{"id":53162,"date":"2019-09-02T14:49:44","date_gmt":"2019-09-02T17:49:44","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=53162"},"modified":"2019-09-03T14:55:31","modified_gmt":"2019-09-03T17:55:31","slug":"madagascar-terra-rica-de-recursos-mas-pobre-e-faminta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/madagascar-terra-rica-de-recursos-mas-pobre-e-faminta\/","title":{"rendered":"Madagascar, terra rica de recursos, mas pobre e faminta"},"content":{"rendered":"<div class=\"article__subTitle\">O problema da desnutri\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica em Madagascar, onde o Papa Francisco \u00e9 esperado de 6 a 8 de setembro, \u00e9 definido alarmante. Variedade e disponibilidade de produtos da terra continuam sendo condi\u00e7\u00f5es potenciais em uma realidade feita de mis\u00e9ria. Entrevistas com o vice-diretor do Programa Alimentar Mundial e dois religiosos<\/div>\n<div class=\"title__separator\"><\/div>\n<div class=\"article__text\">\n<p><b>Cidade do Vaticano<\/b><\/p>\n<p>O Papa est\u00e1 para visitar a grande ilha de Madagascar, onde 42% da popula\u00e7\u00e3o passa fome. \u201cNa base do problema h\u00e1 a baixa renda da popula\u00e7\u00e3o e o pouco conhecimento de pr\u00e1ticas alimentares mais saud\u00e1veis\u201d, disse C\u00e9dric Charpentier, vice-diretor do Programa Alimentar Mundial &#8211; Madagascar.<\/p>\n<div>\n<div class=\"article__embed article__embed--unwrap article__embed--dark\">\n<div class=\"article__innerTitle\">Ou\u00e7a e compartilhe!<\/div>\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-53162-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/media.vaticannews.va\/media\/audio\/s1\/2019\/09\/02\/12\/135200543_F135200543.mp3?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/media.vaticannews.va\/media\/audio\/s1\/2019\/09\/02\/12\/135200543_F135200543.mp3\">https:\/\/media.vaticannews.va\/media\/audio\/s1\/2019\/09\/02\/12\/135200543_F135200543.mp3<\/a><\/audio>\n<\/div>\n<\/div>\n<h2><b>Mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e resili\u00eancia<\/b><\/h2>\n<p>\u201cNa realidade em Madagascar tem de tudo\u201d, esclarece Charpentier. \u201cH\u00e1 regi\u00f5es com uma agricultura produtiva, mas h\u00e1 muitas \u00e1reas nas quais os recursos naturais est\u00e3o continuamente amea\u00e7ados pela alta frequ\u00eancia de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e poucas infra-estruturas p\u00fablicas. Madagascar \u00e9 um dos dez pa\u00edses africanos mais expostos \u00e0s cat\u00e1strofes naturais, o primeiro no continente pelos danos causados pelos ciclones\u201d. A agricultura, a pesca e a silvicultura (ci\u00eancia que se dedica ao estudo dos m\u00e9todos naturais e artificiais de regenerar e melhorar os povoamentos florestais) s\u00e3o a base da economia malgaxe. Todavia, s\u00e3o tamb\u00e9m numerosos os inc\u00eandios registrados nos \u00faltimos anos que tornam vastas \u00e1reas do pa\u00eds totalmente \u00e1ridas. O arroz \u00e9 a base e o principal produto da colheita da ilha, mas a produ\u00e7\u00e3o \u00e9 insuficiente para satisfazer as necessidades internas. As regi\u00f5es do sul produzem grandes quantidades de mandioca, mas a maior parte \u00e9 desperdi\u00e7ada. Somente em 2016 as fam\u00edlias perderam at\u00e9 90% de suas planta\u00e7\u00f5es por causa das chuvas insuficientes, privando-as de alimentos por muitos meses.