{"id":51546,"date":"2019-07-24T08:30:35","date_gmt":"2019-07-24T11:30:35","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=51546"},"modified":"2019-07-24T08:30:35","modified_gmt":"2019-07-24T11:30:35","slug":"por-uma-nova-economia-as-palavras-do-papa-na-bolivia-em-2015","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/por-uma-nova-economia-as-palavras-do-papa-na-bolivia-em-2015\/","title":{"rendered":"Por uma nova economia: as palavras do Papa na Bol\u00edvia em 2015"},"content":{"rendered":"<div class=\"article__subTitle\">\u201cA Economia de Francisco\u201d ser\u00e1 um grande evento em mar\u00e7o de 2020, que se inspira no Santo de Assis, para procurar novas propostas de organiza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica. Para ajudar \u00e0 reflex\u00e3o recordamos aqui as palavras do Papa Francisco na Bol\u00edvia em 2015, num encontro com os Movimentos Populares. Uma densa e forte interven\u00e7\u00e3o do Santo Padre.<\/div>\n<div class=\"title__separator\"><\/div>\n<div class=\"article__text\">\n<p><b>Rui Saraiva \u2013 Porto<\/b><\/p>\n<p>Em mar\u00e7o de 2020 o Papa Francisco vai juntar em Assis estudantes e empres\u00e1rios de todo o mundo para procurarem em conjunto novas propostas de organiza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>\u201cA Economia de Francisco\u201d, \u00e9 um evento que o Santo Padre h\u00e1 muito deseja e que, como o disse numa carta aos jovens, ajudar\u00e1 a procurar uma \u201ceconomia diferente\u201d que \u201cfaz viver e n\u00e3o mata\u201d e \u201ccuida a cria\u00e7\u00e3o e n\u00e3o a despreza\u201d.<\/p>\n<div>\n<div class=\"article__embed article__embed--unwrap article__embed--dark\">\n<div class=\"article__innerTitle\">Ou\u00e7a e compartilhe!<\/div>\n<!--[if lt IE 9]><script>document.createElement('audio');<\/script><![endif]-->\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-51546-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/media.vaticannews.va\/media\/audio\/s1\/2019\/07\/24\/09\/135145734_F135145734.mp3?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/media.vaticannews.va\/media\/audio\/s1\/2019\/07\/24\/09\/135145734_F135145734.mp3\">https:\/\/media.vaticannews.va\/media\/audio\/s1\/2019\/07\/24\/09\/135145734_F135145734.mp3<\/a><\/audio>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Nessa mensagem aos jovens, o Santo Padre explica que Assis \u00e9 o lugar apropriado para inspirar uma nova economia, pois foi ali que Francisco despojou-se de toda a mundanidade para escolher a Deus como b\u00fassola da sua vida, tornando-se pobre com os pobres e irm\u00e3o de todos.<\/p>\n<p>Uma das interven\u00e7\u00f5es mais densas do Papa Francisco sobre a tem\u00e1tica econ\u00f4mica ocorreu em julho de 2015 durante a viagem papal \u00e0 Bol\u00edvia durante o II Encontro Mundial dos Movimentos Populares. Tr\u00eas palavras foram o tema desse encontro: teto, terra e trabalho.<\/p>\n<p>Recordamos aqui as palavras do Papa Francisco nessa ocasi\u00e3o, na reportagem da R\u00e1dio Vaticano.<\/p>\n<h2>Reconhecer para mudar<\/h2>\n<p>Foi atrav\u00e9s de um longo, mas claro discurso, sempre muito aplaudido, que o Papa Francisco convocou os membros dos movimentos populares para o reconhecimento da necessidade de mudan\u00e7a mas tamb\u00e9m para a a\u00e7\u00e3o concreta e decidida para aquilo a que o Santo Padre chamou de \u201cprocesso de mudan\u00e7a\u201d.