{"id":50678,"date":"2019-07-02T10:46:37","date_gmt":"2019-07-02T13:46:37","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=50678"},"modified":"2019-07-02T10:46:37","modified_gmt":"2019-07-02T13:46:37","slug":"vaticano-reafirma-a-inviolabilidade-do-segredo-de-confissao-sem-excecoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/vaticano-reafirma-a-inviolabilidade-do-segredo-de-confissao-sem-excecoes\/","title":{"rendered":"Vaticano reafirma a inviolabilidade do segredo de confiss\u00e3o sem exce\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p>O Vaticano reafirmou a inviolabilidade do segredo de Confiss\u00e3o e enfatizou que n\u00e3o admite qualquer exce\u00e7\u00e3o no \u00e2mbito eclesial, nem na esfera civil, j\u00e1 que &#8220;provem diretamente do direito divino revelado e est\u00e1 enraizado na pr\u00f3pria natureza do sacramento&#8221;.<\/p>\n<p>A Santa S\u00e9 se expressou mediante uma nota da Penitenciaria Apost\u00f3lica, assinada pelo Penitenci\u00e1rio-Mor, Cardeal Mauro Piacenza, sobre a import\u00e2ncia do foro interno e da inviolabilidade do sigilo sacramental, divulgada nesta segunda-feira, 1\u00ba de julho, na qual se destaca que &#8220;qualquer a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica ou iniciativa legislativa voltada a \u2018for\u00e7ar\u2019 a inviolabilidade do sigilo sacramental, constituiria uma inaceit\u00e1vel ofensa contra a\u00a0libertas Ecclesiae&#8221;.<\/p>\n<p>Constituiria tamb\u00e9m &#8220;uma viola\u00e7\u00e3o da liberdade religiosa, juridicamente fundante de todas as outras liberdades, inclu\u00edda a liberdade de consci\u00eancia de cada cidad\u00e3o, quer penitente como confessor&#8221;.<\/p>\n<p>Na nota, destaca-se que &#8220;o progresso tecno-cient\u00edfico crescente&#8221; favorece uma situa\u00e7\u00e3o na qual &#8220;o \u2018mundo da comunica\u00e7\u00e3o\u2019 parece querer \u2018substituir\u2019 a realidade, quer condicionando sua percep\u00e7\u00e3o como manipulando sua compreens\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Dessa tend\u00eancia, que pode assumir os tra\u00e7os inquietantes da morbidade, n\u00e3o est\u00e1 imune, infelizmente, a pr\u00f3pria estrutura eclesial, que vive no mundo e \u00e0s vezes assume seus crit\u00e9rios&#8221;, adverte.<\/p>\n<p>Mesmo &#8220;tamb\u00e9m entre os crentes, frequentemente, energias preciosas s\u00e3o empregadas na busca por \u2018not\u00edcias\u2019 \u2013 ou de verdadeiros \u2018esc\u00e2ndalos\u2019 \u2013 adequados \u00e0 sensibilidade de determinada opini\u00e3o p\u00fablica, com finalidades e objetivos que certamente n\u00e3o pertencem \u00e0 natureza te\u00e2ndrica da igreja&#8221;.<\/p>\n<p>Toda esta situa\u00e7\u00e3o vai &#8220;em grave detrimento do an\u00fancio do Evangelho&#8221;, por isso &#8220;\u00e9 preciso humildemente reconhecer que \u00e0s vezes nem mesmo as fileiras do clero, at\u00e9 as mais altas hierarquias, est\u00e3o isentas dessa tend\u00eancia&#8221;.<\/p>\n<p>Em tal contexto, &#8220;parece afirmar-se um certo \u2018preconceito negativo\u2019 para com a Igreja Cat\u00f3lica, cuja exist\u00eancia \u00e9 culturalmente apresentada e socialmente reentendida, por um lado, \u00e0 luz das tens\u00f5es que podem verificar-se dentro da pr\u00f3pria hierarquia e, por outro, a partir dos recentes esc\u00e2ndalos de abusos, horrivelmente perpetrados por alguns membros do clero&#8221;.<\/p>\n<p>Perante esta situa\u00e7\u00e3o, a Penitenciaria Apost\u00f3lica esclareceu, atrav\u00e9s desta nota, alguns conceitos.