<\/p>\n<h2><b>Forma\u00e7\u00e3o das mulheres<\/b><\/h2>\n<p>Em uma realidade como esta, acabar com a fome e trabalhar para criar e intensificar as parcerias s\u00e3o os principais objetivos do PAM em Madagascar, cujas interven\u00e7\u00f5es foram realizadas em apoio ao governo, em conformidade com os objetivos do desenvolvimento sustent\u00e1vel das Na\u00e7\u00f5es Unidas. \u201cTemos um plano estrat\u00e9gico de 300 milh\u00f5es de d\u00f3lares para os pr\u00f3ximos cinco anos\u201d, explica o vice-diretor. Para n\u00f3s \u00e9 importante refor\u00e7ar a rela\u00e7\u00e3o \u2018ajuda humanit\u00e1ria-desenvolvimento\u2019, construir a resili\u00eancia, enfrentar as causas profundas da vulnerabilidade cr\u00f4nica, preparar as pessoas \u00e0 capacidade de resposta \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas\u201d. A maior parte dos projetos s\u00e3o destinados ao grande sul do pa\u00eds, a parte mais pobre e h\u00e1 muito investimento na forma\u00e7\u00e3o das mulheres, porque elas \u201cn\u00e3o t\u00eam acesso \u00e0 propriedade da terra\u201d.<\/p>\n<h2><b>Os refeit\u00f3rios escolares<\/b><\/h2>\n<p>A fome em Madagascar faz com que se perca 14,5% do PIB porque a desnutri\u00e7\u00e3o se reflete nas despesas de sa\u00fade, escolas e perda de produtividade no mercado de trabalho. \u00c9 um triste c\u00edrculo vicioso. Aqui 45% das crian\u00e7as com menos de 5 anos sofrem de hipotrofia, atraso de crescimento. O trabalho do PAM para melhorar suas condi\u00e7\u00f5es de vida \u00e9 fundamental: \u201cDesde 2006 o n\u00famero de crian\u00e7as inscritas na escola prim\u00e1ria diminui consideravelmente\u201d, explica Charpentier. \u201cPara n\u00f3s, a continuidade escol\u00e1stica \u00e9 fundamental. Portanto os refeit\u00f3rios s\u00e3o importantes e devem aumentar. H\u00e1 24 mil escolas p\u00fablicas prim\u00e1rias mas apenas 1.300 delas possuem refeit\u00f3rio. Isso quer dizer que apenas 350 mil estudantes t\u00eam uma refei\u00e7\u00e3o garantida por dia. Os outros 4 milh\u00f5es de crian\u00e7as n\u00e3o recebem nada para comer na escola\u201d.<\/p>\n<h2><b>Instru\u00e7\u00e3o para desenvolver<\/b><\/h2>\n<p>Dom Luciano Mariani, delegado da Obra Dom Orione mora no bairro Anatihasu a poucos passos do centro da capital. Dom Luciano conta que 70% da popula\u00e7\u00e3o vive abaixo da linha de pobreza mundial, e que as pessoas atra\u00eddas pela capital, e melhores condi\u00e7\u00f5es de vida, acomodam-se onde podem sem possibilidade de construir uma casa. \u201cPor exemplo a maior parte das fam\u00edlias das nossas crian\u00e7as o pai n\u00e3o est\u00e1 presente, a m\u00e3e lava roupa para fora. Ganham pouqu\u00edssimo. Muitas vezes, quando caminho pelo bairro digo \u2018isso n\u00e3o \u00e9 pobreza, \u00e9 mis\u00e9ria\u2019. O que \u00e9 bem mais grave\u201d. Dom Luciano faz uma compara\u00e7\u00e3o com 20 anos atr\u00e1s: \u201cPosso dizer que neste bairro n\u00e3o houve uma evolu\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m porque 12 anos atr\u00e1s um ciclone destruiu alguns canais que traziam \u00e1gua pot\u00e1vel. Tornou-se um lama\u00e7al e mesmo quando chove como nestes meses, n\u00e3o chega \u00e1gua pot\u00e1vel nas casas. Nos arredores das casas fica tudo alagado, por isso h\u00e1 passarelas de madeira para ir de uma