{"id":5015,"date":"2014-08-20T12:23:30","date_gmt":"2014-08-20T15:23:30","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/ser-catolico-implica-correr-o-risco-de-perder-amigos\/"},"modified":"2017-04-06T11:54:15","modified_gmt":"2017-04-06T14:54:15","slug":"ser-catolico-implica-correr-o-risco-de-perder-amigos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/ser-catolico-implica-correr-o-risco-de-perder-amigos\/","title":{"rendered":"Ser cat\u00f3lico implica correr o risco de perder amigos"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Uma vida cat\u00f3lica radicalmente intensa pode ser chocante para quem prefere o conforto de viver superficialmente<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o faz muito tempo, eu recebi um e-mail que me pedia o seguinte:<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/catolicanet.com.br\/images\/stories\/catolico.jpg\" border=\"0\" align=\"left\" \/>\u201cComo m\u00e3e, educadora, cat\u00f3lica e mulher no mundo atual, eu gostaria de saber um pouco mais sobre a sua convers\u00e3o. Voc\u00ea perdeu amigos? Voc\u00ea n\u00e3o se sente esquisita de vez em quando? Eu tenho 43 anos e sou a \u00fanica pessoa que eu conhe\u00e7o que vai \u00e0 missa mais que uma vez por semana. O que eu posso fazer para n\u00e3o me desanimar?\u201d.<\/p>\n<p>A minha resposta curta para esse tipo de situa\u00e7\u00e3o \u00e9 que n\u00f3s temos que descobrir o que faz o nosso cora\u00e7\u00e3o arder e, ent\u00e3o, correr atr\u00e1s desse algo com determina\u00e7\u00e3o obstinada. Para mim, por exemplo, o que funciona \u00e9 escrever.<\/p>\n<p>J\u00e1 a minha resposta longa \u00e9 que o catolicismo \u00e9 uma busca radical pela verdade. N\u00f3s n\u00e3o nos lembramos o suficiente do quanto a gra\u00e7a custa. N\u00e3o ouvimos falar o suficiente do quanto \u00e9 med\u00edocre seguir a Cristo mais ou menos. A f\u00e9 n\u00e3o nos chama a viver na mis\u00e9ria, mas nos chama, claramente, a n\u00e3o possuir muito mais do que realmente precisamos. A f\u00e9 nos convida \u00e0 pobreza, \u00e0 castidade e \u00e0 obedi\u00eancia. E o que eu descobri \u00e9 que estes tr\u00eas estados de vida s\u00e3o incrivelmente empolgantes e desafiadores! Eles nos d\u00e3o um tipo de liberdade e de \u201cconsci\u00eancia de ser\u201d que \u00e9 completamente inexistente no meio da nossa cultura entorpecente.<\/p>\n<p>Eu resisto resolutamente a ser uma pessoa &#8220;ocupada demais&#8221;. Acho que o tipo de ocupa\u00e7\u00e3o que a nossa cultura valoriza e almeja n\u00e3o \u00e9 obra de Deus. Certos tipos de m\u00eddia cat\u00f3lica dizem que n\u00f3s somos quase obrigados a assistir a filmes est\u00fapidos e a programas de TV de m\u00e1 qualidade para podermos enxergar as pessoas &#8220;do jeito que elas s\u00e3o&#8221;, mas eu n\u00e3o penso assim. S\u00f3 a ideia de perder 10 minutos vendo um programa de TV est\u00fapido para poder jogar conversa fora com algum &#8220;n\u00e3o crente&#8221; me deixa arrepiada.<\/p>\n<p>Se Cristo andava com as prostitutas e com os publicanos, n\u00e3o era porque Ele quisesse nos incentivar a contar piadas infames e a fazer fuxicos grosseiros. Ele n\u00e3o descia de n\u00edvel, mesmo quando se encontrava com as pessoas nos n\u00edveis em que elas viviam. Ele ia at\u00e9 l\u00e1 para cham\u00e1-las a subir de n\u00edvel. N\u00f3s amamos de fato as pessoas quando vemos a sua fome e sede terr\u00edvel, mas as convidamos a contribuir, mostrando a elas que elas tamb\u00e9m t\u00eam uma miss\u00e3o integral e de import\u00e2ncia vital.<\/p>\n<p>Eu perdi o meu casamento, em parte, porque me converti. Eu abandonei o meu trabalho como advogada porque me converti. N\u00e3o sei se perdi amigos, mas posso ter perdido certa proximidade com certos amigos. Que o catolicismo seja constantemente mal interpretado, incompreendido, caluniado, desprezado, eu posso aceitar. O que me incomoda \u00e9 que as pessoas vejam o catolicismo como uma excentricidade sem sentido.