{"id":5222,"date":"2014-10-20T13:40:58","date_gmt":"2014-10-20T15:40:58","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/um-triplice-amor\/"},"modified":"2017-04-06T15:43:55","modified_gmt":"2017-04-06T18:43:55","slug":"um-triplice-amor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/um-triplice-amor\/","title":{"rendered":"Um tr\u00edplice amor"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Um fariseu indagou a Jesus: \u201cMestre, qual \u00e9 o maior mandamento da lei\u201d? (Mt 22,16). A resposta que lhe foi dada inclui um tr\u00edplice amor: Amar\u00e1s totalmente a Deus, amar\u00e1s o teu pr\u00f3ximo como a ti mesmo. Nem sempre se presta aten\u00e7\u00e3o no que significa amar a si mesmo e isto torna mais dif\u00edcil a dile\u00e7\u00e3o devida ao pr\u00f3ximo. Amar a si mesmo \u00e9 ter uma imagem justa de si. Com efeito, reconhecer as qualidades com as quais Deus mimoseou cada um leva o indiv\u00edduo a atinar com o seu real papel na sociedade de acordo com seu perfil caracterol\u00f3gico. Mesmo porque qualidades mal trabalhadas geram fatalmente defeitos. Al\u00e9m disto, nada mais \u00fatil para os outros do que a pessoa certa no lugar certo. Isto inclusive far\u00e1 com que, atrav\u00e9s de suas boas a\u00e7\u00f5es, o indiv\u00edduo possa manifestar seu total amor a Deus. Reconhecer os talentos que se possui e aceitar os seus pr\u00f3prios limites \u00e9 uma maneira de se amar a si mesmo. Apreender a pr\u00f3pria finitude e desenvolver os dons que se tem \u00e9 caminho certo para se evitar a depress\u00e3o e outros males ps\u00edquicos, como a baixa estima. Isto complica sempre o amor ao pr\u00f3ximo e at\u00e9 ao pr\u00f3prio Deus. N\u00e3o se trata, portanto, de se fechar dentro de si incrementando o ego\u00edsmo ou o orgulho, mas se colocando em condi\u00e7\u00f5es de fazer desabrochar tudo de bom que h\u00e1 no \u00edntimo de si, para com isto amar o pr\u00f3ximo e o Criador de tudo. N\u00e3o se constr\u00f3i o amor aos outros e a Deus em cima de defeitos, mas, sim, por meio das potencialidades bem administradas, cultivadas, na pr\u00e1tica das virtudes. Ent\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel doar o que se possui de melhor num verdadeiro projeto de vida. Para tanto cumpre sempre evitar d\u00favidas e medos m\u00f3rbidos procurando a retid\u00e3o das atitudes. A simplicidade de esp\u00edrito \u00e9 uma conquista por vezes \u00e1rdua. O autocontrole abre o caminho para o amor ao pr\u00f3ximo que consiste em se deixar tocar pela sua presen\u00e7a para poder lhe ser \u00fatil em tudo. A cada instante Deus coloca algu\u00e9m que entra na vida de cada um e que deve ser amado e respeitado e muitas vezes perdoado. Trata-se do mist\u00e9rio do encontro que exige que se rompam todas as barreiras. Eis porque s\u00e3o necess\u00e1rias as disposi\u00e7\u00f5es do cora\u00e7\u00e3o que apartam a preocupa\u00e7\u00e3o excessiva ao bem pr\u00f3prio, sem considera\u00e7\u00e3o aos interesses alheios, evitando, deste modo, motivos calculadores conden\u00e1veis. Dois ingredientes s\u00e3o necess\u00e1rios para bem amar o pr\u00f3ximo, ou seja, honestidade e sinceridade. Isto leva a dar aos ouros o melhor de si mesmo. S\u00e3o Paulo tem uma frase