{"id":53606,"date":"2019-09-14T08:00:31","date_gmt":"2019-09-14T11:00:31","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=53606"},"modified":"2019-09-12T14:34:51","modified_gmt":"2019-09-12T17:34:51","slug":"na-escola-da-misericordia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/na-escola-da-misericordia\/","title":{"rendered":"Na escola da Miseric\u00f3rdia"},"content":{"rendered":"<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>A liturgia cat\u00f3lica l\u00ea, reflete e reza, como passagem b\u00edblica principal deste domingo, Lucas 15, 1-32. S\u00e3o tr\u00eas par\u00e1bolas que abordam o tema da miseric\u00f3rdia: a ovelha perdida, a moeda perdida e o filho pr\u00f3digo. A presente reflex\u00e3o parte da par\u00e1bola do Filho Pr\u00f3digo e inspira-se em Dom Jos\u00e9 Tolentino Mendon\u00e7a, recentemente eleito cardeal pelo Papa Francisco, aos 53 anos.<\/p>\n<p>As par\u00e1bolas est\u00e3o muito presentes nas narrativas do Evangelhos e exercem um fasc\u00ednio muito grande. Tamb\u00e9m s\u00e3o interpretadas de maneiras diferentes. Uma forma de interpret\u00e1-las \u00e9 como se fossem espelhos nas quais a pessoa vai se descobrindo e construindo a sua identidade. A par\u00e1bola do Filho Pr\u00f3digo oferece uma oportunidade para rever a nossa imagem interior, a forma como constru\u00edmos a rela\u00e7\u00e3o conosco mesmos e com os outros. O n\u00f3 desta par\u00e1bola n\u00e3o s\u00e3o os bens, mas as rela\u00e7\u00f5es humanas, as rela\u00e7\u00f5es do pai com os filhos e dos irm\u00e3os entre si.<\/p>\n<p>O filho mais novo abre a cena com um pedido inusitado: \u201cPai, d\u00e1-me a parte da heran\u00e7a que me cabe\u201d. Em princ\u00edpio o desejo de autonomia, \u00e9 normal e saud\u00e1vel, pois cada um precisa crescer, afirmar-se como pessoa, tomar nas m\u00e3os o rumo da sua vida e ganhar espa\u00e7o. O problema \u00e9 que ele faz isto tudo, n\u00e3o em di\u00e1logo, mas rompendo os v\u00ednculos e as rela\u00e7\u00f5es. N\u00e3o espera ficar \u00f3rf\u00e3o para herdar os bens. Substitui o pai pelos bens, coloca os bens materiais no lugar das rela\u00e7\u00f5es paternas e fraternas. Procura uma felicidade individualista. Escolheu o caminho de satisfa\u00e7\u00e3o de seus desejos e por serem insaci\u00e1veis nunca ser\u00e3o satisfeitos, isto \u00e9, nunca produzir\u00e3o sentido. Escolheu o caminho da orfandade e descobre que o caminho certo n\u00e3o \u00e9 esse somente depois de passar pela solid\u00e3o, a mis\u00e9ria moral e financeira e a desola\u00e7\u00e3o interior.<\/p>\n<p>O filho mais velho fica junto do pai, \u00e9 trabalhador, servi\u00e7al e n\u00e3o tem problemas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 lei. A sua fragilidade est\u00e1 situada na rela\u00e7\u00e3o com o irm\u00e3o que \u00e9 \u00e1spera e competitiva e a rela\u00e7\u00e3o com o pai est\u00e1 na expectativa da recompensa. Quando o irm\u00e3o volta explode a sua c\u00f3lera e ressentimento, manifestando-se incapaz de se compadecer com o sofrimento daquele que voltava. Se enche de inveja porque considera tudo que est\u00e1 na casa do pai, agora \u00e9 seu.<\/p>\n<p>Este personagem faz refletir sobre a inveja existente nas rela\u00e7\u00f5es humanas e seu poder destruidor. \u00c9 ilustrativo um conto de fadas que narra que um homem morria de inveja do vizinho. Um dia foi visitado por uma fada que lhe deu a possibilidade de pedir o que quisesse, mas com a condi\u00e7\u00e3o: \u201cPoder\u00e1s pedir o que quiseres, desde que o teu vizinho receba o mesmo de forma dobrada\u201d. Ent\u00e3o o invejoso pediu: \u201cO meu desejo \u00e9 que me arranques imediatamente um dos meus olhos\u201d. A obsess\u00e3o em prejudicar o outro foi maior que qualquer bem, mesmo em rela\u00e7\u00e3o a si pr\u00f3prio. Na inveja o outro deixa de ser parceiro e torna-se um rival. Destr\u00f3i a possibilidade criativa de um encontro, para viver capturado num ressentimento que encharca tudo de mesquinhez e sombra.<\/p>\n<p>A terceira figura \u00e9 o pai que tem dois filhos, muito diferentes e deve tratar cada um de forma \u00fanica. Respeita e aceita o pedido do filho mais novo que queria espa\u00e7o e autonomia. Acolhe o risco da liberdade do filho, simplesmente porque o ama. E quando o filho volta, todo desfigurado, o seu amor excessivo, o faz ter uma postura para salvar a vida dele. O filho que volta tem um tratamento por parte do pai que, na \u00f3tica da justi\u00e7a, ele n\u00e3o merecia. O pai tamb\u00e9m n\u00e3o se conforma com o ressentimento, a inveja e o isolamento do filho mais velho, por isso vai \u00e0 sua procura, ouve as suas queixas, o seu lamento e o convida a participar da festa.<\/p>\n<p>A postura do pai \u00e9 a da miseric\u00f3rdia que \u00e9 fascinante e exigente. Miseric\u00f3rdia \u00e9 excesso de compaix\u00e3o, de bondade, de perd\u00e3o, de colocar-se no lugar do outro, de reconcilia\u00e7\u00e3o profunda. Enfim, miseric\u00f3rdia gera vida, estabelece rela\u00e7\u00f5es fraternas e cura as feridas das rupturas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0 A liturgia cat\u00f3lica l\u00ea, reflete e reza, como passagem b\u00edblica principal deste domingo, Lucas 15, 1-32. S\u00e3o tr\u00eas par\u00e1bolas que abordam o tema da miseric\u00f3rdia: a ovelha perdida, a moeda perdida e o filho pr\u00f3digo. A presente reflex\u00e3o parte da par\u00e1bola do Filho Pr\u00f3digo e inspira-se em Dom Jos\u00e9 Tolentino Mendon\u00e7a, recentemente eleito cardeal [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":18,"featured_media":32780,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-53606","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53606","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/users\/18"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=53606"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53606\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":53607,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53606\/revisions\/53607"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media\/32780"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=53606"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=53606"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=53606"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}