{"id":5129,"date":"2014-09-15T03:00:00","date_gmt":"2014-09-15T06:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/um-olhar-sobre-o-evangelho-de-sao-mateus\/"},"modified":"2017-04-06T14:22:59","modified_gmt":"2017-04-06T17:22:59","slug":"um-olhar-sobre-o-evangelho-de-sao-mateus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/um-olhar-sobre-o-evangelho-de-sao-mateus\/","title":{"rendered":"Um olhar sobre o Evangelho de S\u00e3o Mateus"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Neste M\u00eas da B\u00edblia, a Comiss\u00e3o Episcopal Pastoral para a Anima\u00e7\u00e3o B\u00edblico-Catequ\u00e9tica nos prop\u00f5e o tema: \u201cDisc\u00edpulos Mission\u00e1rios a partir do Evangelho de Mateus\u201d. E nos envia para realizar o lema: \u201cIde fazer disc\u00edpulos e ensinai\u201d (cfr. Mt 25, 19-20). Dessa forma, nossos grupos de reflex\u00f5es, pequenas comunidades, c\u00edrculos b\u00edblicos e demais grupos s\u00e3o chamados a aprofundar o Evangelho de Mateus sob a \u00f3tica do \u201cdisc\u00edpulo mission\u00e1rio\u201d que faz disc\u00edpulos e ensina.<br \/>Dos Sin\u00f3ticos, Mateus foi o evangelho mais citado pelos primeiros escritores eclesi\u00e1sticos e os pais da Igreja. Isto se deu ao fato de esse evangelho ser o que dedicou maior espa\u00e7o aos ensinamentos de Jesus. A tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3 considerou-o como o \u201cEvangelho Eclesial\u201d, isto \u00e9, aquele a partir do qual se elaborou a doutrina da Igreja, o novo povo de Deus, com o prop\u00f3sito de instruir o fiel acerca de Jesus Cristo.<br \/>Mateus \u00e9 o evangelho mais valorizado em toda a tradi\u00e7\u00e3o da Igreja e tem sido objeto de numerosos estudos e coment\u00e1rios. Or\u00edgenes, Jo\u00e3o Cris\u00f3stomo, Cirilo de Alexandria, Hil\u00e1rio de Poitiers, Jer\u00f4nimo, Agostinho s\u00e3o alguns dos que dedicaram esfor\u00e7os no estudo de Mateus.<br \/>O texto proposto pelo evangelista \u00e9 atrativo! A composi\u00e7\u00e3o did\u00e1tica do evangelho impressiona. H\u00e1, de certa maneira, um quadro da cristologia das comunidades primitivas. Gra\u00e7as \u00e0s pesquisas estruturais \u00e9 poss\u00edvel identificar a estrutura mateana. Cinco grandes unidades discursivas de Jesus escalonam o evangelho:<br \/>1.\u00a0\u00a0\u00a0 O serm\u00e3o da montanha 5,3-7,27<br \/>2.\u00a0\u00a0\u00a0 O apostolado crist\u00e3o 10,5-42<br \/>3.\u00a0\u00a0\u00a0 O reino dos c\u00e9us 13,3-52<br \/>4.\u00a0\u00a0\u00a0 A vida da comunidade crist\u00e3 18,3-35<br \/>5.\u00a0\u00a0\u00a0 O final dos tempos 24,4-25,46<br \/>Estas cinco unidades de discurso demonstram como Jesus vive com os seus disc\u00edpulos, sobre os quais vai construir a comunidade do Reino, e d\u00e1-lhes diretrizes para o tempo p\u00f3s-P\u00e1scoa. As unidades s\u00e3o compostas com o objetivo de ajudar os crentes a aprend\u00ea-las de mem\u00f3ria. Segundo J. Radermakers, os cinco grandes discursos de Jesus distribuem a doutrina do Mestre conforme os progressos da forma\u00e7\u00e3o de sua comunidade. Trata-se de uma catequese. \u201cEsses discursos s\u00e3o um \u201cvade-m\u00e9cum\u201d para os respons\u00e1veis de comunidades e para os catequistas que atuam em meios crist\u00e3os sa\u00eddos do juda\u00edsmo\u201d.