{"id":53052,"date":"2019-09-08T09:18:46","date_gmt":"2019-09-08T12:18:46","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=53052"},"modified":"2019-09-03T09:20:51","modified_gmt":"2019-09-03T12:20:51","slug":"condicoes-para-ser-discipulo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/condicoes-para-ser-discipulo\/","title":{"rendered":"Condi\u00e7\u00f5es para ser disc\u00edpulo"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Neste dia 8 de setembro, em que celebramos o 23\u00ba Domingo do tempo Comum, existe a tradi\u00e7\u00e3o lit\u00fargica de celebrar a Natividade de Nossa Senhora. Mas neste ano prevalece a celebra\u00e7\u00e3o do Dia do Senhor, a n\u00e3o ser onde essa comemora\u00e7\u00e3o mariana tenha o grau de solenidade. Neste 23\u00ba Domingo do Tempo Comum, a Palavra de Deus vai mais uma vez iluminar nossa vida e fazer-nos viver melhor nosso relacionamento com o Senhor. Ao mesmo tempo seguimos no aprofundamento, nas reflex\u00f5es e nas medita\u00e7\u00f5es sobre o m\u00eas tem\u00e1tico, o m\u00eas da B\u00edblia, em que aprofundamos neste ano a 1\u00aa Carta de Jo\u00e3o: conhecer o autor, conhecer a \u00e9poca, conhecer os destinat\u00e1rios, conhecer as influ\u00eancias culturais, conhecer o esquema da carta e seus ensinamentos principais, de forma especial atentos ao lema: \u201cn\u00f3s amamos porque Deus primeiro nos amou!\u201d (1 Jo 4, 19). Al\u00e9m dos textos que a Liturgia nos prop\u00f5e diariamente, temos tamb\u00e9m esse direcionamento especial \u00a0\u00a0no m\u00eas da B\u00edblia, m\u00eas em que comemoramos a mem\u00f3ria de S\u00e3o Jer\u00f4nimo no dia 30. Cremos que a Sagrada Escritura cont\u00e9m a revela\u00e7\u00e3o Divina, mas sabemos que a B\u00edblia foi escrita por homens e para homens, tendo Deus por autor. Sendo assim, \u00e9 tamb\u00e9m importante aprofundar a B\u00edblia tendo um olhar cient\u00edfico para uma melhor compreens\u00e3o da mensagem divina quem vem a n\u00f3s por meio de linguagem humana.<\/p>\n<p>Estamos vivenciando tamb\u00e9m, neste final de semana, o 4\u00ba congresso nacional vocacional, que tem como tema <em>voca\u00e7\u00e3o e discernimento<\/em> e como lema: <em>mostra-me Senhor os teus caminhos. <\/em>Desejamos que aqueles que est\u00e3o participando possam voltar para as suas comunidades animados pelo fato de serem vocacionados do Pai e assim animar a todos os outros na proclama\u00e7\u00e3o da boa nova do Reino.<\/p>\n<p>Neste final de semana, a Palavra de Deus coloca umas condi\u00e7\u00f5es para o seguimento de Jesus Cristo e as consequ\u00eancias que s\u00e3o inerentes a este seguimento. O Evangelho de Lc 14, 25-33, come\u00e7a citando a grande quantidade de pessoas que seguiam Jesus devido aos milagres e sinais que realizava: <em>Naquele tempo: Grandes multid\u00f5es acompanhavam Jesus.<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 interessante notar o entusiasmo que a figura de Jesus despertou e que ainda continua despertando. Vemos pessoas que seguem, participam de grandes manifesta\u00e7\u00f5es, encontros, etc. \u00a0Por\u00e9m, Jesus que estas multid\u00f5es que o seguem nem sempre h\u00e1 pessoas que saibam o que significa o verdadeiro seguimento de Cristo, viver com Cristo: o compromisso existencial, as ren\u00fancias, a convers\u00e3o de vida, a nova forma de ver-se e ver o outro. Talvez seja esta uma das dificuldades