{"id":51034,"date":"2019-07-11T09:53:04","date_gmt":"2019-07-11T12:53:04","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=51034"},"modified":"2019-07-11T09:53:04","modified_gmt":"2019-07-11T12:53:04","slug":"o-genocidio-de-srebrenica-24-anos-depois","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/o-genocidio-de-srebrenica-24-anos-depois\/","title":{"rendered":"O genoc\u00eddio de Srebr\u00eanica 24 anos depois"},"content":{"rendered":"<h1 class=\"article__title\"><\/h1>\n<div class=\"article__subTitle\">No dia 11 de julho de 1995 o ex\u00e9rcito s\u00e9rvio b\u00f3snio massacrou mais de 8 mil mu\u00e7ulmanos inermes depois da conquista da pequena cidade de Srebr\u00eanica, que deveria estar sob a prote\u00e7\u00e3o dos capacetes azuis da ONU.<\/div>\n<div class=\"title__separator\"><\/div>\n<div class=\"article__text\">\n<p><b>Cidade do Vaticano<\/b><\/p>\n<p>Os restos mortais de Osman Cvrk, que em 11 de julho de 1995 tinha 16 anos, ser\u00e3o colocados em um pequeno caix\u00e3o de lenha verde e enterrados no memorial do genoc\u00eddio de Srebr\u00eanica, junto com outros 32 mu\u00e7ulmanos b\u00f3snios mortos no pior massacre da Europa desde a Segunda Guerra Mundial. No memorial j\u00e1 est\u00e3o sepultadas 6.610 v\u00edtimas, mas segundo as autoridades internacionais na regi\u00e3o de Srebr\u00eanica foram mortas 8.372 pessoas entre 11 e 16 de julho de 1995. Os crimes foram cometidos pelas mil\u00edcias do ex\u00e9rcito s\u00e9rvio b\u00f3snio guiadas pelo general Ratko Mladi\u0107, condenado em primeira inst\u00e2ncia \u00e0 pris\u00e3o perp\u00e9tua por genoc\u00eddio e crimes contra a humanidade pela Corte Internacional de Justi\u00e7a das Na\u00e7\u00f5es Unidas (Corte de Haia) em novembro de 2017.<\/p>\n<div>\n<div class=\"article__embed article__embed--unwrap article__embed--dark\">\n<div class=\"article__innerTitle\">Ou\u00e7a e compartilhe!<\/div>\n<!--[if lt IE 9]><script>document.createElement('audio');<\/script><![endif]-->\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-51034-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/media.vaticannews.va\/media\/audio\/s1\/2019\/07\/11\/12\/135128242_F135128242.mp3?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/media.vaticannews.va\/media\/audio\/s1\/2019\/07\/11\/12\/135128242_F135128242.mp3\">https:\/\/media.vaticannews.va\/media\/audio\/s1\/2019\/07\/11\/12\/135128242_F135128242.mp3<\/a><\/audio>\n<\/div>\n<\/div>\n<h2><b>Depois de tr\u00eas anos de ass\u00e9dio, o massacre<\/b><\/h2>\n<p>Vinte e quatro anos atr\u00e1s as tropas do general Mladi\u0107 entraram na cidadezinha de Sr\u00eabrenica, que estava sob ass\u00e9dio h\u00e1 tr\u00eas anos e tinha sido decretada em maio de 1993 como \u201c\u00e1rea protegida\u201d pela ONU com a prote\u00e7\u00e3o dos Capacetes Azuis. Na cidade estavam refugiados os b\u00f3snios mu\u00e7ulmanos que tinham fugido dos vilarejos da regi\u00e3o. Havia 40 mil pessoas, porque Srebr\u00eanica era o maior centro mu\u00e7ulmano de uma regi\u00e3o com a maioria s\u00e9rvia. Naquele dia cerca de 25 mil tinham se dirigido a Potocari, buscando ref\u00fagio na base dos capacetes azuis holandeses, mas os homens de Mladic j\u00e1 tinham come\u00e7ado o massacre. Reuniram todos os homens entre 15 e 65 anos, separando-os das mulheres, crian\u00e7as e idosos.