{"id":51068,"date":"2019-07-12T09:42:14","date_gmt":"2019-07-12T12:42:14","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=51068"},"modified":"2019-07-12T09:42:14","modified_gmt":"2019-07-12T12:42:14","slug":"migracoes-esta-a-faltar-o-dever-de-fraternidade-e-humanidade-no-auxilio-aos-refugiados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/migracoes-esta-a-faltar-o-dever-de-fraternidade-e-humanidade-no-auxilio-aos-refugiados\/","title":{"rendered":"Migra\u00e7\u00f5es: Est\u00e1 a faltar o dever de \u00abfraternidade e humanidade\u00bb no aux\u00edlio aos refugiados"},"content":{"rendered":"<p><em>Maria Beatriz Rocha Trindade, investigadora e professora com largas d\u00e9cadas a olhar o fen\u00f3meno migrat\u00f3rio, lamenta a criminaliza\u00e7\u00e3o da solidariedade e retrocesso civilizacional<\/em><\/p>\n<p>Lisboa, 12 jul 2019 (Ecclesia) \u2013 A professora e investigadora sobre Migra\u00e7\u00f5es Maria Beatriz Rocha Trindade disse hoje que se est\u00e1 a faltar \u00e0 \u201cobrigatoriedade de humanidade, de fraternidade\u201d com os refugiados, numa pr\u00e1tica que deveria \u201cultrapassar as leis e decis\u00f5es\u201d nacionais.<\/p>\n<p>\u201cOs refugiados, o assunto \u00e9 tomado pelas Na\u00e7\u00f5es Unidas depois de 1951, depois da II Grande Guerra Mundial, existe uma obrigatoriedade de humanidade, de fraternidade, de receber e de inserir, que ultrapassa as leis e as decis\u00f5es do pr\u00f3prio pa\u00eds. Constitui uma obriga\u00e7\u00e3o, mas infelizmente assim n\u00e3o \u00e9 na pr\u00e1tica\u201d, afirma a investigadora em entrevista \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA e \u00e0 Renascen\u00e7a.<\/p>\n<p>A acompanhar o fen\u00f3meno migrat\u00f3rio h\u00e1 largas d\u00e9cadas, tendo fundado h\u00e1 25 anos o Centro de Estudos das Migra\u00e7\u00f5es e das Rela\u00e7\u00f5es Interculturais e autora de vasta bibliografia sobre o tema, a professora catedr\u00e1tica afirma a \u201ccriminaliza\u00e7\u00e3o da solidariedade\u201d e o retrocesso civilizacional a que assistimos.<\/p>\n<p>\u201cBasta ver os nacionalismos que ganham suporte gra\u00e7as aos l\u00edderes desses movimentos que atacam justamente a rece\u00e7\u00e3o, dizendo sempre que \u00e9 em fun\u00e7\u00e3o da legalidade\u201d, suporta.<\/p>\n<p>Lamenta a investigadora que a \u201capet\u00eancia\u201d por Portugal como pa\u00eds de destino n\u00e3o corresponda, depois, ao acolhimento registado.<\/p>\n<p>A soci\u00f3loga e primeira antrop\u00f3loga portuguesa destaca a a\u00e7\u00e3o \u201cpioneira\u201d da Igreja cat\u00f3lica no aux\u00edlio aos emigrantes e \u00e0s comunidades portuguesas na di\u00e1spora, \u201cn\u00e3o de agora, mas desde sempre\u201d, nas respostas que deu atrav\u00e9s das chamadas miss\u00f5es cat\u00f3licas, antecedendo at\u00e9 o papel do Estado.<\/p>\n<p>\u201cEu acho que a Igreja \u00e9 sempre um espa\u00e7o de grande apoio mas s\u00e3o poucos os elementos para poder atender um p\u00fablico t\u00e3o vasto\u201d, indica.<\/p>\n<p>A Igreja, diz, \u201cn\u00e3o poder\u00e1 fazer muito mais do que se esfor\u00e7a objetivamente por fazer, tentando dar apoio aos cat\u00f3licos e aos n\u00e3o cat\u00f3licos\u201d.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 um apoio aos humanos, \u00e9 um apoio de solidariedade, de ouvir mais do que impor, e isto cada vez mais acho, que a atitude; \u00e9 uma atitude de abertura e de di\u00e1logo, insisto, e n\u00e3o de exig\u00eancia ou de imposi\u00e7\u00e3o. Eu acho que \u00e9 preciso tamb\u00e9m um olhar de justi\u00e7a e n\u00e3o um permanente olhar de cr\u00edtica, como \u00e9 h\u00e1bito ser feito muitas vezes\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Em junho de 2012, em parceria com a atual diretora da Obra Cat\u00f3lica Portuguesa de Migra\u00e7\u00f5es, Eug\u00e9nia Quaresma, Maria Beatriz realizou um trabalho de investiga\u00e7\u00e3o sobre os 50 anos deste servi\u00e7o da Igreja cat\u00f3lica.