{"id":52713,"date":"2019-08-22T15:47:18","date_gmt":"2019-08-22T18:47:18","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=52713"},"modified":"2019-08-22T15:47:18","modified_gmt":"2019-08-22T18:47:18","slug":"dom-gallagher-soberania-e-amor-a-patria-com-abertura-aos-outros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/dom-gallagher-soberania-e-amor-a-patria-com-abertura-aos-outros\/","title":{"rendered":"Dom Gallagher: soberania e amor \u00e0 p\u00e1tria com abertura aos outros"},"content":{"rendered":"<div class=\"article__subTitle\">Ao falar sobre a Europa no Encontro de R\u00edmini, o secret\u00e1rio para as Rela\u00e7\u00f5es com os Estados reiterou que o caminho a seguir n\u00e3o \u00e9 o do fechamento aos outros, e que direitos e responsabilidade devem andar juntos.<\/div>\n<div class=\"title__separator\"><\/div>\n<div class=\"article__text\">\n<p><b>Luca Collodi &#8211; Rimini<\/b><\/p>\n<p>Na tarde de quarta-feira, 21, em R\u00edmini, o secret\u00e1rio para as Rela\u00e7\u00f5es com os Estados, arcebispo Paul Richard Gallagher, prnunciou-se no encontro que teve por tema \u201cDireitos, deveres. Europa: 1979-2019\u201d.<\/p>\n<p>&#8220;A Uni\u00e3o Europeia deve olhar para os desafios do futuro, preservando os valores de base&#8221;, disse o arcebispo, ao falar sobre o futuro do continente a partir da centralidade da pessoa, da imigra\u00e7\u00e3o e do meio ambiente.<\/p>\n<p>A integra\u00e7\u00e3o europeia &#8211; afirmou &#8211;\u00a0 &#8220;\u00e9 um valor em si&#8221;, os soberanismos [\u201cnacionalismo\u201d], &#8220;s\u00e3o uma exaspera\u00e7\u00e3o da soberania&#8221; danificada &#8220;por fechamentos e exclus\u00f5es&#8221;.<\/p>\n<h2>A crise da Europa<\/h2>\n<p>A fragmenta\u00e7\u00e3o pela qual atravessa hoje a Europa pol\u00edtica &#8211; explica Dom Gallagher &#8211; \u00e9 &#8220;a fragmenta\u00e7\u00e3o da exist\u00eancia humana&#8221;. &#8220;Prevalece solid\u00e3o, individualismo, crise da fam\u00edlia, incita\u00e7\u00e3o ao racismo, falta de \u00e9tica&#8221;. &#8220;\u00c9 uma crise de identidade, agravada pela crise mundial que enfraqueceu o euro com as fraturas entre os Estados pela pol\u00edtica internacional, a economia, o Brexit e a migra\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<h2>As migra\u00e7\u00f5es<\/h2>\n<p>&#8220;\u00c9 preciso uma vis\u00e3o pol\u00edtica clara, mas tamb\u00e9m uma posi\u00e7\u00e3o cultural. O Papa Francisco nos recorda a import\u00e3ncia da aten\u00e7\u00e3o pela pessoa. Como diz o t\u00edtulo do Encontro, um rosto ligado ao Mist\u00e9rio do infinito. Existe o dever da solidariedade com quem est\u00e1 na necessidade, chamando, por\u00e9m, tamb\u00e9m \u00e0 virtude da prud\u00eancia. Acolher &#8211; explica Dom Gallagher &#8211; quantos possam ser acolhidos com dignidade e ter integra\u00e7\u00e3o com um trabalho, uma fam\u00edlia, um futuro&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Os migrantes, por sua vez &#8211; enfatiza &#8211; t\u00eam o dever de se abrir \u00e0 nova realidade que os acolhe e n\u00e3o fecharem-se em guetos onde os problemas aumentam&#8221;.<\/p>\n<p>Na entrevista, o arcebispo Gallagher se concentra na import\u00e2ncia da Europa, no soberanismo, na rela\u00e7\u00e3o entre institui\u00e7\u00f5es e pessoas:<\/p>\n<p>R. &#8211; Acredito que a Europa \u00e9 um valor porque temos povos, pessoas que tiveram uma longa hist\u00f3ria juntas, compartilharam muitas experi\u00eancias ao longo dos s\u00e9culos e em certos momentos, a grande maioria, compartilharam uma f\u00e9 crist\u00e3. Com base nisso, &#8220;a Europa&#8221; progressivamente tornou-se uma vis\u00e3o, um projeto no cora\u00e7\u00e3o dos europeus. No s\u00e9culo passado tivemos a experi\u00eancia de duas guerras mundiais que levaram os europeus e seus l\u00edderes \u00e0 convic\u00e7\u00e3o de que construir uma paz segura, garantir prosperidade aos nossos povos, \u00e9 sempre dif\u00edcil de se fazer quando se est\u00e1 sozinho.