que encontramos hoje no seguimento de Cristo, onde h\u00e1 um entusiasmo muito grande para os seguimentos multitudin\u00e1rios, mas pouca tradu\u00e7\u00e3o desse seguimento na simplicidade do dia a dia e nas a\u00e7\u00f5es concretas: em casa, na escola, no trabalho, no \u00f4nibus, no mercado, etc. \u00c9 nesse sentido que Jesus, vendo essas multid\u00f5es todas, dirige algumas palavras onde coloca as condi\u00e7\u00f5es para o verdadeiro seguimento dele. Seguir Cristo significa estar perto dele, intimidade com sua presen\u00e7a e viver aquilo que Ele ensina. O Crist\u00e3o \u00e9 chamado a ser outro Cristo, Cristo que passa nas circunst\u00e2ncias existenciais concretas. N\u00e3o bastam as multid\u00f5es que estejam interessadas pela figura de Jesus.\u00a0 \u00c9 necess\u00e1rio deixar-se transformar por ele, formando a comunidade dos disc\u00edpulos de Jesus. No Evangelho ele vai apresentando algumas das condi\u00e7\u00f5es, como a de amar a Deus sobre todas as coisas, colocando o verdadeiro centro de nossa vida como orienta\u00e7\u00e3o fundamental de todo o nosso caminhar: <em>Voltando-se, ele lhes disse: &#8216;Se algu\u00e9m vem a mim, mas n\u00e3o se desapega de seu pai e sua m\u00e3e, sua mulher e seus filhos, seus irm\u00e3os e suas irm\u00e3s e at\u00e9 da sua pr\u00f3pria vida, n\u00e3o pode ser meu disc\u00edpulo. Quem n\u00e3o carrega sua cruz e n\u00e3o caminha atr\u00e1s de mim, n\u00e3o pode ser meu disc\u00edpulo <\/em>(Amar a Deus sobre todas as coisas!)<em>. <\/em>A cruz pesa sobre os ombros de todos os homens e das mais variadas formas. O seguimento de Cristo n\u00e3o \u00e9 um seguimento masoquista, onde gostamos e escolhemos voluntariamente o sofrimento. A novidade do cristianismo est\u00e1 em que somos chamados a assumir o sofrimento e n\u00e3o ficarmos parados nos lamentando nele, mas seguir adiante com ele, pois n\u00e3o estamos s\u00f3s nele. Ele \u00e9 quem nos sustenta na caminhada. Ser Crist\u00e3o sup\u00f5e esta radicalidade positiva de ir adiante e colocar a palavra de Deus em pr\u00e1tica. A positividade est\u00e1 em que atribu\u00edmos sentido ao que fazemos ou ao que suportamos. N\u00e3o fazemos meramente por fazer nem suportamos as contradi\u00e7\u00f5es somente pelo fato de suportar.<\/p>\n<p>Isso pode parecer muito duro num primeiro momento, mas devemos entender essa realidade dentro do conjunto das exig\u00eancias do Senhor e da linguagem b\u00edblica que reproduzem. Em v\u00e1rios textos do Antigo Testamento, amar e odiar indicam prefer\u00eancia e sobretudo escolha. Sendo assim, as palavras de Jesus devem ser entendidas como uma prefer\u00eancia e como uma escolha decisiva: ser disc\u00edpulo de Jesus \u00e9 escolher Deus, sem divis\u00f5es (primeiro mandamento do dec\u00e1logo). \u00c9 nesse sentido que a Tradi\u00e7\u00e3o da Igreja compreendeu esta passagem, como j\u00e1 nos recordava S Greg\u00f3rio Magno: \u201c<em>Devemos praticar a caridade com todos, com os parentes e os estranhos, mas sem afastar-se do amor de Deus e por amor a eles.<\/em>\u201d Da mesma forma e com termos parecidos nos ensina o Vaticano II quando afirma que \u201c<em>os crist\u00e3os se esfor\u00e7am por agradar a Deus antes que aos homens, sempre dispostos a deixar tudo por cauda de Cristo<\/em>\u201d (AA, 4).