fam\u00edlia a outra. Na nossa par\u00f3quia quase todos vivem nestas condi\u00e7\u00f5es\u201d<\/p>\n<p>Por que esta paralisia? \u201cDigamos que por um lado o governo n\u00e3o pensa em criar estruturas para as pessoas, por outro as fam\u00edlia n\u00e3o t\u00eam meios necess\u00e1rios para melhorar as pr\u00f3prias condi\u00e7\u00f5es de vida. Por exemplo, a maior parte deles trabalha de manh\u00e3 para poder almo\u00e7ar ao meio dia; trabalha a tarde a poder comer \u00e0 noite. Portanto se o objetivo prim\u00e1rio \u00e9 o de encontrar comida para almo\u00e7o ou jantar, n\u00e3o h\u00e1 tempo para pensar a longo prazo. O \u00fanico caminho \u00e9 dar educa\u00e7\u00e3o \u00e0s crian\u00e7as\u201d.<\/p>\n<h2><b>A Igreja e a assist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade<\/b><\/h2>\n<p>A fragilidade de Madagascar reflete-se de modo claro no \u00e2mbito da sa\u00fade: Madagascar ainda n\u00e3o se livrou completamente da lepra, a mal\u00e1ria \u00e9 end\u00eamica todo o ano e s\u00e3o numerosas as doen\u00e7as parasit\u00e1rias e causadas pela falta de normas higi\u00eanicas. A presen\u00e7a de religiosos neste \u00e2mbito revelou-se em menos de um s\u00e9culo como um recurso fundamental com o servi\u00e7o nos hospitais p\u00fablicos ou a administra\u00e7\u00e3o direta de estruturas onde os doentes podem receber assist\u00eancia adequada. Entre estas irm\u00e3 Maria Jardiolyn, filipina, evidencia a aten\u00e7\u00e3o \u00e0 pessoas mais pobres<\/p>\n<p>\u201cNa capital, as nossas irm\u00e3s prestam servi\u00e7o em um dos maiores hospitais\u201d, conta a religiosa. \u201c\u00c9 um hospital p\u00fablico, mas muito carente. O nosso papel \u00e9 principalmente estar presentes para facilitar o servi\u00e7o e cuidar dos doentes. Al\u00e9m disso n\u00f3s administramos o hospital da Congrega\u00e7\u00e3o e um outro que \u00e9 da diocese. Isso nos facilita para ajudar os pobres. Recebemos muitos volunt\u00e1rios e h\u00e1 mais de dez anos chegam m\u00e9dicos de todas as especializa\u00e7\u00f5es para ajudar o nosso servi\u00e7o e anunciamos pelo r\u00e1dio a sua disponibilidade para que as pessoas os procurem para serem tratadas\u201d.<\/p>\n<h2><b>Lutar com as supersti\u00e7\u00f5es<\/b><\/h2>\n<p>Irm\u00e3 Maria conta que h\u00e1 muita supersti\u00e7\u00e3o no pa\u00eds. \u201cEm algumas regi\u00f5es de Madagascar ainda \u00e9 necess\u00e1rio ensinar \u00e0 popula\u00e7\u00e3o que quando as pessoas est\u00e3o doentes devem ser levadas ao hospital. Muitos deles quando v\u00eam, j\u00e1 est\u00e3o em condi\u00e7\u00f5es muito graves, porque ainda n\u00e3o acreditam em curas hospitalares. Portanto, al\u00e9m de tratar procuramos fazer esta pastoral para evitar que as crian\u00e7as, ou as mulheres gr\u00e1vidas, cheguem quando j\u00e1 n\u00e3o se pode fazer mais nada. Muito ainda v\u00e3o sob as \u00e1rvores porque acreditam que as \u00e1rvores tenham poder de cur\u00e1-los\u201d.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O problema da desnutri\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica em Madagascar, onde o Papa Francisco \u00e9 esperado de 6 a 8 de setembro, \u00e9 definido alarmante. Variedade e disponibilidade de produtos da terra continuam sendo condi\u00e7\u00f5es potenciais em uma realidade feita de mis\u00e9ria. 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