{"id":5212,"date":"2014-10-20T11:53:17","date_gmt":"2014-10-20T13:53:17","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/doutrinar-e-libertar\/"},"modified":"2017-04-06T15:39:53","modified_gmt":"2017-04-06T18:39:53","slug":"doutrinar-e-libertar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/doutrinar-e-libertar\/","title":{"rendered":"Doutrinar \u00e9 libertar"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Ao contr\u00e1rio do que o mundo pensa, a doutrina crist\u00e3 \u00e9 um grito de liberdade, n\u00e3o escravid\u00e3o. Ser crist\u00e3o, mais que um seguimento de normas e condutas religiosas, \u00e9 descobrir e vivenciar uma profunda experi\u00eancia de vida em plenitude, cuja pr\u00e1tica nada mais exige que a partilha dessa descoberta. Eis porque cristianismo n\u00e3o existe e n\u00e3o se pratica sem vida mission\u00e1ria. Eis aqui a raz\u00e3o de se considerar morta, inexistente ou gravemente enferma a f\u00e9 sem abertura para o outro, para o mundo. Triste \u00e9 o crist\u00e3o ou a igreja fechada em si mesma. Pensa que evangeliza, mas ret\u00e9m para si uma doutrina sem efeitos, um conjunto de normas e leis incapazes de libertar algu\u00e9m.<br \/> \u201cAnunciar o evangelho n\u00e3o \u00e9 motivo de gl\u00f3ria, mas necessidade\u201d. (1Cor 9,16) \u2013 desabafou S\u00e3o Paulo no auge de sua caminhada mission\u00e1ria. O mist\u00e9rio desse an\u00fancio \u00e9 hoje conhecido de todos os que praticam sua f\u00e9 com o mesmo olhar do ap\u00f3stolo. A mesma preocupa\u00e7\u00e3o e necessidade de partilhar sua experi\u00eancia de Deus com todos aqueles aos quais era enviado, n\u00e3o por for\u00e7a de um mandato humano, mas simplesmente pela experi\u00eancia de um amor renovado que nutria sua exist\u00eancia. \u201cAi de mim se n\u00e3o evangelizar!\u201d \u2013 suspirava em sua caminhada. Ai de mim&#8230;<br \/> Assumir para si essa necessidade \u00e9 sempre uma atitude de maturidade na f\u00e9. Quanto mais gritante for essa necessidade, mais aut\u00eantica \u00e9 a f\u00e9 que professamos. N\u00e3o se compreende um crist\u00e3o que gasta seus joelhos em ora\u00e7\u00e3o ou dedilha contas num intermin\u00e1vel ros\u00e1rio de loas a Maria, mas conserva seu solado imune \u00e0 poeira da estrada em dire\u00e7\u00e3o ao outro. A f\u00e9 s\u00f3 cresce ao caminhar. A ora\u00e7\u00e3o exige a\u00e7\u00e3o. \u00c9 l\u00f3gico: uma atitude n\u00e3o dispensa a outra; s\u00e3o como term\u00f4metros naturais de uma f\u00e9 adulta, amadurecida na necessidade de olhar o mundo com o olhar e a preocupa\u00e7\u00e3o de Cristo. \u201cEu vim lan\u00e7ar fogo \u00e0 terra, e que tenho eu a desejar se ele j\u00e1 est\u00e1 aceso?\u201d (Lc 12,49). <br \/> Esse fogo \u00e9 a paix\u00e3o pela verdade que liberta. Aceso est\u00e1, mas \u00e9 preciso que este incendeie o mundo. Isso s\u00f3 se dar\u00e1 quando a doutrina que Ele nos confiou n\u00e3o seja propriedade de poucos; privil\u00e9gio dos que se dizem escolhidos, eleitos, salvos da multid\u00e3o que ainda desconhece a verdadeira liberdade. O recente s\u00ednodo dos Bispos j\u00e1 aponta novos caminhos. Mais que aceitar \u00e9 preciso acolher. A Igreja de Cristo diante do mundo e de suas mis\u00e9rias, n\u00e3o coaduna com seus erros e distor\u00e7\u00f5es humanas inerentes \u00e0 fraqueza e \u00e0s limita\u00e7\u00f5es que lhes s\u00e3o pr\u00f3prias, mas deve abrir suas portas a todos. Deve acolher. Vejo aqui uma grande atitude de maturidade mission\u00e1ria. Exatamente no gesto de acolhimento est\u00e1 o princ\u00edpio da transforma\u00e7\u00e3o de todos os que se sentem atra\u00eddos pela doutrina do nazareno, mas tamb\u00e9m constrangidos pela consci\u00eancia das mis\u00e9rias que rondam o esp\u00edrito humano. O fogo das paix\u00f5es que nos consome n\u00e3o \u00e9 o mesmo que arde no cora\u00e7\u00e3o de Deus. Este n\u00e3o consome, aquece.<br \/> Esse diferencial humano do divino \u00e9 um grande segredo revelado por Cristo.\u00a0 Compete \u00e0 Igreja apresentar e revelar ao mundo esse mist\u00e9rio. Compete aos crist\u00e3os mission\u00e1rios assumir com mais coragem aquilo que Isaias j\u00e1 preconizava como dever de f\u00e9: \u201cEnviou-me a proclamar a liberta\u00e7\u00e3o\u201d (Lc 4, 18). N\u00e3o se trata de mero trabalho doutrinal, mas condi\u00e7\u00e3o sui generis de qualquer batizado. N\u00e3o aceitamos o mundo que ai est\u00e1, nem por isso vamos nos afastar da realidade, fugir do desafio, esconder-nos como avestruzes que enterram suas cabe\u00e7as para n\u00e3o encararem as amea\u00e7as. Ao contr\u00e1rio, a mesma f\u00e9 que liberta \u00e9 geradora da fortaleza, da sabedoria e de todos os dons espirituais que fazem do crist\u00e3o algu\u00e9m imbat\u00edvel, destemido.<br \/> Assuma essa f\u00e9. S\u00f3 assim poderemos compreender que doutrinar \u00e9 uma necessidade, uma miss\u00e3o que oferece liberdade plena a todo e qualquer ser humano, independente de cultura, ra\u00e7a ou civiliza\u00e7\u00e3o. A f\u00e9 crist\u00e3 ensina ao mundo que Deus respeita o ser humano e sua liberdade e n\u00e3o age sem seu consentimento.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ao contr\u00e1rio do que o mundo pensa, a doutrina crist\u00e3 \u00e9 um grito de liberdade, n\u00e3o escravid\u00e3o. Ser crist\u00e3o, mais que um seguimento de normas e condutas religiosas, \u00e9 descobrir e vivenciar uma profunda experi\u00eancia de vida em plenitude, cuja pr\u00e1tica nada mais exige que a partilha dessa descoberta. 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