{"id":53225,"date":"2019-09-04T11:26:13","date_gmt":"2019-09-04T14:26:13","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=53225"},"modified":"2019-09-04T11:26:13","modified_gmt":"2019-09-04T14:26:13","slug":"mocambique-terra-de-grandes-desafios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/mocambique-terra-de-grandes-desafios\/","title":{"rendered":"Mo\u00e7ambique, terra de grandes desafios"},"content":{"rendered":"<div class=\"article__subTitle\">O artigo \u201cMo\u00e7ambique, terra de grandes desafios\u201d foi publicado no L\u2019Osservatore Romano.<\/div>\n<div class=\"title__separator\"><\/div>\n<div class=\"article__text\">\n<p><b>Cidade do Vaticano<\/b><\/p>\n<p>De padre Maurizio Bolzon, Mission\u00e1rio <i>Fidei Donum<\/i> de Vicenza<\/p>\n<p>&#8220;O Papa Francisco, em Mo\u00e7ambique, vem encontrar uma terra rica de vida, de recursos, de belezas humanas e naturais. Uma terra da qual cada habitante pode, com toda honestidade, sentir-se orgulhoso. Mas tamb\u00e9m \u00e9 uma terra de grandes desafios, alguns comuns a todo o continente africano, outros mais espec\u00edficos, ligados \u00e0 singularidade do pa\u00eds. Marcado pela passagem de dois ciclones, que, em pouco mais de um m\u00eas, infligiram feridas destinadas a permanecer abertas por anos.<\/p>\n<h2>Os furac\u00f5es<\/h2>\n<p>O &#8220;Idai&#8221; atingiu a cidade da Beira e o chamado &#8220;corredor da Beira&#8221; na noite de 14 de mar\u00e7o, enquanto o &#8220;Kenneth&#8221; atingiu principalmente a Prov\u00edncia de Cabo Delgado em 25 de abril: trata-se dos mais violentos ciclones que j\u00e1 passaram pela \u00c1frica Austral. A destrui\u00e7\u00e3o foi enorme. Os mortos, mais de mil. Precisamente por causa desses tr\u00e1gicos fen\u00f4menos, as popula\u00e7\u00f5es atingidas esperaram at\u00e9 o \u00faltimo momento, para que uma etapa em seus territ\u00f3rios pudesse ser inclu\u00edda no percurso da viagem papal, mesmo sabendo que todos os deslocamentos do Pont\u00edfice j\u00e1 haviam sido definidos em detalhes, bem antes que os dois ciclones viessem colocar de joelhos as duas grandes regi\u00f5es.<\/p>\n<h2>O aspecto pol\u00edtico<\/h2>\n<p>Mas qual \u00e9 a face do pa\u00eds que o Papa encontrar\u00e1? N\u00e3o se pode que n\u00e3o partir do dado pol\u00edtico: Francisco chega quarenta dias antes das elei\u00e7\u00f5es. A disputar a cadeira do governo, mais uma vez os dois grandes partidos: Frelimo (no governo desde a independ\u00eancia) e Renamo (a principal for\u00e7a da oposi\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p>Na disputa pela presid\u00eancia, h\u00e1 tamb\u00e9m outros partidos (em particular o MDM), mas dificilmente ser\u00e3o estes a dar as cartas. Desde a assinatura dos acordos de paz em 1992, at\u00e9 hoje, os processos de reconcilia\u00e7\u00e3o interna experimentaram resultados alternativos. Mas a cada nova elei\u00e7\u00e3o a tens\u00e3o reacende, em um pa\u00eds em que, de fato, existem dois ex\u00e9rcitos: o nacional e o do hist\u00f3rico partido da oposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em seus encontros e discursos p\u00fablicos, o Papa ser\u00e1 chamado a se mover dentro de um delicado equil\u00edbrio de for\u00e7as. No entanto, \u00e9 de se supor, Francisco ser\u00e1 capaz de surpreender a todos, com o frescor do Evangelho do qual \u00e9 cr\u00edvel testemunha.<\/p>\n<h2><i>Laudato Si<\/i><\/h2>\n<p>Voltando ao tema dos dois ciclones, est\u00e1 mais do que claro de que s\u00e3o uma das consequ\u00eancias das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas atuais. No ano passado, os bispos de Mo\u00e7ambique haviam escrito uma carta pastoral, denunciando a explora\u00e7\u00e3o escandalosa da terra, o desmatamento maci\u00e7o em andamento, o crescente fen\u00f4meno da apropria\u00e7\u00e3o de terras. Neste pa\u00eds, como em toda a \u00c1frica, a terra est\u00e1 lan\u00e7ando um grito desesperado de dor.<\/p>\n<p>Em seus territ\u00f3rios, conscientemente mantidos sempre fora do alcance das c\u00e2meras e refletores, dia ap\u00f3s dia est\u00e1 se consumando uma trag\u00e9dia ecol\u00f3gica que corre o risco de ser irrevers\u00edvel e cujo custo pesar\u00e1 de modo dram\u00e1tico precisamente sobre aquele que j\u00e1 agora est\u00e3o nas \u00e1reas mais pobres da Terra.<\/p>\n<p>Relan\u00e7ar a poderosa mensagem da Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica <i>Laudato Si<\/i> neste nosso contexto, iria fortaleceria e encontraria uma resson\u00e2ncia mundial ao forte apelo da Igreja local em favor de uma invers\u00e3o de tend\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o aos processos atualmente em andamento.