{"id":50312,"date":"2019-06-19T10:01:16","date_gmt":"2019-06-19T13:01:16","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=50312"},"modified":"2019-06-19T10:01:16","modified_gmt":"2019-06-19T13:01:16","slug":"20-06-dia-mundial-do-refugiado-acolher-proteger-promover-integrar-e-celebrar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/20-06-dia-mundial-do-refugiado-acolher-proteger-promover-integrar-e-celebrar\/","title":{"rendered":"20\/06 \u2013 Dia Mundial do Refugiado: \u201cacolher, proteger, promover, integrar e celebrar\u201d"},"content":{"rendered":"<p>Dia 20 de junho celebra-se, em todo mundo, o Dia Mundial do Refugiado, de acordo com uma resolu\u00e7\u00e3o aprovada pela Assembleia Geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas. Para a Ag\u00eancia da ONU para Refugiados (ACNUR), a data \u00e9 uma oportunidade para homenagear a coragem, a resili\u00eancia e a for\u00e7a de todas as mulheres, homens e crian\u00e7as for\u00e7adas a deixar suas casas por causa de guerras, conflitos armados e persegui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Por ocasi\u00e3o da data, o bispo de Brejo (MA) e presidente da Comiss\u00e3o Episcopal Pastoral para a A\u00e7\u00e3o S\u00f3cio Transformadora, dom Jos\u00e9 Valdeci Santos Mendes, escreveu artigo sobre o processo migrat\u00f3rio no Brasil e o papel da Igreja. No Brasil, existem aproximadamente 1.2 milh\u00e3o de migrantes; os refugiados, em dado cumulativo, s\u00e3o mais de 10 mil; e h\u00e1 mais de 30 mil solicitantes de ref\u00fagio. Veja a \u00edntegra do texto de dom Valdeci.<\/p>\n<p><strong>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0A Igreja no Brasil e a Migra\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p><em>\u201cEu era forasteiro, e me recebeste em casa\u201d, Mt 25,34<\/em><\/p>\n<p>De 16 a 23 de junho\/2019, celebramos em todo o Brasil a 34\u00aa Semana do Migrante. A Semana do Migrante deste ano tem como tema Migra\u00e7\u00e3o e pol\u00edticas p\u00fablicas, procurando dar continuidade, no vasto campo da mobilidade humana, \u00e0 reflex\u00e3o e a\u00e7\u00e3o da Campanha da Fraternidade\/2019.O lema \u2013 Acolher, proteger, promover, integrar e celebrar. A luta \u00e9 todo dia \u2013 re\u00fane os j\u00e1 famosos quatro verbos do Papa Francisco, associados \u00e0 necessidade de celebrar os avan\u00e7os obtidos, bem como de empenhar-se por novas formas de luta.<\/p>\n<p>Desnecess\u00e1rio ressaltar a import\u00e2ncia da tem\u00e1tica para os nossos tempos. Como vem denunciando com insist\u00eancia o Papa Francisco desde sua elei\u00e7\u00e3o, em mar\u00e7o de 2013, os deslocamentos humanos de massa fazem parte de um cen\u00e1rio internacional onde predominam, de um lado, leis cada vez mais restritivas ao direito de ir e vir e, de outro, a globaliza\u00e7\u00e3o da indiferen\u00e7a. Da\u00ed a palavra de ordem do pont\u00edfice: na contram\u00e3o da \u201ceconomia que mata\u201d e que gera milh\u00f5es de \u201ctrabalhadores descart\u00e1veis\u201d, promover uma globaliza\u00e7\u00e3o da acolhida, do encontro, do di\u00e1logo e da solidariedade.<\/p>\n<p>Ao longo da hist\u00f3ria do Brasil, v\u00e1rios movimentos migrat\u00f3rios foram importantes e eles continuam ocorrendo constantemente, seja em \u00e2mbito internacional ou interno. Importante destacar que os movimentos migrat\u00f3rios dinamizam as sociedades, pois com a sa\u00edda ou a chegada de pessoas, h\u00e1 uma mudan\u00e7a na configura\u00e7\u00e3o social. Por\u00e9m, junto com os movimentos migrat\u00f3rios relacionam-se preconceitos \u00e9tnicos, religiosos e culturais.<\/p>\n<p>A exist\u00eancia da migra\u00e7\u00e3o no Brasil \u00e9 antiga, mas as raz\u00f5es disso mudam com o passar dos anos. No s\u00e9culo XVIII, por exemplo, a Am\u00e9rica Latina como um todo recebeu intensos fluxos migrat\u00f3rios, principalmente de europeus colonizadores e africanos escravizados. J\u00e1 no s\u00e9culo XIX, Argentina, Brasil, Uruguai e Chile atra\u00edram um novo fluxo migrat\u00f3rio originado a partir das crises pol\u00edtico-sociais que assolavam a Europa. Durante o s\u00e9culo XX, uma nova leva de imigrantes chegou \u00e0 Am\u00e9rica Latina ap\u00f3s a Segunda Guerra Mundial.