{"id":50178,"date":"2019-06-17T08:20:46","date_gmt":"2019-06-17T11:20:46","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=50178"},"modified":"2019-06-17T08:20:46","modified_gmt":"2019-06-17T11:20:46","slug":"um-so-corpo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/um-so-corpo\/","title":{"rendered":"Um s\u00f3 corpo"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A solenidade de Corpus Christi \u00e9 excelente oportunidade para se pensar na unidade dos crist\u00e3os. Infelizmente, ocorre exatamente o contr\u00e1rio. Enquanto daqui se exalta os mist\u00e9rios da f\u00e9 eucar\u00edstica como exclusividade cat\u00f3lica, de l\u00e1 se exibe o purismo b\u00edblico como realidade evang\u00e9lica. Aqui estendemos tapetes num grito triunfal constante a ecoar em nossas ruas e avenidas. Acol\u00e1 se enchem est\u00e1dios, numa esp\u00e9cie de espet\u00e1culos circenses. Medem-se for\u00e7as, n\u00e3o a verdade da f\u00e9 crist\u00e3.<\/p>\n<p>Eis a f\u00e9 sem mist\u00e9rios! A competitividade entre denomina\u00e7\u00f5es crist\u00e3s nesta data se acentua ano a ano. O contr\u00e1rio seria muito mais produtivo, se quis\u00e9ssemos realmente mostrar ao mundo a beleza dos ensinamentos crist\u00e3os. Sen\u00e3o, vejamos o significado primeiro da verdadeira comunh\u00e3o, cerne do mist\u00e9rio eucar\u00edstico. O mais expressivo desejo de Cristo, em sua agonia na perspectiva do calv\u00e1rio, foi exatamente a quest\u00e3o da unidade. Ah, que todos sejam um, como o Pai e eu, disse quase num desalento. Nesse desabafo do Mestre encontramos n\u00e3o s\u00f3 um desejo, um sonho&#8230; Sua capacidade de olhar os fatos e conhecer os meandros da realidade tinha ali um qu\u00ea de decep\u00e7\u00e3o. Jesus antevia as divis\u00f5es que maculariam o testemunho do povo eleito.<\/p>\n<p>Como, ent\u00e3o, reverter essa hist\u00f3ria? Compreendendo a simplicidade desse mist\u00e9rio. O alimento que nos deixou Jesus foi sua vida, para celebrar \u201ca nova alian\u00e7a em meu sangue, que \u00e9 derramado por v\u00f3s&#8230;\u201d (Lc 22,20). O alimento gera a vida. Quando ingerimos um alimento, ele se torna parte do nosso organismo, da nossa vida. Mas se este alimento n\u00e3o for saud\u00e1vel, o pr\u00f3prio organismo se encarrega de expuls\u00e1-lo, rejeit\u00e1-lo atrav\u00e9s do v\u00f4mito ou mesmo da evacua\u00e7\u00e3o fecal. A natureza age com simplicidade, n\u00e3o complica na a\u00e7\u00e3o de constante transforma\u00e7\u00e3o que o corpo sadio processa diariamente. Tudo o que entra pela boca humana ter\u00e1 uma fun\u00e7\u00e3o vital na manuten\u00e7\u00e3o da sa\u00fade e da vitalidade do indiv\u00edduo ou, se t\u00f3xico e inadequado, na rejei\u00e7\u00e3o deste.<\/p>\n<p>Se assim acontece no campo biol\u00f3gico, como seria no campo espiritual ou mesmo intelectual? Quando Jesus afirmou ser \u201co p\u00e3o da vida\u201d, referia-se exatamente a esse mist\u00e9rio da unidade eucar\u00edstica. Sua presen\u00e7a f\u00edsica entre n\u00f3s, por si s\u00f3, j\u00e1 era um grande mist\u00e9rio, \u201co p\u00e3o vivo que desceu dos c\u00e9us\u201d, o novo man\u00e1 que dava vida ao mundo. Agora, quando pronunciava seus adeuses e despedidas naquela \u201cnoite trai\u00e7oeira\u201d da vingan\u00e7a humana sobre sua doutrina, o Mestre ansiava pela unidade \u201cdaqueles que o Pai me dera\u201d. Como alimento Ele se oferecia. Como fonte da vida se apresentava aos seus. Mesmo assim, naquela mesa nem todos compreenderam o mist\u00e9rio de suas revela\u00e7\u00f5es. Algu\u00e9m discordava. \u201cEis que a m\u00e3o de quem me trai est\u00e1 \u00e0 mesa comigo\u201d, disse Jesus, denunciando diverg\u00eancias em seu col\u00e9gio apost\u00f3lico. A trai\u00e7\u00e3o de Judas minou e destruiu o princ\u00edpio de unidade naquela mesa&#8230;<\/p>\n<p>Por essa e outras \u00e9 que temo pelas diverg\u00eancias na caminhada crist\u00e3. Em especial dentro do seu Corpo M\u00edstico, a Igreja. Negar o princ\u00edpio eucar\u00edstico \u00e9, mais uma vez, negar Cristo e sua verdade. \u00c9 entreg\u00e1-lo aos algozes deste mundo. Um alimento foi, \u00e9 e sempre ser\u00e1 sin\u00f4nimo de vida. Quando Jesus se apresentou como tal, fez-se fonte de nova vida, tornou-se \u201cprincipio e fim\u201d da plenitude de vida que a humanidade deseja. Por essa e outras \u00e9 que nossa falta de unidade ainda \u00e9 \u201cesc\u00e2ndalo para o mundo\u201d e por essa vergonha muitos padecem. Morremos espiritualmente conquanto temos \u00e0 nossa frente, bem \u00e0s fu\u00e7as da nossa ignor\u00e2ncia evang\u00e9lica, uma mesa posta, farta, riqu\u00edssima e bela, para saciar a fome de vida, da verdadeira vida com a qual sonhamos. A mesa da unidade crist\u00e3 \u00e9 a t\u00e1bua da salva\u00e7\u00e3o deste mundo fam\u00e9lico. Ali o p\u00e3o da vida sacia a fome de Deus que temos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; A solenidade de Corpus Christi \u00e9 excelente oportunidade para se pensar na unidade dos crist\u00e3os. Infelizmente, ocorre exatamente o contr\u00e1rio. Enquanto daqui se exalta os mist\u00e9rios da f\u00e9 eucar\u00edstica como exclusividade cat\u00f3lica, de l\u00e1 se exibe o purismo b\u00edblico como realidade evang\u00e9lica. 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