<\/p>\n<h2><b>Mulheres e crian\u00e7as deportadas, homens assassinados<\/b><\/h2>\n<p>Mais de 23 mil foram deportados em \u00f4nibus e caminh\u00f5es para a regi\u00e3o de Tuzla na noite de 13 de julho. No mesmo dia os capacetes azuis holandeses obrigaram os refugiados a deixar a base. Entre 12 e 23 de julho uma parte dos homens e dos jovens fugiu para Tuzla atravessando a floresta, naquela que foi mais tarde chamada \u201ca marcha da morte\u201d porque foram mortos em emboscadas, devastados pelos bombardeios, por fim entregaram-se e foram presos. As primeiras execu\u00e7\u00f5es em massa come\u00e7aram na tarde de 13 de julho com o fuzilamento de 150 mu\u00e7ulmanos em Cerska e se conclu\u00edram em 16 de julho, quando come\u00e7aram as escava\u00e7\u00f5es das valas comuns. Depois de um m\u00eas e meio, militares e policiais s\u00e9rvios b\u00f3snios, para ocultar as provas do massacre, desenterraram os corpos das v\u00edtimas e sepultaram em outra localidade da regi\u00e3o.<\/p>\n<h2><b>As valas comuns encontradas gra\u00e7as aos sobreviventes<\/b><\/h2>\n<p>Valas comuns que puderam ser encontradas gra\u00e7as ao testemunho dos sobreviventes e documentos reunidos ao longo de dezenas de processos por crimes de guerra. Os processos foram realizados na Corte Internacional de Justi\u00e7a das Na\u00e7\u00f5es Unidas (Corte de Haia) e tamb\u00e9m junto os Tribunais locais da regi\u00e3o. Pelo genoc\u00eddio de Srebr\u00eanica at\u00e9 agora foram condenadas por crimes de guerra 70 pessoas: 20 pela Corte de Haia e 50 pelo tribunal de Sarajevo. Treze condenados, entre os quais tr\u00eas comandantes militares s\u00e9rvios e o chefe pol\u00edtico dos s\u00e9rvios b\u00f3snios Radovan Karadzic foram condenados a pris\u00e3o perp\u00e9tua.<\/p>\n<h2><b>Um genoc\u00eddio para destruir na regi\u00e3o a etnia bosn\u00edaca<\/b><\/h2>\n<p>Em 2007 a Corte de Haia estabeleceu que o massacre, por ter sido cometido com o objetivo de destruir o grupo \u00e9tnico dos bosn\u00edacos (os mu\u00e7ulmanos b\u00f3snios), \u00e9 considerado um \u201cgenoc\u00eddio\u201d. Em 21 de junho de 2017 a Corte de Apelo de Haia confirmou a senten\u00e7a de primeira inst\u00e2ncia, ou seja, que o governo holand\u00eas \u00e9 parcialmente respons\u00e1vel pela morte de 300 mu\u00e7ulmanos, porque os soldados holandeses obrigaram os refugiados que buscavam reparo na sua base a abandon\u00e1-la, entregando-os de fato aos carn\u00edfices, \u201cprivando-os da possibilidade de viver\u201d.<\/p>\n<h2><b>As desculpas do parlamento de Belgrado e do presidente s\u00e9rvio<\/b><\/h2>\n<p>Em 31 de mar\u00e7o de 2010 o parlamento da S\u00e9rvia, com o ent\u00e3o presidente Milosevic que sustentava e financiava o ex\u00e9rcito s\u00e9rvio b\u00f3snio, aprovou , depois de quase 13 horas de discuss\u00e3o, uma resolu\u00e7\u00e3o que condenava o massacre, sem defini-lo genoc\u00eddio e pedia desculpas pelas v\u00edtimas. Em 25 de abril de 2013 o presidente s\u00e9rvio Tomislav Nikolic, durante uma entrevista \u00e0 emissora televisiva b\u00f3snia BHRT, ajoelhou-se pedindo perd\u00e3o pelo massacre de Srebr\u00eanica.<\/p>\n<h2><b>V\u00edtimas civis tamb\u00e9m nos vilarejos s\u00e9rvios<\/b><\/h2>\n<p>Durante a guerra as tropas bosn\u00edacas (mu\u00e7ulmanos b\u00f3snios), guiados por Naser Ori\u0107, foram protagonistas de alguns ataques aos vilarejos s\u00e9rvios nos arredores de Srebr\u00eanica. O Centro de Pesquisas e documenta\u00e7\u00e3o de Sarajevo, centro de estudos independente com equipe de v\u00e1rias etnias, calculou, no munic\u00edpio de Bratunac, 119 v\u00edtimas civis s\u00e9rvio-bosn\u00edacas e 424 soldados.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No dia 11 de julho de 1995 o ex\u00e9rcito s\u00e9rvio b\u00f3snio massacrou mais de 8 mil mu\u00e7ulmanos inermes depois da conquista da pequena cidade de Srebr\u00eanica, que deveria estar sob a prote\u00e7\u00e3o dos capacetes azuis da ONU. 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