{"id":4938,"date":"2014-08-04T13:32:29","date_gmt":"2014-08-04T16:32:29","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/os-catolicos-e-a-vida-politica\/"},"modified":"2017-04-06T10:54:22","modified_gmt":"2017-04-06T13:54:22","slug":"os-catolicos-e-a-vida-politica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/os-catolicos-e-a-vida-politica\/","title":{"rendered":"Os cat\u00f3licos e a vida pol\u00edtica"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Os fi\u00e9is cat\u00f3licos s\u00e3o livres para agir no campo temporal dentro do qual se insere a pol\u00edtica, optando por diferentes formas de governo ou partidos pol\u00edticos. Todavia, n\u00e3o lhes \u00e9 l\u00edcito subtrair-se aos princ\u00edpios da Doutrina (ou Ensino) Social da Igreja, cujos fundamentos est\u00e3o na Lei Natural Moral e na Divina Revela\u00e7\u00e3o, contida na Escritura e na Tradi\u00e7\u00e3o interpretadas pelo Magist\u00e9rio da Igreja. \u00c9 o que explicita a Nota Doutrinal da Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9.<br \/>Tal postura, por si, n\u00e3o trata \u201cde \u2018valores confessionais\u2019, uma vez que tais exig\u00eancias \u00e9ticas radicam-se no ser humano e pertencem \u00e0 Lei Natural Moral. N\u00e3o sup\u00f5e, da parte de quem as defende, a profiss\u00e3o de f\u00e9 crist\u00e3, embora a doutrina da Igreja as confirme e tutele, sempre e em toda a parte, como um servi\u00e7o desinteressado \u00e0 verdade sobre o homem e ao bem comum das sociedades civis. N\u00e3o se pode, por outro lado, negar que a pol\u00edtica deve tamb\u00e9m regular-se por princ\u00edpios que t\u00eam um valor pr\u00f3prio, precisamente por estarem ao servi\u00e7o da dignidade da pessoa e do verdadeiro progresso humano\u201d.<br \/>Isso nada tem a ver com a separa\u00e7\u00e3o entre Igreja e Estado, de modo que cada um cuide de suas obriga\u00e7\u00f5es, em harmonia e sem lit\u00edgios. Essa separa\u00e7\u00e3o deixa bem claro que a organiza\u00e7\u00e3o da Igreja n\u00e3o deve ser obstaculizada ou dificultada pelo Estado enquanto este n\u00e3o professa nenhuma religi\u00e3o oficial. Mesmo separado da Igreja, \u201c\u00e9 a quest\u00e3o do direito-dever dos cidad\u00e3os cat\u00f3licos, ali\u00e1s, como de todos os demais cidad\u00e3os, de procurar sinceramente a verdade e promover e defender com meios l\u00edcitos as verdades morais relativas \u00e0 vida social, \u00e0 justi\u00e7a, \u00e0 liberdade, ao respeito da vida e dos outros direitos da pessoa. O fato de algumas destas verdades serem tamb\u00e9m ensinadas pela Igreja n\u00e3o diminui a legitimidade civil e a \u2018laicidade\u2019 do empenho dos que com elas se identificam, independentemente do papel que a busca racional e a confirma\u00e7\u00e3o ditada pela f\u00e9 tenham tido no seu reconhecimento por parte de cada cidad\u00e3o\u201d. <br \/>Aos que se refugiam na mon\u00f3tona repeti\u00e7\u00e3o e uma falsa interpreta\u00e7\u00e3o de que o Estado \u00e9 laico, devemos lembrar que \u201ca \u2018laicidade\u2019, de fato, significa, em primeiro lugar, a atitude de quem respeita as verdades resultantes do conhecimento natural que se tem do homem que vive em sociedade, mesmo que essas verdades sejam contemporaneamente ensinadas por uma religi\u00e3o espec\u00edfica, pois a verdade \u00e9 uma s\u00f3. Seria um erro confundir a justa autonomia, que os cat\u00f3licos devem assumir em pol\u00edtica, com a reivindica\u00e7\u00e3o de um princ\u00edpio que prescinde do ensinamento moral e social da Igreja\u201d, cujos preceitos n\u00e3o s\u00e3o de intromiss\u00e3o no governo de cada pa\u00eds, mas de dever moral e de coer\u00eancia aos leigos cat\u00f3licos que atuam na vida pol\u00edtica.