<\/p>\n<p>\u201cReconhecemos n\u00f3s que as coisas n\u00e3o andam bem num mundo onde h\u00e1 tantos camponeses sem terra, tantas fam\u00edlias sem tecto, tantos trabalhadores sem direitos, tantas pessoas feridas na sua dignidade?\u201d<\/p>\n<p>\u201cReconhecemos n\u00f3s que as coisas n\u00e3o andam bem, quando explodem tantas guerras sem sentido e a viol\u00eancia fratricida se apodera at\u00e9 dos nossos bairros? Reconhecemos n\u00f3s que as coisas n\u00e3o andam bem, quando o solo, a \u00e1gua, o ar e todos os seres da cria\u00e7\u00e3o est\u00e3o sob amea\u00e7a constante?\u201d<\/p>\n<p>\u201cEnt\u00e3o digamo-lo sem medo: Precisamos e queremos uma mudan\u00e7a.\u201d<\/p>\n<h2>Um processo de mudan\u00e7a<\/h2>\n<p>O Papa Francisco afirmou neste ponto do seu discurso que \u201ca globaliza\u00e7\u00e3o da esperan\u00e7a, que nasce dos povos e cresce entre os pobres, deve substituir esta globaliza\u00e7\u00e3o da exclus\u00e3o e da indiferen\u00e7a.\u201d<\/p>\n<p>No seu discurso o Papa recolhe as suas profundas preocupa\u00e7\u00f5es para com o recolhedor de papel, o catador de lixo, o artes\u00e3o, o vendedor ambulante, o trabalhador irregular, a camponesa, o ind\u00edgena, o pescador, o discriminado e o marginalizado.<\/p>\n<p>Afirmando que os mais humildes e explorados podem fazer muito pelos grandes processos de mudan\u00e7a nacionais, regionais e mundiais, o Santo Padre, declarou-os como protagonistas e semeadores de mudan\u00e7a:<\/p>\n<p>\u201cV\u00f3s sois semeadores de mudan\u00e7a. Aqui, na Bol\u00edvia, ouvi uma frase de que gosto muito: \u00abprocesso de mudan\u00e7a\u00bb. A mudan\u00e7a concebida, n\u00e3o como algo que um dia chegar\u00e1 porque se imp\u00f4s esta ou aquela op\u00e7\u00e3o pol\u00edtica ou porque se estabeleceu esta ou aquela estrutura social. Sabemos, amargamente, que uma mudan\u00e7a de estruturas, que n\u00e3o seja acompanhada por uma convers\u00e3o sincera das atitudes e do cora\u00e7\u00e3o, acaba a longo ou curto prazo por burocratizar-se, corromper-se e sucumbir. Por isso gosto tanto da imagem do processo, onde a paix\u00e3o por semear, por regar serenamente o que outros ver\u00e3o florescer, substitui a ansiedade de ocupar todos os espa\u00e7os de poder dispon\u00edveis e de ver resultados imediatos. Cada um de n\u00f3s \u00e9 apenas uma parte de um todo complexo e diversificado interagindo no tempo: povos que lutam por uma afirma\u00e7\u00e3o, por um destino, por viver com dignidade, por \u00abviver bem\u00bb. \u201c<\/p>\n<h2>Economia ao servi\u00e7o dos povos<\/h2>\n<p>O Papa Francisco apontou algumas tarefas para a mudan\u00e7a: a primeira \u00e9 p\u00f4r a economia ao servi\u00e7o dos povos.\u00a0 \u201cA economia n\u00e3o deveria ser um mecanismo de acumula\u00e7\u00e3o, mas a condigna administra\u00e7\u00e3o da casa comum\u201d \u2013 evidenciou o Santo Padre que lembrou as necessidades de educa\u00e7\u00e3o, de sa\u00fade, de cultura, de desporto e recrea\u00e7\u00e3o. Afirmou mesmo que esta economia ao servi\u00e7o dos povos n\u00e3o \u00e9 uma utopia ou uma fantasia, mas \u00e9 desej\u00e1vel e necess\u00e1ria. \u201cConheci de perto v\u00e1rias experi\u00eancias, onde os trabalhadores, unidos em cooperativas e outras formas de organiza\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria, conseguiram criar trabalho onde s\u00f3 havia sobras da economia id\u00f3latra. As empresas recuperadas, as feiras francas e as cooperativas de catadores de papel\u00e3o s\u00e3o exemplos desta economia popular\u201d \u2013 afirmou o Papa.