<\/p>\n<p>Junto com esta realidade, Jesus apresenta ent\u00e3o duas par\u00e1bolas que ir\u00e3o ajuda na compreens\u00e3o do que foi proposto:<\/p>\n<p><em>Com efeito: qual de v\u00f3s, querendo construir uma torre, n\u00e3o se senta primeiro e calcula os gastos, para ver se tem o suficiente para terminar? Caso contr\u00e1rio, ele vai lan\u00e7ar o alicerce e n\u00e3o ser\u00e1 capaz de acabar. E todos os que virem isso come\u00e7ar\u00e3o a ca\u00e7oar, dizendo: &#8216;Este homem come\u00e7ou a construir e n\u00e3o foi capaz de acabar!&#8217; Ou ainda: Qual o rei que ao sair para guerrear com outro, n\u00e3o se senta primeiro e examina bem se com dez mil homens poder\u00e1 enfrentar o outro que marcha contra ele com vinte mil? Se ele v\u00ea que n\u00e3o pode, enquanto o outro rei ainda est\u00e1 longe, envia mensageiros para negociar as condi\u00e7\u00f5es de paz.<\/em> <em>Do mesmo modo, portanto, qualquer um de v\u00f3s, se n\u00e3o renunciar a tudo o que tem, n\u00e3o pode ser meu disc\u00edpulo!&#8217; <\/em><\/p>\n<p>As duas compara\u00e7\u00f5es aqui apresentadas, a do que come\u00e7a a edificar uma torre e a do rei que sai para a guerra, ilustram a decis\u00e3o de deixar tudo para seguir a Jesus. Mas a decis\u00e3o, se n\u00e3o estiver amparada pelas a\u00e7\u00f5es do dia a dia, n\u00e3o teremos \u00e2nimo suficiente para terminar a obra, nem para lutar contra as coisas mundanas e o resultado ser\u00e1 a vergonha ou a derrota, conforme dizia tamb\u00e9m S. Greg\u00f3rio Magno: \u201c<em>Se n\u00e3o podes renunciar a todas as coisas do mundo, que de tal modo as utilizes que n\u00e3o sejas detido no mundo. Deves possuir as coisas da terra, n\u00e3o ser possu\u00eddos por elas. As coisas terrenas s\u00e3o para ser usadas, as eternas para ser possu\u00eddas. Usemos as coisas terrenas, mas desejemos chegar \u00e0 posse das eternas.<\/em>\u201d<\/p>\n<p>Dentro dessa linha \u00e9 que iremos ler a segunda leitura a carta de S\u00e3o Paulo a Fil\u00eamon (Fm 9b-10.12-17). Ele era um crist\u00e3o, dono de muitas posses, que teve um de seus escravos, On\u00e9simo, que fugiu e foi preso. Na pris\u00e3o se encontra com Paulo, que estava preso por causa de Cristo e lhe comunica a mensagem do Evangelho e On\u00e9simo acaba sendo batizado. Paulo ent\u00e3o escreve como que um bilhete de recomenda\u00e7\u00e3o a Fil\u00eamon, pedindo q ele receba On\u00e9simo de uma outra forma, pois a partir de agora ele \u00e9 irm\u00e3o dele no Senhor:<\/p>\n<p><em>\u201cCar\u00edssimo: Eu, Paulo, velho como estou e agora tamb\u00e9m prisioneiro de Cristo Jesus, fa\u00e7o-te um pedido em favor do meu filho que fiz nascer para Cristo na pris\u00e3o, On\u00e9simo. Eu o estou mandando de volta para ti. Ele \u00e9 como se fosse o meu pr\u00f3prio cora\u00e7\u00e3o. Gostaria de t\u00ea-lo comigo, a fim de que fosse teu representante para cuidar de mim nesta pris\u00e3o, que eu devo ao evangelho. Mas, eu n\u00e3o quis fazer nada sem o teu parecer, para que a tua bondade n\u00e3o seja for\u00e7ada, mas espont\u00e2nea. Se ele te foi retirado por algum tempo, talvez seja para que o tenhas de volta para sempre, j\u00e1 n\u00e3o como escravo, mas, muito mais do que isso, como um irm\u00e3o querido, muit\u00edssimo querido para mim quanto mais ele o for para ti, tanto como pessoa humana quanto como irm\u00e3o no Senhor. Assim, se est\u00e1s em comunh\u00e3o de f\u00e9 comigo, recebe-o como se fosse a mim mesmo\u201d (Fm 9b-10.12-17).