<br \/>E mais: \u201cNas sociedades democr\u00e1ticas todas as propostas s\u00e3o discutidas e avaliadas livremente. Aquele que, em nome do respeito da consci\u00eancia individual, visse no dever moral dos crist\u00e3os de ser coerentes com a pr\u00f3pria consci\u00eancia um sinal para desqualific\u00e1-los politicamente, negando a sua legitimidade de agir em pol\u00edtica de acordo com as pr\u00f3prias convic\u00e7\u00f5es relativas ao bem comum, cairia numa esp\u00e9cie de intolerante laicismo. Com tal perspectiva, pretende-se negar n\u00e3o s\u00f3 qualquer relev\u00e2ncia pol\u00edtica e cultural da f\u00e9 crist\u00e3, mas at\u00e9 a pr\u00f3pria possibilidade de uma \u00e9tica natural\u201d, contrariando a pr\u00f3pria raz\u00e3o humana que prescinde da f\u00e9. <br \/>\u201cSe assim fosse \u2013 reafirma o Documento da Santa S\u00e9 \u2013 abrir-se-ia caminho a uma anarquia moral, que nada e nunca teria a ver com qualquer forma de leg\u00edtimo pluralismo. A prepot\u00eancia do mais forte sobre o fraco seria a consequ\u00eancia l\u00f3gica de tal imposta\u00e7\u00e3o. Ali\u00e1s, a marginaliza\u00e7\u00e3o do Cristianismo n\u00e3o poderia ajudar ao projeto de uma sociedade futura e \u00e0 conc\u00f3rdia entre os povos; seria, pelo contr\u00e1rio, uma amea\u00e7a para os pr\u00f3prios fundamentos espirituais e culturais da civiliza\u00e7\u00e3o (cf. S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II, Discurso ao Corpo Diplom\u00e1tico acreditado junto da Santa S\u00e9, in: L\u2019Osservatore Romano, 11 de Janeiro de 2002)\u201d. <br \/>Em tais pontos, os fi\u00e9is devem permanecer unidos em torno das seguras orienta\u00e7\u00f5es da M\u00e3e Igreja sem causar confus\u00e3o entre seus irm\u00e3os e irm\u00e3s como alguns que, segundo a Nota da Santa S\u00e9, mesmo sendo membros de institui\u00e7\u00f5es de inspira\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica, pregam e agem contra a moral crist\u00e3. Ao lado destes, que se dizem de dentro da Igreja, se juntam os meios de comunica\u00e7\u00e3o social que, por ignor\u00e2ncia ou m\u00e1-f\u00e9, promovem ambiguidades quanto ao pensamento cat\u00f3lico em termo de pol\u00edtica.<br \/>Frente a esses desvios, o fiel \u00e9 chamado, por coer\u00eancia, a apresentar o rico patrim\u00f4nio moral crist\u00e3o \u00e0 humanidade sem se sentir inferiorizado por sua f\u00e9. Ao contr\u00e1rio, deve se sentir feliz por testemunhar ao mundo a verdade, que \u00e9 o pr\u00f3prio Cristo Jesus (cf. Jo 14,6), pois nenhuma filosofia pode, depois dos anos que se sucederam \u00e0 Segunda Guerra Mundial (1939-1945), se dizer infal\u00edvel e, por isso, julgar os cat\u00f3licos como cidad\u00e3os de segunda classe, como, \u00e0s vezes, se tenta fazer.