<\/p>\n<p>Unir os povos no caminho da paz e da justi\u00e7a<\/p>\n<p>O Papa destacou que os povos do mundo querem ser art\u00edfices de seu pr\u00f3prio destino e nenhum poder constitu\u00eddo tem o direito de privar os pa\u00edses pobres do pleno exerc\u00edcio da sua soberania e quando o fazem, &#8220;vemos novas formas de colonialismo&#8221; que afetam as possibilidades de paz e de justi\u00e7a. Em particular, o Papa referiu-se ao colonialismo ideol\u00f3gico.<\/p>\n<p>Perd\u00e3o pelos pecados da Igreja na coloniza\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Neste ponto do seu discurso, o Papa Francisco referiu-se aos \u201cmuitos graves pecados contra os povos nativos da Am\u00e9rica, cometidos em nome de Deus\u201d. Ao mesmo tempo, o Santo Padre recordou tantos bispos, sacerdotes e leigos que pregaram e pregam a boa nova de Jesus e que \u201cmuitas vezes\u201d colocaram-se \u201cao lado dos povos ind\u00edgenas\u201d, mesmo at\u00e9 ao mart\u00edrio.<\/p>\n<h2>Defender a M\u00e3e Terra<\/h2>\n<p>A cobardia em defender a casa comum, que est\u00e1 sendo saqueada, devastada e vexada impunemente \u00e9 um pecado grave, disse o Papa, que lamentou a falta de resultados nos sucessivos encontros internacionais sobre o tema. &#8220;N\u00e3o se pode permitir que certos interesses &#8211; que s\u00e3o globais, mas n\u00e3o universais&#8221;, se imponham, submetendo Estados e organismos internacionais e continuem a destruir a cria\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>No final do seu discurso e em conclus\u00e3o das ideias apresentadas, o Papa Francisco reafirmou que o futuro da humanidade est\u00e1 nas m\u00e3os dos povos:<\/p>\n<p>\u201cO futuro da humanidade n\u00e3o est\u00e1 unicamente nas m\u00e3os dos grandes dirigentes, das grandes pot\u00eancias e das elites. Est\u00e1 fundamentalmente nas m\u00e3os dos povos; na sua capacidade de se organizarem e tamb\u00e9m nas suas m\u00e3os que regem, com humildade e convic\u00e7\u00e3o, este processo de mudan\u00e7a.\u201d<\/p>\n<p>O Encontro de Assis para o qual o Papa convocou estudantes e empres\u00e1rios de todo o mundo para procurarem em conjunto novas propostas de organiza\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica, decorrer\u00e1 nos dias 26, 27 e 28 de mar\u00e7o de 2020. O tema ser\u00e1 \u201cA Economia de Francisco\u201d. Uma primeira reuni\u00e3o preparat\u00f3ria vai acontecer em Floren\u00e7a no pr\u00f3ximo dia 24 de setembro.<\/p>\n<p>Portugal conta com dois representantes neste processo que agora se inicia de prepara\u00e7\u00e3o do grande evento de Assis. S\u00e3o eles Am\u00e9rico Mendes, professor associado da Cat\u00f3lica Porto Business School e Ricardo Z\u00f3zimo, professor da Nova School of Business &amp; Economics.<\/p>\n<p><i>Laudetur Iesus Christus<\/i><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cA Economia de Francisco\u201d ser\u00e1 um grande evento em mar\u00e7o de 2020, que se inspira no Santo de Assis, para procurar novas propostas de organiza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica. Para ajudar \u00e0 reflex\u00e3o recordamos aqui as palavras do Papa Francisco na Bol\u00edvia em 2015, num encontro com os Movimentos Populares. Uma densa e forte interven\u00e7\u00e3o do Santo Padre. 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