<\/em><\/p>\n<p>Numa \u00e9poca em que a escravid\u00e3o era pr\u00e1tica comum na cultura greco-romana, vemos que o ser crist\u00e3o \u00e9 ser diferente, mudar os crit\u00e9rios, mesmo os vigentes de determinada \u00e9poca. No caso da escravid\u00e3o, Paulo pede que On\u00e9simo seja agora recebido como irm\u00e3o.\u00a0 Ao longo da hist\u00f3ria, nem sempre aqueles que seguiram Cristo deram ou tiveram bons exemplos, mas s\u00e3o muito mais numerosos aqueles que souberam marchar contra a corrente para permanecer firmes no seguimento de Cristo. Ser crist\u00e3o traz consigo uma nova forma de ser. O novo comportamento do crist\u00e3o n\u00e3o \u00e9 fruto de um mero agir exterior, mas reflexo imediato da for\u00e7a transformadora da Gra\u00e7a de Cristo.<\/p>\n<p>Essa unidade de vida, essa coer\u00eancia entre f\u00e9 que professamos e vida que levamos que tantas vezes nos falta e que pode ser uma forma extremamente eficaz de evangeliza\u00e7\u00e3o: a vida do testemunho para dar credibilidade ao evangelho.<\/p>\n<p>Na primeira leitura (Sb 9, 13-18), reconhecemos o Senhor falando palavras importantes para n\u00f3s:<\/p>\n<p><em>Qual \u00e9 o homem que pode conhecer os des\u00edgnios de Deus? Ou quem pode imaginar o des\u00edgnio do Senhor? Na verdade, os pensamentos dos mortais s\u00e3o t\u00edmidos e nossas reflex\u00f5es incertas: porque o corpo corrupt\u00edvel torna pesada a alma e, tenda de argila, oprime a mente que pensa. Mal podemos conhecer o que h\u00e1 na terra, e com muito custo compreendemos o que est\u00e1 ao alcance de nossas m\u00e3os; quem, portanto, investigar\u00e1 o que h\u00e1 nos c\u00e9us? Acaso algu\u00e9m teria conhecido o teu des\u00edgnio, sem que lhe desses Sabedoria e do alto lhe enviasses teu santo esp\u00edrito? S\u00f3 assim se tornaram retos os caminhos dos que est\u00e3o na terra, e os homens aprenderam o que te agrada, e pela Sabedoria foram salvos&#8217;.<\/em><\/p>\n<p>O livro da sabedoria vai mostrar que o homem, por si mesmo, n\u00e3o pode alcan\u00e7ar os planos de Deus. Devido a sua pequenez e a seu apego \u00e0s coisas deste mundo, o homem estaria limitado de conhecer os planos de Vida. A quest\u00e3o apresentada pelo livro da Sabedoria tem em Cristo Jesus sua resposta definitiva. S\u00f3 em Cristo conhecemos verdadeiramente quem \u00e9 Deus e quais s\u00e3o os des\u00edgnios dele para o homem. H\u00e1 tantas coisas das realidades desta terra que n\u00e3o conhecemos! Podemos afirmar que s\u00e3o muito mais numerosos nossos questionamentos do que nossas respostas.\u00a0 Quanto mais a alma humana e os des\u00edgnios do Senhor! Por isso somos chamados a buscar o sentido da vida e da hist\u00f3ria na presen\u00e7a e na a\u00e7\u00e3o do Senhor.<\/p>\n<p>Contagiemos a vida do mundo com o agir crist\u00e3o. Sal da terra, luz do mundo, fermento na massa! Vivamos a f\u00e9, aprofundemos nosso seguimento de Jesus, n\u00e3o sendo meros seguidores espor\u00e1dicos em meio \u00e0 multid\u00e3o. Cabe a n\u00f3s ajudar os homens a libertar sua vida e orient\u00e1-la no seguimento daquele que tem vida e a tem em abund\u00e2ncia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Neste dia 8 de setembro, em que celebramos o 23\u00ba Domingo do tempo Comum, existe a tradi\u00e7\u00e3o lit\u00fargica de celebrar a Natividade de Nossa Senhora. 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