<\/p>\n<p><b>Por que hoje na Europa fala-se muito sobre direitos e nunca sobre deveres?<\/b><\/p>\n<p>R. &#8211; Isso \u00e9 verdade, embora eu perceba um pouco menos de hostilidade em rela\u00e7\u00e3o a um discurso que fala de deveres e responsabilidades. Hoje vemos que \u00e9 necess\u00e1rio ter uma vis\u00e3o mais equilibrada da quest\u00e3o, que \u00e9 necess\u00e1rio equilibrar esses elementos, lev\u00e1-los em frente, caso contr\u00e1rio existe a percep\u00e7\u00e3o de que existem todos os direitos e nenhuma responsabilidade. Em nossa opini\u00e3o, isso cria, talvez, um certo ressentimento por parte de alguns setores. Assim, vemos que as duas coisas devam andar juntos.<\/p>\n<p><b>H\u00e1 um forte debate sobre o tema do soberanismo e de seus excessos. De fato, qualquer Estado hoje \u00e9 um Estado soberano &#8230;<\/b><\/p>\n<p>R. &#8211; Ningu\u00e9m coloca em discuss\u00e3o a soberania de um pa\u00eds, de uma na\u00e7\u00e3o. O problema surge quando se fala de soberanismos [\u201cnacionalismos\u201d], quando h\u00e1 de novo uma vis\u00e3o exagerada da soberania, quando h\u00e1 uma insist\u00eancia na soberania. N\u00e3o \u00e9 preciso fechar-se em uma realidade menor. \u00c9 muito dif\u00edcil para um governo garantir todos os direitos aos seus povos, assim como paz, a defesa, a seguran\u00e7a. Somos todos interconectados, como diz o Papa, e vemos isso sobretudo na m\u00eddia, nas redes sociais. A ideia de que &#8220;soberania&#8221; signifique fechamento total aos outros &#8211; talvez tenha uma certa atra\u00e7\u00e3o te\u00f3rica, pragm\u00e1tica &#8211; por\u00e9m n\u00e3o acredito que seja o caminho a seguir.<\/p>\n<p><b>Dom Gallagher, hoje quando se fala de Europa, fala-se de uma paix\u00e3o europeia mais na elite pol\u00edtica institucional do que nas pessoas comuns &#8230;<\/b><\/p>\n<p>R. &#8211; Acredito que seja uma percep\u00e7\u00e3o geral. Muitas das decis\u00f5es tomadas nos \u00faltimos tempos mostraram muita hostilidade em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s institui\u00e7\u00f5es europeias \u2013 algumas vezes \u00e9 justificado, outras n\u00e3o &#8211; por\u00e9m \u00e9 verdade que no futuro as institui\u00e7\u00f5es europeias devem aproximar-se aos povos, devem escutar mais, devem buscar formar-se para dar maior valor a tudo aquilo que os povos europeus investem nas suas institui\u00e7\u00f5es. Manter-se-\u00e1 sempre uma grande dist\u00e2ncia, quando a Europa parecer n\u00e3o querer ouvir e tratar os pr\u00f3prios problemas, as dificuldades, os desafios europeus de hoje. Ent\u00e3o haver\u00e1 sempre um certo desprezo por parte das pessoas.<\/p>\n<p><b>Como a Igreja pode acompanhar um caminho europeu?<\/b><\/p>\n<p>R. &#8211; N\u00f3s n\u00e3o temos uma vis\u00e3o nacionalista. Apreciamos muito o patriotismo, o amor \u00e0 p\u00e1tria, ao pr\u00f3prio pa\u00eds, \u00e0 pr\u00f3pria cultura e ao povo. Na f\u00e9 cat\u00f3lica &#8211; e acredito que tamb\u00e9m em outras Confiss\u00f5es crist\u00e3s &#8211; h\u00e1 uma vis\u00e3o de abertura para com os outros que passa pela aceita\u00e7\u00e3o daquele esp\u00edrito que considero profundamente eclesial: temos mais coisas em comum do que as que nos dividem. O tema geral deste Encontro de Rimini \u00e9 o de ampliar nossa vis\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao outro, prosseguir em dire\u00e7\u00e3o a esta cultura de encontro da qual o Papa Francisco sempre fala.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ao falar sobre a Europa no Encontro de R\u00edmini, o secret\u00e1rio para as Rela\u00e7\u00f5es com os Estados reiterou que o caminho a seguir n\u00e3o \u00e9 o do fechamento aos outros, e que direitos e responsabilidade devem andar juntos. 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