<br \/>Como Marcos, o evangelho de Mateus contar\u00e1, numa primeira parte, o an\u00fancio que Jesus faz do Reino de Deus, atrav\u00e9s de seus ensinamentos e suas curas, com a prepara\u00e7\u00e3o long\u00ednqua da Igreja; e, numa segunda parte, o evangelista mostra a maneira como o Mestre, caminhando para a sua paix\u00e3o, re\u00fane seus disc\u00edpulos a fim de constituir a comunidade, testemunha do Reino em g\u00eanese.<br \/>A teologia tradicional identificou o evangelista Mateus com o ap\u00f3stolo Levi de quem fala o evangelho. O nome de Mateus, que significa \u201cDom de Deus\u201d ou \u201cDeus dado\u201d, em grego \u201cTheodoro\u201d, \u00e9 mencionado em todas as listas de ap\u00f3stolos do Segundo Testamento (Mt 10,3; Mc 3,18; Lc 6,15; At 1,13). A tradi\u00e7\u00e3o sin\u00f3tica cita a voca\u00e7\u00e3o de Levi, um \u201cpublicano\u201d ou coletor do imposto romano (Mc 2,13-14; Lc 5,27-28). Marcos menciona Mateus como \u201cfilho de Alfeu\u201d e conta que ele recebeu Jesus em sua casa (Mc 2,15), mas o primeiro evangelho designa-o como Mateus (9,9). Sua p\u00e1tria teria sido Cafarnaum, segundo o relato evang\u00e9lico. Embora fosse pouco comum usar dois nomes sem\u00edticos, falou-se a seguir de Levi Mateus como se fez com Sim\u00e3o Pedro. Os Pais da Igreja, como Papias, Irineu, Or\u00edgenes, Agostinho, Eus\u00e9bio, Atan\u00e1sio e muitos outros, refor\u00e7am a dedu\u00e7\u00e3o b\u00edblica e sustentam a ideia de que Mateus seja o nome e Levi o sobrenome, ainda que reconhe\u00e7am a dificuldade da jun\u00e7\u00e3o de dois termos sem\u00edticos.<br \/>A linguagem utilizada por Mateus facilita a memoriza\u00e7\u00e3o. Ela cont\u00e9m uma estrutura s\u00f3lida e claramente compreens\u00edvel, com uma diretriz \u00e9tica e moral. Os seus discursos s\u00e3o montagens liter\u00e1rias inspiradas nos processos rab\u00ednicos de composi\u00e7\u00e3o: formas repetidas, paralelismos antit\u00e9ticos ou sinon\u00edmicos, e que foram bem conservados por Mateus. Prov\u00eam do ensinamento oral praticado pelos rabinos.<br \/>Mateus n\u00e3o teme o redito: ele repete uma f\u00f3rmula t\u00edpica em diversos lugares de seu evangelho para estabelecer correspond\u00eancias e facilitar a memoriza\u00e7\u00e3o: \u201cO Reino dos C\u00e9us est\u00e1 pr\u00f3ximo\u201d (3,2; 4,17; 10,7); \u201cnas trevas exteriores\u201d (8,12; 22,13; 25,30); \u201ca consuma\u00e7\u00e3o dos tempos\u201d (13,49; 24,3; 28,20) etc. Contaram-se at\u00e9 27 repeti\u00e7\u00f5es desse g\u00eanero. Contribuem para ressaltar a din\u00e2mica pr\u00f3pria do evangelho mateano, seguindo o ritmo de uma assimila\u00e7\u00e3o progressiva.<br \/>A linguagem mateana pensa \u00e0 maneira dos semitas: exprime-se com os termos das Escrituras e das tradi\u00e7\u00f5es palestinas de sua \u00e9poca. Isso aparece claramente no emprego de certas palavras e, sobretudo, de express\u00f5es caracter\u00edsticas. Encontramos, assim, um grande n\u00famero de semitismos, composi\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias \u00e0 sintaxe hebraica, passados para o grego; enumeraram-se 329, ou seja, tr\u00eas vezes mais do que em Marcos. Mateus cita alguns termos hebraicos, sem explic\u00e1-los, com raka (cabe\u00e7a oca, cretino) em 5,22; Beelzebul (mestre-pr\u00edncipe, alcunha de Satan\u00e1s) em 10,25; corb\u00e3 (tronco das ofertas, tesouro do templo) em 27,6 e etc.