<\/p>\n<p>Mais atualmente, a globaliza\u00e7\u00e3o teve um forte peso na decis\u00e3o das pessoas de escolherem um pa\u00eds de destino. Gra\u00e7as a ela, o \u201chorizonte\u201d dos indiv\u00edduos foi ampliado. Antes, a maioria dos migrantes objetivava mudar-se para uma cidade maior em seu pr\u00f3prio pa\u00eds ou para algum Estado vizinho. A partir da globaliza\u00e7\u00e3o, a dist\u00e2ncia entre as na\u00e7\u00f5es foi \u201cdiminu\u00edda\u201d.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, deixar tudo para tr\u00e1s e iniciar uma vida nova e uma na\u00e7\u00e3o distinta, com cultura e leis diferentes, representa um desafio para qualquer pessoa. Por outro lado, o choque de cultura maximiza o estigma carregado pelos migrantes, muitas vezes vistos como \u201cinvasores \u201c ou \u201cforasteiros\u201d. N\u00e3o s\u00e3o poucos os refugiados e migrantes que encontram resist\u00eancia por parte das comunidades locais, sendo v\u00edtimas de discrimina\u00e7\u00e3o e xenofobia. A marginaliza\u00e7\u00e3o dessas pessoas dificulta a integra\u00e7\u00e3o na sociedade, potencializando tens\u00f5es sociais e pol\u00edticas nos pa\u00edses de acolhida. Elas carregam consigo marcas da guerra e da viol\u00eancia, chegando, com muita frequ\u00eancia, sozinhos e desacompanhados.<\/p>\n<p>No mundo, s\u00e3o mais de 260 milh\u00f5es de migrantes; ali est\u00e3o 65,5 milh\u00f5es de pessoas deslocadas for\u00e7osamente; s\u00e3o aproximadamente 22,5 milh\u00f5es de refugiados e refugiadas; 2,5 milh\u00f5es de solicitantes de ref\u00fagio; e 40,3 milh\u00f5es de pessoas deslocadas for\u00e7osamente no interior dos pr\u00f3prios pa\u00edses. No Brasil, aproximadamente 1.2 milh\u00e3o de migrantes; os refugiados, em dado cumulativo, s\u00e3o mais de 10 mil; e h\u00e1 mais de 30 mil solicitantes de ref\u00fagio.<\/p>\n<p>Estes dados, seguramente nos impressionam. Mas isto n\u00e3o \u00e9 suficiente. Somos chamados a p\u00f4r em pr\u00e1tica os quatro verbos, as quatro a\u00e7\u00f5es \u2013 acolher, proteger, promover, integrar. H\u00e1 quem possa e deva incidir em decis\u00f5es e a\u00e7\u00f5es de abrang\u00eancia mundial, outros em \u00e2mbito regional, nacional, local\u2026 Em um mundo em que, a cada dia, aproximadamente 34 mil pessoas s\u00e3o for\u00e7adas a deslocar em raz\u00e3o de conflitos ou persegui\u00e7\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 solu\u00e7\u00e3o vi\u00e1vel sem uma abordagem humana que se lastreie na coopera\u00e7\u00e3o internacional.<\/p>\n<p>Assim, a Igreja no Brasil tamb\u00e9m \u00e9 chamada a colaborar, no sentido de ajudar a popula\u00e7\u00e3o migrante e os refugiados, de modo especial os irm\u00e3os e irm\u00e3s venezuelanos. Como o Papa Francisco sempre nos recorda, eles n\u00e3o s\u00e3o n\u00fameros, mas pessoas: homens, mulheres e crian\u00e7as que t\u00eam um rosto, que muito sofrem e que s\u00e3o descartados. Um rosto humano no qual vemos o rosto de Cristo, que queremos servir especialmente naqueles que s\u00e3o os menores e com mais necessidades.<\/p>\n<p>\u00c9 no apoio \u00e0s fam\u00edlias migrantes que, muitas vezes, migram em busca de seguran\u00e7a e de uma vida digna, especialmente para as crian\u00e7as, na ajuda \u00e0 integra\u00e7\u00e3o a fim de evitar situa\u00e7\u00f5es de descarte e no trabalho de sensibiliza\u00e7\u00e3o das comunidades de destino para evitar atitudes de rejei\u00e7\u00e3o provocadas pelo medo ou pela ignor\u00e2ncia que a Igreja pode e deve agir com efici\u00eancia. Ou, de acordo com a orienta\u00e7\u00e3o do Papa Francisco, as respostas efetivas da Igreja devem estar pautadas nas articula\u00e7\u00f5es em torno de quatro verbos que encontram seus fundamentos na Doutrina Social da Igreja: acolher, proteger, promover e integrar.