{"id":49365,"date":"2019-05-20T08:58:18","date_gmt":"2019-05-20T11:58:18","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=49365"},"modified":"2019-05-20T08:58:18","modified_gmt":"2019-05-20T11:58:18","slug":"a-gigante-da-bahia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/a-gigante-da-bahia\/","title":{"rendered":"A gigante da Bahia"},"content":{"rendered":"<p>Corpo franzino, com pouco mais de um metro e meio de altura, pesando em m\u00e9dia quarenta quilos, a pequenina Maria Rita Lopes Pontes se tornou a primeira mulher brasileira a galgar os altares das devo\u00e7\u00f5es cat\u00f3licas, com direito a ser cultuada e venerada como santa. Neste \u00faltimo treze de maio (data significativa), o Papa Francisco reconheceu um segundo milagre de Maria Rita, a gigante irm\u00e3 Dulce da Bahia. O milagre, uma cura instant\u00e2nea da cegueira de um homem cujo nome permanece no anonimato, restaura tamb\u00e9m a cegueira social daqueles que ainda hesitavam em enxergar nas obras da irm\u00e3 o gigantismo da a\u00e7\u00e3o de Deus entre os pequeninos.<\/p>\n<p>Basta dizer que a entidade fundada por Dulce nasceu dum galinheiro improvisado. Ocupando esse espa\u00e7o, a pequenina irm\u00e3zinha deu inicio \u00e0 maior obra social do Brasil, que hoje tornou-se um complexo hospitalar com servi\u00e7o gratuito capaz de atender 3,5 milh\u00f5es de pessoas por ano. Um dia lhe perguntaram: se voc\u00ea morrer, quem vai continuar seu trabalho? Sem pestanejar, irm\u00e3 Dulce respondeu: \u201c\u00c9 uma quest\u00e3o de f\u00e9. Tendo f\u00e9 em Deus eu n\u00e3o me preocupo com o dia de amanh\u00e3. A obra \u00e9 de Deus e Ele certamente saber\u00e1 o que fazer\u201d. F\u00e9 pura e genu\u00edna. Afinal, quem esteve no comando de suas a\u00e7\u00f5es, durante toda sua vida, foi Deus. Continuar\u00e1 sendo Ele, nos disse Dulce.<\/p>\n<p>A docilidade de seu nome n\u00e3o veio por acaso. Filha de um casal exemplar, ele dentista e ela dom\u00e9stica, a menina Rita perdeu sua m\u00e3e aos sete anos. Imaginem a dor dessa crian\u00e7a. Mas da m\u00e3e herdou n\u00e3o s\u00f3 a f\u00e9, como tamb\u00e9m o nome que escolheu quando dos votos religiosos. Dulce era a m\u00e3e. Dulce tornou-se a m\u00e3e dos pobres, a do\u00e7ura em pessoa que as ruas de Salvador viram nascer e crescer de forma espont\u00e2nea e miraculosa, pois sua aparente fragilidade enganava a todos com a fortaleza de uma f\u00e9 sem limites.<\/p>\n<p>Basta dizer que irm\u00e3 Dulce n\u00e3o tinha um dos pulm\u00f5es. O outro tinha uma capacidade respirat\u00f3ria de apenas 35 por cento. Dormia sentada numa espregui\u00e7adeira, no m\u00e1ximo durante quatro horas. N\u00e3o se deitava, pois poderia morrer asfixiada, j\u00e1 que a falta de ar era lhe uma amea\u00e7a constante. Quando questionada pelo m\u00e9dico como tinha passado a noite, respondia sorrindo: \u201cPassei na boate, doutor\u201d. Para quem n\u00e3o sabe, \u201cboate\u201d \u00e9 o nome ir\u00f4nico que se d\u00e1 ao aparelho de oxig\u00eanio. Pureza e simplicidade pr\u00f3pria dos santos! Madre Ol\u00edvia, que conviveu com a religiosa, bem resumiu sua personalidade: \u201cEra alegre, simples, de muita f\u00e9, coragem e entusiasmo pelo bem ao pr\u00f3ximo. Todo mundo queria ficar junto dela, parece que a for\u00e7a dela puxava a gente. Eu sentia isso bem\u201d (FSP).<\/p>\n<p>Santa Dulce dos pobres! Temos agora a quem recorrer nos momentos de car\u00eancias, tanto materiais quanto espirituais. Sua entroniza\u00e7\u00e3o aos altares da Igreja Cat\u00f3lica apenas confirma a eleva\u00e7\u00e3o que o povo lhe deu em vida, quando sua santidade j\u00e1 era reconhecida por todos. N\u00e3o \u00e9 um fato corriqueiro, mas justo e eficaz. Um processo de beatifica\u00e7\u00e3o leva anos, \u00e0s vezes s\u00e9culos. No caso de Dulce, foi o terceiro mais r\u00e1pido da hist\u00f3ria, apenas 27 anos. Antes dela, veio o caso de Madre Teresa de Calcut\u00e1 (19 anos) e Jo\u00e3o Paulo II, canonizado 9 anos ap\u00f3s sua morte.<\/p>\n<p>Agora nos resta a grand finale, o momento em que ser\u00e1 oficialmente marcada sua canoniza\u00e7\u00e3o. Um t\u00edtulo apenas. Mas um momento \u00edmpar para o povo da Bahia e para n\u00f3s brasileiros, que sempre nos perguntamos o que que a baiana tem. Al\u00e9m da fibra, da garra pela vida, da alegria que lhe \u00e9 pr\u00f3pria e da extremada f\u00e9 que seus cultos e ritos nos mostram, a mulher baiana tem tamb\u00e9m o rosto santo de uma brasileira nata. A b\u00ean\u00e7\u00e3o, santa Dulce!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Corpo franzino, com pouco mais de um metro e meio de altura, pesando em m\u00e9dia quarenta quilos, a pequenina Maria Rita Lopes Pontes se tornou a primeira mulher brasileira a galgar os altares das devo\u00e7\u00f5es cat\u00f3licas, com direito a ser cultuada e venerada como santa. 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