<\/p>\n<p>Logo depois que Obama foi eleito, uma amiga minha, que se derretia toda por ele, me perguntou: &#8220;Voc\u00ea tamb\u00e9m adora o Obama, n\u00e3o adora?&#8221;. Eu respondi: &#8220;Bom, ele parece uma pessoa legal, mas eu n\u00e3o morro de amores pelo fato de ele apoiar pesquisas com c\u00e9lulas estaminais embrion\u00e1rias. E aposto com voc\u00ea que n\u00e3o vai melhorar nada para os pobres, aposto que ele vai come\u00e7ar uma ou duas guerras e aposto que, daqui a um ano, muita gente vai come\u00e7ar a odi\u00e1-lo&#8221;. Ela retrucou: &#8220;Poxa, isso \u00e9 s\u00f3 coisa do seu catolicismo&#8221;. Eu quase pulei da cadeira. &#8220;Coisa do meu catolicismo?! O meu catolicismo \u00e9 a minha vida! O meu catolicismo \u00e9 o ar que eu respiro!&#8221;.<\/p>\n<p>Foi por causa do meu catolicismo que eu n\u00e3o votei em Obama nem em Romney. Domingo passado, no Los Angeles Times, eu li que, desde 1995, o Pent\u00e1gono distribuiu 5,1 bilh\u00f5es de d\u00f3lares em equipamentos militares excedentes para os departamentos de pol\u00edcia dos Estados Unidos: fuzis, ve\u00edculos blindados resistentes a minas, helic\u00f3pteros. Li sobre Mohamedou Ould Slahi, preso em Guant\u00e1namo, que, embora nunca tenha sido acusado de crime algum, est\u00e1 sob cust\u00f3dia dos Estados Unidos desde 2001. Ele escreveu um livro de mem\u00f3rias que fala, entre outras coisas, da tortura que sofreu em nossas m\u00e3os. Li tamb\u00e9m, recentemente, a resenha de um livro chamado \u201cThe Invisible Soldiers: How America Outsourced Our Security\u201d [\u201cOs soldados invis\u00edveis: como os EUA terceirizaram a sua seguran\u00e7a\u201d], de Ann Hagedorn, e soube que &#8220;metade dos 16 mil funcion\u00e1rios que trabalham para a Embaixada dos Estados Unidos em Bagd\u00e1 desde a retirada das tropas norte-americanas s\u00e3o contratados&#8221;, que gastamos bilh\u00f5es de d\u00f3lares com mercen\u00e1rios e que, de acordo com um executivo da Blackwater, o ex-SEAL Erik Prince, &#8220;o ex\u00e9rcito dos EUA n\u00e3o \u00e9 grande o suficiente para fazer frente a todas as exig\u00eancias de uma miss\u00e3o ampla, cara e complexa como a guerra do Iraque&#8221;.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, por que criticar justamente o catolicismo?<\/p>\n<p>O sistema inteiro sob o qual vivemos \u00e9 muito, muito afastado de Cristo. Pode n\u00e3o haver respostas, mas n\u00f3s temos que fazer pelo menos as perguntas. A nossa intelig\u00eancia, como cat\u00f3licos, n\u00e3o pode deixar de notar a viol\u00eancia sat\u00e2nica e cheia de segredos terr\u00edveis que \u00e9 perpetrada pelo nosso governo! N\u00e3o podemos esperar, por exemplo, que um pa\u00eds que gasta mais dinheiro com ex\u00e9rcito e armas do que todas as outras na\u00e7\u00f5es do mundo juntas v\u00e1 se preocupar seriamente com as crian\u00e7as que ainda n\u00e3o nasceram.<\/p>\n<p>Eu, particularmente, n\u00e3o quero ficar alienada. Como seguidora de Cristo, eu quero lutar pelo bem das pessoas. O que me preocupa \u00e9 que o simples fato de expressar opini\u00f5es como esta me fa\u00e7a perder amigos cat\u00f3licos.<\/p>\n<p>Diante de tudo isso, n\u00e3o podemos esquecer que a ressurrei\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 apenas um final feliz. A ressurrei\u00e7\u00e3o \u00e9 um final surpreendente.<\/p>\n<p>Fonte: Aleteia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma vida cat\u00f3lica radicalmente intensa pode ser chocante para quem prefere o conforto de viver superficialmente N\u00e3o faz muito tempo, eu recebi um e-mail que me pedia o seguinte: \u201cComo m\u00e3e, educadora, cat\u00f3lica e mulher no mundo atual, eu gostaria de saber um pouco mais sobre a sua convers\u00e3o. Voc\u00ea perdeu amigos? 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