{"id":4980,"date":"2014-08-12T17:32:32","date_gmt":"2014-08-12T20:32:32","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/de-ateia-a-padroeira-da-europa-a-gloriosa-jornada-de-edith-stein\/"},"modified":"2017-04-06T11:26:25","modified_gmt":"2017-04-06T14:26:25","slug":"de-ateia-a-padroeira-da-europa-a-gloriosa-jornada-de-edith-stein","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/de-ateia-a-padroeira-da-europa-a-gloriosa-jornada-de-edith-stein\/","title":{"rendered":"De ateia a padroeira da Europa: a gloriosa jornada de Edith Stein"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\n<p><strong>Em agosto de 1942, ela foi martirizada em uma c\u00e2mara de g\u00e1s em Auschwitz \u2013 mas o seu legado permanece para sempre<\/strong><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/catolicanet.com.br\/images\/stories\/edithstein.jpg\" border=\"0\" align=\"left\" \/>No dia 12 de outubro de 1891, nasceu em uma fam\u00edlia judaica ortodoxa uma menina, a mais nova de onze filhos. Parece providencial que Edith Stein viesse ao mundo no dia do Yom Kipur, a Jornada da Expia\u00e7\u00e3o, a mais santa de todas as datas sagradas para os judeus. Deus tinha planos extraordin\u00e1rios para Edith, embora ningu\u00e9m imaginasse os rumos que a sua trajet\u00f3ria fosse tomar. A miss\u00e3o que Deus tinha tra\u00e7ado para ela surpreenderia a pr\u00f3pria Edith.<\/p>\n<p>Edith Stein era uma intelectual, uma fil\u00f3sofa. Depois de trabalhar como assistente de enfermagem durante a Primeira Guerra Mundial, ela fez doutorado em filosofia. Edith acabou se tornando ateia. A religi\u00e3o n\u00e3o teve relev\u00e2ncia alguma na sua adolesc\u00eancia nem na sua jovem vida adulta. Ela estava preocupada com os seus estudos, com a ci\u00eancia, com a filosofia, com a Grande Guerra, com a vida. N\u00e3o sentia necessidade de Deus nem das coisas de Deus. Em outras palavras, ela era muito parecida com muitos jovens de hoje, que estudam em boas universidades e se veem totalmente absorvidos pela vida terrena e despreocupados da vida eterna.<\/p>\n<p>Por meio de encontros aparentemente insignificantes, no entanto, Deus come\u00e7ou a cham\u00e1-la para uma vida no Esp\u00edrito. Certa vez, ela encontrou uma mulher em ora\u00e7\u00e3o na catedral de Frankfurt e ficou impressionada com a piedade dos crist\u00e3os ao visitarem as igrejas, mesmo que nada de especial estivesse acontecendo l\u00e1 dentro daqueles templos. Ela visitou a vi\u00fava de um amigo querido que tinha morrido em combate em Flandres e ficou surpresa com profunda f\u00e9 da jovem e com a sua aceita\u00e7\u00e3o espiritual da vontade de Deus. Edith mesma comentou:<\/p>\n<p>&#8220;Este foi o meu primeiro encontro com a Cruz e com o poder divino que ela d\u00e1 a quem a suporta&#8230; Foi o momento em que a minha incredulidade desmoronou e Cristo come\u00e7ou a fazer a sua luz brilhar em mim \u2013 Cristo, o mist\u00e9rio da cruz&#8221;.<\/p>\n<p>Deus tinha aberto as portas para a mente e para o cora\u00e7\u00e3o de Edith.<\/p>\n<p>Alguns anos mais tarde, na casa de um amigo, Edith encontrou uma c\u00f3pia da autobiografia de Santa Teresa de \u00c1vila e passou a noite em claro at\u00e9 acabar de l\u00ea-la. Edith teve ent\u00e3o a certeza de que tinha encontrado a Verdade. Ela foi batizada alguns meses mais tarde, em 1\u00ba de janeiro de 1922. Mas o Senhor ainda n\u00e3o tinha terminado a obra da sua transforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Gra\u00e7as ao seu intelecto agu\u00e7ado, ao seu senso de maravilhamento, ao seu amor pelo aprendizado e \u00e0 sua busca pela verdade, ela veio a conhecer e amar a Deus. Esse conhecimento sempre levou Edith a querer saber mais, amar mais e dar-se a Ele por inteiro. Ela desejava dar a Deus a sua mente, os seus dons, a sua energia, o seu cora\u00e7\u00e3o. Edith se sentiu atra\u00edda pela ordem das carmelitas descal\u00e7as, mas adiou a imediata mo\u00e7\u00e3o rumo \u00e0 vida religiosa por respeito \u00e0 m\u00e3e, profundamente ferida pela convers\u00e3o da filha ca\u00e7ula ao catolicismo.