{"id":51743,"date":"2019-07-29T15:12:34","date_gmt":"2019-07-29T18:12:34","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=51743"},"modified":"2019-07-29T15:12:34","modified_gmt":"2019-07-29T18:12:34","slug":"o-verdadeiro-tesouro-e-deus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/o-verdadeiro-tesouro-e-deus\/","title":{"rendered":"O verdadeiro tesouro \u00e9 Deus"},"content":{"rendered":"<p>A liturgia deste 18\u00ba Domingo do Tempo Comum nos questiona acerca da atitude que assumimos face aos bens deste mundo. Sugere que eles n\u00e3o podem ser os deuses que dirigem a nossa vida e convida-nos a descobrir e a amar esses outros bens, que d\u00e3o verdadeiro sentido \u00e0 nossa exist\u00eancia e que nos garantem a vida em plenitude.<\/p>\n<p>\u201cOnde est\u00e1 o teu tesouro, a\u00ed est\u00e1 o teu cora\u00e7\u00e3o\u201d (Cf. Mt 6,21). Este vers\u00edculo bem poderia resumir todas as leituras de hoje. De fato, vivemos numa sociedade que p\u00f5e a busca da felicidade no dinheiro, nas posses, no prazer, no poder, e que simplesmente n\u00e3o tem coragem de colocar Deus no centro da exist\u00eancia.<\/p>\n<p>No tempo de Jesus havia duas propostas de sociedade ou dois modelos econ\u00f4micos: o do campo e o da cidade. O do campo se fundamentava na partilha, por meio da solidariedade, da troca de produtos e da compaix\u00e3o. Isso impedia que os endividados ca\u00edssem na desgra\u00e7a e que tivessem que emigrar para a cidade, tornando-se mendigos ou bandidos. O modelo econ\u00f4mico da cidade, ao contr\u00e1rio, \u00e9 fundamentado na gan\u00e2ncia, no ac\u00famulo, na lei do mais forte. Isso naturalmente \u00e9 fonte de exclus\u00e3o e marginalidade. Isso gera mendic\u00e2ncia, viol\u00eancia e roubo. O Evangelho deste domingo \u00e9 atual\u00edssimo e reflete uma situa\u00e7\u00e3o do modelo econ\u00f4mico da cidade e n\u00e3o do campo, reflete a gan\u00e2ncia e a explora\u00e7\u00e3o, n\u00e3o a partilha. Jesus toma posi\u00e7\u00e3o em favor da partilha, n\u00e3o da cobi\u00e7a, mas sem se colocar como \u00e1rbitro entre os que possuem riquezas.<\/p>\n<p>No Evangelho (Cf. Lc 12,13-21), pela \u201cpar\u00e1bola do rico insensato\u201d, Jesus denuncia a fal\u00eancia de uma vida voltada apenas para os bens materiais: o homem que assim procede \u00e9 um \u201clouco\u201d, que esqueceu aquilo que, verdadeiramente, d\u00e1 sentido \u00e0 exist\u00eancia.<\/p>\n<p>O ensinamento de Jesus no Evangelho de hoje \u00e9 claro: Jesus \u00e9 contra qualquer cobi\u00e7a, pois a cobi\u00e7a n\u00e3o garante a vida de ningu\u00e9m. A par\u00e1bola \u00e9 um mon\u00f3logo de um homem rico, ganancioso e ego\u00edsta, cujo ideal de vida \u00e9 apenas comer, beber e desfrutar. Este homem n\u00e3o pensa nos seus empregados, n\u00e3o pensa nos pobres, n\u00e3o pensa naqueles que s\u00e3o peregrinos e que batem em sua porta; \u00e9 profundamente ganancioso e ego\u00edsta. Jesus chama-o de insensato, e afirma sua morte naquela mesma noite. Isso significa que acumular bens n\u00e3o garante a vida. O importante \u00e9 ser rico para Deus, por meio da justi\u00e7a, da partilha e solidariedade para com o pr\u00f3ximo, pois <em>\u201cquem se compadece do pobre empresta a Deus<\/em>\u201d (Pr 19,17; Eclo 29,8-13). Eclo 29,12 diz expressamente: <em>\u201cD\u00ea esmola daquilo que voc\u00ea tem nos celeiros, e ela o livrar\u00e1 de qualquer desgra\u00e7a<\/em>.\u201d<\/p>\n<p>Na primeira Leitura (Cf. Ecl 1,2,2,21-23), temos uma reflex\u00e3o do Eclesiastes sobre o sem sentido de uma vida voltada para o acumular bens. Embora a reflex\u00e3o do Eclesiastes n\u00e3o v\u00e1 mais al\u00e9m, ela constitui um patamar para partirmos \u00e0 descoberta de Deus e dos seus valores e para encontramos a\u00ed o sentido \u00faltimo da nossa exist\u00eancia. \u201cVaidade das vaidades\u201d nos diz o Eclesiastes (Cf. Ecl 1,2). Devemos seguir o conselho de S\u00e3o Paulo e \u201cprocurar as coisas do alto, onde Cristo est\u00e1 sentado \u00e0 direita de Deus\u201d (Cf. Cl 3,1). Que s\u00e3o estas \u201ccoisas do alto\u201d? Uma vida que se afasta dos v\u00edcios (Cf. Cl 3,5-10) e que se disp\u00f5e a por em pr\u00e1tica, de verdade, o que Deus nos ensina nas Sagradas Escrituras: amar mais o pr\u00f3ximo, doar um pouco mais do meu tempo, dos meus bens em favor dos outros, pedir e dar mais perd\u00e3o.<\/p>\n<p>A segunda Leitura (Cf. Cl 3,1-5.9-11) convida-nos \u00e0 identifica\u00e7\u00e3o com Cristo: isso significa deixarmos os \u201cdeuses\u201d que nos escravizam e renascermos continuamente, at\u00e9 que em n\u00f3s se manifeste o Homem Novo, que \u00e9 \u201cimagem de Deus\u201d.<\/p>\n<p>A partilha deve ser a nota fundamental da nossa vida crist\u00e3. Vamos pensar nos pobres, nos humilhados, nos migrantes, nos que est\u00e3o \u00e0 margem da sociedade e precisam da nossa aten\u00e7\u00e3o e da nossa ajuda material e espiritual. O importante \u00e9 ser rico para Deus, pela justi\u00e7a, partilha e solidariedade para com o pr\u00f3ximo, pois <em>\u201cquem se compadece do pobre empresta a Deus<\/em>\u201d (Cf. Pr 19,17; Eclo 29,8-13). Quem oferece o perd\u00e3o e se comporta sempre com compaix\u00e3o em nome de Cristo encontrou um tesouro \u2013 um tesouro que n\u00e3o \u00e9 capaz de caber em nenhum celeiro, mas s\u00f3 no cora\u00e7\u00e3o daquele que cr\u00ea em Jesus.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A liturgia deste 18\u00ba Domingo do Tempo Comum nos questiona acerca da atitude que assumimos face aos bens deste mundo. Sugere que eles n\u00e3o podem ser os deuses que dirigem a nossa vida e convida-nos a descobrir e a amar esses outros bens, que d\u00e3o verdadeiro sentido \u00e0 nossa exist\u00eancia e que nos garantem a [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":10,"featured_media":32785,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-51743","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cotidiano"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/51743","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/users\/10"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=51743"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/51743\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":51744,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/51743\/revisions\/51744"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media\/32785"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=51743"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=51743"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=51743"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}