{"id":5307,"date":"2014-11-07T12:56:03","date_gmt":"2014-11-07T14:56:03","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/consideracoes-sobre-a-morte\/"},"modified":"2017-04-06T16:32:01","modified_gmt":"2017-04-06T19:32:01","slug":"consideracoes-sobre-a-morte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/consideracoes-sobre-a-morte\/","title":{"rendered":"Considera\u00e7\u00f5es sobre a morte"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">A morte \u00e9 um castigo aplicado \u00e0 humanidade por for\u00e7a do pecado ocorrido l\u00e1 no \u00c9den (Gn 3, 17-18). Tom\u00e1s de Aquino na Suma Teol\u00f3gica (II.19,1) ensina que a morte tem car\u00e1ter de pena, uma vez que priva o homem de um bem. Por esta puni\u00e7\u00e3o fica reparado\u00a0 e\u00a0 colocado de novo em ordem algo que n\u00e3o devia acontecer. Assim sendo, a morte \u00e9 um acontecimento fora do normal. Entretanto, observa o Aquinate que \u201cenquanto \u00e9 uma pena merecida. a morte tem, em certo sentido, uma nota de algo bom\u201d (II, II 164,L ad 5).\u00a0 \u00c9 que no fim de um caminho o ser racional se encontra ante um come\u00e7o. A ideia, por\u00e9m, de um caminhar para uma meta inclui o pensamento de que a esperan\u00e7a est\u00e1 n\u00e3o na morte mesma, mas se encontra al\u00e9m da morte. O que se espera s\u00f3 se alcan\u00e7a morrendo, contudo o que se aguarda \u00e9 algo ap\u00f3s o desenlace final. Isto significa que a morte \u00e9 um fim de uma passagem por esta terra, mas n\u00e3o \u00e9 o ocaso do ser pensante. \u00c9 uma porta para um futuro faustoso, para uma continua\u00e7\u00e3o. Trata-se da separa\u00e7\u00e3o da alma e do corpo. Poder, em seguida, contemplar a Deus, suma felicidade, \u00e9 a vida eterna venturosa. Quem n\u00e3o estiver preparado para a vis\u00e3o beat\u00edfica ou se purificar\u00e1 no Purgat\u00f3rio (2 Mac 12,45; 1 Cor 3,15) ou estar\u00e1 para sempre impedido de entrar no c\u00e9u, dependendo do que se deu do Ju\u00edzo Particular.\u00a0 Como, por\u00e9m, o corpo contribuiu para a entrada na gl\u00f3ria perene da Jerusal\u00e9m celeste ou para o ingl\u00f3rio penetrar nas \u201ctrevas \u201d (Mt 8,12), um dia, dar-se-\u00e1 a ressurrei\u00e7\u00e3o. Para os que foram de Cristo nesta vida trata-se de um triunfo magn\u00edfico. A ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus n\u00e3o foi um fato isolado e individual. Como em Ad\u00e3o todos os homens morreram, assim em Cristo todos ser\u00e3o vivificados (1 Cor 15,22). \u00c9 por isto que se pode denominar Jesus como \u201cprim\u00edcia dos que pela ressurrei\u00e7\u00e3o saem do sono\u201d (1 Cor 15,20). A ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo e a dos crist\u00e3os s\u00e3o duas realidades correlatas. Negar uma \u00e9 negar a outra. Paulo \u00e9 clar\u00edssimo: \u201cSe a ressurei\u00e7\u00e3o dos mortos n\u00e3o se d\u00e1, t\u00e3o pouco Cristo ressuscitou e se Cristo n\u00e3o ressuscitou v\u00e3 \u00e9 nossa prega\u00e7\u00e3o, v\u00e3 \u00e9 nossa f\u00e9\u201d (1 Cor 15,13-14). Outro aspecto filos\u00f3fico da morte \u00e9 que a imortalidade do corpo n\u00e3o \u00e9 essencial \u00e0 natureza humana. O homem anterior ao pecado n\u00e3o era essencialmente imortal. Se a imortalidade fosse algo essencial o homem n\u00e3o a poderia perder nem por for\u00e7a do pecado. O que estava dentro da estrutura essencial do homem desde o princ\u00edpio e, portanto, pertencente \u00e0 sua natureza era o poder morrer. Como, por\u00e9m, a alma \u00e9 espiritual sua separa\u00e7\u00e3o do corpo n\u00e3o significaria nunca o desaparecimento completo do ser racional, como ocorre com os animais. \u00c9 certa que a alma separada do corpo n\u00e3o \u00e9 pessoa humana, dado que pessoa humana \u00e9 uma alma enformando um corpo e um corpo enformado pela alma. Donde, mesmo diante da filosofia, \u00e9 conveniente a doutrina da ressurrei\u00e7\u00e3o, claramente contida na B\u00edblia. Estas considera\u00e7\u00f5es refor\u00e7am a f\u00e9. Anselmo de Cantu\u00e1ria mostrou que \u00e9 preciso \u201ccrer para entender e entender para crer\u201d. A teologia da morte \u00e9 um dos cap\u00edtulos mais belos do credo crist\u00e3o. \u00c9 que nascemos para morrer, mas morremos um dia para viver eternamente junto de Deus. Por isto conv\u00e9m sempre pensar na reflex\u00e3o proposta num cemit\u00e9rio da It\u00e1lia: \u201cHomem que passas, det\u00e9m os teus passos, e, pensa, de teus passos, o \u00faltimo passo\u201d<\/p>\n<p> <strong>* Professor no Semin\u00e1rio de Mariana durante 40 anos.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A morte \u00e9 um castigo aplicado \u00e0 humanidade por for\u00e7a do pecado ocorrido l\u00e1 no \u00c9den (Gn 3, 17-18). Tom\u00e1s de Aquino na Suma Teol\u00f3gica (II.19,1) ensina que a morte tem car\u00e1ter de pena, uma vez que priva o homem de um bem. 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