<\/p>\n<p>Em 1933, no entanto, Edith perdeu o cargo de professora quando os nazistas come\u00e7aram a \u201climpar\u201d o servi\u00e7o p\u00fablico de todos os n\u00e3o-arianos. Foi quando entrou no carmelo de Col\u00f4nia e adotou o nome de irm\u00e3 Teresa Benedita da Cruz. Atra\u00edda pela vida e pela espiritualidade de Santa Teresinha de Lisieux, a irm\u00e3 Teresa Benedita come\u00e7ou, nesses primeiros anos como carmelita na Europa, a sentir o peso da sua quota da Cruz de Cristo. A persegui\u00e7\u00e3o contra os judeus estava come\u00e7ando.<\/p>\n<p>Com a &#8220;elei\u00e7\u00e3o&#8221; de Hitler em 1938, a persegui\u00e7\u00e3o se tornou mais sistem\u00e1tica e mais aberta. Em 1938, a superiora carmelita de Col\u00f4nia transferiu Teresa Benedita e sua irm\u00e3, Rosa (que tamb\u00e9m havia se tornado cat\u00f3lica e era carmelita externa) a um carmelo em Echt, na Holanda, para tir\u00e1-las da rota do mal que avan\u00e7ava. <\/p>\n<p>Santa Teresa Benedita escreveu um &#8220;testamento&#8221; prof\u00e9tico em 6 de junho de 1939:<\/p>\n<p>&#8220;Pe\u00e7o ao Senhor que fa\u00e7a uso da minha vida e da minha morte&#8230; conforme os Sagrados Cora\u00e7\u00f5es de Jesus e de Maria e segundo a Santa Igreja, especialmente pela preserva\u00e7\u00e3o da nossa santa ordem, em particular dos mosteiros carmelitas de Col\u00f4nia e de Echt, como expia\u00e7\u00e3o pela descren\u00e7a do povo judeu e para que o Senhor seja recebido pelo seu pr\u00f3prio povo e o seu reino venha na gl\u00f3ria para a salva\u00e7\u00e3o da Alemanha e para a paz no mundo, para os meus entes queridos, vivos ou mortos, e por todos aqueles que Deus me deu: para que nenhum deles se perca&#8221;.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a invas\u00e3o nazista de 1940 e a ocupa\u00e7\u00e3o dos Pa\u00edses Baixos, o seu sacrif\u00edcio, j\u00e1 aceito em paz, se aproximou ainda mais. Em repres\u00e1lia a uma declara\u00e7\u00e3o de 1942 em que a Confer\u00eancia dos Bispos Holandeses condenava a persegui\u00e7\u00e3o dos nazistas e a deporta\u00e7\u00e3o dos judeus, a Gestapo invadiu as comunidades religiosas na Holanda para prender e deportar todos os judeus convertidos que tivessem sido abrigados dentro delas.<\/p>\n<p>No dia 2 de agosto de 1942, a irm\u00e3 Teresa Benedita e sua irm\u00e3 Rosa foram presas. Enquanto eram levadas para fora do convento, Edith foi ouvida sussurrando a Rosa: &#8220;Vamos, vamos pelo nosso povo&#8221;.<\/p>\n<p>Que exemplo de ren\u00fancia e de abnega\u00e7\u00e3o heroica! O amor de Santa Teresa Benedita por Deus era t\u00e3o grande que se derramava em amor pelos vizinhos, pela fam\u00edlia e pelos amigos judeus. Edith Stein sabia que Deus a tinha considerado digna de uma morte de m\u00e1rtir e a enfrentou corajosamente. Os ind\u00edcios apontam para a data de 9 de agosto de 1942 como o dia em que a irm\u00e3 Teresa Benedita, sua irm\u00e3 Rosa e muitas outras v\u00edtimas foram levadas ao encontro da morte em uma c\u00e2mara de g\u00e1s em Auschwitz.<\/p>\n<p>A grande intelectual tinha partido. Uma alma nobre era levada deste mundo, mas nos deixava um exemplo extraordin\u00e1rio de vida determinada e sacrificial, de f\u00e9 firme o suficiente para suportar a crueldade e a humilha\u00e7\u00e3o, de amor a Deus e ao pr\u00f3ximo, capaz de vencer o medo humano e de se comprovar no sofrimento e na morte. A irm\u00e3 Teresa Benedita poderia ter dado muito mais ao mundo, mas a sua morte, oferecida de forma apropriada em expia\u00e7\u00e3o pela descren\u00e7a do povo judeu, pela salva\u00e7\u00e3o da Alemanha, pela vinda do Reino de Deus e pela paz no mundo, superou qualquer oferta natural que ela pudesse ter feito nesta vida.<\/p>\n<p>Canonizada em 1998 pelo papa Jo\u00e3o Paulo II, Santa Teresa Benedita da Cruz \u00e9 uma dos seis santos padroeiros da Europa.<\/p>\n<p>Santa Teresa Benedita da Cruz, roga por n\u00f3s, para que possamos amar a Deus e ao pr\u00f3ximo com o teu mesmo esp\u00edrito de completo sacrif\u00edcio. <\/p>\n<p>Fonte: Aleteia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em agosto de 1942, ela foi martirizada em uma c\u00e2mara de g\u00e1s em Auschwitz \u2013 mas o seu legado permanece para sempre No dia 12 de outubro de 1891, nasceu em uma fam\u00edlia judaica ortodoxa uma menina, a mais nova de onze filhos. 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