<\/p>\n<p><strong>Sigilo sacramental<\/strong><\/p>\n<p>Sobre o Sacramento da Reconcilia\u00e7\u00e3o, a nota da Penitenciaria Apost\u00f3lica recorda que &#8220;o inviol\u00e1vel sigilo da Confiss\u00e3o prov\u00e9m diretamente do direito divino revelado e est\u00e1 enraizado na pr\u00f3pria natureza do sacramento, a ponto de n\u00e3o admitir qualquer exce\u00e7\u00e3o no \u00e2mbito eclesial, nem, ainda menos, na esfera civil&#8221;.<\/p>\n<p>A nota lembra que o sigilo da confiss\u00e3o se refere &#8220;a pr\u00f3pria ess\u00eancia do cristianismo e da Igreja&#8221;; destaca que, na confiss\u00e3o, o sacerdote age na pessoa de Cristo e que &#8220;cada penitente que humildemente vai ao sacerdote para confessar seus pr\u00f3prios pecados, testemunha assim o grande mist\u00e9rio da encarna\u00e7\u00e3o e a ess\u00eancia sobrenatural da Igreja e do sacerd\u00f3cio ministerial\u201d.<\/p>\n<p>&#8220;Por tal raz\u00e3o, a defesa do sigilo sacramental por parte do confessor, se necess\u00e1rio\u00a0<em>usque ad sanguinis effusionem<\/em>, representa n\u00e3o somente um ato de devida \u2018lealdade\u2019 para com o penitente, mas muito mais: um testemunho necess\u00e1rio \u2013 um \u2018mart\u00edrio\u2019 \u2013 dado diretamente \u00e0 unicidade e \u00e0 universalidade salv\u00edfica de Cristo e da Igreja&#8221;.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, afirma-se que &#8220;a defesa do sigilo sacramental e a santidade da confiss\u00e3o nunca poder\u00e3o constituir qualquer forma de coniv\u00eancia com o mal, ao contr\u00e1rio, representam o \u00fanico verdadeiro ant\u00eddoto contra o mal que amea\u00e7a o homem e o mundo inteiro&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Na presen\u00e7a de pecados que integram as ofensas, nunca \u00e9 permiss\u00edvel colocar o penitente, como condi\u00e7\u00e3o de absolvi\u00e7\u00e3o, a obriga\u00e7\u00e3o de estabelecer-se para a justi\u00e7a civil, em virtude do princ\u00edpio natural, incorporado em toda ordem, segundo a qual \u2018nemo tenetur se detegere\u2019&#8221;, princ\u00edpio segundo o qual ningu\u00e9m \u00e9 obrigado a reconhecer sua culpabilidade.<\/p>\n<p>No entanto, tamb\u00e9m ressalta que &#8220;\u00e0 pr\u00f3pria \u2018estrutura\u2019 do Sacramento da Reconcilia\u00e7\u00e3o, como condi\u00e7\u00e3o para sua validade, o sincero arrependimento, juntamente com o firme prop\u00f3sito de emendar e n\u00e3o reiterar o mal cometido&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Legisla\u00e7\u00f5es estatais<\/strong><\/p>\n<p>Na nota explicativa divulgada junto com o documento, o Cardeal Mauro Piacenza assinalou que \u201c\u00e9 essencial insistir na incomparabilidade entre sigilo confessional e sigilo profissional, observado por algumas categorias (m\u00e9dicos, farmac\u00eauticos, advogados etc.), para evitar que s legisla\u00e7\u00f5es seculares apliquem ao sigilo de confiss\u00e3o, inviol\u00e1vel, as supress\u00f5es legitimamente previstas para o sigilo profissional\u201d.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m indicou que \u201co sigilo de confiss\u00e3o n\u00e3o \u00e9 um obriga\u00e7\u00e3o imposta a partir de fora, mas sim uma exig\u00eancia intr\u00ednseca do sacramento e, como tal, n\u00e3o pode ser privado nem mesmo do pr\u00f3prio penitente\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Vaticano reafirmou a inviolabilidade do segredo de Confiss\u00e3o e enfatizou que n\u00e3o admite qualquer exce\u00e7\u00e3o no \u00e2mbito eclesial, nem na esfera civil, j\u00e1 que &#8220;provem diretamente do direito divino revelado e est\u00e1 enraizado na pr\u00f3pria natureza do sacramento&#8221;. 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