<br \/>N\u00e3o se entenda com isso que a f\u00e9 \u00e9 maniatadora do ser humano. Ela lhe d\u00e1 liberdade de escolhas sem coa\u00e7\u00e3o, mas, em contrapartida, ningu\u00e9m deve entender tal liberdade (na realidade, libertinismo) como se fosse uma salada indigesta capaz de igualar o bem ao mal, a verdade ao erro, o certo ao incerto etc. Por isso, o Papa Paulo VI afirmou que \u201co Conc\u00edlio, de modo nenhum, funda um tal direito \u00e0 liberdade religiosa sobre o fato de que todas as religi\u00f5es e todas as doutrinas, mesmo err\u00f4neas, tenham um valor mais ou menos igual; funda-o, inv\u00e9s, sobre a dignidade da pessoa humana, que exige que n\u00e3o se a submeta a constri\u00e7\u00f5es exteriores, tendentes a coartar a consci\u00eancia na procura da verdadeira religi\u00e3o e na ades\u00e3o \u00e0 mesma\u201d (Discurso ao Sacro Col\u00e9gio e aos Prelados Romanos, in: Insegnamenti di Paolo VI, 14 (1976) 1088-1089).<br \/>Eis porque um cat\u00f3lico coerente com sua consci\u00eancia moral, e at\u00e9 psicol\u00f3gica, n\u00e3o pode se dizer ao mesmo tempo crist\u00e3o e propagar, filiar-se ou defender programas contr\u00e1rios \u00e0 dignidade humana, como s\u00e3o o aborto e a eutan\u00e1sia, por exemplo, nem os ataques mais variados \u00e0 fam\u00edlia, c\u00e9lula-m\u00e3e de toda sociedade organicamente constitu\u00edda. Fiquemos, pois, atentos!<br \/> A t\u00edtulo de conclus\u00e3o, o importante Documento da Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9 deixa claro o seguinte: \u201cAs orienta\u00e7\u00f5es contidas na presente Nota entendem iluminar um dos mais importantes aspectos da unidade de vida do crist\u00e3o: a coer\u00eancia entre a f\u00e9 e a vida, entre o Evangelho e a cultura, recomendada pelo Conc\u00edlio Vaticano II. Este exorta os fi\u00e9is \u2018a cumprirem fielmente os seus deveres temporais, deixando-se conduzir pelo esp\u00edrito do Evangelho. Afastam-se da verdade aqueles que \u2013 pretextando que n\u00e3o temos aqui cidade permanente, pois demandamos a futura \u2013 creem poder, por isso mesmo, descurar as suas tarefas temporais, sem se darem conta de que a pr\u00f3pria f\u00e9, de acordo com a voca\u00e7\u00e3o de cada um, os obriga a um mais perfeito cumprimento delas\u2019. Queiram os fi\u00e9is \u2018poder exercer as suas atividades terrenas, unindo numa s\u00edntese vital todos os esfor\u00e7os humanos, familiares, profissionais, cient\u00edficos e t\u00e9cnicos, com os valores religiosos, sob cuja alt\u00edssima hierarquia tudo coopera para a gl\u00f3ria de Deus\u201d (Gaudium et spes, n. 43; cfr. tamb\u00e9m S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II, Exort. Apost.Christifideles laici, n. 59).<br \/>Possam essas nossas reflex\u00f5es, \u00e0 luz da Nota Doutrinal da Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9, servir de par\u00e2metro na orienta\u00e7\u00e3o de todos quantos se acham confusos ante as tantas correntes de pensamentos s\u00f3cio-pol\u00edticos que nos s\u00e3o apresentadas, quase diariamente, pelos mais diversos meios de comunica\u00e7\u00e3o.<br \/>Que o Senhor Jesus, Rei do Universo, por intercess\u00e3o da Virgem M\u00e3e Aparecida, ajude o nosso sofrido povo brasileiro, hoje e sempre. Am\u00e9m!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os fi\u00e9is cat\u00f3licos s\u00e3o livres para agir no campo temporal dentro do qual se insere a pol\u00edtica, optando por diferentes formas de governo ou partidos pol\u00edticos. 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