{"id":51971,"date":"2019-08-05T08:50:09","date_gmt":"2019-08-05T11:50:09","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=51971"},"modified":"2019-08-05T08:52:53","modified_gmt":"2019-08-05T11:52:53","slug":"o-santo-burro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/o-santo-burro\/","title":{"rendered":"O santo burro"},"content":{"rendered":"<p>Dizem ser agosto o m\u00eas do cachorro louco e do santo burro. Isso mesmo: temos tamb\u00e9m um m\u00eas para celebrar a burrice de um santo. Antes, precisamos nos desculpar com a ofensa aos inocentes equinos, que em muito se diferem da ignor\u00e2ncia humana ao denomin\u00e1-los como representantes da nossa insensatez depreciativa. Quem deu nome aos burros errou o pr\u00f3prio.<\/p>\n<p>Mas de ignor\u00e2ncia e insensatez estamos fartos. A hist\u00f3ria aqui \u00e9 outra. Consta que na Fran\u00e7a existiu uma fam\u00edlia de camponeses muito humilde e devota, cuja sensibilidade religiosa era constantemente tolhida pelas circunst\u00e2ncias de revolu\u00e7\u00e3o francesa em curso. Isso prejudicou em muito as oportunidades de educa\u00e7\u00e3o e crescimento intelectual n\u00e3o s\u00f3 destas, mas igualmente de muitas outras fam\u00edlias crist\u00e3s daquela \u00e9poca. Assim nasceu e cresceu o menino Jo\u00e3o Maria, o \u201cburrinho\u201d dessa hist\u00f3ria, devoto incondicional de Maria \u2013 desde os quatro anos carregou consigo uma pequena imagem da m\u00e3e de Jesus, doada por sua m\u00e3e, de quem recebeu as primeiras aulas de sua catequese b\u00e1sica. S\u00f3 foi alfabetizado aos dezoito anos. Convocado ao ex\u00e9rcito de Napole\u00e3o, tornou-se desertor, por circunst\u00e2ncias que n\u00e3o vem ao caso. Sua grande e inquestion\u00e1vel voca\u00e7\u00e3o era mesmo o sacerd\u00f3cio.<\/p>\n<p>No semin\u00e1rio encontrou dificuldades de aprendizado, em especial com o latim e o franc\u00eas. Acabou expulso, mas recebido caridosamente pelo confessor e amigo Pe. Malley, que se responsabilizou por ele como vocacionado. Tratava-se de seu confessor e conhecedor \u00fanico de sua inquestion\u00e1vel voca\u00e7\u00e3o sacerdotal. Por isso n\u00e3o o deixou na rua. Tomou para si a forma\u00e7\u00e3o daquele jovem marcado por tantas e tamanhas dificuldades na sua estrada. Famoso ficou um di\u00e1logo deste jovem vocacionado com o ent\u00e3o reitor que tentava justificar sua expuls\u00e3o do semin\u00e1rio: \u201cOs professores n\u00e3o o consideram apto para o sacerd\u00f3cio. Alguns o acham um \u201cburro\u201d que n\u00e3o sabe teologia. Como poderemos promove-lo ao sacerd\u00f3cio\u201d?<\/p>\n<p>N\u00e3o contavam com resposta alguma. Mas Joao Maria surpreendeu a todos: \u201cSans\u00e3o matou cem filisteus com a queixada de um burro. O que acha que Deus pode fazer com um burro inteiro?\u201d<\/p>\n<p>Acabou ordenado por defer\u00eancia da santa espiritualidade de seu confessor e amigo, Pe. Malley, que o apresentou como digno e apto ao sacerd\u00f3cio. Recebeu como par\u00f3quia a mais problem\u00e1tica e insignificante das comunidades da sua diocese, o vilarejo de Ars, com pouco mais de 230 habitantes. L\u00e1 encontrou uma igreja em ru\u00ednas e uma popula\u00e7\u00e3o de vida ociosa, frequentadora de bares, cabar\u00e9s e casas de prostitui\u00e7\u00e3o. Ao adentrar o recinto da igrejinha abandonada, profetizou: \u201cSer\u00e1 pequena para abrigar multid\u00f5es que aqui vir\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Acertou em cheio. Durante quarenta anos ali exerceu seu minist\u00e9rio, devotado especialmente \u00e0 eucaristia e confiss\u00e3o. Neste \u00faltimo sacramento destacou-se de maneira assustadora, chegando a ficar dezoito horas por dia dentro de um confession\u00e1rio, alimentado apenas por batatas e \u00e1gua. Sua devo\u00e7\u00e3o a esse servi\u00e7o era t\u00e3o meticulosa que despertou um movimento de romaria de penitentes a Ars, obrigando o governo a construir uma ferrovia at\u00e9 aquele povoado, para servir aos peregrinos. O pequeno povoado despertou-se para a f\u00e9. Hoje, quem chega a Ars \u00e9 recebido por uma gigante est\u00e1tua do Pe. Jo\u00e3o Maria Vianna apontando o c\u00e9u para um menino. Trata-se da primeira cena dessa hist\u00f3ria. Ao buscar esse seu destino perdeu-se no caminho. Buscou informa\u00e7\u00f5es com um menino, que lhe indicou o caminho do povoado. Orientado, prometeu: \u201cVoc\u00ea me ensinou o caminho de Ars, eu mostrarei a voc\u00ea o caminho do c\u00e9u\u201d.<\/p>\n<p>O \u201cburrinho\u201d l\u00e1 do passado tornou-se conhecido universalmente como modelo de vida e amor \u00e0 sua voca\u00e7\u00e3o, t\u00e3o arduamente conquistada. \u00c9 hoje o padroeiro de todo e qualquer sacerdote, em especial modelo dos confessores&#8230; Afinal, quem mesmo era o burro dessa hist\u00f3ria?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dizem ser agosto o m\u00eas do cachorro louco e do santo burro. Isso mesmo: temos tamb\u00e9m um m\u00eas para celebrar a burrice de um santo. Antes, precisamos nos desculpar com a ofensa aos inocentes equinos, que em muito se diferem da ignor\u00e2ncia humana ao denomin\u00e1-los como representantes da nossa insensatez depreciativa. 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