<\/p>\n<p>\u201cApercebemo-nos que a Igreja sempre tinha procurado atender \u00e0 mobilidade, desde a forma como interpretava e exprimia os conceitos, como se dirigia ao p\u00fablico-alvo para quem era realizada essa pr\u00e1tica, \u00e0s pessoas que deslocou, \u00e0 forma como recebeu em Portugal, tentando integrar nos locais de origem os padres, das par\u00f3quias onde viviam os nossos emigrantes, todo um conjunto de pr\u00e1ticas e interpreta\u00e7\u00f5es que estiveram \u00e0 frente do Estado\u201d, sublinha.<\/p>\n<p>A pr\u00e1tica religiosa e a f\u00e9 constituem para os emigrantes um \u201cpilar\u201d mas tamb\u00e9m uma \u201ccat\u00e1lise de reencontros\u201d.<\/p>\n<p>\u201cA f\u00e9 \u00e9 um pilar, mas tamb\u00e9m \u00e9 uma cat\u00e1lise de reencontros, de reapropria\u00e7\u00e3o de tudo o que era seu, e que assim permanece como sendo seu, e por outro lado tamb\u00e9m \u00e9 uma ponte de adapta\u00e7\u00e3o\u201d, indica.<\/p>\n<p>A investigadora e titular da Ordre National du M\u00e9rite, de Fran\u00e7a, com o grau de Chevalier, e da Gr\u00e3-Cruz da Ordem da Instru\u00e7\u00e3o P\u00fablica, de Portugal, indica que o tempo e o espa\u00e7o ajudam a analisar o fen\u00f3meno e a combater generaliza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cA mobilidade que n\u00e3o pode ser traduzida por n\u00fameros mas que tem de ser olhada com um olhar de solidariedade, fraternidade, um olhar de homem para homem, de mulher para mulher, um olhar com uma certa compreens\u00e3o que n\u00e3o se pode limitar unicamente \u00e0 desloca\u00e7\u00e3o mas que tem de ser situada num contexto, naturalmente, econ\u00f3mico e social, que produz essa mobilidade\u201d, adverte.<\/p>\n<p>Contra a generaliza\u00e7\u00e3o \u201cque n\u00e3o corresponde \u00e0 verdade\u201d, Maria Beatriz Rocha Trindade esclarece que a emigra\u00e7\u00e3o \u201cde licenciados e formados\u201d representa uma pequena parte no fen\u00f3meno portugu\u00eas e que \u201cmuita m\u00e3o-de-obra n\u00e3o qualificada\u201d continua a sair.<\/p>\n<p>Ainda sobre a importante reflex\u00e3o e forma\u00e7\u00e3o que a sociedade portuguesa necessita fazer no \u00e2mbito das migra\u00e7\u00f5es, a investigadora deu conta de um projeto apresentado \u00e0 Unesco para uma C\u00e1tedra sobre Mobilidade e Direitos humanos, projeto este que viu anulado em janeiro deste ano.<\/p>\n<p>Maria Beatriz Rocha Trindade destaca a importante forma\u00e7\u00e3o que a sociedade portuguesa beneficiaria.<\/p>\n<p>\u201cFoi um projeto que n\u00f3s constru\u00edmos, com o prop\u00f3sito de modificar, tanto quanto poss\u00edvel, n\u00e3o tudo, mas os segmentos da sociedade em que pud\u00e9ssemos atingir, e por algo que ningu\u00e9m percebe n\u00e3o foi levado para a frente\u201d, lamenta.<\/p>\n<p><em>\u00c2ngela Roque (Renascen\u00e7a) e L\u00edgia Silveira (Ag\u00eancia ECCLESIA)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Maria Beatriz Rocha Trindade, investigadora e professora com largas d\u00e9cadas a olhar o fen\u00f3meno migrat\u00f3rio, lamenta a criminaliza\u00e7\u00e3o da solidariedade e retrocesso civilizacional Lisboa, 12 jul 2019 (Ecclesia) \u2013 A professora e investigadora sobre Migra\u00e7\u00f5es Maria Beatriz Rocha Trindade disse hoje que se est\u00e1 a faltar \u00e0 \u201cobrigatoriedade de humanidade, de fraternidade\u201d com os refugiados, 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