lapidar: \u201cO amor n\u00e3o faz mal ao pr\u00f3ximo, o amor \u00e9 cumprimento da lei\u201d (Rm 13,9-10). Al\u00e9m disto, como bem salientou o Mestre divino, o maior mandamento da lei \u00e9 este: \u201cAmar\u00e1s o Senhor teu Deus de todo o teu cora\u00e7\u00e3o, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento\u201d. \u00c9 que somente a Deus se deve adorar. Da\u00ed a abomina\u00e7\u00e3o de tudo que vai contra o respeito a Ele a come\u00e7ar pela indiferen\u00e7a que negligencia ou recusa a caridade divina. Adite-se a ingratid\u00e3o que omite o reconhecimento dos benef\u00edcios recebidos. Muitos deixam de prestar o verdadeiro culto ao Criador por indol\u00eancia ou pregui\u00e7a espiritual. A afei\u00e7\u00e3o a Deus se op\u00f5e \u00e0 soberba, que leva a se julgar at\u00e9 superior ao Ser Supremo. H\u00e1, por vezes, na vida de cada um \u00eddolos que s\u00e3o abomin\u00e1veis a Deus o qual tantas vezes\u00a0 fica subalterno aos caprichos humanos. Isto vem a ser o apego \u00e0s ilus\u00f5es terrenas, aos prazeres, \u00e0s fantasias sexuais, \u00e0quilo que \u00e9 passageiro e transit\u00f3rio. Da\u00ed resultam as frustra\u00e7\u00f5es, porque o ser racional \u00e9 a imagem de Deus que \u00e9 amor e que deve ser amado sobre todas as coisas. A voca\u00e7\u00e3o do crist\u00e3o reside na qualidade de um amor in\u00e9dito que o torna perfeito como o Pai celeste. Quem \u00e9 s\u00e1bio e coerente est\u00e1 persuadido de que a for\u00e7a verdadeira n\u00e3o \u00e9 a da bomba at\u00f4mica, do dom\u00ednio, do dinheiro, mas sim o poder do afeto para com Deus. O crist\u00e3o deve ser o profeta e a testemunha desta dile\u00e7\u00e3o infinita ao Rei Celeste. A Virgem Maria, mais do que ningu\u00e9m, compreendeu esta verdade e p\u00f4de dizer ao anjo que ela era a serva do Senhor. Ela se colocou em condi\u00e7\u00f5es de sempre repetir a Deus \u201cSeja feita a vossa vontade\u201d. Estar assim unido a Deus \u00e9 a flora\u00e7\u00e3o m\u00e1xima da afei\u00e7\u00e3o que se deve a Ele. Cumpre ent\u00e3o ter n\u00e3o um cora\u00e7\u00e3o de pedra, mas um cora\u00e7\u00e3o de carne, vibrante que, \u201caqui e agora\u201d, estabelece o Todo-Poderoso Senhor acima de tudo. O grande projeto divino \u00e9 que o ser humano saiba sempre realizar uma trajet\u00f3ria de amor. Trata-se de habitar em Deus atrav\u00e9s do cora\u00e7\u00e3o. Eis porque todos os santos chegaram \u00e0 plenitude do amor a Deus e o amor \u00e9 um el\u00e3 que faz tender a esta uni\u00e3o. A dile\u00e7\u00e3o verdadeira a Deus \u00e9 como um fogo que se expande no amor ao pr\u00f3ximo e a si mesmo. Da\u00ed o c\u00e9lebre dito de Santo Agostinho: \u201cAma et fac quod vis\u2013 Ama e faze o que quiseres\u201d, pois, ent\u00e3o, tudo redunda para a gl\u00f3ria de Deus, o bem do pr\u00f3ximo e de si mesmo.<\/p>\n<p> * Professor no Semin\u00e1rio de Mariana durante 40 anos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um fariseu indagou a Jesus: \u201cMestre, qual \u00e9 o maior mandamento da lei\u201d? (Mt 22,16). A resposta que lhe foi dada inclui um tr\u00edplice amor: Amar\u00e1s totalmente a Deus, amar\u00e1s o teu pr\u00f3ximo como a ti mesmo. 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