00e7\u00f5es e acontecimentos ligados aos movimentos e \u00e0s migra\u00e7\u00f5es. \u00c9 o que conhecemos por \u201csabedoria popular\u201d. Com frequ\u00eancia ouvimos: \u201cTudo o que come\u00e7a, um dia acaba; tudo \u00e9 transit\u00f3rio neste mundo; ningu\u00e9m fica aqui para sempre; partir \u00e9 morrer um pouco; migram as andorinhas e migram as pessoas\u201d. Muitos outros ditos formam o repert\u00f3rio relacionado com as mudan\u00e7as e partidas. Para o mission\u00e1rio isso \u00e9 normal, mas o que sempre permanece \u00e9 a Vis\u00e3o de construir o Reino de Deus, sem fronteiras, no qual participem todas as na\u00e7\u00f5es com suas diferen\u00e7as culturais e religiosas. O mission\u00e1rio parte, mas a Vis\u00e3o com a miss\u00e3o de realizar o projeto de Cristo, em qualquer parte do mundo, est\u00e1 enraizada na sua pessoa.Depois de nove anos de miss\u00e3o com migrantes de l\u00ednguas portuguesa, espanhola e inglesa, no Jap\u00e3o, parto para outras terras, sem saber quais ainda. De in\u00edcio, irei ao Brasil para me recuperar de alguns desgastes inevit\u00e1veis e \u201crecarregar as baterias\u201d que se debilitaram nos entraves da vida e do trabalho. Afinal, Cristo tamb\u00e9m, em certa ocasi\u00e3o, reuniu seus disc\u00edpulos num lugar apartado para que pudessem descansar e meditar. As constantes viagens para diversas comunidades de culturas e l\u00ednguas diferentes, em contato com igrejas japonesas com suas estruturas burocr\u00e1ticas t\u00edpicas acarretaram muito estresse e exaust\u00e3o de energias. Mas valeu a pena. Pude exercitar e fazer crescer as virtudes da paci\u00eancia e do respeito al\u00e9m de praticar a flexibilidade e despertar a criatividade que, para algu\u00e9m da minha idade, poderia estar em decl\u00ednio. Felizmente aceitando o desafio de vir ao Jap\u00e3o, pr\u00f3ximo aos 60 anos de vida, foi uma vacina contra a tenta\u00e7\u00e3o de me acomodar. Sair daqui e aceitar um novo desafio em novas terras, com certeza, ser\u00e1 uma oportunidade para descobrir alguns dons que ainda n\u00e3o conhe\u00e7o ou que n\u00e3o exercitei.Minha gratid\u00e3o de cora\u00e7\u00e3o vai, em primeiro lugar, a Deus que nestes nove anos me enviou aos grupos de migrantes de muitos lugares da Terra do Sol Nascente. .<br \/> Sendo eu mesmo descendente de migrantes que h\u00e1 135 anos fizeram do Brasil a sua nova p\u00e1tria, desde adolescente alimentei o esp\u00edrito solid\u00e1rio para com as pessoas que deixam sua terra de origem. Aos migrantes de Narashino, Katsutadai, Narita e Ichikawa na prov\u00edncia de Chiba; aos migrantes na cidade de T\u00f3quio, Yotsuya, Meguro e Hachioji no distrito de T\u00f3quio; \u00e0queles de Tsuchiura, Ishige e Mitsukaido, mais tarde unificadas sob o nome de Joso, que deram origem \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de uma nova igreja quando ainda trabalhava com elas; aos brasileiros e peruanos de Moka e Oyama, na prov\u00edncia de Tochigi; aos membros das comunidades Maebashi, Isesaki e Ota na prov\u00edncia de Gunma e finalmente \u00e0queles de Honjo, em Saitama, meu apre\u00e7o e agradecimento pela sua acolhida e dedica\u00e7\u00e3o ao servi\u00e7o do Povo de Deus. N\u00e3o pretendi fazer tudo certo e nem fui \u00e0 procura de reconhecimentos. Uma coisa digo com tranquilidade: esmerei-me para servi-los com todas as for\u00e7as que Deus me deu. Ter\u00e3o percebido que sou limitado. Isso n\u00e3o \u00e9 novidade para mim. Contudo, confesso que tentei amar a todos, procurando ser um irm\u00e3o, servindo-os como sacerdote para os migrantes.<br \/>Seria injusto se eu n\u00e3o mencionasse a gratifica\u00e7\u00e3o profunda por ter exercido a miss\u00e3o marcada pela solidariedade para com os migrantes presidi\u00e1rios da sever\u00edssima Pris\u00e3o de Kurobane, na cidade de Otawara, na Prov\u00edncia de Tochigi, e os detentos de muitas nacionalidades nos centros de Imigra\u00e7\u00e3o de T\u00f3quio, Ibaraki e Yokohama. Tinha a impress\u00e3o que, durante os encontros e nas minhas ora\u00e7\u00f5es e medita\u00e7\u00f5es posteriores, as letras da express\u00e3o \u201cEu estava na pris\u00e3o e voc\u00eas me foram ver\u201d, se desgrudavam das p\u00e1ginas de Evangelho para assumirem vida.<br \/>Reconhe\u00e7o do fundo do cora\u00e7\u00e3o a abertura da Arquidiocese de T\u00f3quio, cujo bra\u00e7o pastoral para atender os migrantes \u00e9 o Centro Cat\u00f3lico Internacional e \u00e0 vizinha Diocese de Saitama com a qual tive a oportunidade de colaborar, dando continuidade a diversas comunidades j\u00e1 existentes e formando outras cinco, sendo que da uni\u00e3o de duas delas surgiu a nova Igreja de Joso, na Prov\u00edncia de Ibaraki.<br \/>Saio do Jap\u00e3o feliz depois ter tentado dar o melhor de mim mesmo e gratificado pelo carinho e acolhida dos irm\u00e3os migrantes.<br \/>&#8220;Minha alma engrandece o Senhor!\u201d.<\/p>\n<p>Fonte: Mission\u00e1rio Pe. Olmes Milani CS.<br \/>Local: T\u00f3quio- Jap\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Caminhar \u00e9 preciso. O sol nasce aqui, mas sua trajet\u00f3ria \u00e9 iluminar outras terras. Nos universos de Deus tudo se move, tudo se transforma e tudo se expande. As pessoas tamb\u00e9m t\u00eam como caracter\u00edstica inerente a mobilidade. 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