<\/p>\n<p>Embora muitas na\u00e7\u00f5es devam seu desenvolvimento aos migrantes e apesar de suas experi\u00eancias terr\u00edveis serem divulgadas, a migra\u00e7\u00e3o \u00e9 vista somente como emerg\u00eancia ou perigo, mesmo sendo um elemento comum em nossas sociedades. Um compromisso urgente e necess\u00e1rio \u00e9 trabalhar por uma mudan\u00e7a de atitude, abandonando a cultura dominante do descarte e da rejei\u00e7\u00e3o. A Igreja deve colaborar para dissipar muitos preconceitos e medos infundados em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 acolhida dos estrangeiros e a difundir uma percep\u00e7\u00e3o equilibrada e positiva da migra\u00e7\u00e3o. A migra\u00e7\u00e3o \u00e9 uma dimens\u00e3o normal de nossa sociedade, que se tornou interdependente por causa das conex\u00f5es r\u00e1pidas, das comunica\u00e7\u00f5es e a necessidade de rela\u00e7\u00f5es em n\u00edvel mundial. S\u00e3o dimens\u00f5es nas quais realmente podemos ver os \u2018sinais dos tempos\u2019 que impulsionam a solidariedade globalmente.<\/p>\n<p>Sempre h\u00e1 espa\u00e7o onde todos e onde cada um\/a pode atuar\u2026 Na dimens\u00e3o pessoal, comunit\u00e1ria, institucional, no contexto da empresa onde trabalhamos, no mercado e na rua por onde transitamos, no clube, na pra\u00e7a ou no parque que frequentamos\u2026 \u00e9 infinita oportunidade que temos de combater a xenofobia, de evitar a rejei\u00e7\u00e3o e a discrimina\u00e7\u00e3o, de abrir espa\u00e7o ao outro, de acolher de alma e cora\u00e7\u00e3o sinceros, da fazer um gesto concreto de partilha, de elevar uma ora\u00e7\u00e3o que difunda o esp\u00edrito de fraternidade universal de fam\u00edlia humana. Estaremos, pois, inspirados por sentimentos de compaix\u00e3o, e com verdadeira paix\u00e3o, fazendo avan\u00e7ar a constru\u00e7\u00e3o da paz que todos e todas n\u00f3s desejamos para o mundo e para cada ser humano, seja migrante, seja refugiado, seja ap\u00e1trida, seja brasileiro ou brasileira. Acima da nacionalidade, est\u00e1 a cidadania da dignidade inalien\u00e1vel de todos os membros da fam\u00edlia humana.<\/p>\n<p>Por fim, recordo o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado a ser celebrado no dia 29 de setembro de 2019. O tema desta 105\u00aa edi\u00e7\u00e3o ser\u00e1 \u201cN\u00e3o se trata apenas de migrantes\u201d. Com este tema, o Papa Francisco quer sublinhar que os seus repetidos apelos em favor dos migrantes, refugiados, deslocados e v\u00edtimas do tr\u00e1fico de seres humanos devem ser entendidos no contexto da sua profunda preocupa\u00e7\u00e3o por todos os habitantes das periferias existenciais. \u201cA presen\u00e7a dos migrantes e refugiados \u2013 como a das pessoas vulner\u00e1veis em geral \u2013 constitui, hoje, um convite a recuperar algumas dimens\u00f5es essenciais da nossa exist\u00eancia crist\u00e3 e da nossa humanidade, que correm o risco de entorpecimento num teor de vida rico de comodidades. Aqui est\u00e1 a raz\u00e3o por que \u00abn\u00e3o se trata apenas de migrantes\u00bb, ou seja, quando nos interessamos por eles, interessamo-nos tamb\u00e9m por n\u00f3s, por todos; cuidando deles, todos crescemos; escutando-os, damos voz tamb\u00e9m \u00e0quela parte de n\u00f3s mesmos que talvez mantenhamos escondida por n\u00e3o ser bem vista hoje\u201d (Mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado \u2013 29 de setembro de 2019).<\/p>\n<p><strong>Dom Jos\u00e9 Valdeci Santos Mendes<\/strong><br \/>\nBispo de Brejo (MA)<br \/>\nPresidente da Comiss\u00e3o Episcopal de Pastoral para A\u00e7\u00e3o S\u00f3cio Transformadora<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dia 20 de junho celebra-se, em todo mundo, o Dia Mundial do Refugiado, de acordo com uma resolu\u00e7\u00e3o aprovada pela Assembleia Geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas. 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