<br \/>Quanto \u00e0s express\u00f5es t\u00edpicas do meio palestino do s\u00e9culo I, citamos especialmente: \u201cReino dos C\u00e9us\u201d, de prefer\u00eancia a \u201cReino de Deus\u201d (12 vezes); \u201cmeu Pai\u201d ou \u201cnosso Pai que est\u00e1 nos c\u00e9us\u201d (5, 16.45; 6,1.8; 7,11.21; 10, 32.33; 16,17; 18,10.14.19), o \u201cPai celeste\u201d (15,13; 18,35; 23,9); \u201ccumprir a Lei\u201d (5,17), \u201ca Lei e os Profetas\u201d (5,17; 7,12; 22,40); \u201ccasa de Israel\u201d (10,6; 15,24), \u201cos filhos de Israel\u201d (26,9) etc.<br \/>Sobre o destinat\u00e1rio do evangelho de Mateus h\u00e1 certo consenso entre os estudiosos. Trata-se de uma comunidade em Antioquia, na S\u00edria (At 11,19-26; 13,1), capital da prov\u00edncia romana, terceira cidade do Imp\u00e9rio, depois de Roma e Alexandria. A comunidade de Antioquia \u00e9 uma comunidade viva, formada em grande parte por judeus da di\u00e1spora, com uma minoria de pag\u00e3os convertidos; \u00e9 mais aberta na interpreta\u00e7\u00e3o das Escrituras, na aplica\u00e7\u00e3o da Lei, no relacionamento com os pag\u00e3os do que a Igreja de Jerusal\u00e9m, conservadora e ligada \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o.<br \/>Portanto, o evangelho de Mateus \u00e9 dirigido a uma igreja judaico-crist\u00e3 com a necessidade de tomar posi\u00e7\u00e3o em face do juda\u00edsmo oficial, do qual se originaram. A grande quest\u00e3o da comunidade \u00e9 se eles deveriam manter a continuidade com suas ra\u00edzes judaicas, ou proceder a uma irremedi\u00e1vel separa\u00e7\u00e3o? Mateus enfatiza com firmeza a continuidade, pois Jesus cumpre a hist\u00f3ria de Israel, mas a pr\u00f3pria realiza\u00e7\u00e3o provoca uma ruptura (cf. 4,23; 9,35; 10,17; 12,9; 13,54; 22,7 etc.). Ao citar a \u201cLei e os Profetas\u201d e dizer que Jesus n\u00e3o vem abolir, mas cumprir (5,17), Mateus ressalta a fidelidade de Jesus \u00e0 Alian\u00e7a de Deus com Israel. Ele retrata Jesus com tra\u00e7os judaicos, como livre seguidor e aperfei\u00e7oador da lei e costumes judeus. Jesus supera o ensinamento dos rabinos.<br \/>Com esses r\u00e1pidos tra\u00e7os, podemos aprofundar ainda mais o Evangelho de Mateus, que neste ano nos \u00e9 sugerido para nos alimentarmos mais e melhor com a Palavra de Deus. As sugest\u00f5es da CNBB com os temas dos encontros b\u00edblicos para este m\u00eas e o resumo do evangelho com o texto base nos ajudar\u00e3o mais ainda a entrar nessa Palavra importante, luz em nosso caminho.<br \/>Que nossas comunidades, grupos, c\u00edrculos b\u00edblicos, pastorais, pequenas comunidades aproveitem para vivenciar com a lectio divina este belo texto. Como nos tem falado o Papa Francisco: levemos no bolso ou na bolsa um texto do evangelho para ler e meditar nos diversos momentos livres do nosso dia. E com os aplicativos de hoje, ficou muito mais f\u00e1cil ter no nosso celular o texto b\u00edblico para refletir. <br \/>Que a Palavra seja luz em nossos caminhos e nos conduza a ser disc\u00edpulos mission\u00e1rios para fazer disc\u00edpulos ao ir pelas ruas e pra\u00e7as ensinando o que Jesus nos revelou.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Neste M\u00eas da B\u00edblia, a Comiss\u00e3o Episcopal Pastoral para a Anima\u00e7\u00e3o B\u00edblico-Catequ\u00e9tica nos prop\u00f5e o tema: \u201cDisc\u00edpulos Mission\u00e1rios a partir do Evangelho de Mateus\u201d. E nos envia para realizar o lema: \u201cIde fazer disc\u00edpulos e ensinai\u201d (cfr. Mt 25, 19-20). 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