<\/p>\n<h2>Mais riquezas naturais, mais sangue<\/h2>\n<p>Permanece depois, mais do que aberta, a quest\u00e3o dos confrontos e dos ataques terroristas, que h\u00e1 pelo menos um ano e meio, atingem as \u00e1reas mais pr\u00f3ximas da fronteira com a Tanz\u00e2nia (na Prov\u00edncia de Cabo Delgado). Trata-se de uma regi\u00e3o muito rica em jazidas (g\u00e1s natural, grafite, van\u00e1dio, petr\u00f3leo), o que est\u00e1 atraindo o interesse de investidores de todo o mundo.<\/p>\n<p>\u00c9 desconcertante que exatamente nestas \u00e1reas em que a Terra mostra tanta generosidade, exista hoje o cen\u00e1rio dos confrontos mais sangrentos, em que a popula\u00e7\u00e3o local \u00e9 na realidade a \u00fanica grande v\u00edtima. N\u00e3o se trata aqui de estabelecer exatamente como est\u00e3o as coisas ou como s\u00e3o divididas as responsabilidades, mas de denunciar que mais uma vez, na \u00c1frica, a maior riqueza corresponde a um maior derramamento de sangue. As popula\u00e7\u00f5es das prov\u00edncias com maior dificuldade t\u00eam necessidade de sentir que algu\u00e9m est\u00e1 do seu lado.<\/p>\n<h2>Parques nacionais e o turismo<\/h2>\n<p>Um tema pouco conhecido \u00e9 o dos grandes parques. Mesmo aqueles que por muitos anos foram negligenciados por v\u00e1rias raz\u00f5es e agora est\u00e3o conhecendo uma nova primavera. Por si s\u00f3, isso poderia parecer positivo. Mas h\u00e1 um outro lado da moeda. Os parques assumem valor com base em dois elementos: o n\u00famero de animais e a vastid\u00e3o do territ\u00f3rio. Para responder a esse segundo requisito, \u00e9 necess\u00e1rio &#8220;de alguma forma&#8221; induzir as popula\u00e7\u00f5es que vivem nas \u00e1reas adjacentes ao parque a deixarem suas terras (que ser\u00e3o incorporadas ao pr\u00f3prio parque). Ningu\u00e9m protege os direitos dos agricultores que, por gera\u00e7\u00f5es, trabalham e vivem nessas terras.<\/p>\n<p>A \u00c1frica, nestes \u00faltimos anos, tem despertado um crescente interesse, tamb\u00e9m do ponto de vista tur\u00edstico. E no turismo para a \u00c1frica, o que mais atrai s\u00e3o os parques e as praias. A \u00c1frica atrai sempre mais. Mas, com muita tristeza, vem de perguntar: podemos dizer o mesmo sobre os africanos?<\/p>\n<h2>Aspecto pastoral<\/h2>\n<p>Um \u00faltimo ponto, de natureza mais puramente pastoral. Quando se pensa nas celebra\u00e7\u00f5es da f\u00e9 neste nosso continente, surgem no imagin\u00e1rio coletivo cenas de grandes massas que celebram, onde a m\u00fasica, as cores, as dan\u00e7as e a alegria comandam o espet\u00e1culo. N\u00e3o precisa ser profeta para afirmar que tamb\u00e9m por ocasi\u00e3o da visita do Papa Francisco, o cora\u00e7\u00e3o acolhedor e festivo de nosso povo n\u00e3o trair\u00e1 as expectativas. Contudo, raramente para-se para olhar atentamente para o &#8220;estado da f\u00e9&#8221; dessas popula\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A Igreja em Mo\u00e7ambique, ap\u00f3s a amb\u00edgua era colonial e o dif\u00edcil per\u00edodo do &#8220;comunismo cient\u00edfico&#8221;, nestes \u00faltimos anos est\u00e1 se deparando com novos processos, n\u00e3o pouco preocupantes. Muitos s\u00e3o os crist\u00e3os com pr\u00e1tica religiosa irregular, que n\u00e3o sentem a necessidade de uma experi\u00eancia de f\u00e9 que acompanhe suas vidas diariamente e semanalmente.<\/p>\n<p>Como no resto do mundo, muitos s\u00e3o aqueles que n\u00e3o percebem a contradi\u00e7\u00e3o entre o se dizer crist\u00e3o e o n\u00e3o levar uma vida que realmente siga as exig\u00eancias do Evangelho. Mas o que mais do que qualquer outra coisa est\u00e1 desafiando a Igreja no pa\u00eds hoje, \u00e9 a grave hemorragia das jovens gera\u00e7\u00f5es (e n\u00e3o s\u00f3!) que, com a maior desenvoltura, abandonam as comunidades crist\u00e3s para engrossar as fileiras das &#8220;igrejas&#8221; nascidas da noite para o dia ou &#8220;importadas&#8221; de outros pa\u00edses, ou que simplesmente deixam para tr\u00e1s qualquer tipo de envolvimento religioso.<\/p>\n<p>Em um pa\u00eds em que 60% da popula\u00e7\u00e3o tem menos de 25 anos, bem diferente deveria ser a presen\u00e7a de jovens na Igreja! Por esse motivo, n\u00e3o se pode deixar de acolher o grande desafio da transmiss\u00e3o da f\u00e9 \u00e0s jovens gera\u00e7\u00f5es ou de n\u00e3o consider\u00e1-la como a primeira e a mais urgente das chamadas de nosso tempo.&#8221;<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O artigo \u201cMo\u00e7ambique, terra de grandes desafios\u201d foi publicado no L\u2019Osservatore Romano. Cidade do Vaticano De padre Maurizio Bolzon, Mission\u00e1rio Fidei Donum de Vicenza &#8220;O Papa Francisco, em Mo\u00e7ambique, vem encontrar uma terra rica de vida, de recursos, de belezas humanas e naturais. Uma terra da qual cada habitante pode, com toda honestidade, sentir-se orgulhoso. 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