{"id":52342,"date":"2019-08-14T09:52:28","date_gmt":"2019-08-14T12:52:28","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=52342"},"modified":"2019-08-14T09:53:41","modified_gmt":"2019-08-14T12:53:41","slug":"a-abundancia-de-bens-como-gaiola-de-ouro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/a-abundancia-de-bens-como-gaiola-de-ouro\/","title":{"rendered":"A abund\u00e2ncia de bens como gaiola de ouro"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/www.osaopaulo.org.br\/colunista\/padre-alfredo-jose-goncalves-cs\">Padre Alfredo Jos\u00e9 Gon\u00e7alves, CS<\/a><\/p>\n<p class=\"rtejustify\">\u201cA vida de um homem n\u00e3o consiste na abund\u00e2ncia de bens\u201d (Lc 12,13-21). Bens, mais bens, sempre mais bens! O prazer de ir \u00e0s compras como uma forma de lazer. O lucro a qualquer pre\u00e7o e a acumula\u00e7\u00e3o de renda e riqueza, combinados e entrela\u00e7ados, constituem a pedra angular do sistema pol\u00edtico e econ\u00f4mico que emerge com a Revolu\u00e7\u00e3o Industrial. O aumento sem precedentes da produ\u00e7\u00e3o e da produtividade redobra o instinto de gan\u00e2ncia e ambi\u00e7\u00e3o. O ser cede o lugar ao ter e aparentar.<\/p>\n<p class=\"rtejustify\">Max Weber, autor do cl\u00e1ssico \u201cA \u00e9tica protestante e o esp\u00edrito do capitalismo\u201d, iria cunhar a express\u00e3o \u201cgaiola de ouro\u201d para designar o bem-estar egoc\u00eantrico e individualista da vida moderna, recheada de inova\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas para todos os gostos e alguns bolsos.<\/p>\n<p class=\"rtejustify\">As palavras do Evangelho n\u00e3o deixam de jogar viva luz sobre essa \u201cgaiola de ouro\u201d, tanto de ontem quanto de hoje. De fato, diz o homem rico da par\u00e1bola contada por Jesus: \u201cJ\u00e1 sei o que vou fazer. Vou derrubar meus celeiros e construir maiores; neles, vou guardar todo meu trigo, junto com meus bens\u201d! O homem teve uma safra surpreendentemente positiva. Produziu muito acima de suas necessidades. Qual a solu\u00e7\u00e3o? Ampliar os armaz\u00e9ns, guardar, acumular! Em seguida, diz para si mesmo: \u201cDescansa, come, bebe, aproveita\u201d! Nos tempos atuais, a solu\u00e7\u00e3o certamente se torna bem mais complexa. Talvez vender a produ\u00e7\u00e3o excedente pelo melhor pre\u00e7o do mercado internacional, colocar o dinheiro no banco, investir nas a\u00e7\u00f5es da bolsa de valores, entrar no jogo financeiro do cassino mundial.<\/p>\n<p class=\"rtejustify\">Entra em cena a voz silenciosa de Deus, voz que mora na consci\u00eancia de toda pessoa humana: \u201cLouco, insensato\u201d! O homem n\u00e3o se d\u00e1 conta de que, ao erguer celeiros maiores, est\u00e1 construindo a pr\u00f3pria \u201cgaiola de ouro\u201d. De que adianta toda essa riqueza acumulada, se ela traz embutida os germes da escravid\u00e3o e da corrup\u00e7\u00e3o? Fartura est\u00e9ril de um prisioneiro. Prisioneiro em dupla dimens\u00e3o. Em primeiro lugar, porque os bens o manter\u00e3o permanentemente acorrentado \u00e0 preocupa\u00e7\u00e3o do propriet\u00e1rio que, ao esconder a riqueza, atrai sobre si a cobi\u00e7a dos vizinhos e a ast\u00facia dos ladr\u00f5es, sem falar da tra\u00e7a que a corr\u00f3i. Como garantir a seguran\u00e7a? Depois, prisioneiro do pr\u00f3prio desejo. Riqueza chama riqueza, bens somente se satisfazem com novos bens. \u201cQuem mais tem mais quer\u201d \u2013 diz, com raz\u00e3o, o ditado popular.<\/p>\n<p class=\"rtejustify\">O rato caiu na ratoeira, o homem caiu na cilada. A acumula\u00e7\u00e3o oculta armadilhas imprevistas. Existe sa\u00edda para essa gaiola revestida de ouro? O desafio est\u00e1 na supera\u00e7\u00e3o do sentido de \u201cviver bem\u201d para o sentido bem mais profundo do \u201cbem viver\u201d. No primeiro caso, trata-se de desfrutar de forma ego\u00edsta, predat\u00f3ria e inescrupulosa os bens que a natureza e a tecnologia colocaram \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o dos seres humanos. No segundo caso, a fortaleza cerrada dos bens guardados se abre \u00e0 partilha, \u00e0 distribui\u00e7\u00e3o, \u00e0 solidariedade. Descortina-se o horizonte da responsabilidade de toda pessoa, grupo, sociedade, povo, na\u00e7\u00e3o, enfim, da humanidade como um todo. Ou seja, todos nos tornamos respons\u00e1veis em um tr\u00edplice rumo: com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o do meio ambiente, com rela\u00e7\u00e3o aos pobres e exclu\u00eddos do planeta e com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s gera\u00e7\u00f5es futuras.<\/p>\n<p class=\"rtejustify\">Enquanto a no\u00e7\u00e3o de \u201cviver bem\u201d tem o olhar preso ao pr\u00f3prio umbigo e ao pr\u00f3prio prazer, o conceito de \u201cbem viver\u201d mira sua aten\u00e7\u00e3o para o cuidado com a vida em todas as suas formas (biodiversidade) e para a continuidade da hist\u00f3ria \u2013 uma hist\u00f3ria justa, fraterna e solid\u00e1ria.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Padre Alfredo Jos\u00e9 Gon\u00e7alves, CS \u201cA vida de um homem n\u00e3o consiste na abund\u00e2ncia de bens\u201d (Lc 12,13-21). Bens, mais bens, sempre mais bens! O prazer de ir \u00e0s compras como uma forma de lazer. 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