{"id":52230,"date":"2019-08-12T08:10:14","date_gmt":"2019-08-12T11:10:14","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=52230"},"modified":"2019-08-13T08:46:32","modified_gmt":"2019-08-13T11:46:32","slug":"venezuela-a-opcao-pela-pastoral-afro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/venezuela-a-opcao-pela-pastoral-afro\/","title":{"rendered":"Venezuela: a op\u00e7\u00e3o pela Pastoral Afro"},"content":{"rendered":"<p>Na regi\u00e3o de Barlavento, a 100 km de Caracas, a popula\u00e7\u00e3o \u00e9 predominantemente afrodescendente. Na evangeliza\u00e7\u00e3o, um dos principais desafios \u00e9 recuperar a identidade do povo afro e estabelecer um di\u00e1logo com suas tradi\u00e7\u00f5es atrav\u00e9s de uma metodologia que permita a integra\u00e7\u00e3o de valores culturais para enriquecer a vida crist\u00e3. Esse processo lento \u00e9 incentivado pela Pastoral Afro. Na Venezuela, como acontece em quase todo o Continente, por muitos anos, a Igreja n\u00e3o reconheceu a identidade afro do povo.<\/p>\n<p>Em Barlovento, os mission\u00e1rios da Consolata s\u00e3o respons\u00e1veis \u200b\u200bpor quatro par\u00f3quias: Cuacagua (a sede dos padres), Panaquire, El Clavo e Tapipa, na diocese de Guarenas. Depois de mais de 30 anos de presen\u00e7a, eles come\u00e7am a ver os frutos da Pastoral Afro na experi\u00eancia da f\u00e9 crist\u00e3. O padre queniano, Charles Gachara Munyu, professor de Teologia B\u00edblica, fala do trabalho feito em Barlovento. \u201cA nossa primeira preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 ajudar a Igreja venezuelana e a Igreja local para que formem suas comunidades com rosto pr\u00f3prio que \u00e9 o rosto negro. Isso implica v\u00e1rias coisas: trabalhar com eles e desde eles. Entender a sua hist\u00f3ria de exclus\u00e3o, de sofrimentos e caminhar com eles para a sua liberta\u00e7\u00e3o e para que contribuam desde a sua riqueza, sem deixar de ser o que s\u00e3o.\u00a0 Devem sentir que, sendo afrodescendestes eles t\u00eam os mesmos direitos e t\u00eam lugar na mesma Igreja\u201d.<\/p>\n<p>Em uma regi\u00e3o esquecida pelos servi\u00e7os p\u00fablicos e sociais \u00e9 preciso trabalhar para que o povo tome iniciativas para progredir. \u201cPrecisamos ajudar para que eles assumem suas responsabilidades como cidad\u00e3os venezuelanos e ajudem a reconstruir o pa\u00eds iluminados pela Palavra de Deus\u201d, disse padres Charles.<\/p>\n<p>Com ele trabalha o seu conterr\u00e2neo, o padre Silvanus Ngugi Omuono e o padre congol\u00eas, Charles Ma\u2019daluma.<\/p>\n<p><strong>Manifesta\u00e7\u00f5es culturais e religiosas<\/strong><\/p>\n<p>Al\u00e9m das celebra\u00e7\u00f5es normais, a popula\u00e7\u00e3o afro conserva muitas tradi\u00e7\u00f5es que n\u00e3o est\u00e3o inseridas na vida da Igreja. A maioria da popula\u00e7\u00e3o de Barlovento tem suas ra\u00edzes no Continente africano. Quando os escravos foram trazidos no in\u00edcio do s\u00e9culo XVI, continuando at\u00e9 o s\u00e9culo XIX, \u00e9poca da Col\u00f4nia, para trabalhar nas fazendas de cacau da costa venezuelana, suas manifesta\u00e7\u00f5es culturais e religiosas foram proibidas e o catolicismo lhes foi imposto por n\u00e3o ser totalmente aceito. Esse processo resultou no que \u00e9 definido como sincretismo. Isso porque, ao aceitar as imagens do culto cat\u00f3lico, atribu\u00edam a cada santo uma divindade de seu esquema religioso africano. Assim, S\u00e3o Jo\u00e3o Batista comemorado em 24 de junho, representa uma das figuras mais importantes.<\/p>\n<p>Em frente ao altar da igreja matriz de El Clavo, testemunhamos o encerramento (a despedida) de uma cerim\u00f4nia em honra de S\u00e3o Jo\u00e3o Batista fora das celebra\u00e7\u00f5es lit\u00fargicas. C\u00e2nticos de lamenta\u00e7\u00f5es acompanhados de maracas e tambores, versos, poemas, ora\u00e7\u00f5es feitas por pessoas de todas as idades. Assista ao v\u00eddeo<\/p>\n<p>(V\u00eddeo Honra a S\u00e3o Jo\u00e3o Batista: <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=SxnwdJy7HOg\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=SxnwdJy7HOg<\/a>)<\/p>\n<p>A variedade da tradi\u00e7\u00e3o cultural e religiosa \u00e9 grande, destacando-se os tambores de S\u00e3o Jo\u00e3o em Curiepe, os Reis Magos em Higuerote, os Boleros de Caucagua, os Santos Inocentes, o Enterro dos Mortos em S\u00e3o Jos\u00e9, o Menino Jesus em Curiepe, Birongo, Capaya e Guapo, a Cruz de Maio e S\u00e3o Pascual.<\/p>\n<p>A Igreja, em seus esquemas de evangeliza\u00e7\u00e3o, tem muitas dificuldades em trabalhar nessa riqueza cultural e religiosa t\u00e3o presente no sangue dos afrodescendentes.<\/p>\n<p>\u00c9 interessante perceber que o mesmo sino que foi usada no passado para alertar sobre a fuga de um escravo e sua posterior captura, serve hoje para convidar os negros a participar de celebra\u00e7\u00f5es religiosas. Com muita reflex\u00e3o e releitura da hist\u00f3ria, algo est\u00e1 mudando. O sino continua na torre da igreja, mas o convite para as celebra\u00e7\u00f5es \u00e9 feito com m\u00fasicas.<\/p>\n<p><em>Com informa\u00e7\u00f5es: padre Jaime Patias \u2013 Conselheiro Geral para Am\u00e9rica.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na regi\u00e3o de Barlavento, a 100 km de Caracas, a popula\u00e7\u00e3o \u00e9 predominantemente afrodescendente. Na evangeliza\u00e7\u00e3o, um dos principais desafios \u00e9 recuperar a identidade do povo afro e estabelecer um di\u00e1logo com suas tradi\u00e7\u00f5es atrav\u00e9s de uma metodologia que permita a integra\u00e7\u00e3o de valores culturais para enriquecer a vida crist\u00e3. 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